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terça-feira, 7 de setembro de 2021

Analista: Brasil terá perdas ‘pesadas’ e Argentina se beneficiará se embargo chinês de carne durar

 


A China é a maior importadora de carne bovina brasileira, entretanto, com casos confirmados de vaca louca, a exportação foi temporariamente suspensa. A Sputnik Brasil entrevistou analista para saber como pode ficar a economia brasileira diante da interrupção do comércio entre os países.

No sábado (4), as exportações de carne bovina do Brasil para a China foram suspensas após a confirmação de dois casos atípicos da doença da vaca louca registrados pelo Ministério da Agricultura, conforme noticiado.

Os casos aconteceram em duas cidades brasileiras distantes uma da outra: Nova Canaã do Norte (MT) e outro em Belo Horizonte (MG). Entretanto, a vaca louca "atípica" é considerada de menor risco do que a forma clássica da doença, pois ocorre de forma natural e apenas esporádica em bovinos mais velhos.

A China é a maior importadora de carne bovina do Brasil, e a interrupção do comércio atende ao protocolo sanitário firmado entre os dois países, e dura até que as autoridades chinesas concluam a avaliação das informações repassadas. 

A Sputnik Brasil conversou com Augusto Carneiro, trader da Sudambeef S.A (empresa de importação e exportação) e responsável pelas vendas para a Rússia e Leste Europeu, para entender melhor sobre o caso.

Gado come ração em Pardinho, interior do estado de São Paulo. Foto de arquivo
© FOLHAPRESS / EDUARDO ANIZELLI
Gado come ração em Pardinho, interior do estado de São Paulo. Foto de arquivo

Carneiro elucida que os casos típicos de Bovine Spongiform Encephalopathy (BSE, na sigla em inglês), denominada em português de encefalopatia espongiforme bovina (EEB) e popularmente conhecida por doença da vaca louca, são causados pela alimentação inadequada ingerida pelos animais através da "ração" que lhes é dada.

Essa ração, é constituída de ossos dos próprios bois ou vacas triturados, e produz nos bovinos perda da coordenação motora. "Quando isso ocorre, ocorre em cadeia, porque a alimentação foi dada para um lote de animais", explicou o especialista.

Já os casos atípicos são isolados e não são decorrentes da alimentação, mas sim do próprio animal pelo tempo largo de vida do mesmo, que teve alguma anomalia motivada por algo que ele ingeriu. Neste caso, o grupo não fica contaminado, apenas os bovinos que apresentam essa anormalidade.

"No Brasil é mais difícil acontecer o caráter típico da doença porque a alimentação é a base de pasto, de grama natural, e quando os animais têm alguma complementação alimentar, é uma complementação apenas de reforço, diferente de países europeus, que por não terem pasto devido ao frio, os animais são alimentados através da ração."

Entretanto, Cordeiro ressalta que essa técnica vem cada vez mais perdendo força, uma vez que a nível global, de modo geral, foi interrompida a alimentação de bovinos com ração.

Resto de carne bovina é moído em frigorífico com suspeita da doença da vaca louca, na Bahia (foto de arquivo)
© FOLHAPRESS / XANPO P
Resto de carne bovina é moído em frigorífico com suspeita da doença da vaca louca, na Bahia (foto de arquivo)

Brasil e autoembargo

Questionado se a decisão do Brasil de executar um autoembargo de exportação pelos casos que decorreram foi acertada, o especialista diz que sim, pois isso mostra um respeito pelo acordo bilateral feito entre China-Brasil.

"Quando foi assinado o acordo para o Brasil oferecer carne à República Popular da China, fez parte do pacto que se algum caso de vaca louca fosse notificado, teria que haver suspensão da exportação de itens bovinos até que o mesmo seja 100% resolvido."

Se outros países podem suspender a importação de carne bovina do Brasil, Cordeiro diz que possivelmente isso "pode acontecer, seja suspensão parcial, nos estados afetados por BSE [MT e MG], ou até mesmo geral, para todo o país, isso é algo com possibilidade concreta de acontecer".

Funcionários trabalham no corte e processamento de carnes em frigorífico na cidade de Pirassununga
© FOLHAPRESS / CELIO MESSIAS/UAIFOTO
Funcionários trabalham no corte e processamento de carnes em frigorífico na cidade de Pirassununga

Consequências da suspensão

Cordeiro diz que se a suspensão durar um período muito grande, o Brasil pode sim sofrer consequências "pesadas" na sua economia, já que a China é a principal importadora de carne bovina do país.

"A gente não pode descartar que se isso ficar muito tempo [a suspenção da exportação] vai interferir até nos dados econômicos do país, não tenhamos nenhuma dúvida disso. Porque na retaguarda do comércio de carne gerado entre Brasil-China estão muitos empregos, economia girando, à medida que isso é cortado de forma repentina […] impacta demais, e conforme o tempo for passando, vão ter efeitos na economia do próprio país."

O trader conta que "este ano, o volume de exportações já ultrapassou as 500 mil toneladas, um volume muito expressivo, significativo, a cadeia bovina produtiva do Brasil, toda ela está alicerçada também nas exportações chinesas. Então o tempo que vai dizer se vai afetar ou não".

Em uma possível perda do protagonismo brasileiro para as exportações chinesas, o especialista diz que um país que poderia se beneficiar com essa baixa é a Argentina. Entretanto, ressalta que Buenos Aires apenas exporta 300 mil toneladas, enquanto o Brasil exporta quase o dobro.

Funcionário trabalha no corte e processamento de carnes em frigorífico na cidade de Pirassununga (foto de arquivo)
© FOLHAPRESS / CELIO MESSIAS
Funcionário trabalha no corte e processamento de carnes em frigorífico na cidade de Pirassununga (foto de arquivo)

"Não há força hoje que possa repor as exportações brasileiras de carne bovina. […] O volume brasileiro está em outro patamar", afirmou Cordeiro.

Cordeiro também salienta que "assim como os chineses não têm reposição para carne brasileira em tão larga escala com as outras opções de fornecimento hoje, os brasileiros também não têm outra opção tão encorpada como o mercado chinês para que seja redirecionado todo esse volume em um curto espaço de tempo".

Contudo, se o período de suspensão for muito grande, os chineses "vão ter que migrar para países que possam vir a substituir parte do volume exportado pelo Brasil, e aí partiriam para outros países sul-americanos, como a Argentina e o Uruguai".

"Pode ser que eles [Argentina e Uruguai] venham a se beneficiar uma vez que pode ocorrer uma corrida por mercadoria, e eles seriam esses substitutos como uma opção que já está à disposição, a relação já existe, então são os que estão mais alinhados para uma possível substituição."

Ao mesmo tempo, o trader chama atenção para o fato de que se a demanda não diminui, mas a interrupção da exportação brasileira permanece, "passa-se a pagar mais para o produto, então esses países vão ter uma agregação de valor".

Trabalhadores na fábrica de carne bovina da JBS
© REUTERS / PAULO WHITAKER
Trabalhadores na fábrica de carne bovina da JBS

Medidas para voltar à exportação

Sobre quais medidas sanitárias o Brasil precisaria desenvolver para retomar a exportação, Cordeiro diz que pelo fato de os casos terem sido atípicos, já é um grande passo, "porque com isso identificado, a princípio, tratam-se de casos isolados".

O segundo passo seria "trazer o máximo de documentação possível para poder demonstrar que os casos são isolados e que a carne é de boa qualidade no geral".

"Esses frigoríficos não vão parar de abater […] na prática não estão vendendo para China, mas ainda estão em operação, então dá para analisar o produto e identificar se o animal tem ou não [a doença] enquanto ele está vivo, é só ir nas fazenda, fazer as testagens, e demonstrar que foram casos individuais."

Indagado se a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE, na sigla em inglês), poderia vir a modificar o status brasileiro de país livre de BSE, Cordeiro considera que não, uma vez que é "muito clara a regra que para haver a desconstituição de uma zona livre precisa acontecer caso típico, que até o momento, não foi o identificado no Brasil".

Prato típico chinês composto por carne bovina, batata e cebolinha, feito no restaurante China House, em São Paulo (foto de arquivo)
© FOLHAPRESS / PAULO FEHLAUER
Prato típico chinês composto por carne bovina, batata e cebolinha, feito no restaurante China House, em São Paulo (foto de arquivo)

Flexibilização das inspeções sanitárias

O Brasil demorou décadas para obter status de país livre de BSE e de outras doenças como a febre aftosa. Todo esse esforço se dá a partir da inspeção através do mapa de risco em cada frigorífico brasileiro.

Porém, recentemente, houve mudanças no sistema de inspeção do país, que passará a ser menos centrado no Estado. Se do seu ponto de vista o analista acha que tal fato seria um retrocesso, Cordeiro diz que "a resposta é complicada porque resta saber como vai ser o operacional terceirizado".

"Uma vez que esse operacional seja constituído por técnicos, por pessoas que tenham conhecimento e ciência a respeito do que se fazer para cuidar, tratar, fiscalizar toda a cadeia animal brasileira, vai ser benéfico, vai ser útil. Agora, se a equipe não for preparada, fica mais difícil."

O trader salienta que a ideia da terceirização é desafogar o serviço público do mapa de risco, e que se esse objetivo for atingido, as mudanças são válidas.

Técnicos do Canadá, dos EUA e do México durante avaliação das condições sanitárias de curral da em Lins (SP), como medida de prevenção à importação de carne brasileira (foto de arquivo)
© FOLHAPRESS / JARBAS OLIVEIRA
Técnicos do Canadá, dos EUA e do México durante avaliação das condições sanitárias de curral da em Lins (SP), como medida de prevenção à importação de carne brasileira (foto de arquivo)

A China é a maior importadora de carne bovina brasileira. De janeiro a julho deste ano, o Brasil embarcou mais de 500 mil toneladas de carne para o país asiático, o que apresenta 38% das importações totais de Pequim, segundo dados da alfândega chinesa citados pela Folha de São Paulo.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik


sábado, 17 de julho de 2021

Preços de carne e ovos vão bater de novo inflação em 2021

 


Especialistas projetam que a inflação para as carnes de porco e frango, e os ovos vão superar os 10% este ano. O aumento previsto para 2021 está bem acima da estimativa para a inflação oficial (IPCA), de 5,9%. As informações foram publicadas pelo jornal O Estado de S.Paulo.

Dados da consultoria LCA apontaram que a maior alta neste ano continuará sendo no preço da carne de boi (17,6%). Em seguida vêm a de porco (15,1%) e a de frango (11,8%). Alternativa às carnes, o preço do ovo de galinha também deve subir (7,6%).

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) prevê um aumento nos preços do frango entre 10% e 15% no fim de julho e início de agosto. 

De acordo com números da Embrapa, os custos de produção em geral aumentaram 52,30%, para o frango, e 47,53%, para os suínos, nos últimos 12 meses. Matérias-primas para a ração, o milho teve alta de preços de 68,8% em 2020. A soja ficou 79,4% mais cara no atacado. As projeções para 2021 são de aumento de 39,8%, para o milho, e de 7,2%, para a soja.

domingo, 4 de julho de 2021

MORRE EM CONFRONTO COM A POLÍCIA, SUSPEITO DE ENVOLVIMENTO NAS MORTES DE TIO E SOBRINHO QUE FURTARAM CARNE DE SUPERMERCADO

 


Um homem morreu, no início da noite de quinta-feira (1/7), após ser baleado durante confronto com policiais militares, na região da Chapada do Rio Vermelho, em Salvador. A ocorrência se deu quando a Polícia Militar realizava a Operação  Intensificação Tática, composta pelas Rondesp Atlântico, Central e RMS.



De acordo com a polícia, homens armados confrontaram com as guarnições e ao fim dos disparos, um suspeito foi socorrido para o Hospital Geral do Estado, onde foi constatado o óbito.Durante os procedimentos de registro da ocorrência, ele foi identificado como Matheus Santana de Assis, 25 anos, que possuía mandado de prisão em seu desfavor, relacionado ao inquérito do “Caso Atakarejo”, em que dois homens: tio e sobrinho acabaram executados, após furtarem carnes do supermercado. Na ação, foram apreendidos uma pistola, calibre 380; 77 pinos de cocaína e uma pochete preta.


segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Coronavírus: China suspende importação de carne suína de unidade da Aurora em Santa Catarina

 


A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou nesta segunda-feira (4) que a China, por medidas de segurança, suspendeu a importação de carne suína de unidade da Aurora em Santa Catarina. 

A fábrica fica localizada na cidade de Chapecó. Não há informações sobre o prazo da proibição. O Ministério da Agricultura disse que foi notificado sobre a medida em 28 de dezembro.

Segundo a pasta, as autoridades chinesas pediram informações sobre casos da COVID-19 detectados na unidade catarinense. 

A Associação Brasileira de Proteína Aninal, por sua vez, afirmou que a entidade está auxiliando o Ministério da Agricultura a prestar os esclarecimentos necessários para o governo chinês, para que assim a suspensão seja revertida. 

"A ABPA ressalta que se trata de uma situação pontual e pretérita", disse a entidade. "Todas as informações e demonstrações de boas práticas da cooperativa --que segue os rígidos protocolos setoriais e oficiais referentes à COVID-19, detalhadamente demonstradas às autoridades chinesas", acrescentou a entidade, segundo o portal G1.

China já adotou medida em outras ocasiões

Essa não é a primeira vez que a China suspende a importação de carne do Brasil durante a pandemia do coronavírus por questões de segurança. 

O país asiático já aplicou vetos a 11 frigoríficos e uma unidade de pescados brasileiros. 

Cinco unidades ainda não podem vender carne para a China: duas fábricas da JBS, em Passo Fundo (RS) e Três Passos (RS; uma da Minuano, em Lajeado (RS); e duas da Aurora, a primeira em Xaxim (SC) e agora a de Chapecó. 

Entre os motivos apontados pelas autoridades chinesas está a detecção de traços do coronavírus nas embalagens das carnes oriundas do Brasil. 

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

China detecta coronavírus em embalagens de carne do Brasil

 


A cidade de Wuhan, tida como epicentro da epidemia de COVID-19 na China, informou ter encontrado traços do vírus SARS-CoV-2 em embalagens de carne importada do Brasil.

O produto em ocasião seria da companhia Marfrig, uma das gigantes na produção de alimentos à base de proteína animal no mundo e com sede em São Paulo.

Conforme publicou o portal UOL, a descoberta se deu enquanto autoridades chinesas têm intensificado os testes de alimentos congelados nesta semana, como parte do combate à COVID-19.

Ao total, três amostras apresentaram resultado positivo para a presença do vírus na parte exterior das embalagens de carne bovina congelada e desossada no Brasil.

A mercadoria chegou ao gigante asiático ainda em agosto e desde então tinha sido guardada em um frigorífico.

Por sua vez, a empresa produtora preferiu não comentar o caso.

A China vem verificando alimentos importados desde o final de junho, sendo que só em setembro encontrou 22 amostras com COVID-19 nas mercadorias.

Da mesma forma, traços do coronavírus também foram encontrados em embalagem de carne bovina oriunda da Argentina.

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sábado, 31 de outubro de 2020

Inflação não para de subir: carne de porco registra aumento de até 50% em outubro

 


O valor da carne de porco no Brasil aumentou entre 30% e 50% em outubro na comparação com o mesmo período de 2019

O valor da carne de porco no Brasil aumentou entre 30% e 50% em outubro na comparação com o mesmo período de 2019. Em diferentes regiões do interior de São Paulo, o preço do quilo de pernil pode variar entre R$ 17,90 e R$ 23,90. O lombo pode ser encontrado com valores com diferença ainda maior, entre R$ 19,50 e R$ 30,50 o quilo, de acordo com uma pesquisa realizada pelo portal UOL em diversas cidades brasileiras. 

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) informou que o custo de produção do porco vivo aumentou 38% de outubro do ano passado para outubro deste ano. O valor era de R$ 3,90/kg. Agora, está em R$ 5,37/kg. 

Segundo Ariana Rocha, gerente geral do Açougue Rosita e Geraldo, em Cuiabá (MT), os valores tiveram que ser aumentados em até 50%. O quilo do lombo, por exemplo, custava R$ 16. Atualmente está em R$ 22. O pernil subiu de R$ 12 para R$ 18 o quilo.

Em Florianópolis (SC), o pernil suíno custa R$ 19,90/kg, contra R$ 11,90/kg no início do ano. O lombo subiu de R$ 19,90/kg para R$ 28,90/kg. 

Em Belo Horizonte (MG), os preços subiram em média 50%.

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