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sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Jovens evangélicos declaram voto em Lula e se rebelam contra pastores que negociam apoio a Bolsonaro

 



Uma reportagem do jornalista Rayanderson Guerra, publicada no jornal Estado de S. Paulo, revela um fenômeno novo e bastante interessante nas igrejas evangélicas. Jovens fiéis estão se rebelando contra a venda de apoio feita por donos de igrejas, que, muitas vezes, se comportam como empresários que negociam o apoio de seus rebanhos.

"A disputa pelo voto cristão, protagonizada pelo presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição pelo PL, e pelo presidenciável do PT, ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está rachando igrejas evangélicas no Brasil. Enquanto as cúpulas das denominações abraçam o bolsonarismo e tentam influenciar o voto dos fiéis, evangélicos jovens e de baixa renda rompem com grandes congregações e declaram apoio ao petista. Jovens, mulheres e eleitores de periferia, onde Lula se sai melhor, lideram a mudança. Há ainda casos de pessoas que, cansadas do tom político de alguns eventos, se afastam dos cultos", escreve o jornalista.

"Vinícius do Vale, doutor em Ciência Política pela USP e diretor do Observatório Evangélico, confirma que o amplo apoio a Bolsonaro por pastores e a politização dos cultos estão afastando fiéis divergentes", prossegue o repórter.

Na realidade, muitos pastores bolsonaristas, como Silas Malafaia, são grandes empresários, que negociam apoios em função de seus próprios interesses.

quarta-feira, 23 de março de 2022

PGR pede abertura de inquérito para investigar interferência de pastores no MEC

 


O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu abertura de inquérito para investigar o ministro da Educação, Milton Ribeiro, sobre as denúncias de "captura" da pasta por pastores evangélicos. A informação é do colunista Lauro Jardim, no jornal O Globo. 

A ideia é pedir a abertura de investigação contra o ministro e determinar seu depoimento imediato, além dos pastores e das figuras envolvidas na distribuição de verbas na pasta.

A investigação deve ser solicitada numa das representações que está com a ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia.

Em gravação, o ministro da Educação admite priorizar prefeitos apresentados pelo "gabinete paralelo", formado pelos pastores. A dirigentes municipais dentro da pasta, Ribeiro afirma seguir ordem de Jair Bolsonaro.

Diversas representações chegaram à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a abertura de inquérito referente ao favorecimento dos pastores na liberação de verbas. 

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Padres e pastores se unem e protocolam pedido de impeachment de Bolsonaro

 


Além de integrantes da Igreja Católica, assinaram o pedido líderes da Igreja Luterana, Anglicana, progressistas batistas, presbiterianos, metodistas e da Assembleia de Deus. Eles acusam Bolsonaro de crime de responsabilidade por sua desastrosa condução da pandemia da Covid-19

Mais de 380 líderes religiosos de diversas filiações protocolaram nesta terça-feira (26) um pedido de impeachment contra Jair Bolsonaro, que, segundo eles, cometeu crime de responsabilidade na condução da pandemia da Covid-19.

Entre os signatários estão líderes católicos, luteranos, anglicanos progressistas batistas, presbiterianos, metodistas e evangélicos da Assembleia de Deus, entre outros. 

No texto, é ressaltado o "não acesso à vacina" e "desprezo pela vida dos cidadãos". As práticas criminosas de Bolsonaro, aponta, usurpam o direito à saúde previsto na Constituição Federal.

"Como cristãos e cristãs entendemos ser nosso dever participar da luta pela promoção e defesa dos direitos humanos e contra qualquer tipo de opressão ou ação que tenha como resultado o adoecimento e a morte da população. Por esse motivo é que nos colocamos na luta pelo afastamento do senhor presidente da República Jair Messias Bolsonaro", escreveram as lideraças.

Uma das signatárias, a pastora luterana Lusmarina Campos Garcia,  destacou a postura criminosa de Bolsonaro diante da crise sanitária que o país atravessa: Os motivos principais são aquilo que a gente considera como crime de responsabilidade por parte do presidente na área da saúde pública, principalmente nesse momento da pandemia da Covid-19. As atitudes desrespeitosas por parte dele que resultaram e continuam resultando na morte de tantos brasileiros se constitui crime de responsabilidade", disse, conforme reportado na coluna de Chico Alves, no Uol. 

"Ele está indo contra um direito social, que é o direito saúde. Está indo contra princípios fundamentais da população brasileira, o que nós consideramos crime da parte dele", completou.

O monge menonita Marcelo Barros, ligado à Teologia da Libertação, movimento que prega uma mensagem humanista da Igreja, notou também a frequente usurpação do nome de Deus pelo presidente.

“Um dos gritos dessa força que trouxe o atual presidente ao poder era “Deus acima de todos”. Muitos religiosos e religiosas das mais diversas religiões precisavam vir a público para dizer que não estamos de acordo com esta instrumentalização da religião”, disse, conforme reportado no Congresso em Foco. 

Este é o 63º pedido de impeachment contra Bolsonaro. Trata-se da primeira movimentação coordenada de líderes religiosos contra o presidente, que se vê cada vez mais isolado. 

Confira abaixo a íntegra do pedido: 


domingo, 30 de agosto de 2020

Pastores têm responsabilidade nas mais de 120 mil mortes pela Covid-19 no Brasil, afirma teólogo



"O Brasil conta mais de 120 mil mortos, e, se existe alguém próspero financeiramente, são exatamente estes pastores. Malafaia, Macedo, Valdomiro e R. R. Soares seguem tão ricos e vivos hoje", diz Ronilso Pacheco


O teólogo e escritor Ronilso Pacheco apontou neste domingo (30) a responsabilidade de pastores evangélicos apoiadores de Jair Bolsonaro no número elevado de mortes por Covid-19 no Brasil. 
"No momento, o Brasil conta mais de 120 mil mortos, e, se existe alguém próspero financeiramente, são exatamente estes pastores. Malafaia, Macedo, Valdomiro e R. R. Soares seguem tão ricos e vivos hoje, quanto estavam há quatro meses atrás. Para mais de 120 mil pessoas, no entanto, as previsões catastróficas estavam certas, e, se tivessem sido levadas à sério, muitas vidas teriam sido poupadas", afirma Pacheco em sua coluna no UOL
O colunista lembrou que no dia 4 de abril, Jair Bolsonaro fez uma convocação para que seus apoiadores fizessem um "jejum pelo Brasil". 
"Durante a convocação, Silas Malafaia usa seu talento retórico para falar em tom profético: 'depois disso aí, vai vir um tempo de prosperidade para o Brasil que nunca houve, e todas as previsões catastróficas estão aniquiladas no nome de Jesus'", lembrou Ronilso. 

quarta-feira, 17 de junho de 2020

(Vídeo) Pastores se referem a negros como “encardidos, povo meio sujo”


Em uma live com a pastora Jéssica Maciel, o pastor Rodrigo dos Santos, da Igreja Batista do Calvário, na cidade de Toledo, no noroeste do Paraná, afirmou que o culto onde ele conheceu a esposa era formado por um pessoal “meio moreninho, meio encardido, povo meio sujo”


O pastor Rodrigo dos Santos, da Igreja Batista do Calvário, na cidade de Toledo, no noroeste do Paraná, contou como conheceu a esposa, em um culto realizado no bairro de Vila Pioneira, que ele próprio descreveu como "uma região mais pobre". Segundo o religioso, o público que frequentava o local era "(pessoal) meio moreninho, meio encardido, povo meio sujo…". A declaração foi concedida em uma live com a pastora Jéssica Maciel.


"Na região la da Pioneira a gente não via loira, como a minha esposa, né? E quando ela veio pro culto, se destacou", disse o pastor, em meio a risos de Jéssica.
Ao descrever o público dos cultos na Vila Pioneira, Rodrigo disse que era um pessoal "assim mais classe pobre…". Jéssica o interrompeu dizendo "mais moreno, queimado de sol", e riu.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Governo gastou mais de R$ 30 milhões em rádios e TVs de pastores que apoiam Bolsonaro

Jair Bolsonaro é recebido pelo Pastor Edir Macedo durante visita ao Templo de Salomão – Foto: Alan Santos/PR


Publicado originalmente na Agência Pública 
Por Bruno Fonseca e Mariama Correia
Mais de R$ 30 milhões – esse é o valor que a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) gastou em campanhas veiculadas em rádios e TVs de líderes religiosos que apoiam Jair Bolsonaro. Segundo levantamento da Agência Pública, o governo pagou com verba pública ações publicitárias em cinco veículos ligados a pastores de igrejas evangélicas que se reuniram com o presidente no início de junho, em Brasília. Na ocasião, os líderes se encontraram com Bolsonaro para “interceder pela nação e levantar um clamor pelo Brasil”, como afirmou Silas Malafaia, um dos organizadores do encontro.
Segundo a reportagem apurou, o valor gasto pela Secom em campanhas nesses veículos equivale a quase 10% de tudo que a secretaria desembolsou desde o início do governo Bolsonaro. Na semana passada, ela foi incorporada ao Ministério das Comunicações, recriado pelo presidente.
Parte do valor gasto cobre os custos das agências de comunicação contratadas pelo governo para desenvolver as campanhas, mas a maioria vai para as próprias redes de TV e rádio, como anúncio publicitário. Segundo a apuração, dos mais de R$ 30 milhões contratados pela Secom, R$ 25,5 milhões foram pagos aos veículos.
A maior parte do valor pago pela Secom foi para campanhas na rádio e TV Record, controlada pelo bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus. A secretaria pagou mais de R$ 28 milhões para campanhas publicitárias veiculadas na rádio e TV da emissora e na Record News. Desse total, R$ 25,1 milhões foram pagos diretamente aos veículos para custear os anúncios publicitários. O bispo Eduardo Bravo representou Edir Macedo na comitiva que esteve com Bolsonaro no dia 5.
A Secom pagou também cerca de R$ 30 mil em campanhas em emissoras afiliadas à Record. A TV Pajuçara, afiliada em Alagoas, recebeu R$ 12 mil.
Segundo a reportagem apurou, a maioria da verba pública gasta na Record foi para promover a reforma da Previdência. O governo contratou cerca de R$ 11 milhões em ações apenas na emissora de Edir Macedo, cerca de 15% de tudo que a Secom gastou para promover a reforma. A campanha é a mais cara já realizada desde a posse de Bolsonaro, com mais de R$ 70 milhões contratados ao todo.
Além de promover as mudanças na aposentadoria dos brasileiros, a Secom usou verba pública na Record para veicular campanhas de prestação de contas do governo, sobre segurança pública, no combate à violência contra a mulher e ações para divulgar uma imagem favorável do governo federal, como a “Agenda Positiva”. A reportagem encontrou mais mais de R$ 700 mil gastos pela Secom para veicular a campanha na Record, cerca de 12% de tudo que a secretaria já contratou para a ação, feita para mostrar “como cada ato do governo beneficia diretamente o cidadão e faz mudar seu dia a dia para melhor”. A Pública havia revelado que o governo já gastou R$ 14,5 milhões com a Agenda Positiva e manteve gastos milionários mesmo durante a pandemia do novo coronavírus.
A reportagem encontrou R$ 510 mil gastos na campanha “Dia da Amazônia” apenas em veiculações na Record. A ação foi anunciada em setembro de 2019, após críticas internacionais sobre queimadas na floresta amazônica. Segundo o governo, a campanha, que já custa mais de R$ 3,1 milhões, serve para reafirmar “soberania do Brasil em relação ao território” e “mostrar como o Brasil defende e conserva o bioma”.
A Pública questionou a Secom sobre os valores gastos em publicidade em emissoras religiosas, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.
Pastor dono de TV e rádio alegou prejuízo financeiro com pandemia
Além do bispo Eduardo Bravo, representante de Edir Macedo, da Universal, outras nove igrejas evangélicas tinham membros presentes no encontro ou foram mencionadas pelos organizadores da comitiva.
Um dos presentes foi o apóstolo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo. A igreja é dona da Rede Gospel, uma emissora de TV mantida pela Fundação Evangélica Trindade. Segundo a Pública apurou, a Fundação recebeu R$ 402,7 mil da Secom durante o governo Bolsonaro.
Em abril, no meio da pandemia, a Rede Gospel teria feito demissões em massa alegando dificuldades financeiras por queda de arrecadação dos dízimos e por estar com os templos fechados. Em 2012, o apóstolo Estevam Hernandes e sua esposa, a bispa Sônia Hernandes, foram obrigados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) a devolver R$ 785 mil aos cofres públicos por fazer uso de repasses do Ministério da Educação à Fundação Renascer. O dinheiro deveria ter sido utilizado para alfabetização de jovens e adultos. O casal foi preso nos Estados Unidos, em 2007, acusado de tentar entrar no país com dinheiro não declarado dentro de uma bíblia.
Outro membro da comitiva, o pastor R. R. Soares (Romildo Ribeiro Soares) está à frente da Igreja Internacional da Graça de Deus e é proprietário de várias empresas de mídia, incluindo editoras, gravadoras e distribuidoras de filmes. Listada como Rádio e Televisão Modelo Paulista, a Nossa TV recebeu R$ 1,5 mil da Secom. Embora os dados informados pela secretaria levem a um endereço no Rio Grande do Sul – a Nossa TV tem sede no Rio de Janeiro –, o nome de André Bezerra Ribeiro Soares, filho de R. R. Soares, aparece como sócio na consulta do CNPJ no site Brasil.io, que lista dados de empresas brasileiras.
Apesar de não estarem presentes, o pastor Samuel Câmara e o bispo Robson Rodovalho foram citados por Silas Malafaia na transmissão do encontro. Câmara é proprietário da Rede Boas Novas, uma TV aberta com cobertura nacional que tem duas emissoras próprias e quase cem retransmissoras e afiliadas. A empresa recebeu R$ 472 mil da Secom. Já o bispo Rodovalho comanda a Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, mantida pela Fundação Sara Nossa Terra. Durante o governo Bolsonaro, a Secom repassou R$ 741 mil à fundação, cuja estrutura de comunicação inclui a Rede Gênesis, emissora de televisão com abrangência nacional por canais pagos, e a Sara Brasil FM, uma emissora de rádio sediada em Brasília.
Comitiva de pastores” deve R$ 194 milhões ao governo
As igrejas e veículos de comunicação ligados ao grupo de pastores que se reuniu com Bolsonaro deve mais de R$ 194 milhões em dívidas com a União.
A maior devedora é a Igreja Internacional da Graça de Deus, de R. R. Soares, que sozinha tem uma dívida de mais de R$ 145 milhões. A dívida da igreja com a Receita cresceu no ano passado: eram R$ 127 milhões segundo dados informados anteriormente à Pública, referentes a agosto de 2019.
Além dos R$ 145 milhões em dívidas previdenciárias – valores não pagos referentes a funcionários, como a contribuição patronal ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) –, a editora Graça Artes Gráficas, ligada à igreja, deve mais de R$ 968 mil ao governo.
No Brasil, igrejas acumulam dívidas milionárias com a Receita Federal. De acordo com apuração da Pública, no final de 2019 elas somavam R$ 460 milhões. Mais de 1.200 entidades e grupos religiosos estavam em débito com o governo.
Segundo reportagem do Estadão, em abril o deputado federal David Soares (DEM-SP), filho do missionário R. R. Soares, se reuniu com Bolsonaro e o secretário especial da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto, para encontrar “uma solução” para as dívidas tributárias das igrejas.
Em 2019, o governo Bolsonaro havia flexibilizado a prestação de contas de entidades religiosas. Igrejas que arrecadam menos de R$ 4,8 milhões deixaram de precisar enviar dados financeiros à Receita pela Escrituração Contábil Digital (ECD). Segundo a Pública apurou, igrejas e organizações evangélicas são a maioria entre as entidades religiosas que devem à Receita e juntas acumulam cerca de 80% do total em dívidas. Apesar disso, a arrecadação das instituições religiosas vem crescendo ano após ano, bem como o número de entidades registradas na Receita.
Donos de emissoras católicas prometem “mídia positiva” em troca de anúncios
Encontros do presidente da República com líderes religiosos cristãos se tornaram prática recorrente do governo Bolsonaro. No dia 12 de abril, domingo de Páscoa, o presidente participou de uma live com católicos e evangélicos, incluindo Iris Abravanel, escritora e esposa de Silvio Santos, dono do SBT; o pastor Silas Malafaia, o padre Reginaldo Manzotti; e o deputado federal Marco Feliciano (Republicanos). O encontro foi transmitido nas redes sociais do presidente e pela TV Brasil, que é uma emissora estatal. A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos contestou o uso da emissora pública na Justiça alegando proselitismo religioso na transmissão.
Durante uma videoconferência no dia 21 de maio, com participação de Bolsonaro, padres que controlam emissoras católicas de rádio e TV ofereceram mídia positiva das medidas de enfrentamento do novo coronavírus em troca de anúncios e outorgas do governo federal. O caso veio à tona em reportagem do jornal Estadão, que mostrou repasses de R$ 4,6 milhões da Secom para emissoras de TV ligadas a grupos religiosos no ano passado. Após a reportagem, comissões da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) afirmaram em nota que “não organizaram e não tiveram qualquer envolvimento com a reunião entre o presidente da República Jair Bolsonaro, representantes de algumas emissoras de TV de inspiração católica e alguns parlamentares” e que “a Igreja Católica não faz barganhas”

domingo, 5 de abril de 2020

Jejum convocado por Bolsonaro e pastores contraria o que Cristo disse no famoso Sermão da Montanha

Edir Macedo e Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução/Twitter


Não há nada mais anticristão o jejum que Bolsonaro e pastores bolsonaristas convocaram para hoje.

Isso mesmo.

Ignorante, Bolsonaro desconhece a orientação que Cristo dá a seus discípulos sobre jejum, mas os pastores certamente já leram os versos 16, 17 e 18 do capítulo 6 do livro de Mateus, que faz parte do Sermão da Montanha:

Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.


Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto, com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

Bolsonaro anunciou o jejum como medida para combater o coronavírus, depois que se encontrou com um grupo de pastores na frente do Palácio do Alvorada.

O grupo orou por ele e pediu que convocasse a nação para um jejum, pois, como chefe do Executivo, tem “autoridade”, segundo eles. Bolsonaro até gravou um recado para outros grupos evangélicos e “proclamou” este domingo como um dia nacional de jejum no Brasil.

“Sou católico e minha esposa, evangélica. É um pedido dessas pessoas. Estou pedindo um dia de jejum para quem tem fé. Então, a gente vai, brevemente, com os pastores, padres e religiosos anunciar. Pedir um dia de jejum para todo o povo brasileiro, em nome, obviamente, de que o Brasil fique livre desse mal o mais rápido possível”, disse ele.


Para quem crê, jejum e oração têm validade, é claro.

Mas, da forma como foi colocado, é uma ação política para se opor aos esforços da equipe do Ministério da Saúde, que tem se comprometido com critérios técnicos e científicos para enfrentar a pandemia.

É como deve ser em qualquer país civilizado, e esse padrão de comportamento não se choca com a fé.

O ministro Luiz Henrique Mandetta, por exemplo, é católico fervoroso, de fazer novena. E se bateu de frente com Bolsonaro por defender essa posição. Bolsonaro quer o fim do isolamento social, para que o comércio volte a funcionar.

Seguir rigorosamente orientação técnica no combate ao coronavírus é o que todos deveriam fazer, o cristão especialmente.

Usar a ciência como aliada numa ação para evitar — ou atenuar — o sofrimento do outro é a melhor forma de mostrar que não é cristão apenas da boca para fora.

Se quiser fazer jejum, que faça, mas não como um espetáculo público que faz parte de um movimento de disputa de poder.

Publicado por
 Joaquim de Carvalho

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