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sábado, 13 de novembro de 2021

Campos Neto foge da imprensa em Lisboa após Rosa Weber enviar à PGR pedido de investigação contra ele e André Esteves

 


Lauro Neto, da Sputnik - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, fugiu da imprensa na noite desta sexta-feira (12), em Lisboa, após a ministra Rosa Weber pedir à Procuradoria-Geral da República uma manifestação sobre abertura de inquérito para investigá-lo pelo crime de uso indevido de informação privilegiada.

Campos Neto e André Esteves, dono do banco BTG Pactual, foram acusados pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) da prática de insider trading, com pena prevista de até cinco anos de reclusão e multa.

O encaminhamento da relatora do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) à PGR foi feito na quinta-feira (11), mas publicizado no dia seguinte, quando o presidente do Banco Central participava de um evento em um hotel em Lisboa.

Apesar de a palestra de Campos Neto sobre "sustentabilidade do mundo financeiro" ter sido transmitida on-line, as câmeras não captaram os bastidores. Ele já havia sido abordado por um assessor do evento para falar com jornalistas antes de subir ao palco, mas se recusou. Após o encerramento, Sputnik Brasil o questionou sobre o pedido de investigação.

Apesar de este correspondente da Sputnik em Lisboa frisar que não se tratava de uma entrevista, mas apenas de uma pergunta, ele não quis responder. A cena foi presenciada por pelo menos mais dois interlocutores que o parabenizavam pela palestra.

Em seguida, Campos Neto saiu do salão, acompanhado de uma terceira pessoa, e apressou o passo até o elevador enquanto este repórter insistia com o mesmo questionamento.

Áudio de André Esteves mostra influência sobre BC

No fim de outubro, o site Brasil 247 revelou um áudio em que o banqueiro André Esteves mostrava, em um evento com clientes, sua influência sobre os presidentes do Banco Central e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira. Em determinado trecho da palestra de mais de uma hora, Esteves contou que Campos Neto o questionou sobre a queda da taxa de juros (Selic).

Nesta quinta-feira (11), a ABI requereu ao STF a instauração de inquérito para apuração de possível crime. A entidade alegou potencial conduta lesiva à confiabilidade do mercado de capitais, com base na conversa com Campos Neto relatada por Esteves.

Em 2015, Esteves chegou a ficar preso por 28 dias após determinação do STF por atrapalhar investigações da Operação Lava Jato. Depois desse período na cadeia, o então relator do caso, ministro Teori Zavascki (morto em 2017 em acidente de avião), determinou sua libertação.

Três anos depois, a Corte decidiu arquivar a investigação contra o banqueiro por suposta participação em uma organização criminosa integrada por parlamentares do MDB na Câmara dos Deputados. Segundo a PGR, a suposta quadrilha seria responsável por negociar vantagens indevidas com a Câmara, a Petrobras e a Caixa. A maioria dos ministros concordou que não havia provas contra Esteves.

Presidente do Senado defende PEC dos Precatórios

A palestra ministrada por Campos Neto no hotel de Lisboa fez parte da programação do seminário internacional "Agronegócio sustentável no Brasil", organizado pelas comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado e da Câmara.

Ausente no primeiro dia do evento, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, participou da abertura dos trabalhos na manhã desta sexta-feira (12). Já Arthur Lira (PP-AL), que preside a Câmara, estava presente no dia anterior, mas não compareceu no segundo e último dia.

Em resposta à Sputnik Brasil, Pacheco defendeu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, aprovada em segundo turno pela Câmara nesta terça-feira (9). Ele disse que o Senado deve votá-la até o fim de novembro.

No entanto, fez a ressalva de que precisarão ser analisadas as mudanças no projeto original, concebido em reuniões em sua casa, com Lira e Paulo Guedes, ministro da Economia.

Nesta quarta-feira (10), o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, publicou uma nota dizendo que Pacheco se orgulhava de que 90% do texto original da PEC dos Precatórios haviam sido escritos em sua casa. Confrontado com a informação pela Sputnik Brasil, o parlamentar primeiro brincou, para depois se gabar do resultado das reuniões, na residência do Senado, com Lira e Guedes.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Imprensa alemã diz que bolsonarismo é seita que arrasta o Brasil para o abismo



Editorial na agência alemã Deutsche Welle diz que "o típico bolsonarista é como alguém que anda na contramão na autoestrada e ouve no rádio que há um motorista na contramão e depois grita: 'A mídia mente! Não é um motorista, são milhares!'"


 Publicação no jornal alemão Deutsche Welle diz que "A extensão da irracionalidade é aterrorizante e ameaça arrastar o Brasil para o abismo. Para a sua disseminação, há um motivo: o bolsonarismo. Esse nome se deve a um homem cujo livro favorito foi escrito por um torturador. Por conseguinte, o bolsonarismo tem correspondentes ideias para a sociedade: violentas, autoritárias, sem empatia, anti-intelectuais e pseudorreligiosas"
Segundo o jornal, "o bolsonarismo assumiu agora todas as características de uma seita cujos membros estão dispostos a seguir seu líder incondicionalmente, até a morte. Esse culto à morte está se tornando cada vez mais evidente nas manifestações dos bolsonaristas. Um caixão é carregado alegremente; no meio de uma pandemia, expõe-se a si mesmo e a outros ao perigo de um contágio e se grita: 'A covid-19 pode vir. Estamos prontos para morrer pelo capitão.'"
"Como em todos os cultos religiosos, as contradições são ignoradas. O bolsonarista sempre acha que sabe mais que os outros ‒ mesmo que os outros sejam o mundo inteiro. Ele não segue as estrelas da razão e do conhecimento que fizeram a humanidade avançar ao longo dos séculos (apesar dos inúmeros retrocessos). O norte na bússola do bolsonarista é a satisfação de seu ego insultado", aponta a publicação. 
"O bolsonarista odeia o conhecimento quando este contradiz sua visão de mundo. Ele é como um motorista que anda na contramão na autoestrada e ouve no rádio que há um motorista na contramão e depois grita: "A mídia mente! Não é um motorista, são milhares!"A extensão da irracionalidade é aterrorizante e ameaça arrastar o Brasil para o abismo. Para a sua disseminação, há um motivo: o bolsonarismo. Esse nome se deve a um homem cujo livro favorito foi escrito por um torturador. Por conseguinte, o bolsonarismo tem correspondentes ideias para a sociedade: violentas, autoritárias, sem empatia, anti-intelectuais e pseudorreligiosas.", acrescenta. 
A publicação também alerta que "o bolsonarismo assumiu agora todas as características de uma seita cujos membros estão dispostos a seguir seu líder incondicionalmente, até a morte. Esse culto à morte está se tornando cada vez mais evidente nas manifestações dos bolsonaristas. Um caixão é carregado alegremente; no meio de uma pandemia, expõe-se a si mesmo e a outros ao perigo de um contágio e se grita: 'A covid-19 pode vir. Estamos prontos para morrer pelo capitão.""

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Maia critica Guedes e diz que governo usa 'fake news' para 'enganar sociedade e imprensa'




O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), personificou críticas nesta quinta-feira (16) ao ministro da Economia, Paulo Guedes. Para o parlamentar, a equipe econômica do governo vêm criando fake News para descredibilizar projetos da Casa para socorrer os estados durante a crise do coronavírus. “Essa é uma briga com a federação, do meu ponto de vista, respeitando a posição de todos. Mais uma vez não vamos entrar nessa briga. Não vou entrar nesse jogo de números, nessa Fake News da equipe econômica, usando os números para tentar enganar a sociedade e a imprensa”, disse em entrevista coletiva em Brasília. Na última quarta-feira (15), a Câmara aprovou uma matéria, a contragosto da equipe econômica, com ampla maioria dos líderes (leia mais aqui). O texto tem impacto estimado de R$ 89,6 bilhões, mais que o dobro do oferecido pelo Tesouro Nacional, e não prevê congelamento de salários como contrapartida, como queria a equipe econômica. A pasta da Economia, no entanto, de acordo com Maia, fazia projeções de que o projeto custasse até R$ 285 bilhões ao Estado. “Chegaram a um ponto de colocar um dado que o custo do projeto da Câmara poderia ser de R$ 285 bilhões. Quando foi olhar, era porque eles estavam trabalhando com a hipótese da arrecadação ser zero de ISS e ICMS. Se isso for um dado, a crise é mais profunda do que eles estão projetando para a gente. Se eles podem projetar arrecadação zero para dar um impacto de R$ 285 bilhões para desqualificar o projeto da Câmara dos Deputados, significa que, ou eles estão mentindo, ou a crise é maior do que aquilo que nós estamos imaginando”, criticou. Para Maia, os ataques do ministério também são endereçados a estados, principalmente os da região Centro-Oeste. “Por que tantas agressões a um projeto da Câmara que trata da federação e nenhum ao projeto do Senado? Claramente o governo tem um conflito - e o ministro da Economia participa dele – contra os estados, principalmente os estados do Centro Oeste (...) Brasília não sei. [Além de] Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Nitidamente, por mais que a gente saiba que o foco tem que ser Rio ou São Paulo, todos os outros estados podem ser prejudicados porque o governo, em tese, não quer ajudar da forma que nós entendemos correta pelo enfrentamento da crise os estados do Rio e São Paulo. Essa briga federativa não vai levar nada a ninguém”, concluiu.

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