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terça-feira, 2 de maio de 2023

'Padrinho da Inteligência Artificial' sai do Google e alerta que máquinas pensantes representam perigo para a humanidade

 


Geoffrey Hinton passou a maior parte de sua vida defendendo e desenvolvendo redes neurais, mas agora passou a temê-las.

Geoffrey Hinton, apelidado de "Padrinho da IA", deixou seu cargo no Google e expressou temores sobre o progresso futuro no campo das redes neurais, observando que era "bastante assustador", dizem relatos da mídia.
Hinton lamenta o trabalho de sua vida e diz que em breve as redes neurais vão se tornar mais inteligentes do que as pessoas. O problema é que as empresas permitem que os robôs não apenas gerem código de computador, mas também executem esse código por conta própria. Ele teme que em breve a inteligência artificial (IA) se torne completamente autossustentável e autônoma em relação aos humanos. Na verdade, as redes neurais formam uma espécie de mente coletiva – elas "compartilham seu conhecimento instantaneamente" – o que conhece um robô também é conhecido pelos demais. É por isso que não há como o cérebro humano ser capaz de competir com um artificial.

Outra questão é a intenção do usuário. Como ele diz, "é difícil ver como você pode impedir que os maus atores a usem para coisas ruins", obviamente se referindo a políticos que podem usar IA para ganho pessoal.

O especialista compartilhou suas ansiedades sobre trabalhar em uma tecnologia potencialmente perigosa e se acalmou parafraseando Robert Oppenheimer ao dizer que "quando você vê algo que é tecnicamente bom, vá em frente e faça".
Inteligência artificial (imagem ilustrativa) - Sputnik Brasil, 1920, 01.05.2023
Ciência e sociedade
Mercado acredita que 25% das empresas no mundo esperam cortes de empregos em função da IA

No entanto, essa técnica de autoajuda claramente não está mais funcionando agora, pois ele planeja fazer uma campanha ativa para conter a IA porque representa "riscos profundos para a sociedade e a humanidade".
No NYT de hoje, Cade Metz insinua que deixei o Google para poder criticar o Google. Na verdade, saí para poder falar sobre os perigos da IA sem considerar como isso afeta o Google. O Google agiu com muita responsabilidade
Hinton começou como especialista em psicologia cognitiva, mas logo mudou para ciências da computação, porém, nunca esquecendo o que aprendeu em sua Alma Mater. É possível alegar que essas combinações únicas de habilidades permitiram que ele tivesse a ideia da agora conhecida rede neural em 1972. Uma rede neural é um modelo matemático de autoaprendizagem que se desenvolve analisando novas informações. Muitos cientistas ficaram bastante céticos sobre suas ideias no início, mas a história provou que eles estavam errados.
Em 2012, Geoffrey Hinton, juntamente com seus alunos Ilya Sutskever e Alex Krishevsky, criaram uma rede neural, capaz de analisar e identificar imagens. Em outras palavras, poderia dizer a diferença entre uma flor e um cachorro, ou um cachorro e um humano. Esse projeto chamou a atenção dos executivos do Google, e a gigante da tecnologia comprou a start-up de Hinton por US$ 44 milhões (cerca de R$ 221,9 milhões), integrando-a ao projeto Google Brain (Cérebro do Google).
As ideias de Hinton se tornaram a base para o desenvolvimento das atuais tecnologias de ponta de IA, como ChatGPT ou Google Bard. Em 2018, ele recebeu o Prêmio Turing por seu trabalho pioneiro em redes neurais.

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Autoridades dos EUA alertam sobre presença e perigo de peluda lagarta venenosa (FOTO)

 


A lagarta peluda, cientificamente denominada Megalopyge opercularis, é considerada a lagarta mais venenosa dos Estados Unidos.

As autoridades do estado da Virgínia emitiram um alerta na terça-feira (6) aos moradores para que ficassem longe de lagartas peludas. Esta espécie de lagarta, de menos de cinco centímetros, tem uma aparência macia devido à sua pelagem idêntica a cabelo humano, mas, na realidade, essa camada é composta por farpas tóxicas.

"Os 'cabelos' desta lagarta são, na verdade, pontas venenosas que causam uma reação dolorosa quando tocadas", avisa o Departamento Florestal da Virgínia através da sua conta no Facebook, acrescentando que recebeu vários relatos sobre a presença desse lepidóptero em alguns condados orientais do estado.

"Estas lagartas comem folhas de carvalho e olmo, mas podem ser encontradas em parques ou perto de prédios. Se você encontrar uma lagarta, deixe-a em paz e deixe que seus inimigos naturais controlem suas populações", avisa o departamento.

A Megalopyge opercularis é a larva de uma pequena mariposa-flanela, mas antes de se transformar e abrir as asas, é considerada um perigo para os humanos. Tocar nos seus pelos pode causar reações dolorosas, incluindo erupções cutâneas com comichão, náuseas, vômitos, glândulas inchadas, febre ou mesmo sintomas de "choque", indica a Universidade de Michigan.

Crystal Gaston revelou o que sentiu ao ter contato direto com uma lagarta venenosa ao tabloide The Daily Progress: "Parecia que tinha perfurado a parte externa da minha coxa com uma faca em chamas." Crystal teve que se dirigir ao hospital, tendo demorado três dias para se recuperar totalmente.

Os especialistas ressaltam que, em caso de contato com uma lagarta peluda, deve-se lavar a área afetada para retirar os pelos do inseto e o veneno que permaneceu na pele. Pessoas que são sensíveis a picadas de insetos também devem procurar atendimento médico.


 

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Le Monde: no Brasil, evangélicos negam o perigo do coronavírus


"Pastores pentecostais se recusaram a fechar as portas das igrejas, apesar do risco de contaminação", diz artigo de Bruno Meyerfeld publicado no jornal francês


Por Bruno Meyerfeld, no Le Monde. Tradução: Sylvie Giraud -  Estamos em 14 de março. A onda do coronavírus está começando a assolar o Brasil. Nas grandes cidades, as autoridades locais decretam medidas de contenção e a proibição de grandes reuniões. Mas Silas Malafaia, chefe midiático da Assembléia de Deus Vitória em Cristo, uma das maiores igrejas evangélicas do país, não tem a intenção de desistir de seu culto de sábado. Muito pelo contrário.
De seu templo no bairro da Penha, no norte popular do Rio, o pastor faz seu discurso frente a centenas de fiéis, colados uns aos outros. “Nossa igreja manterá suas portas abertas! A igreja deve permanecer o último bastião da esperança do povo!”, clama Malafaia, pedindo à assistência que “não caia em uma neurose louca”: “Acreditamos que Deus está no controle de tudo. Nós acreditamos no poder da oração. É nossa arma!”
Como Malafaia, muitos pastores brasileiros se destacaram nas últimas semanas pelo seu “corona cepticismo”. Em 15 de março, foi a vez de Edir Macedo, poderoso “patrão” da grande Igreja universal do reino de Deus (1,8 milhão de seguidores). Em um vídeo postado nas redes sociais, ele pede aos membros de seu rebanho que “não se preocupem com o coronavírus”: a pandemia é uma “tática”, orquestrada por uma aliança surpreendente entre Satanás, a mídia e os “interesses econômicos”, para semear “terror”.

“A fé é um grande aliado neste grave momento para a nação: não podemos cerceá-la”, justificaram, de seu lado, em comunicado de imprensa, os eleitos devotos, membros do lobby parlamentar evangélico (195 deputados, ou 38% dos assentos em Câmara dos Deputados), pedindo às autoridades que mantenham os templos abertos e evitem confinamentos excessivamente rígidos. “Você precisa proteger os grupos de risco, mas não seja hipócrita: muitas pessoas precisam trabalhar para sobreviver, principalmente os trabalhadores por conta própria. O confinamento completo é impossível”, confidencia por telefone Marco Feliciano, pastor conservador e deputado de São Paulo.
“Lógica empreendedora”
Em um país onde um terço da população se declara atualmente evangélico (frente aos 9% de 1991), os cultos “anti coronavírus” dos pastores chegam a preocupar as autoridades locais, essas mesmas que estão na linha de frente na luta contra a pandemia. Até agora, elas permaneceram inflexíveis: nas grandes cidades, “megaigrejas” que podem acomodar até 10.000 fiéis tiveram de fechar suas portas. No Rio, Silas Malafaia, tendo visto seu pedido judicial recusado, teve de renunciar a contragosto a seus cultos públicos.
No entanto, nem todos os pastores têm a mesma atitude: em todo o país, muitas igrejas fecharam imediatamente quando a pandemia foi anunciada, optando por transmitir os cultos pela Internet. Os líderes evangélicos que negam a gravidade da crise “são em sua maioria os pentecostais muito conservadores de tendência fundamentalista”, insiste Ricardo Mariano, professor da Universidade de São Paulo (USP) e sociólogo das religiões. “Criacionistas, anti-intelectuais, eles são adeptos das teorias da conspiração e têm uma visão “mágica” do mundo, focada na convicção de que o poder divino pode intervir para resolver todos os infortúnios e proteger os fiéis de doenças ou epidemias virais.”
Há também razões mais prosaicas. “Os pastores são, antes de tudo, líderes empresariais, movidos por uma lógica empreendedora”, lembra Flavio Sofiati, especialista do mundo cristão na Universidade de Goiás. Alguns, como Edir Macedo, estão entre os homens mais ricos do Brasil, dirigindo um império empresarial, que vai desde gravadoras até a grande imprensa. “Se não há mais culto, os fiéis não vêm mais à igreja, não pagam sua contribuição e estas terão menos dinheiro”, conclui o pesquisador.

Em seu combate, esses “barões da fé” contam com um forte aliado: Jair Bolsonaro. Católico de nascimento, mas “batizado” em 2016 por um pastor nas águas do Jordão e durante sua eleição o presidente de extrema direita recebeu o apoio total dos grandes líderes evangélicos, adotando desde então seu discurso ultraconservador. Descrevendo a pandemia como uma “gripe”, Bolsonaro publicou em 25 de março um decreto incluindo atividades religiosas (e a loteria) na lista de setores essenciais que não podem ser afetados por medidas de contenção. “O pastor saberá como conduzir seu culto (...). Se a igreja estiver cheia, ele fará algo, tomará uma decisão ...”, justificou-se o presidente, não sem dificuldade.
O decreto não criou raiz: dois dias depois, a justiça suspendeu a medida, que segundo ela poderia “estimular a aglomeração” de fiéis em locais de culto. O governo anunciou que irá recorrer. 

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