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sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Jovens evangélicos declaram voto em Lula e se rebelam contra pastores que negociam apoio a Bolsonaro

 



Uma reportagem do jornalista Rayanderson Guerra, publicada no jornal Estado de S. Paulo, revela um fenômeno novo e bastante interessante nas igrejas evangélicas. Jovens fiéis estão se rebelando contra a venda de apoio feita por donos de igrejas, que, muitas vezes, se comportam como empresários que negociam o apoio de seus rebanhos.

"A disputa pelo voto cristão, protagonizada pelo presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição pelo PL, e pelo presidenciável do PT, ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está rachando igrejas evangélicas no Brasil. Enquanto as cúpulas das denominações abraçam o bolsonarismo e tentam influenciar o voto dos fiéis, evangélicos jovens e de baixa renda rompem com grandes congregações e declaram apoio ao petista. Jovens, mulheres e eleitores de periferia, onde Lula se sai melhor, lideram a mudança. Há ainda casos de pessoas que, cansadas do tom político de alguns eventos, se afastam dos cultos", escreve o jornalista.

"Vinícius do Vale, doutor em Ciência Política pela USP e diretor do Observatório Evangélico, confirma que o amplo apoio a Bolsonaro por pastores e a politização dos cultos estão afastando fiéis divergentes", prossegue o repórter.

Na realidade, muitos pastores bolsonaristas, como Silas Malafaia, são grandes empresários, que negociam apoios em função de seus próprios interesses.

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Por que evangélicos estão deixando de apoiar Bolsonaro e quais seriam as consequências em 2022?

 


A Sputnik Brasil conversou com Rafael Rodrigues da Costa, sociólogo, mestre em Ciências Sociais pela Unifesp e pesquisador visitante da Universidade Federal da Bahia (UFBA), para compreender o declínio de Bolsonaro entre os evangélicos.

Aparentemente, o apoio de Bolsonaro entre os evangélicos parece estar com os dias contados. De acordo com a última pesquisa Datafolha, 29% dos evangélicos consideram o governo Bolsonaro ótimo ou bom, sendo este o menor índice já registrado desde que assumiu o poder.

Para compreender este declínio do presidente Jair Bolsonaro, a Sputnik Brasil conversou com Rafael Rodrigues da Costa, sociólogo, mestre em Ciências Sociais pela Unifesp e pesquisador visitante da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Explicando como os evangélicos votaram nas eleições de 2018, quando Bolsonaro foi eleito, o especialista ressaltou que os evangélicos tiveram uma grande participação naquelas eleições para uma candidatura presidencial, o que é "algo novo para o Brasil", já que anteriormente os evangélicos eram mais envolvidos nas campanhas legislativas, elegendo senadores, vereadores e deputados federais, nunca tendo um apoio tão coeso em torno de uma candidatura presidencial.

Segundo ele, anteriormente alguns dos evangélicos "votavam muito mais por questões de classe do que necessariamente pelo voto religioso", contudo, isso mudou completamente em 2016 em virtude do impeachment da Dilma, do clima envolvendo o Brasil e da forte crise econômica que atingiu os pobres em cheio.

"Na eleição de 2016, o discurso antipetista se junta com o impeachment da Dilma, e isso vai virar literalmente uma onda evangélica em torno de algumas candidaturas, e é nessa onda que o Bolsonaro surge, principalmente em 2018", declarou Rafael Rodrigues da Costa, lembrando que em 2018 Bolsonaro contou com 70% dos votos evangélicos.

Além disso, o especialista destaca que em 2018 houve uma junção de fatores que colaboraram com a eleição de Bolsonaro, como o "caldo econômico, que vai fazer com que os evangélicos, que são pobres e negros em sua maioria, abandonem o petismo, o lulismo, para abraçar o próximo candidato que viria". Além disso, o "Bolsonaro tem um diálogo muito grande com os evangélicos", e compõe um quadro de pessoas que tinham um trânsito muito grande com os evangélicos, como a Damares, que já está há 20 anos no meio evangélico.

"Quando o conjunto de personagens evangélicos começa cada vez mais a se associar à candidatura de Bolsonaro, ele acaba se tornando mais palatável", afirmou.

Para o especialista, dessa forma o primeiro ponto foi o ponto de vista econômico, onde a crise veio e os evangélicos decidiram procurar um outro candidato que não fosse do PT. Já o segundo ponto foi o nível político, onde o Bolsonaro soube dialogar com os evangélicos como com nenhum outro grupo.

"Dentro da narrativa cristã, existe uma ideia de que aquele personagem que sofre uma violência, ele geralmente é o portador da verdade, ou seja, se a vítima estiver sofrendo uma violência, então ela é portadora da verdade, e os donos desse mundo estão querendo silenciar essa pessoa", recordou.

Ele também diz que o Bolsonaro soube explorar isso, com uma narrativa mitológica, onde ele é o "mocinho", como representante dos valores cristãos, conservadores, contra todo o progressismo e toda a ideologia de gênero, e o mais importante para os evangélicos era sentir que o Bolsonaro estava lutando contra "estas forças malignas", fazendo com que eles se unissem ao Bolsonaro.

Pandemia e temas mais importantes para os evangélicos

Com relação aos temas mais importantes para os eleitores evangélicos para 2022, Rafael Rodrigues da Costa afirma que a questão econômica deve ser um destes temas, já que o Brasil vive um momento em que metade de sua população está sofrendo algum nível de insegurança alimentar, o que atinge diretamente os evangélicos.

De acordo com o especialista, 65% dos evangélicos ganham apenas um salário mínimo, sendo "muito pobres", enquanto 57% dos evangélicos são negros, ou seja, eles vivem na base da pirâmide social brasileira, e estão sofrendo a inflação, a deterioração das condições de trabalho.

"Estas pessoas estão sofrendo muito durante a pandemia, tiveram uma melhora em 2020 com o auxílio emergencial, que teve um impacto enorme para essa população, mas agora estão dependendo muito do Auxílio Brasil, da melhora da economia, redução da inflação [...] E fora que muitas dessas pessoas perderam vidas durante a pandemia, perderam familiares, pessoas queridas", ressaltou.

Para o especialista, a pandemia e o fator econômico são fatores que surgirão na próxima eleição, com boa parte dos eleitorados tentando saber quais atitudes serão tomadas em relação ao emprego, à inflação e às questões econômicas.

Contudo, ele ressalta que ainda é cedo para prever o que vai acontecer nas eleições de 2022.

"Eu não posso dizer que não vai ter peso a questão dos costumes ou do que o Bolsonaro pode fazer para gerar informação e criar pauta na imprensa a seu favor, mas o fato é que as pessoas estão muito preocupadas com a questão econômica, mesmo entre os evangélicos", declarou.

Queda de Bolsonaro entre evangélicos não favorece Lula

Mesmo com uma queda de 11 pontos na aprovação do governo Bolsonaro entre os evangélicos, Lula não está conseguindo atrair votos destes eleitorados.

Rafael Rodrigues da Costa observa que hoje Lula e Bolsonaro estão em igualdade entre o eleitorado evangélico, contudo, os evangélicos possuem uma campanha muito forte antipetista realizada pelas lideranças.

Além disso, existe uma dificuldade da esquerda de dialogar com os evangélicos, "uma dificuldade estrutural", já que os quadros de liderança da esquerda, aparentemente, tendem a estar entre a classe média, mais intelectualizada e dos bairros centrais, ou seja, falta sensibilidade para notar a importância da igreja para essas pessoas. A igreja é o centro comunitário para a periferia.

"Muitas vezes uma parte da esquerda, mais intelectualizada, de extratos mais abastados, não entende a importância da igreja e olha apenas para a questão de fé, para os caciques, como Malafaia, Edir Macedo, e sempre trata com este desprezo estes segmentos", comenta.

Candidato da 'terceira via' com maior aceitação entre os evangélicos

Rafael Rodrigues da Costa afirma que há um cenário "muito difícil" para a terceira via em uma conjuntura internacional.

"Os candidatos da terceira via ainda não apareceram para valer. Por exemplo, o Doria ainda está disputando com o Adriano Leite dentro das prévias do PSDB. Temos poucos nomes que a gente sabe [...] Ainda é um cenário de muita especulação, e isso dificulta um pouco até para o horizonte dos evangélicos", observou o especialista, ressaltando que devido a isso é difícil saber como os evangélicos vão se comportar.

Contudo, ele afirma que existem algumas pessoas que têm um trânsito muito grande entre os evangélicos, sendo que o Moro seria o melhor nome para isso, já que possui um grande trânsito entre os evangélicos, contudo ainda é cedo para falar que o segmento vai apoiar o Moro em uma possível eleição.

"Existem dois movimentos hoje acontecendo dentro dos evangélicos. De um lado, as lideranças tentando reagrupar os evangélicos em torno da candidatura do Bolsonaro [...] E do outro lado, você tem uma completa desorganização da terceira via. Eles não sabem para quem eles vão", explicou.

Questão religiosa será válida nas eleições de 2022?

De acordo com Rafael Rodrigues da Costa, é sempre interessante observar o segmento religioso, porque a religião não é apenas uma fé, uma crença, mas sim um modo de ver e entender o mundo.

Além disso, ele afirma que 88% do Brasil é religioso, e 91% fazem parte de algum culto regularmente, indicando que a religião tem muito peso, já que as pessoas valorizam muito a religião.

"A religião, ela é muito importante para os valores e crenças de sociabilidade das pessoas, mas também porque dentro da religião vemos uma espécie de retrato desse universo social que é o Brasil, as suas contradições, todas as suas tensões e sua diversidade", concluiu.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik



quarta-feira, 9 de junho de 2021

Regras sanitárias na pandemia: Por qual motivo se liberou velório em Capim Grosso? A população se pergunta!


Enquanto muitos não puderam se despedir de seus parentes, não e pela razão de ser autoridade que a pessoa deva ter esse direito. Estamos em meio a uma grave pandemia, com quase 500 mil mortes 


Desde o final de 2019 vivemos uma maldita pandemia, que já ceifou quase 500 mil vidas no Brasil. Pessoas perderam seus empregos, seus negócios forram fechados e milhares de pessoas choraram em velórios, cemitérios, necrotérios reconhecendo corpos e em hospitais. E mesmo os milhões que se recuperaram da doença, muitos deles ficaram com sequelas pro resto da vida. 

E uma das causas desses agravamentos, muitos especialistas sugerem que o negaciosismo, atos anticientíficos, inclusive do próprio presidente da república (Inclusive uma CPI para apurar atos de autoridades foi criada no Congresso Nacional) e também lideranças religiosas, que teimaram em não usar máscara ou fazer isolamento social. Assim, governos criaram regras, como por exemplo, proibindo público em velórios e inclusive proibindo velórios. Por isso, um acontecimento nesta semana, chocou parte da população de Capim Grosso, o que nos leva a questionar o poder público municipal daquele município. Alguém pode perguntar, o que teríamos com isso? E respondemos: Tudo! Pois a pandemia afeta todo mundo. Até porque estão falando numa terceira e até quarta onda.

Sem nenhum ataque ou ofensa a família enlutada, que sofreu a perda de seu ente querido, mas, muitas outras pessoa também sofreram e tiveram que enterrar seu parente sem velório num saco preto e sem poder se despedir. Inclusive eu perdi minha mãe e o caixão dentro do carro da funerária parou 15 minutos na frente da casa, sem ninguém puder se aproximar. Então perguntamos; Por qual motivo o velório do Vice Prefeito de Capim Grosso foi liberado, numa igreja, transmitido ao vivo por rede social horas e horas, com filas gigantescas para se despedir? Com todo respeito ao falecido, mas, não é um cargo que torna uma pessoa melhor do que outra ou que tenha adquirido direitos acima dos outros mortais. E para lembrar que o STF já decidiu mais de uma vez que igreja não é serviço essencial e que deve obedecer as regras sanitárias vigentes na pandemia! As milhares de vítimas que tiveram que enterrar suas vítimas, não tiveram esse poder de fazer velório público.

Nossos pêsames as famílias enlutadas, pois é uma dor incalculável perder um ente querido, mas como muitas outras pessoas que perderam parentes e me solidarizo também as pessoas que não tiveram como fazer um velório igual o vice prefeito teve. Sem querer tirar nenhum mérito do falecido ou da família, insistimos em discordar e sem compreender o porque da forma diferente, em meio a uma pandemia.

O blogue Jorge Quixabeira postou o seguinte:

Além do Chefe do Executivo, passaram no salão da Igreja Adventista do 7º Dia, políticos, amigos e irmãos de fé. O velório foi restrito para a família e um número limitado de pessoas por conta da pandemia. Sivaldo Rios teve a companhia da ex-prefeita Lidia Pinheiro, a qual Frank Neto também participou da gestão como vice-prefeito.


Com a devida vênia ao blogue, mas, não foi isso que ficamos sabendo e nem o que as pessoas comentam pela cidade. Na verdade, se fala em filas imensas de evengélicos, passando no velório! E só o termo citado como, amigos, irmãos de fé e autoridades, é um número muito vasto... Além disso, volto a recordar, que quando minha mãe morreu, o corpo sequer pode entrar dentro de casa para a família se despedir. Claro que é um outro município, mas, a pandemia e as leis sanitárias são válidas em todo território nacional. E esse papo de que análises ou exames, possam atestar que não tem contaminação num velório, porque a pessoa já estaria morta, é no mínimo descabida, que de desculpe algum médico que propagar essa tese.


Da redação do C7 Notícias.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Andressa Urach volta ao Miss Bumbum, revolta evangélicos e web pira (vídeo)

 


A modelo e influencer compartilhou a novidade nas redes sociais e deixou os fãs muito animados

247 com Metrópoles - A vida de Andressa Urach tem um novo turning point: depois de uma fase dedicada à religião evangélica, a modelo e influencer retornou às origens e anunciou participação no Miss Bumbum 2021. Em vídeo postado nas redes sociais, ela contou a novidade para os fãs, que foram ao delírio com o retorno da “old Urach”.

"Estou de volta ao @missbumbumbrasil, o maior concurso do Brasil e do mundo! Agora eu sou garota propaganda e também sócia do concurso. Estou ansiosa para conhecer as candidatas desta edição especial de 10 anos", contou Urach, que recebeu críticas de internautas evangélicos, decepcionados com as mudanças que a modelo vem passando depois que deixou a igreja de lado.

Nas redes sociais, os fãs ficaram felizes com o retorno. A expressão “ela voltou” está entre as mais comentadas do Twitter.

Assista:




 

sexta-feira, 1 de maio de 2020

O milagre dos evangélicos na TV



Enquanto o governo Bolsonaro pressiona o Fisco a perdoar dívidas de igrejas evangélicas, elas seguem esbanjando dinheiro na TV aberta.
A Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário R.R.Soares, aluga, de segunda a sábado, 50 minutos do horário nobre da Band (21h10 às 22h00) e 60 minutos do horário nobre da RedeTV! (20h30 às 21h30) para orar, vender produtos e cantar. Esse altar eletrônico, pelas estimativas do mercado, tem custo mensal de R$ 20 milhões.
Segundo o Estadão, a Igreja Internacional da Graça de Deus acumula R$ 144 milhões em débitos inscritos na Dívida Ativa da União.
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sábado, 11 de abril de 2020

Evangélicos invadem Igreja Católica e ateiam fogo em estátua de Nossa Senhora da Conceição



“Alguns ‘irmãos’ evangélicos teriam invadido uma Igreja Católica e ateado fogo nesta imagem de Nossa Senhora da Conceição”.
O relato é de Elba Ramalho, que afirma ter recebido a imagem de fontes seguras.
Para ela, o ataque é um sinal de desrespeito:
“Isto reflete o absurdo que vivemos num mundo que se diz civilizado e fraterno. Particularmente considero um grande desrespeito aos católicos, sobretudo a Deus, pois quem honra o Filho honra o Pai, e quem honra a Mãe a todos honra!”

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Le Monde: no Brasil, evangélicos negam o perigo do coronavírus


"Pastores pentecostais se recusaram a fechar as portas das igrejas, apesar do risco de contaminação", diz artigo de Bruno Meyerfeld publicado no jornal francês


Por Bruno Meyerfeld, no Le Monde. Tradução: Sylvie Giraud -  Estamos em 14 de março. A onda do coronavírus está começando a assolar o Brasil. Nas grandes cidades, as autoridades locais decretam medidas de contenção e a proibição de grandes reuniões. Mas Silas Malafaia, chefe midiático da Assembléia de Deus Vitória em Cristo, uma das maiores igrejas evangélicas do país, não tem a intenção de desistir de seu culto de sábado. Muito pelo contrário.
De seu templo no bairro da Penha, no norte popular do Rio, o pastor faz seu discurso frente a centenas de fiéis, colados uns aos outros. “Nossa igreja manterá suas portas abertas! A igreja deve permanecer o último bastião da esperança do povo!”, clama Malafaia, pedindo à assistência que “não caia em uma neurose louca”: “Acreditamos que Deus está no controle de tudo. Nós acreditamos no poder da oração. É nossa arma!
Como Malafaia, muitos pastores brasileiros se destacaram nas últimas semanas pelo seu “corona cepticismo”. Em 15 de março, foi a vez de Edir Macedo, poderoso “patrão” da grande Igreja universal do reino de Deus (1,8 milhão de seguidores). Em um vídeo postado nas redes sociais, ele pede aos membros de seu rebanho que “não se preocupem com o coronavírus”: a pandemia é uma “tática”, orquestrada por uma aliança surpreendente entre Satanás, a mídia e os “interesses econômicos”, para semear “terror”.

A fé é um grande aliado neste grave momento para a nação: não podemos cerceá-la”, justificaram, de seu lado, em comunicado de imprensa, os eleitos devotos, membros do lobby parlamentar evangélico (195 deputados, ou 38% dos assentos em Câmara dos Deputados), pedindo às autoridades que mantenham os templos abertos e evitem confinamentos excessivamente rígidos. “Você precisa proteger os grupos de risco, mas não seja hipócrita: muitas pessoas precisam trabalhar para sobreviver, principalmente os trabalhadores por conta própria. O confinamento completo é impossível”, confidencia por telefone Marco Feliciano, pastor conservador e deputado de São Paulo.
“Lógica empreendedora”
Em um país onde um terço da população se declara atualmente evangélico (frente aos 9% de 1991), os cultos “anti coronavírus” dos pastores chegam a preocupar as autoridades locais, essas mesmas que estão na linha de frente na luta contra a pandemia. Até agora, elas permaneceram inflexíveis: nas grandes cidades, “megaigrejas” que podem acomodar até 10.000 fiéis tiveram de fechar suas portas. No Rio, Silas Malafaia, tendo visto seu pedido judicial recusado, teve de renunciar a contragosto a seus cultos públicos.
No entanto, nem todos os pastores têm a mesma atitude: em todo o país, muitas igrejas fecharam imediatamente quando a pandemia foi anunciada, optando por transmitir os cultos pela Internet. Os líderes evangélicos que negam a gravidade da crise “são em sua maioria os pentecostais muito conservadores de tendência fundamentalista”, insiste Ricardo Mariano, professor da Universidade de São Paulo (USP) e sociólogo das religiões. “Criacionistas, anti-intelectuais, eles são adeptos das teorias da conspiração e têm uma visão “mágica” do mundo, focada na convicção de que o poder divino pode intervir para resolver todos os infortúnios e proteger os fiéis de doenças ou epidemias virais.
Há também razões mais prosaicas. “Os pastores são, antes de tudo, líderes empresariais, movidos por uma lógica empreendedora”, lembra Flavio Sofiati, especialista do mundo cristão na Universidade de Goiás. Alguns, como Edir Macedo, estão entre os homens mais ricos do Brasil, dirigindo um império empresarial, que vai desde gravadoras até a grande imprensa. “Se não há mais culto, os fiéis não vêm mais à igreja, não pagam sua contribuição e estas terão menos dinheiro”, conclui o pesquisador.

Em seu combate, esses “barões da fé” contam com um forte aliado: Jair Bolsonaro. Católico de nascimento, mas “batizado” em 2016 por um pastor nas águas do Jordão e durante sua eleição o presidente de extrema direita recebeu o apoio total dos grandes líderes evangélicos, adotando desde então seu discurso ultraconservador. Descrevendo a pandemia como uma “gripe”, Bolsonaro publicou em 25 de março um decreto incluindo atividades religiosas (e a loteria) na lista de setores essenciais que não podem ser afetados por medidas de contenção. “O pastor saberá como conduzir seu culto (...). Se a igreja estiver cheia, ele fará algo, tomará uma decisão ...”, justificou-se o presidente, não sem dificuldade.
O decreto não criou raiz: dois dias depois, a justiça suspendeu a medida, que segundo ela poderia “estimular a aglomeração” de fiéis em locais de culto. O governo anunciou que irá recorrer. 

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