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segunda-feira, 22 de junho de 2020

Mandetta diz que Bolsonaro é único líder a manter discurso inadequado e “falta de respeito às vítimas”

President Jair Bolsonaro fired Luiz Henrique Mandetta in April AFP


Publicado no site da RFI
POR FANNY LOTHAIRE, correspondente da France24 em São Paulo
O ex-ministro da Saúde brasileiro, Luiz Henrique Mandetta, não poupa críticas à gestão de crise do presidente Jair Bolsonaro. Demitido durante a pandemia do coronavírus, Mandetta afirma que a gestão de Bolsonaro choca o mundo por manter o discurso da economia em detrimento às vidas e pela “falta de respeito às vítimas”. Em entrevista à televisão francesa France24, o médico disse que o Ministério da Saúde está “sob ocupação militar”.
Com mais de 50 mil vítimas da Covid-19, o Brasil chama a atenção do mundo por não ter adotado a política de confinamento e manter a população nas ruas com o vírus circulando.
Mandetta estava à frente do ministério da Saúde do governo de Jair Bolsonaro quando a pandemia começou a fechar os países da Europa. Naquele momento, enquanto o ministério da Saúde dava recomendações de isolamento social para a redução do contágio, o presidente brasileiro seguia dizendo que a doença não era grave e estimulava a população a sair para trabalhar.
“O presidente da República claramente optou por dar mais importância para o aspecto econômico que para o aspecto de saúde. Ele caiu em um falso dilema, como se essas coisas pudessem ser tratadas em separado, quando elas estão juntas,” disse Mandetta.
Em 16 de abril de 2020, o médico foi demitido por Bolsonaro. Seu substituto, o também médico de Nelson Teich, ficou no cargo por menos de um mês. Desde 15 de maio, o Brasil não tem um ministro da Saúde, e a pasta é comandada pelo interino general Eduardo Pazuello.
Para Mandetta, não existe mais um ministério da Saúde. O médico considera que a pasta está sob tutela militar e não segue nenhuma orientação de saúde.
“Nós, que somos oriundos da saúde, trabalhamos sobre três pilares: proteção incondicional à vida, proteção ao nosso sistema de saúde, o SUS, e uma defesa intransigente da ciência como método principal de tomada de decisões. Lá no Ministério da Saúde tiraram os técnicos de segundo e terceiro escalão, e colocaram no lugar militares seguindo uma norma militar. Nós não temos hoje um Ministério da Saúde, temos uma ocupação militar do Ministério da Saúde.”
Política em detrimento da ciência
Na entrevista, o médico avaliou como um falso dilema o discurso de ter de optar pela saúde ou pela economia.
“Não existe isso de sair forte de uma epidemia. Na história da humanindade, isso não é possível. Se tivéssemos optado pelo cuidado, nossa recuperação econômica seria muito mais precoce, como é demonstrado por qualquer análise econômica que é feita de qualquer tipo de epidemia. É uma questão muito mais pensando em 2022, quando acontecem as eleições.”
O ex-deputado considera que as decisões de Bolsonaro foram tomadas por motivações políticas: “É uma forma de se retirar desse assunto, deixando [o desgaste] para prefeitos e governadores”, considerou.
Ele voltou a criticar o uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19, remédio tratado como milagroso por Bolsonaro, mesmo após a decisão da OMS e de países como Estados Unidos de deixarem de testá-lo. O remédio, usado para malária, oferece riscos cardíacos aos pacientes e não tem efeito provado contra a Covid-19.
“Eles queriam liberar para uso em domicílio, sem monitoramento”, denuncia o médico. “[Bolsonaro] opta pela política em detrimento da ciência”.
Falta de respeito às vítimas
Questionado se o político acha que Bolsonaro poderá ser julgado no futuro por sua má gestão da crise sanitária, Mandetta afirmou que o presidente é o único líder mundial a seguir com o discurso inadequado e falta de respeito às vítimas.
“É uma condução [de crise] que choca os outros países porque o mundo optou primeiro por vidas e depois recuperar a economia. E ele vai na contramão e vai falar assim: ‘não, não vamos suspender a economia porque a economia vai ter mais danos do que essa doença’. E acabou sendo o único líder mundial a adotar esta linha. O Trump volto atrás, Boris Johnson voltou atrás, o presidente do México voltou atrás. Somente o presidente do Brasil permaneceu e permanece até hoje com esse tratamento inadequado, e essa falta de respeito às vítimas”, assinalou.

quinta-feira, 21 de maio de 2020

MANDETTA DIZ QUE BOLSONARO QUIS ALTERAR BULA DA CLOROQUINA PARA USAR CONTRA O CORONAVÍRUS



Do UOL.

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta revelou que o governo federal pretendia alterar a bula da cloroquina, para incluir no documento sua recomendação para o tratamento da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Em entrevista à GloboNews, ontem, Mandetta contou que isso aconteceria via decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“O presidente se assessorava ou se cercava de outros profissionais médicos. E eu me lembro de quando, no final de um dia de reunião de conselho ministerial, me pediram para entrar numa sala e estavam lá um médico anestesista e uma médica imunologista, que estavam com a redação de um provável ou futuro, ou alguma coisa do gênero, um decreto presidencial. E a ideia que eles tinham era de alterar a bula do medicamento na Anvisa, colocando na bula indicação para covid-19”, afirmou Mandetta, ao canal.

O ex-ministro disse que havia ministros o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, também estava no encontro – mas não concordou com a medida.

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domingo, 19 de abril de 2020

Demitido por Bolsonaro, Mandetta tem nome cotado para presidir o Conass


Ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta tem o nome cotado para presidir o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), representando os estados no colegiado


Luiz Henrique Mandetta, que foi demitido esta semana do comando do Ministério da Saúde, tem o nome cotado para presidir o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), representando os estados no colegiado, diz a jornalista Sonia Racy, em seu blog no jornal O Estado de S. Paulo . 

O atual presidente do Conass é o secretário de Saúde do Pará, Alberto Beltrame. Mandetta foi demitido na última quinta-feira (16) por Jair Bolsonaro após discordâncias entre eles sobre a condução das ações contra pandemia se tornarem públicas. 

sábado, 18 de abril de 2020

Bolsonaro disse a Mandetta que mortes vão cair nas costas dos governadores, não dele

Bolsonaro e Mandetta participam de entrevista coletiva em Brasília (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Diálogo foi presenciado na última reunião entre Bolsonaro e Mandetta, segundo colunista do Correio Braziliense. A frase foi uma resposta à declaração de Mandetta de que Bolsonaro seria “responsabilizado pelas consequências, pelas mortes”


A última reunião entre Jair Bolsonaro e Luiz Henrique Mandetta, ainda como ministro da Saúde, teve um diálogo marcante, segundo a jornalista Denise Rothenburg, do Correio Braziliense.
“Você será responsabilizado pelas consequências, pelas mortes”, disse Mandetta a Bolsonaro. “Eu, não, os governadores é que vão!”, respondeu Bolsonaro, aos gritos, de acordo com ela. 'Mandetta não respondeu mais e deixou o presidente falando sozinho, completa a nota da colunista. 
Os dois discordavam sobre as regras do isolamento social, com Bolsonaro querendo encerrar a quarentena e Mandetta seguindo as orientações da OMS, que vê o isolamento como única medida capaz de combater a contaminação do vírus.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Após racha entre Mandetta e Bolsonaro, Feliciano agora denuncia corrupção no ministério da Saúde



“Há denúncias que compraram a filiação de prefeitos no atacado e que aliciaram parlamentares no varejo”, afirmou o vice-líder do governo, o deputado federal Marco Feliciano (Sem Partido-SP), em referência ao ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta, demitido por Jair Bolsonaro


O vice-líder do governo, o deputado federal Marco Feliciano (Sem Partido-SP), aponta participação do ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta, demitido por Jair Bolsonaro, em um suposto esquema de corrupção montado no ministério pelo Democratas (DEM).
“Mandetta só fez o jogo do seu partido! Empenhou 12 BILHÕES no Ministério da Saúde nos últimos dias de 2019. Há denúncias que compraram a filiação de prefeitos no atacado e que aliciaram parlamentares no varejo”, escreveu o parlamentar no Twitter.
As acusações têm como base uma denúncia feita deputado federal Hildo Rocha (MDB-MA) que estariam no “Dossiê Mandetta” feito pela Abin e pelo Exército.
Mandetta e Bolsonaro vinham tendo divergências sobre as estratégicas para combater o coronavírus. O ex-ministro defendia o isolamento total, enquanto o ocupante do Planalto já havia pedido a reabertura do comércio e também esteve presente em algumas mobilizações. 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que as pessoas evitem aglomerações. 
O Brasil tem pelo menos 33,6 mil confirmações de coronavírus e 2,1 mil mortes. Em nível global são 2,2 milhões de casos e 152,3 mil falecimentos por causa da covid-19.

Mandetta indica risco de colapso na saúde e aponta ingratidão de Bolsonaro

Mandetta no Planalto, antes de entrevista sobre coronavírus 14/4/2020 (Foto: ADRIANO MACHADO)

Ex-ministro rebateu Bolsonaro e Nelson Teich: “idosos não são e nunca serão descartáveis sob o argumento da economia que for”


Por Ricardo Ribeiro, na Fórum – Antes de deixar o ministério da Saúde, Luiz Henrique Mandetta falou sobre ingratidão e risco de colapso no sistema de saúde do país. As declarações ocorreram em uma cerimônia informal para colocar a sua foto na galeria de ex-ministros, acompanhada pelo jornal Folha de S.Paulo.
Nesta despedida privada, ocorrida algumas horas depois de o presidente Jair Bolsonaro anunciar a sua demissão, Mandetta fez um discurso de cerca de dez minutos para servidores e assessores, após ouvir aplausos, cantorias e falas emocionadas de aliados.
Ele começou falando sobre a Santa Irmã Dulce, religiosa brasileira canonizada recentemente. Por sua solicitação, um quadro da santa católica estava colocado no local.
“Quando fui a Salvador ver o hospital da obra de Irmã Dulce, estava com prefeito ACM Neto e ele se ajoelhou. Eu decidi ajoelhar também e rezar para que ela iluminasse o país. E disse: Irmã Dulce, se a senhora for santa, vou no Vaticano. Achei que ia demorar 30 anos e pagar a promessa lá na frente, mas fui. Chegando lá, o que eu pedi foi: protege o SUS, porque, ao proteger o SUS, a senhora protege muita gente”, disse o já ex-ministro.
Mandetta usou do exemplo da santa para se referir ao desafio de implementar medidas de isolamento social durante a pandemia de coronavírus, alvo de críticas de Bolsonaro.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Demissão de Mandetta provoca panelaços em várias cidades (vídeos)


Panelaços foram acompanhados de gritos de ‘Fora, Bolsonaro’ em bairros do Rio, de São Paulo e outras cidades. A hashtag #ForaBolsonaro entrou para os assuntos mais comentados do Twitter


A demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, pelo governo de Jair Bolsonaro provocou panelaços em diversas cidades do Brasil na tarde desta quinta-feira 16.
Os protestos foram acompanhados de gritos de ‘Fora, Bolsonaro’ em bairros do Rio de Janeiro, de São Paulo e outras cidades.
Assume no lugar de Mandetta o médico oncologista Nelson Teich. Em artigo publicado no LinkedIn no dia 2 de abril, ele afirma ser contra as políticas de isolamento e quarentena adotadas em praticamente todo o País. 
Além disso a hashtag #ForaBolsonaro e #BolsonaroVirus tornaram-se os assuntos mais comentados do Twitter. 












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