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domingo, 29 de maio de 2022

Bolsonaro está 'desesperado' e rifa Petrobras de olho nas eleições, dizem analistas

 


Sob pressão dos preços dos combustíveis e das pesquisas eleitorais, o governo do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PL), tem dado sinais de que pretende privatizar a Petrobras.

A Sputnik Brasil ouviu um economista, um jurista e um petroleiro para analisar as intenções por trás da proposta. Segundo eles, a privatização não reduziria os preços.

Nas últimas semanas, o governo Bolsonaro voltou a falar em privatizar a Petrobras. Pouco depois de assumir o cargo neste mês, o ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, apresentou pedido de estudos para a privatização da empresa. Na quinta-feira (26), a ideia foi reforçada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que afirmou durante o Fórum Econômico Mundial que a estatal será privatizada caso Bolsonaro seja reeleito nas eleições de outubro. Já nesta sexta-feira (27), o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que ou a empresa é privatizada, ou serão necessárias "medidas mais duras".
As declarações vieram acompanhadas de uma nova indicação de Bolsonaro para o comando da Petrobras, apontando para o cargo de presidente o secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Caio Paes de Andrade. A mudança ocorre 40 dias após o último indicado, José Mauro Coelho, assumir a empresa. Bolsonaro tem criticado a estatal devido ao crescente aumento dos preços dos combustíveis, que tem causado problemas à administração.
Palavras de Adolfo Sachsida, Secretário de Política Econômica (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 27.05.2022
Adolfo Sachsida, então secretário de Política Econômica do Ministério da Economia. Foto de arquivo
Um dos aspectos da proposta de privatização e mudanças na Petrobras seria exatamente um aceno de Bolsonaro aos eleitores em relação a esses preços, que têm impulsionado a inflação no Brasil e corroído a renda da população. É o que aponta o economista Eduardo Costa Pinto, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que classifica a proposta de "uma bravata".

"Não há nenhuma possibilidade de o preço dos combustíveis cair com a privatização da Petrobras. Isso é uma falácia, isso é um argumento em abstrato de quem não entende nada da estrutura da cadeia do petróleo, que vai desde a produção e o refino até a comercialização", afirma o economista em entrevista à Sputnik Brasil.

Costa Pinto também ressalta que Bolsonaro tem instrumentos para alterar a política de preços praticada pela estatal ao mudar a composição do conselho administrativo da companhia, que delibera sobre o tema. Ao longo do governo Bolsonaro a Petrobras manteve o chamado preço de paridade internacional (PPI), política que desde a gestão do ex-presidente Michel Temer (MDB) atrela o valor dos combustíveis ao mercado internacional.

"Em 2021, 40% da inflação foram devidos à variação de preços associados aos derivados de petróleo. Durante o governo Bolsonaro, a gasolina subiu 70% e o diesel subiu 90% nas refinarias. É um aumento impressionante. Hoje o gás de cozinha custa R$ 132, em média, no Brasil, quase 10% do salário mínimo", ressalta o pesquisador do Ineep, que estuda a Petrobras de perto e há anos mantém um canal de discussão sobre a economia brasileira.

Cartaz criticando o presidente Jair Bolsonaro no local onde o Sindicato dos Petroleiros da Petrobras vende gás de cozinha de baixo custo na favela Vila Vintém, Rio de Janeiro, 28 de outubro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 27.05.2022
Cartaz criticando o presidente Jair Bolsonaro no local onde o Sindicato dos Petroleiros vende gás de cozinha de baixo custo na favela Vila Vintém, Rio de Janeiro, 28 de outubro de 2021
Deyvid Bacelar, coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), lembra que a promessa de privatização da estatal é antiga no governo Bolsonaro e que o novo aceno seria uma cortina de fumaça para esconder a responsabilidade do governo em relação aos preços e culpar a Petrobras pela situação. Além disso, Bacelar enxerga uma tentativa de barganha de Bolsonaro com o conselho da empresa.

"Ele [Bolsonaro] sinaliza a esses acionistas minoritários que hoje estão no conselho de administração que ele precisa ter algum tipo de controle dos preços no Brasil devido ao processo eleitoral que se aproxima. O Bolsonaro está completamente desesperado porque sabe bem que esse vai ser um dos temas centrais durante este ano e que vai impactar no resultado eleitoral deste ano", afirma Bacelar em entrevista à Sputnik Brasil.

Petrobras deve gerar R$ 1 trilhão nos próximos 5 anos

Para o economista Eduardo Costa Pinto, a recente tentativa de mudança na direção da Petrobras é também uma sinalização do governo Bolsonaro para grandes empresários brasileiros e internacionais de que ele pretende viabilizar a privatização da estatal. O pesquisador destaca a capacidade de geração de caixa da Petrobras e aponta que os valores envolvidos são gigantescos.

"Segundo o planejamento estratégico da Petrobras do ano passado, e levando em conta o aumento do preço do petróleo mais recente, a estimativa é que nos próximos cinco anos a Petrobras vai gerar de caixa em torno de R$ 1 trilhão ou mais. E como não há grandes despesas financeiras, a estimativa é que a distribuição de dividendos, caso não se altere nada na política, seja em torno de R$ 350 bilhões a R$ 400 bilhões", aponta o professor.

"Quando Guedes e Bolsonaro sinalizam isso, eles dizem o seguinte: 'Andar de cima, pessoal da grana, vem comigo, que eu vou entregar a Petrobras para vocês, vou privatizar do jeito que eu estou privatizando todos os outros ativos pela metade do preço'", comenta.
Instalações da Refinaria de Paulínia (Replan), da Petrobras, em São Paulo, Brasil, 3 de maio de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 27.05.2022
Instalações da Refinaria de Paulínia (Replan), da Petrobras, em São Paulo, Brasil, 3 de maio de 2022
O economista faz menção às recentes privatizações de ativos da Petrobras. Estimativas do Ineep apontam que as refinarias vendidas pela estatal desde o ano passado tiveram valores entre 30% e 70% abaixo do mercado. Costa Pinto avalia que a Petrobras "tem sido fatiada" e "privatizada por dentro", tendo vendido mais de R$ 200 bilhões em ativos desde 2016. Além das refinarias, já foram vendidas, entre outros patrimônios, a BR Distribuidora, a Nova Transportadora do Sudeste (NTS), a Transportadora Associada de Gás (TAG) e a Gaspetro.

'Esquartejamento' da Petrobras é feito 'sem preocupação regulatória'

No início do governo Bolsonaro, Guedes prometeu R$ 1 trilhão com privatizações a partir da Secretaria Especial de Desestatização do Ministério da Economia e, mais tarde, da criação do Programa Nacional de Desestatização (PND), que incluiria, entre outras empresas, a Eletrobras e os Correios na lista de privatizações. As políticas lembram o Plano Nacional de Desestatização (PND) de Fernando Collor e o Conselho Nacional de Desestatização, de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Apesar das semelhanças, Costa Pinto acredita que as privatizações no governo Bolsonaro são mais agressivas que as dos anos 1990, pois agora não haveria "nenhuma preocupação regulatória com o efeito sobre preços". Como exemplo, ele aponta um suposto problema de interpretação legal sobre uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que permite a venda de subsidiárias da Petrobras sem aval do Congresso Nacional. "Todas essas refinarias nunca foram subsidiárias", afirma.
Refinaria da Petrobras em Cubatão, São Paulo - Sputnik Brasil, 1920, 27.05.2022
Refinaria da Petrobras em Cubatão, São Paulo
Bacelar classifica a venda dos ativos da estatal de um "esquartejamento" e uma tentativa de driblar requisitos legais para a venda da Petrobras.

"Estão fatiando a empresa e vendendo ativos estratégicos do sistema Petrobras sem qualquer discussão com a sociedade, sem um processo licitatório transparente e sem o aval do Congresso Nacional", afirma, ressaltando que essa situação tem gerado disputas judiciais devido a supostas ilegalidades no processo.

Privatização da Petrobras é 'deslocada da realidade mundial' e ideia de ineficiência é 'sem base'

O jurista Alessandro Octaviani, professor de direito econômico da Universidade de São Paulo (USP), aponta que o projeto de privatização da Petrobras vai na contramão do mundo. O coautor do livro "Estatais", que esmiúça o papel dessas empresas dentro e fora do Brasil, explica que o setor de energia ao redor do planeta tem plena participação de estatais.

"No mundo, cerca de 80% das reservas de petróleo são estatais e exploradas por empresas estatais. Além disso, o preço do petróleo é ditado por um cartel de Estados, a OPEP [Organização dos Países Exportadores de Petróleo]. [...] A presença estatal na economia do petróleo é plena e verticalizada. A proposta de privatização é completamente deslocada da realidade do mundo, vai na contramão de tudo o que os Estados de fato fazem", afirma Octaviani em entrevista à Sputnik Brasil.

O jurista ressalta que há inúmeras estatais nos EUA e na Europa nas mais diversas áreas, como energia, crédito, tecnologia e serviços públicos. "São uma peça fundamental do desenho jurídico para o desenvolvimento dos EUA e da Europa. Mas esses centros também exportam o discurso de que 'estatais não existem ou são coisa do passado', a fim de que elites frágeis intelectualmente assumam essa mentira como verdade", diz o professor.

Para Octaviani, esse discurso busca enfraquecer essas economias nacionais para garantir a expansão de empresas dos EUA e da Europa. Dessa forma, segundo ele, foram criados argumentos para associar as estatais a uma ideia de ineficiência, o que para o pesquisador "não tem base técnica".

"Os interesses do mercado financeiro geram ideologias, narrativas econômicas, doutrinas jurídicas e legislação para proteger suas posições de ganho. Esse discurso é só isto: justificativa sem base técnica para garantir ganho ao investidor em detrimento do desenvolvimento nacional e da concretização da Constituição Federal", conclui.

segunda-feira, 16 de maio de 2022

EUA dizem estar prontos para fornecer assistência militar à Finlândia e Suécia contra Rússia

 


Os EUA estão preparados para fornecer assistência militar à Finlândia e Suécia, caso seja necessário, já que ambos os países pretendem aderir à OTAN.

A Finlândia e a Suécia anunciaram formalmente sua intenção de aderir à aliança, em uma ação contra a Rússia.
Por sua vez, Moscou, que considera a expansão da OTAN uma ameaça direta à sua segurança, afirmou que tomará medidas adequadas em resposta a estes países.
Em entrevista à BBC, o porta-voz do Pentágono, John Kirby, afirmou que as advertências russas são "muito preocupantes" e, usando os mesmos argumentos que na Ucrânia, garantiu que o país não poupará esforços para fornecer armas para que estes países combatam a Rússia.
Nooshi Dadgostar (à direita), líder do Partido de Esquerda da Suécia, fala diante do parlamento sueco durante votação, em 7 de julho de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 16.05.2022
Panorama internacional
Entrada da Suécia na OTAN aumentará tensões de forma 'perigosa', diz líder oposicionista sueca
Além disso, ao ser questionado sobre um possível envio de tropas para estes países, o porta-voz norte-americano evitou especulações e deixou a questão em aberto, mas voltou a ressaltar que Washington fornecerá a assistência militar necessária.

"Se no período de candidatura [destes países] e adesão à OTAN eles precisarem de algumas capacidades ou assistência adicionais [...] nós forneceremos esta assistência adicional caso seja necessário", afirmou.

Em resposta às ações dos EUA e OTAN, Viktor Bondarev, presidente do Comitê de Defesa e Segurança do Conselho da Federação da Rússia, alertou que Moscou deve fortalecer sua presença militar na fronteira com a Finlândia, caso o país nórdico receba armas da OTAN.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Dois melhor que 1? Buracos negros podem se fundir até criarem 1 supermassivo, dizem cientistas

 


Pesquisadores observaram um fenômeno em que dois buracos negros parecem se juntar, podendo levar à criação de um buraco negro supermassivo, apesar do ceticismo entre a comunidade astronômica.

Os buracos negros podem se juntar até formarem uma variedade supermassiva, segundo um estudo publicado no servidor de pré-impressão arXiv.
Os astrônomos usaram dados do telescópio Zwicky Transient Facility, Califórnia, EUA, nos quais observaram uma curva de luz de uma galáxia distante que interpretaram como dois buracos negros. Após três anos de observações, a distância entre ambos se reduziu de um ano-luz para um mês-luz, algo descrito pelos cientistas como nunca observado até agora. Isso levou a equipe de pesquisa a concluir que os buracos negros poderiam se fundir.
Buracos negros a 3 bilhões de anos-luz - Sputnik Brasil, 1920, 23.01.2022
Sociedade e cotidiano
Pesquisadores detectam pela 1ª vez fusão de buracos negros com órbitas excêntricas
Citado pelo portal Inverse, Hung Yang, pesquisador do Instituto Perimeter, Ontário, Canadá, disse que muitos astrônomos duvidam da possibilidade de uma fusão de buracos negros. No entanto, foi calculado pela equipe que ela poderia ocorrer em um período de tempo entre 100 dias e três anos.

Os astrônomos creem que esta descoberta poderia oferecer pistas importantes sobre como os buracos negros conseguem alcançar seu tamanho massivo e resolver "muitos dos mistérios em torno destes gigantes cósmicos".
"Você poderá testar todas suas previsões usando este único exemplo", aponta Hung sobre os buracos negros.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Homem fica preso em fiação de poste; testemunhas dizem que ele fugia após tentativa de assalto

 



Um homem ficou preso na fiação de um poste, na tarde deste sábado, em Salvador. O caso aconteceu na Avenida San Martim. De acordo com testemunhas, o homem era perseguido por outras pessoas, após ter tentado assaltar na região. Durante a fuga, ele subiu no poste para escapar da perseguição. 

“Ele subiu nos fios e ficou lá para escapar da multidão, que o acusava de ter tentado assaltar aqui na San Martim”, contou uma testemunha ao g1. Em imagens que circulam pelas redes sociais, é possível ver um grupo de pessoas que se aglomeravam em frente ao poste onde o homem estava. Outro homem sobe em um caminhão e tentar acertar o suspeito com um pedaço de madeira. 

A Polícia Militar diz que não foi acionada para a ocorrência. De acordo com a Transalvador, o trânsito ficou lento na região e a retenção chegou até o Colégio Modelo Luis Eduardo Magalhães, a cerca de um quilômetro do local. No entanto, antes que a viatura da Transalvador chegasse até a região da ocorrência, o tráfego de veículos foi normalizado. Neste momento, o trânsito é tranquilo na Avenida San Martim.

Por G1


terça-feira, 23 de novembro de 2021

Astrônomos revelam 2 galáxias ocultas e dizem que outras podem estar atrás de poeira cósmica (FOTO)

 


Novo estudo sugeriu que uma em cada cinco galáxias distantes poderia permanecer escondida de nossos telescópios devido à poeira cósmica.

Duas galáxias anteriormente ocultas, a 29 bilhões de anos-luz de distância, foram descobertas pelos astrônomos da Universidade de Copenhague, na Dinamarca.
Segundo o estudo publicado na revista Nature, as duas galáxias não eram visíveis pelo Telescópio Espacial Hubble, devido à existência de uma camada grossa de poeira cósmica em torno delas.
Uma em cada cinco galáxias no universo primitivo poderia estar escondida atrás da poeira cósmica – Centro Cósmico

Mas, por meio dos telescópios gigantes ALMA no deserto de Atacama, no Chile, que são capazes de capturar as ondas de raio emitidas das profundezas mais frias e escuras do Universo, as duas galáxias ocultas de repente se tornaram visíveis.
"Estávamos procurando um exemplo de galáxias muito distantes, que já sabíamos que existiam a partir do Telescópio Espacial Hubble. Então reparamos que duas delas tinham uma vizinha que não esperávamos que estivesse lá. Como ambas as galáxias vizinhas estão cercadas por poeira, parte de sua luz está bloqueada, tornando-as invisíveis para o Hubble", explicou o professor associado Pascal Oesch.

A nova descoberta confirma a teoria de que o Universo contém muito mais galáxias do que assumido antes. Elas simplesmente se escondem atrás de poeira, composta por pequenas partículas de estrelas.
Porém, com a ajuda de novas tecnologias e métodos científicos, essas galáxias podem agora ser detectadas. Segundo os cálculos dos autores, entre 10 e 20% de galáxias primitivas podem permanecer escondidas atrás de cortinas de poeira cósmica.
A descoberta muda a forma como entendemos a evolução do nosso Universo desde o Big Bang.

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Após violenta colisão de 2 planetas, 1 deles perdeu parte de sua atmosfera, dizem cientistas

 


Astrônomos encontraram evidências de colisão entre planetas em um sistema planetário jovem, a 95 anos-luz da Terra.

De acordo com sua análise, a poeira incomum ao redor da jovem estrela HD 172555, de 23 milhões de anos, é o resultado de um impacto planetário tão violento que, pelo menos parcialmente, um dos corpos envolvidos perdeu sua atmosfera, informa o Science Alert.

Quando uma estrela se forma a partir de uma massa de poeira e gás, em uma nuvem molecular, um vasto disco de material se forma em seu redor, alimentando a estrela em crescimento.

Este disco passa por uma transformação, possivelmente antes mesmo da estrela ter terminado seu crescimento. Dentro dele, vários corpos, cada vez maiores, colidem e se fundem entre si, eventualmente ganhando massa suficiente para que um núcleo diferenciado se estabeleça em seu centro, e finalmente se tornem em planetas. No entanto, nem todos os jovens planetas sobrevivem a esses impactos.

Estas colisões são consideradas uma ocorrência bastante comum durante a formação de um sistema planetário. Na verdade, parecem desempenhar um papel importante no jeito de como os planetas crescem, bem como na arquitetura final desse sistema.

Há muito tempo, a estrela HD 172555 foi considerada um pouco peculiar. A poeira que gira em seu redor tem uma quantidade incomum de sílica e monóxido de silício sólido, e grãos de poeira muito menores do que a média.

Formação da estrela HH 212 na constelação de Orion
Formação da estrela HH 212 na constelação de Orion

Ao observarem mais de perto, os cientistas descobriram que havia bastante monóxido de carbono orbitando a estrela a uma distância muito próxima de dez unidades astronômicas. Porém, a essa distância o gás deveria ter sido decomposto pela radiação estelar, pelo que era necessária uma explicação para ainda não ter sido decomposto.

A hipótese mais provável seria a ocorrência de um impacto gigantesco. Os astrônomos foram capazes até de reproduzir o acontecimento em estudo: há pelo menos 200 mil anos atrás - suficientemente recente para que o monóxido de carbono não tivesse tido tempo de ser decomposto - um planeta rochoso do tamanho da Terra foi arrasado por um corpo menor a uma velocidade de dez quilômetros por segundo .

Este impacto teria sido tão violento que teria explodido, pelo menos, parte da atmosfera rochosa do planeta. Assim, estaria explicada a existência do monóxido de carbono e a poeira rica em sílica.

Os resultados desta pesquisa conferem novas ferramentas à comunidade científica para conseguirem identificar quando impactos gigantescos como o descrito ocorreram. Se forem encontradas grandes quantidades de monóxido de carbono onde ele não deveria estar em redor de uma estrela, isso poderia ser um sinal de que algo violento e destrutivo tomou lugar durante a formação de seu sistema planetário.

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