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quarta-feira, 18 de maio de 2022

Rosa Weber envia para a PGR pedido de investigação contra Bolsonaro por ataques ao sistema eleitoral

 



A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber enviou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido de investigação contra os ataques de Jair Bolsonaro (PL) ao sistema eleitoral brasileiro. A informação foi divulgada pela GloboNews. 

Bolsonaro tem acusado o processo eleitoral brasileiro de ser inseguro, uma tentativa de preparar terreno para um golpe caso ele seja derrotado na eleição de outubro.

Apesar dos sinais de ser favorável a um golpe, Bolsonaro tem tido uam contraofensiva. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin, informou nessa terça-feira (17) que o pleito no Brasil terá ao menos cem observadores internacionais. 

Juristas e professores enviaram um documento à Organização das Nações Unidos (ONU) repudiando os ataques sem provas feitos por Bolsonaro ao sistema eleitoral brasileiro. 

Na última sexta-feira (13), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluiu testes nas urnas eletrônicas e reforçou que ninguém conseguiu alterar votos ou afetar apuração.

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sábado, 13 de novembro de 2021

Campos Neto foge da imprensa em Lisboa após Rosa Weber enviar à PGR pedido de investigação contra ele e André Esteves

 


Lauro Neto, da Sputnik - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, fugiu da imprensa na noite desta sexta-feira (12), em Lisboa, após a ministra Rosa Weber pedir à Procuradoria-Geral da República uma manifestação sobre abertura de inquérito para investigá-lo pelo crime de uso indevido de informação privilegiada.

Campos Neto e André Esteves, dono do banco BTG Pactual, foram acusados pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) da prática de insider trading, com pena prevista de até cinco anos de reclusão e multa.

O encaminhamento da relatora do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) à PGR foi feito na quinta-feira (11), mas publicizado no dia seguinte, quando o presidente do Banco Central participava de um evento em um hotel em Lisboa.

Apesar de a palestra de Campos Neto sobre "sustentabilidade do mundo financeiro" ter sido transmitida on-line, as câmeras não captaram os bastidores. Ele já havia sido abordado por um assessor do evento para falar com jornalistas antes de subir ao palco, mas se recusou. Após o encerramento, Sputnik Brasil o questionou sobre o pedido de investigação.

Apesar de este correspondente da Sputnik em Lisboa frisar que não se tratava de uma entrevista, mas apenas de uma pergunta, ele não quis responder. A cena foi presenciada por pelo menos mais dois interlocutores que o parabenizavam pela palestra.

Em seguida, Campos Neto saiu do salão, acompanhado de uma terceira pessoa, e apressou o passo até o elevador enquanto este repórter insistia com o mesmo questionamento.

Áudio de André Esteves mostra influência sobre BC

No fim de outubro, o site Brasil 247 revelou um áudio em que o banqueiro André Esteves mostrava, em um evento com clientes, sua influência sobre os presidentes do Banco Central e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira. Em determinado trecho da palestra de mais de uma hora, Esteves contou que Campos Neto o questionou sobre a queda da taxa de juros (Selic).

Nesta quinta-feira (11), a ABI requereu ao STF a instauração de inquérito para apuração de possível crime. A entidade alegou potencial conduta lesiva à confiabilidade do mercado de capitais, com base na conversa com Campos Neto relatada por Esteves.

Em 2015, Esteves chegou a ficar preso por 28 dias após determinação do STF por atrapalhar investigações da Operação Lava Jato. Depois desse período na cadeia, o então relator do caso, ministro Teori Zavascki (morto em 2017 em acidente de avião), determinou sua libertação.

Três anos depois, a Corte decidiu arquivar a investigação contra o banqueiro por suposta participação em uma organização criminosa integrada por parlamentares do MDB na Câmara dos Deputados. Segundo a PGR, a suposta quadrilha seria responsável por negociar vantagens indevidas com a Câmara, a Petrobras e a Caixa. A maioria dos ministros concordou que não havia provas contra Esteves.

Presidente do Senado defende PEC dos Precatórios

A palestra ministrada por Campos Neto no hotel de Lisboa fez parte da programação do seminário internacional "Agronegócio sustentável no Brasil", organizado pelas comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado e da Câmara.

Ausente no primeiro dia do evento, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, participou da abertura dos trabalhos na manhã desta sexta-feira (12). Já Arthur Lira (PP-AL), que preside a Câmara, estava presente no dia anterior, mas não compareceu no segundo e último dia.

Em resposta à Sputnik Brasil, Pacheco defendeu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, aprovada em segundo turno pela Câmara nesta terça-feira (9). Ele disse que o Senado deve votá-la até o fim de novembro.

No entanto, fez a ressalva de que precisarão ser analisadas as mudanças no projeto original, concebido em reuniões em sua casa, com Lira e Paulo Guedes, ministro da Economia.

Nesta quarta-feira (10), o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, publicou uma nota dizendo que Pacheco se orgulhava de que 90% do texto original da PEC dos Precatórios haviam sido escritos em sua casa. Confrontado com a informação pela Sputnik Brasil, o parlamentar primeiro brincou, para depois se gabar do resultado das reuniões, na residência do Senado, com Lira e Guedes.

sábado, 4 de setembro de 2021

PF abre inquérito para apurar vazamento de investigação sigilosa por Bolsonaro

 


Conjur - A Polícia Federal abriu inquérito para apurar o vazamento de uma investigação sigilosa da referente ao ataque hacker sofrido pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2018, feito pelo presidente Jair Bolsonaro durante uma de suas lives. A informação foi publicada pelo jornal Folha de S.Paulo.

A investigação foi solicitada pelo próprio TSE ao Supremo Tribunal Federal, via notícia-crime. Na corte constitucional, o ministro Alexandre de Moraes — também integrante do TSE —, atendeu ao pedido pela apuração do crime de divulgação de segredo, tipificado no artigo 153, parágrafo 1º-A, do Código Penal brasileiro.

Essa investigação contra o presidente tramita no contexto do inquérito das fake news, que apura a disseminação de conteúdo falso na internet e ameaças a ministros do Supremo.

A inclusão de Bolsonaro no inquérito ocorreu porque, no dia 29 de julho, o presidente usou o aparato oficial, inclusive com transmissão pela TV Brasil, emissora estatal, para atacar o processo eleitoral, as urnas eletrônicas e divulgar informações inverídicas sobre as eleições — que foram desmentidas por órgãos oficiais.

O desempenho de Bolsonaro na live também gerou uma petição protolocada no STF por um grupo de parlamentares, também solicitando a investigação do presidente. Esse caso está sob relatoria da ministra Cármen Lúcia. Em agosto, a Procuradoria-Geral da República pediu o arquivamento do feito.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Alexandre de Moraes pede ao TSE investigação de ministro da Justiça por campanha eleitoral antecipada

 


O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes pediu para o corregedor-geral do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Felipe Salomão, investigar se o ministro da Justiça, Anderson Torres, cometeu o crime de campanha eleitoral antecipada ao participar de uma live com o presidente Jair Bolsonaro. O evento ocorreu no dia 29 de julho, e o presidente prometia comprovar a fraude nas urnas eletrônicas. Moraes enviou um ofício ao corregedor no âmbito do inquérito das fake news, do qual é relator, para adoção de "providências cabíveis".

O magistrado anexou à decisão uma reportagem em que a revista Veja afirma que Torres pediu para estar na transmissão do chefe do Executivo porque, segundo um colega dele relatou ao veículo de comunicação, queria aproveitar a ocasião para ganhar visibilidade. O ministro da Justiça é delegado da Polícia Federal e, em conversas reservadas, já revelou a intenção de disputar algum mandato público em 2022 pelo Distrito Federal.

Essa, porém, não foi a primeira dor de cabeça que o chefe da pasta teve por participar da live de Bolsonaro. Quando Moraes acolheu a notícia-crime do TSE e incluiu o presidente como investigado no inquérito das fake news, o magistrado já havia determinado que a PF colhesse o depoimento de Torres. Após três anos denunciando supostas fraudes nas eleições brasileiras, Bolsonaro realizou uma live nas redes sociais no fim de julho para apresentar o que ele chamava de provas das suas alegações.

Durante a transmissão, porém, Bolsonaro propagou apenas teorias que circulam há anos na internet e que já foram desmentidas anteriormente. Na live, Bolsonaro mudou o discurso e admitiu que não pode comprovar se as eleições foram ou não fraudadas. "Não tem como se comprovar que as eleições não foram ou foram fraudadas. São indícios. Crime se desvenda com vários indícios", declarou.

Ao final da exposição, Bolsonaro foi questionado por jornalistas se havia mostrado suspeitas ou provas. Respondeu: "Suspeitas, fortíssimas. As provas você consegue com a somatória de indícios. Apresentamos um montão de indícios aqui". Durante a apresentação, foram veiculados vídeos divulgados na internet que buscam transmitir a mensagem de que é possível fraudar o código-fonte para computar o voto de um candidato para o outro. 

Estavam presentes na transmissão, além de Torres, os ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral da Presidência), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), além do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ). Ainda naquele dia, ministros do TSE se incomodaram com a presença do ministro da Justiça, já que a Polícia Federal está sob o guarda-chuva da pasta que ele comanda.

Como mostrou o Painel, da Folha de S.Paulo, Torres tentou envolver peritos da Polícia Federal na tentativa de Bolsonaro de achar provas contra as urnas eletrônicas. Torres levou dois técnicos para uma reunião no Palácio do Planalto seis dias antes da live sobre o tema, agora alvo de investigação do STF e do TSE. Os peritos foram apresentados ao conjunto de teses de internet que o presidente usaria na transmissão e disseram não ser possível fazer juízo de valor sem análise oficial. 

Entre os itens mostrados na live estavam as supostas urnas viciadas que favoreciam o registro do número 13, o caso sobre configuração do software do TSE para seguir um padrão de votação e suposta fraude em 2018 para evitar a vitória de Bolsonaro no 1º turno. Os peritos que foram ao Planalto participaram dos testes de segurança das urnas nos últimos anos. Eles defendem em relatórios a adoção do voto impresso como forma adicional de auditoria, mas não falam em fraude.

por Julia Chaib e Matheus Teixeira | Folhapress

domingo, 4 de julho de 2021

Senadores pedem investigação contra Aras e causam impasse no Conselho do MPF

 


Após os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Fabiano Contarato (Rede-ES) pedirem que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue o procurador-geral, Augusto Aras, um conflito, segundo o jornal O Globo, foi gerado dentro do Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF), órgão máximo que teria a competência legal para investigar Aras. 

Os parlamentares querem uma apuração acerca da conduta de Aras, por omissões na fiscalização de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. Os senadores citam nota em que o PGR transfere ao Poder Legislativo a reponsabilidade de investigar a conduta de autoridades públicas na pandemia. Aras abre mão de suas funções “ao pretender indevidamente transferir a pretensão de responsabilização dos agentes políticos de cúpula ao Poder Legislativo”, segundo o grupo.

Um aliado de Aras no Conselho Superior do MPF bloqueou o processo, proferindo despacho secreto, que acabou paralisando a tramitação. Enquanto isso, outros conselheiros tentam destravar o julgamento do caso. Aras não tem maioria no Conselho Superior. 

O vice-presidente do conselho, o subprocurador-geral da República, José Bonifácio Borges de Andrada, adversário de Aras, havia determinado o prosseguimento do processo. A secretaria do Conselho Superior, porém, enviou o caso para o subprocurador-geral Humberto Jacques de Medeiros, aliado do PGR, que proferiu um despacho sigiloso ao qual nenhum dos conselheiros nem funcionários do conselho tiveram acesso. 

José Bonifácio Borges de Andrada, então, tomou uma ação inédita ao entrar com um mandado de segurança na Justiça Federal na tentativa de obrigar que o despacho secreto de  Humberto Jacques de Medeiros seja tornado público e o teor seja anulado.

"A postura do conselheiro vice-procurador-geral da República viola todos os princípios constitucionais ou legais dos atos da administração pública e da Justiça. A regra é a publicidade dos atos", diz a ação de Bonifácio sobre Humberto Jacques de Medeiros.

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Ministério Público abre investigação criminal sobre contrato do governo Bolsonaro para aquisição da Covaxin


 Ministro da Saúde da Índia, Harsh Vardhan, segura ampola da Covaxin 16/01/2021 REUTERS/Adnan Abidi (Foto: Reuters)


A Procuradoria da República no Distrito Federal abriu uma investigação criminal sobre as negociações do Ministério da Saúde para aquisição da vacina Covaxin, por decisão do 11º Ofício de Combate ao Crime e à Improbidade Administrativa da Procuradoria.

O órgão aponta “temeridade do risco assumido pelo Ministério da Saúde” na compra da vacina indiana Covaxin. O MPF já havia apontado corrupção do governo Bolsonaro na compra superfaturada da vacina.

A dose foi negociada a US$ 15 dólares, preço superior ao da negociação de outras vacinas no mercado internacional.

Segundo a procuradora Luciana Loureiro, não há justificativa para as inconsistências na negociação “a não ser atender a interesses divorciados do interesse público”.

sexta-feira, 21 de maio de 2021

O que há de grave contra Ricardo Salles e qual foi o papel dos EUA na investigação da PF?

 


Especialista ouvido pela Sputnik Brasil explica os supostos crimes do ministro do Meio Ambiente na investigação que apura indícios de contrabando de madeira da floresta amazônica, na Operação Akuanduba, e comenta a participação da PGR e dos EUA no caso.

Uma cooperação entre Brasil e Estados Unidos foi o ponto de partida para as investigações contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por envolvimento em suposto contrabando de madeira da floresta amazônica.

Isso porque a origem da Operação Akuanduba, deflagrada pela Polícia Federal, na última quarta-feira (19), está no envio de documentos da embaixada dos Estados Unidos às autoridades brasileiras.

Tudo começou em janeiro de 2020, quando o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos (FWS, na sigla inglês), espécie de Ibama norte-americano, confiscou três contêineres de madeira exportados irregularmente do Brasil, no Porto de Savannah, na Geórgia.

Após a apreensão, a embaixada dos EUA no Brasil forneceu à Polícia Federal documentações e amostras das madeiras apreendidas pelas autoridades norte-americanas.

A operação para apurar os indícios de contrabando de madeira da floresta amazônica já havia sido autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em outubro do ano passado, mas foi barrada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada por Augusto Aras, tido como aliado do governo Bolsonaro.

© FOTO / BRUNO KELLY / AMAZÔNIA REAL
Queimadas na Floresta Amazônica, em Porto Velho (RO)

Em investigações que envolvem agentes públicos com foro privilegiado, o STF autoriza e a PGR é consultada antes de a Polícia Federal poder deflagrar a operação. Neste caso, a PGR não informou o motivo de não corroborar para o início da ação da PF.

Foi então que, nesta semana, após nova solicitação da Polícia Federal, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou o início da operação, pedindo apenas que o procurador-geral fosse comunicado após a deflagração.

Moraes determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Ricardo Salles e de servidores do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

O presidente do Instituto, Eduardo Bim, que assumiu o cargo em 2019, foi afastado por ordem do ministro do STF. Outras nove pessoas, que ocupam funções de confiança no Ibama e no Ministério do Meio Ambiente, também foram afastadas das atividades.

Na decisão, o ministro afirma que há suspeitas sobre a existência de "grave esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais", com base em depoimentos e documentos.

Para Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, as informações colhidas pela PF já "incriminam muito" o ministro Ricardo Salles.

"Não é uma acusação qualquer. É uma acusação em que o ministro, segundo a Polícia Federal, está envolvido em um esquema grave de facilitação de contrabando de produtos florestais. São nove crimes nos quais a PF enquadra o ministro e esse verdadeiro escritório do crime que foi montado no Ministério do Meio Ambiente, segundo as acusações", afirmou Astrini em entrevista à Sputnik Brasil.

Na decisão, o ministro Alexandre de Moraes cita os seguintes crimes: corrupção passiva, facilitação de contrabando, prevaricação, advocacia administrativa, corrupção ativa, crimes contra a administração ambiental, lavagem de dinheiro, integrar organização criminosa e obstrução de justiça.

​Moraes ressalta ainda que foi identificada uma "movimentação extremamente atípica" de R$ 14,2 milhões envolvendo o escritório de advocacia do qual o ministro é sócio - com participação de 50% -, no período de janeiro de 2012 a junho de 2020.

"É algo bastante grave. Podem, inclusive, aparecer outras gravidades, após a coleta de materiais da PF", disse Astrini.

PGR atrasou investigações?

Segundo o secretário executivo do Observatório do Clima, existe uma série de ações com "uma base muito clara de irregularidades contra membros do governo parando nas mão da PGR".

"Sentimos que o procurador-geral da República no Brasil virou uma espécie de advogado de defesa do presidente da República [Jair Bolsonaro] e dos ministros do governo", afirmou o especialista.

Astrini ressalta que Augusto Aras tem tentado abafar as críticas à sua atuação com processos na Justiça.

O procurador-geral da República Augusto Aras
© AP PHOTO / ERALDO PERES
O procurador-geral da República Augusto Aras

Nesta quinta-feira (20), o procurador-geral ajuizou, na Justiça Federal do Distrito Federal, uma queixa-crime contra Conrado Hübner Mendes, professor de Direito da Universidade de São Paulo (USP), por críticas ao seu trabalho. Aras imputa ao professor a prática de crimes de calúnia, injúria e difamação.

"Certamente, neste caso [da Operação Akuanduba], como em outros casos, pode ter havido uma demora por conta do procurador, que atrapalhou, inclusive, as investigações e o andar dos processos", disse o especialista.

Papel dos EUA no caso

Astrini avalia que, aparentemente, as autoridades norte-americanas de fato cooperaram com o Brasil para o início das investigações. Segundo ele, não parece ter havido nenhum tipo de atraso no trâmite por parte dos Estados Unidos.

"Não sei se haveria algum ganho por parte dessas autoridades ou algum interesse. Não acredito nisso. Acho que se passou um processo realmente longo", disse o especialista.

O secretário executivo do Observatório do Clima lembra que o governo do presidente Joe Biden tem se mostrado engajado em buscar soluções com outros países para as questões climáticas.

O presidente dos EUA, Joe Biden, participa da Cúpula do Clima em 22 de abril de 2021
© REUTERS / TOM BRENNER
O presidente dos EUA, Joe Biden, participa da Cúpula do Clima em 22 de abril de 2021

Nos dias 22 e 23 de abril, os EUA promoveram a Cúpula do Clima, reunindo líderes mundiais, em uma tentativa de iniciar discussões sobre o aquecimento global e o desmatamento no planeta.

Para o especialista, Biden parece interessado em contribuir para proteger a Amazônia.

"O problema é o governo brasileiro, que não tem o menor interesse em proteger a Amazônia e o meio ambiente no Brasil. Muito pelo contrário. É um governo que lucra politicamente com a desregulamentação e desproteção do meio ambiente. E agora, segundo a Polícia Federal, o ministro lucra financeiramente, inclusive, com a destruição e a ilegalidade que imperam na Amazônia", afirmou.

Em entrevista ao jornal Estadão, no dia 3 de abril, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que pediria US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,28 bilhões) aos Estados Unidos para combater o desmatamento na Amazônia e que, com essa quantia, seria possível reduzir em até 40% o desmatamento ao longo de 12 meses.

Astrini afirma que a declaração "não faz nenhum sentido", já que o governo brasileiro tem à sua disposição o Fundo Amazônia, com cerca de R$ 3 bilhões para combater o desmatamento e o crime ambiental.

Segundo o especialista, o governo não o utiliza porque "não tem compromisso e nenhum interesse".

Presidente Jair Bolsonaro e membros do governo federal ouvindo a fala do líder norte-americano Joe Biden durante a Cúpula do Clima, 22 de abril de 2021
© AFP 2021 / MARCOS CORREA / PRESIDÊNCIA DO BRASIL
Presidente Jair Bolsonaro e membros do governo federal ouvindo a fala do líder norte-americano Joe Biden durante a Cúpula do Clima, 22 de abril de 2021

Além disso, ele lembra que existem ações que poderiam ser tomadas para proteger a floresta que não precisam de dinheiro.

Ele explica que essas medidas "estão baseadas em desfazer favores que o governo fez ao crime ambiental". Uma delas seria destravar o processo de cobrança de multas por crime ambiental no país.

"O problema não é dinheiro, é falta de compromisso do governo com a área ambiental. Agora, vemos que, inclusive, é um governo com pessoas denunciadas, que estão do lado oposto da floresta, do lado dos desmatadores, segundo a Polícia Federal", afirmou.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik


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