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segunda-feira, 31 de maio de 2021

Pandemia se agrava: Saúde admite risco de colapso no Nordeste e anuncia envio de 5,1 mil aparelhos de oxigênio

 


O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou que a pasta vai enviar 5,1 mil concentradores de oxigênio para unidades de saúde que atendem pacientes com Covid-19 no Norte e no Nordeste do país. O anúncio foi feito em visita a Pernambuco, que receberá 148 aparelhos até o dia 10 de junho 

"Estamos visitando a região, pois sabemos que há ameaça de colapso no sistema de saúde, sobretudo em função do insumo oxigênio", admitiu o ministro. Ele não mencionou a quantidade que será enviada à Bahia.

De acordo com a Agência Brasil, ao ser questionado se havia risco de colapso por falta de oxigênio mesmo após o envio desses concentradores, ele disse que o governo trabalha para que isso não aconteça. “Só que lidamos com a imprevisibilidade biológica porque esse vírus sofre mutação e pode ter variantes que podem ter comportamento biológico diferente, o que leva pressão maior para o sistema de saúde. Mas as autoridades sanitárias estão empenhadas para que não haja falta de oxigênio”, acrescentou.

Ele ponderou, no entanto, que a distribuição e logística de oxigênio "é questão complexa", já que ele também é distribuído em cilindros, especialmente nos municípios de menor porte. Segundo o ministro, "há carência de cilindros", mas o ministério tem apoiado as secretarias municipais para que não falte o aparelho.

Redação: Bahia Notícias


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

À beira do colapso: Bahia tem 9 hospitais com taxa de ocupação para covid em 100%

 


De acordo com o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) neste domingo (14), 64% dos leitos destinados no estado para pacientes com a covid-19 estão ocupados. Em relação à ocupação de leitos de UTI, o número é ainda mais elevado: 71%. Pelo menos nove unidades de saúde da Bahia estão com 100% de ocupação de leitos por conta do avanço da doença nas últimas semanas. O cenário é de preocupação entre profissionais de saúde e gestores do estado e do município. 

Os hospitais sem vagas na Bahia são: Hospital Geral Cleriston Andrade (100% de ocupação de leitos clínicos - Feira de Santana), Hospital Santa Helena (100% de ocupação de leitos de UTI adulto - Camaçari),  Hospital de Referência Itaigara (100% de ocupação de leitos clínicos - Salvador), Hospital do Subúrbio (100% de ocupação de leitos clínicos - Salvador), Hospital Regional Dantas Bião (100% de ocupação de leitos clínicos - Alagoinhas), Hospital Regional Costa Do Cacau (100% de ocupação de leitos clínicos - Ilhéus), Hospital Calixto Midlej Filho (100% de ocupação de leitos clínicos - Itabuna), Hospital Manoel Novaes (100% de ocupação de leitos de UTI pediátrica - Itabuna), Hospital São Vicente (100% de ocupação de leitos de UTI adulto - Jequié).

A Bahia já contabiliza 629.849 casos confirmados da doença, 15.392 casos ativos e 10.735 óbitos. Somente neste domingo, 2.584 casos foram registrados e 61 óbitos. A taxa de mortes vem crescendo conforme os dias de 2021 vêm passando. No primeiro dia do ano, foram registrados 30 óbitos diários. No dia 1º de fevereiro, o número subiu para 39. Na última sexta-feira (12), foram 67 mortes.  

A Sesab informou que, na última semana, os números demonstraram uma tendência de crescimento dos óbitos e de quadros clínicos mais graves, o que tem ampliado a taxa de ocupação nas UTIs. “Neste cenário, o Governo da Bahia abriu novos leitos de terapia intensiva nos municípios de Camaçari, Seabra e Barra nos últimos dias e estão previstas ampliações nas cidades de Ilhéus e Porto Seguro, em um esforço para reduzir a pressão na rede assistencial” diz o boletim.  

No sábado, o governador Rui Costa alertou para risco de colapso no sistema de saúde. Segundo ele, a Bahia está hoje com níveis de transmissão iguais aos de agosto de 2020, quando os casos ainda cresciam. A média de pacientes para serem regulados nas unidades de saúde, que alternava entre 30 e 40 na Bahia, chegou a 83. Para Rui, o cenário indica chances de colapso na rede. "Se continuar esse ritmo de crescimento da doença na Bahia, em duas ou três semanas nós podemos estar pior do que estávamos em julho do ano passado e corremos o risco de ter colapso no sistema de saúde, o que, em nenhum momento nós tivemos desde o início da pandemia", disse.

O governador fez um pedido à população, para que as pessoas não deixem de usar máscara, de higienizar as mãos e de ter distanciamento social. "Fica o meu apelo a você. E se tiver algum sintoma, não acredite no presidente da República. Não é uma gripezinha, a doença mata", enfatizou.


Desgaste dos profissionais


De acordo com a médica Ana Rita Freire, presidente do sindicato dos médicos do estado da Bahia (Sindimed), o número de pacientes atendidos e internados vem crescendo desde novembro de 2020, quando teve uma queda significativa. “Em setembro, outubro e novembro, nós ficamos bem animados porque a gente reduziu muito os números e, tanto na rede pública quanto privada, foram desmobilizadas alas dedicadas à covid e hospitais de campanha. Mas foi uma esperança que não se concretizou e existe uma sensação de frustração. Hoje, a gente já percebe uma reversão disso. Um dos hospitais em que eu trabalho, já começa a fazer um sistema de contingenciamento de cirurgias eletivas, justamente para que não haja um colapso do sistema. Isso a gente também tem que atribuir às festividades de final de ano e um certo relaxamento da própria população”, explica Ana Rita.

A presidente também ressalta que, além do maior número de casos de covid, há o risco de ainda mais peso ser colocado sobre o sistema de saúde por conta dos atendimentos de outras doenças que deixaram de ser feitos em 2020 por causa da pandemia. “É o somatório de pacientes que estão sendo internados e operados por doenças que não podem mais esperar, porque já esperou quase um ano, e também pacientes dessa nova onda de contaminação de covid. Existe uma apreensão entre a classe médica de que ocorra uma exaustão do sistema, mas a gente torce para que não”, pontua ela.

Mesmo com a vacina já sendo aplicada em idosos e profissionais de saúde, a luz no fim do túnel ainda parece longe. “Em 2020, era uma doença nova, desconhecida, a gente não sabia o que fazer, o que funcionava. Hoje, temos vacina e uma experiência maior. Mas também, por surpresa, temos um desdobramento dessa doença já em crianças, com quadros gastrointestinais e até cardiológicos já sendo acompanhados”, diz a presidente do Sindimed.

A queda dos números entre setembro e novembro de 2020 e o início da vacinação foram sinal de esperança, mas que duraram pouco. Os casos voltaram a subir e o ritmo da imunização é lento. Enquanto isso, profissionais de saúde seguem doando tempo e esforço na linha de frente do combate ao coronavírus. “Não existe a opção de falta de energia, a gente tem que lutar. Os profissionais de saúde, principalmente nesse momento de pandemia, não podem se dar ao luxo de faltar energia, embora a gente tenha um efetivo esgotado, cansado e, sobretudo, mal reconhecido pelos agentes públicos”, finaliza a médica.

Em Salvador, a situação também é de alerta e preocupação, já que três dos nove hospitais com 100% de ocupação são da capital e ainda há risco de que a cidade tenha que suprir a demanda do interior do estado. De acordo com o boletim deste domingo, 72% dos leitos de UTI adulto exclusivos para covid-19 em Salvador estão ocupados. O índice nessas unidades chegou a cair para perto de 50% em agosto de 2020.  

Procurado pelo CORREIO, o secretário de saúde municipal, Léo Prates, afirmou que a pasta está acompanhando com atenção o quadro da covid-19 na capital. “Apesar de termos fechado sábado com 70% de taxa de ocupação de leitos de UTI, um índice que vem se sustentando ao longo do tempo, a gente sente um aumento da pressão sobre as UPAs. Ontem, nós, com o governo do estado, regulamos cerca de 54 pessoas”, disse o secretário.

Prates destacou ainda que o sistema de saúde está sob pressão e pediu a colaboração da população. “A gente precisa ter atenção, as pessoas precisam redobrar os cuidados porque estamos bem preocupados com essa situação da pressão sobre o sistema de saúde. A demanda por internação nos hospitais vem crescendo, as pessoas precisam entender que a pandemia não acabou”, completou.

Na última sexta-feira (12), o prefeito Bruno Reis (DEM) deu o recado: caso a taxa de ocupação nas UTIs e os números de contaminados pelo coronavírus continuem em ritmo de galope acelerado, adotará novamente medidas mais rígidas de isolamento social para frear a trajetória de crescimento da covid já a partir desta semana.

“O que mais preocupa a gente são os números de novos casos diários, o fator RT (que mede quantos são infectados por alguém contaminado) e a velocidade de aceleração. Então, há risco real de estar circulando outra cepa na cidade, muito mais agressiva, que tem feito os números crescerem, a ponto de trazer grande preocupação”, emendou Reis. 

Hospitais cheios...e ruas também

Moradores do bairro da Barra, em Salvador, vêm registrando cenas de muita aglomeração no local nos finais de semana. Os registros mais recentes são do domingo passado, dia sete de fevereiro. As imagens mostram pessoas juntas, algumas delas sem máscaras, no Porto e no Farol, onde apresentações artísticas atraem soteropolitanos e turistas. 

Na última quarta-feira, um vídeo de um Bell Marques fake puxando um falso trio elétrico na frente do Farol da Barra viralizou nas redes sociais. Apesar da ausência de aglomeração, algumas pessoas dançavam em volta sem máscara. Na ausência do Carnaval, as alternativas têm sido as praias e os bares.

O prefeito Bruno Reis relembrou que nenhuma comemoração está permitida para os dias de Carnaval, independentemente do número de participantes. Decreto do governo do estado só permite que sejam realizadas solenidades, formaturas e casamentos, sem shows ou músicas ao vivo. Já o decreto municipal autoriza somente voz e violão, em bares e restaurantes.  

*O Correio 24h Com orientação do chefe de reportagem Jorge Gauthier

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

'Passando a boiada': Brasil caminha em direção a um colapso ambiental?




Em meio à crescente preocupação com a degradação do meio ambiente no Brasil, especialistas ouvidos pela Sputnik apontam os motivos pelos quais o governo Bolsonaro teria a pior gestão ambiental desde o restabelecimento da democracia no país.
Desde antes da posse do presidente Jair Bolsonaro, o meio ambiente sempre foi uma das áreas de maior preocupação quanto às diretrizes da nova administração federal. Em pouco mais de um ano e meio de governo, as expectativas negativas, segundo a maioria dos especialistas e dos cidadãos comuns, se confirmaram. Incontáveis críticas se acumularam, ao longo dos últimos meses, à atual gestão ambiental nacional, em meio a inúmeras polêmicas envolvendo a Amazônia, o Pantanal e outros biomas brasileiros. 
​Chefe da pasta encarregada de assegurar a proteção do meio ambiente, o ministro Ricardo Salles tem sido um dos mais questionados por sua atuação entre os membros do governo. Além de posicionamentos controversos e, segundo críticos, pouca habilidade para lidar com crises, pesa contra ele o fato de já ter sido condenado, em primeira instância, por atos de improbidade administrativa, quando era secretário estadual, em São Paulo. O julgamento em segunda instância estava marcado para esta quinta-feira (3), mas foi adiado. 
Salles foi acusado de cometer diversas irregularidades no procedimento de elaboração e aprovação do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental Várzea do Rio Tietê. Ele teria participado, de acordo com o Ministério Público, de um esquema que promoveu modificações de mapas, alteração de minuta do decreto do plano de manejo e perseguição a funcionários da Fundação Florestal, com o objetivo de beneficiar empresas filiadas à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), também condenada.
Há vários meses, circulam especulações sobre uma possível saída do ministro do cargo, medida vista por muitos como uma manobra que poderia acalmar um pouco os ânimos e enviar uma mensagem importante aos mais diversos setores, dentro e fora do Brasil. Há quem acredite, no entanto, que a permanência ou não de Salles na pasta pouco mudaria, na prática, os rumos traçados pelo governo Bolsonaro para a gestão ambiental, que estaria caminhando, a passos largos, para um completo desastre. 

'Pior governo no quesito proteção ao meio ambiente'

Em 25 de janeiro de 2019, menos de um mês depois da posse de Bolsonaro, o rompimento de uma barragem em Brumadinho, Minas Gerais, provocou um vigoroso derramamento de rejeitos que se espalhou por uma vasta área e vitimou pelo menos 270 pessoas. Obviamente, não foram traçadas ligações de culpa entre o incidente e a nova administração, mas as proporções do desastre jogaram os holofotes sobre o quanto de atenção o governo brasileiro daria ao meio ambiente. 
Quando, no meio do ano, uma crise de queimadas e desmatamentos na Amazônia reacendeu o interesse público pelas questões ambientais, a suposta atitude permissiva do governo para com violações, as declarações polêmicas do presidente e do ministro Salles, os ataques à ciência, a postura de favorecimento à exploração em detrimento da preservação, entre outras coisas, transformaram a gestão ambiental brasileira em assunto global, mobilizando autoridades e personalidades dos quatro cantos do planeta. 
​A situação, que já não era boa, se deteriorou quando, em meio a isso, grandes quantidades de óleo começaram a aparecer em diversas praias do Nordeste brasileiro, impactando depois também a região Sudeste. Apesar das diferentes teorias que tentaram explicar como o derramamento teria ocorrido, mais de um ano depois, o episódio segue envolto em mistérios, com consequências de dimensões ainda desconhecidas e sem ninguém ter sido responsabilizado legalmente.
Novamente, embora não tenha havido suspeitas sobre culpa do governo no caso, a falta de preparo, a demora em dar uma resposta e a permanência do problema por tanto tempo, segundo vários ambientalistas, demonstrou, no mínimo, uma grande negligência do poder federal. 
​"Não há dúvidas de que o governo Bolsonaro é, de longe, o pior governo no quesito proteção ao meio ambiente desde que o Brasil voltou a ser uma democracia, há quase 40 anos. Ele tem investido, desde o primeiro dia, em desmontar, paralisar os órgãos de controle ambiental", afirma em declarações à Sputnik Brasil o diretor de Justiça Socioambiental do WWF-Brasil, Raul Valle.
De acordo com o especialista, medidas como a substituição de funcionários qualificados por pessoas sem experiência em postos-chave de combate a crimes ambientais, por exemplo, indicam que o governo "não está disposto a punir o criminoso ambiental, mas, sim, disposto a punir aqueles que combatem o crime" e isso vem sendo "sentido na ponta". 
"O aumento de invasão e desmatamento em áreas protegidas, áreas do governo que deveriam ser protegidas, é sintoma dessa paralisia dos órgãos de controle e de uma mensagem muito permissiva com a criminalidade ambiental no país. Então, o governo, embora não tenha, ainda, modificado o aparato legislativo — poucas leis foram aprovadas pelo Congresso mudando o regramento atual —, na prática, isso vem acontecendo simplesmente porque as leis não estão sendo aplicadas." 
​​Ricardo Salles, na opinião de Valle, só está ocupando o Ministério do Meio Ambiente porque é "conivente" e "cúmplice" dessa "linha de desmonte da política ambiental". E, só por isso, ele ainda não foi demitido, apesar das muitas denúncias feitas contra ele. 

Brasil tem hoje uma 'antipolítica' ambiental

Para Rosa Formiga, professora do Departamento de Engenharia Sanitária e do Meio Ambiente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a gestão do setor na atual administração é tão "desastrosa" que, em vez de falarmos em política ambiental, deveríamos chamar o que está sendo feito de "antipolítica" ambiental. 
Segundo ela, a situação da Amazônia hoje ilustra bem essa condição: desmatamento acelerado e sem controle, queimadas, desprezo pelos povos indígenas, comunidades tradicionais e pela biodiversidade e desmonte dos órgãos de monitoramento, gestão e fiscalização, como IBAMA, ICMBio e INPE. 
"Ou seja, temos uma política ambiental desastrosa, ou uma antipolítica, que está nos levando a uma crise de grandes proporções", argumenta a acadêmica também em entrevista à Sputnik. "No caso da Amazônia, essa crise pode inclusive atingir um 'ponto de não retorno' às condições originais da floresta, podendo sofrer um processo de savanização, como alertado pelo climatologista Carlos Nobre, ou alterar o fluxo dos 'rios voadores', que são formados pela floresta e garantem a umidade de Cuiabá a São Paulo, conforme explicação do cientista Antônio Nobre." 
​No final do mês passado, o governo enviou ao Congresso um Projeto de Lei Orçamentária Anual, para 2021, prevendo uma redução de R$ 184,4 milhões no orçamento do Ministério do Meio Ambiente, o que representaria uma queda de 5,8% em relação aos R$ 3,128 bilhões destinados à pasta neste ano.
A julgar pelo andamento das coisas, Formiga considera pouco provável que a situação possa melhorar no médio prazo, apesar de toda a resistência que tem se tentado organizar ao suposto projeto antiambiental em curso. 
"Apesar dos alertas e de iniciativas internas e internacionais, não tenho nenhuma esperança de mudanças de rumo na política ambiental do governo atual, que tem reiterado seu desprezo pela ciência, pelo meio ambiente, pelos povos indígenas e pelas comunidades tradicionais."

Ação, reação e resistência à 'boiada'

Em reunião ministerial no último 22 de abril, Ricardo Salles causou alvoroço ao sugerir ao presidente que o governo deveria aproveitar o foco da imprensa na pandemia do novo coronavírus para realizar reformas infralegais no sentido de desregulamentar políticas ambientais. 
"Então, pra isso, precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de COVID-19, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas", disse o ministro na ocasião, gerando revolta e pedidos de investigação e afastamento por parte de parlamentares.
Críticos ao governo consideraram o episódio uma prova dos planos de Bolsonaro de destruir o sistema de proteção ambiental brasileiro, em favor de interesses financeiros privados. 
​"Todos os problemas que nós estamos vivendo hoje não são decorrentes de aplicar ou não política. É um processo de desmonte muito bem elaborado", avalia o diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, também ouvido pela Sputnik. "É uma estratégia de governo de acabar com essa questão ambiental. Porque o governo não tem alcance do que são hoje os temas globais, não tem alcance para além das milícias, das ocupações e de acobertar coisas de família. E nem sequer consegue administrar a questão da COVID-19, que é um problema sério."
Mantovani pontua que se, por um lado, é escancarada a incompetência a nível federal, por outro, é preciso destacar que "governos subnacionais estão tomando para si" a responsabilidade de evitar um estrago ainda maior na área ambiental, inclusive com apoio de outros setores. Segundo ele, há uma reação também por parte de grandes investidores e empresários, do Brasil e do exterior, para tentar frear esse processo de degradação.
"Nós começamos a ver que esse pessoal não quer esse governo porque está colocando em risco toda a estrutura de país. Depois, a gente vê também, como eu falei, os governos subnacionais, se mantendo no Acordo de Paris, mantendo as suas estruturas ambientais, seus licenciamentos. Isso mostra que está tendo reação."
Ainda sobre essa reação, o diretor da SOS Mata Atlântica afirma que isso mostra que a preservação ambiental não é, definitivamente, apenas uma coisa de ambientalista. 
"Há uma resistência e que bom que o movimento ambientalista agora ganhou adesão da economia, ganhou adesão da sociedade, que 70%, na última pesquisa, acredita que esse governo é responsável pela destruição da Amazônia", disse ele, acrescentando que é possível fazer um "enfrentamento com informações precisas e corretas". 

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Mandetta indica risco de colapso na saúde e aponta ingratidão de Bolsonaro

Mandetta no Planalto, antes de entrevista sobre coronavírus 14/4/2020 (Foto: ADRIANO MACHADO)

Ex-ministro rebateu Bolsonaro e Nelson Teich: “idosos não são e nunca serão descartáveis sob o argumento da economia que for”


Por Ricardo Ribeiro, na Fórum – Antes de deixar o ministério da Saúde, Luiz Henrique Mandetta falou sobre ingratidão e risco de colapso no sistema de saúde do país. As declarações ocorreram em uma cerimônia informal para colocar a sua foto na galeria de ex-ministros, acompanhada pelo jornal Folha de S.Paulo.
Nesta despedida privada, ocorrida algumas horas depois de o presidente Jair Bolsonaro anunciar a sua demissão, Mandetta fez um discurso de cerca de dez minutos para servidores e assessores, após ouvir aplausos, cantorias e falas emocionadas de aliados.
Ele começou falando sobre a Santa Irmã Dulce, religiosa brasileira canonizada recentemente. Por sua solicitação, um quadro da santa católica estava colocado no local.
“Quando fui a Salvador ver o hospital da obra de Irmã Dulce, estava com prefeito ACM Neto e ele se ajoelhou. Eu decidi ajoelhar também e rezar para que ela iluminasse o país. E disse: Irmã Dulce, se a senhora for santa, vou no Vaticano. Achei que ia demorar 30 anos e pagar a promessa lá na frente, mas fui. Chegando lá, o que eu pedi foi: protege o SUS, porque, ao proteger o SUS, a senhora protege muita gente”, disse o já ex-ministro.
Mandetta usou do exemplo da santa para se referir ao desafio de implementar medidas de isolamento social durante a pandemia de coronavírus, alvo de críticas de Bolsonaro.

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