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sábado, 19 de fevereiro de 2022

Homem ganha na Justiça direito de tratar Covid-19 com ivermectina, toma o medicamento e morre nos EUA

 





Um homem de 52 anos, morreu de Covid-19 no último domingo, na Pensilvânia, após sua esposa ter entrado na Justiça para conseguir o direito de tratar o homem com ivermectina. Keith Smith recebeu as duas doses do medicamento antes de sua condição piorar e o médico interromper o tratamento. A morte ocorreu sete dias após a primeira dose. A reportagem é do portal O Globo. 

Keith Smith foi diagnosticado em 10 de novembro sendo internado na unidade de terapia intensiva do hospital em coma induzido 11 dias depois. Com o quadro de saúde piorando, sua esposa, Darla Smith, buscou na ivermectina uma "solução milagrosa'' para a cura do companheiro.

Segundo o jornal The Independent, a mulher foi incentivada por publicações nas redes sociais de grupos conservadores, impulsionados em parte por um serviço de telemedicina pró-Donald Trump que vende prescrições para ivermectina.



Entretanto, a droga é proibida para o tratamento do coronavírus em hospitais nos Estados Unidos devido sua ineficácia e riscos comprovados. A ivermectina é um medicamento antiparasitário, administrado principalmente a animais para tratar sarna e outras doenças.

domingo, 22 de agosto de 2021

Agência dos EUA critica uso de ivermectina contra Covid: 'Você não é cavalo nem vaca'

 


A FDA, agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, equivalente no Brasil à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), criticou, neste sábado (21), o uso de ivermectina para tratar ou prevenir a Covid-19. 

“Você não é cavalo. Você não é vaca. Sério, pessoal. Parem com isso”, disse a FDA, em uma publicação no Twitter. De acordo com um texto da agência americana publicado em maio, altas doses de ivermectina são indicadas apenas para animais de grandes porte, como cavalos e vacas, podendo ser tóxicas para humanos. Apesar de ser comprovadamente ineficaz contra a Covid-19, a ivermectina tem sido reiteradamente indicada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), sem qualquer tipo de embasamento científico.






domingo, 18 de julho de 2021

Produtora de ivermectina patrocinou anúncios de 'kit COVID-19' e faturou 1230% a mais, diz Rodrigues

 


De acordo com o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), farmacêuticas que impulsionavam propagandas de tratamento precoce e "kit COVID-19" apresentaram alto faturamento quando comparado ao ano passado.

Neste domingo (18), o vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues, disse que o faturamento das empresas que vendem remédios ineficazes contra a COVID-19 ultrapassou R$ 500 milhões, segundo o Último Segundo.

O faturamento teria contado com uma estratégia de anúncios muito bem remunerada, já que a Associação Médicos pelo Brasil, que divulga propagandas em defesa do tratamento precoce, teve estes anúncios patrocinados pela farmacêutica que produzia ivermectina, a Vitamedic, de acordo com a mídia.

Aplicativo TRATECOV do Ministério da Saúde sugere a prescrição de medicamentos sem eficácia, como cloroquina e ivermectina, para auxiliar médicos e profissionais da saúde no tratamento de pacientes com a COVID- 19
© FOLHAPRESS / ROBERTO COSTA
Aplicativo TrateCov do Ministério da Saúde sugere a prescrição de medicamentos sem eficácia, como cloroquina e ivermectina, para auxiliar médicos e profissionais da saúde no tratamento de pacientes com a COVID- 19

Também com o apoio do grupo Médicos Pela Vida, as vendas de ivermectina pela farmacêutica, uma das maiores produtoras do medicamento, cresceram 1230% em 2020 em relação a 2019.

Segundo o senador, estima-se que a empresa tenha arrecadado R$ 734 milhões só com o medicamento do "kit COVID-19" nesse período.

O grupo Médicos pela Vida mantém a defesa ao tratamento precoce no site da associação e alguns de seus integrantes compõem o chamado gabinete paralelo do governo, uma divisão que aconselharia nos bastidores o presidente, Jair Bolsonaro, a lidar com a pandemia no Brasil.

sábado, 10 de abril de 2021

SEM COMPROVAÇÃO CONTRA A COVID, IVERMECTINA PODE CAUSAR PROBLEMAS NO FÍGADO E ALTERAÇÕES INTESTINAIS, DIZ HEPATOLOGISTA

 


O chamado ‘kit covid’ ou tratamento precoce, que consiste em uma combinação de medicamentos até então apontados como ineficazes ou ainda em fase de pesquisa, vem sendo distribuído em empresas e recomendado por médicos em consultórios como forma de prevenir ou diminuir a carga viral pelo coronavírus.


O kit é composto por medicamentos como a ivermectina, azitromicina, vitamina C, zinco, Vitamina D, entre outras substâncias. No entanto, de acordo com o médico hepatologista Fábio Vosqui, que atua em Feira de Santana, ainda não existem medicamentos que comprovadamente previnem a covid-19, conforme também já foi divulgado por diversas organizações de saúde e cientistas de todo o mundo.


Segundo ele, o uso da ivermectina, por exemplo, está sendo associado ao surgimento de problemas hepáticos (fígado) em pacientes que fizeram uso dessa medicação para prevenir a covid.





Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade


“É muito frequente a gente atender casos de alterações tóxicas e começaram a surgir casos de alterações das enzimas hepáticas em pacientes com processos inflamatórios por pessoas que se expuseram ao kit covid. Não existe recomendação e não tem nenhum trabalho que valide o uso da ivermectina na prevenção do coronavírus e também não existe nenhum trabalho que valide o seu uso no tratamento.


Conforme o especialista, a ivermectina é um antiparasitário, usado para tratar algumas infestações intestinais e algumas lesões de pele, como a escabiose. Em doses altas ou repetitivas em um curto espaço de tempo, a substância pode trazer lesões no fígado e o paciente pode necessitar até mesmo de um transplante.


“Já existem relatos pelo país de transplantes de fígado por conta das altas doses dessa medicação, e além disso, por ser um antiparasitário, ela pode modificar a microflora intestinal e isso pode causar sérias repercussões, como o surgimento de doenças funcionais do aparelho digestivo.”


Ele destacou que alguns estudos foram realizados com a ivermectina, mas todos se mostraram ineficazes.


“Houve um estudo ano passado, um trabalho feito in vitro, em laboratório, não foi em humanos, em uma dose muito mais alta do que a gente costuma utilizar no tratamento das parasitoses, para a covid, e mostrou uma redução da carga viral. Mas esse trabalho não pôde ser reproduzido em humanos devido à alta dose, que seria extremamente tóxica em humanos. Dessa forma não existe nenhum trabalho que demonstre que a ivermectina é eficaz. Outros trabalhos se sucederam com utilização de ivermectina, na tentativa de diminuir a carga viral e assim diminuir a gravidade da doença, mas todos foram falhos. Algumas metanalises, que é um conjunto de trabalhos nessa avaliação mostraram várias vezes que traziam uma baixa aplicabilidade na clínica.”


Fábio Vosqui salientou ainda que a melhor forma de se prescrever uma medicação é quando ela tem uma boa indicação. “É uma excelente medicação no tratamento de algumas parasitoses e de afecções da pele, como a escabiose, não existe nenhuma outra indicação em bula. E o próprio laboratório que fabrica a ivermectina contraindicou sua prescrição para outras patologias. Nas doses habituais, o risco é muito pequeno da ivermectina causar lesão hepática. É uma droga segura e quando ela faz alguma lesão, geralmente, são elevações dos marcadores de inflamação de leve a moderado grau. E esse processo inflamatório costuma se resolver com a parada do uso da medicação. Já em alguns casos graves o paciente pode apresentar o olho amarelado, que chamamos de icterícia, náuseas, dor abdominal e urina escura, que são casos graves. Alguns pacientes apresentam apenas alterações laboratoriais”, explicou.


O hepatologista finalizou dizendo que todo medicamento é também uma droga e vai ter uma boa ação quando tiver uma boa indicação. “Então todo medicamento tem que ser prescrito e utilizado com responsabilidade sob a orientação de um médico, um farmacêutico, enfermeira, pessoas que estão habilitadas a poder dar alguma orientação relacionada ao uso de medicações.”


Com informações do repórter Ney Silva do Acorda Cidade. 


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quarta-feira, 31 de março de 2021

Baiana descobre problema no fígado por causa do uso excessivo de Ivermectina, remédio sem eficácia contra Covid-19

 


Durante um ano, Cremilda Carneiro tomou três cápsulas do medicamento a cada 15 dias, por influência dos irmãos. Agora, ela recebeu o diagnóstico de uma doença chamada colestase.


Uma economista baiana, Cremilda Carneiro, revelou ter adquirido uma doença no fígado, chamada colestase, após tomar três capsulas de ivermectina a cada 15 dias durante um ano. Hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina fazem parte de um chamado tratamento precoce difundido em redes sociais que, segundo cientistas e instituições de pesquisa renomados, não funciona.

“Meus irmãos, que alguém disse para eles, que um médico, algum conhecido, que a ivermectina era a cura ou a preventiva. Todos eles tomaram a ivermectina e eu não poderia ficar de fora”, disse a baiana.

A ivermectina é um vermífugo , usado para combater parasitas, como lombrigas e piolhos; a cloroquina é usada no tratamento de malária, lúpus e artrite reumatóide; e a azitromicina é um antibiótico.

No Brasil, as vendas de hidroxicloroquina subiram 173% em fevereiro desse ano em relação ao ano passado e as de ivermectina, mais de 700%.


Cremilda Carneiro revelou que a colestase adquirida por ela estava na fase moderada, muito próximo da situação mais grave.


“E você acredita com força total que aquilo ali [medicamento] é seguro, que vai te proteger, uma das bobagens da vida que a gente faz. São três graus: o leve, o moderado e o grave né? Eu estava no moderado, quer dizer, um passo para chegar no mais sério”, contou a baiana.

"Para com a ivermectina. Vai usar máscara, vai se cuidar, não vai aglomerar. Porque é a melhor coisa que você faz", pediu.


Baiana descobre problema no fígado por causa do uso excessivo de remédio sem eficácia contra Covid-19 — Foto: Reprodução / TV Bahia

O hepatologista Raymundo Paraná afirma que todo paciente que se expõe a um medicamento corre o risco de uma lesão no fígado. Os médicos contrabalançam o risco com o benefício antes prescrever ao paciente.


"Um estudo conduzido na África mostrou que com 15 milhões de pacientes tratados, a mortalidade por efeitos adversos graves ocorreram somente 55, mas são 55 vidas. Por outro lado, nós temos uma doença que matava mais que isso, então nessa situação, seria favorável a indicação do tratamento. Por outro lado, se você não tem um benefício do tratamento, você ficaria só com risco e seria injustificável utilizar", explicou.


G1 Bahia.


Ivermectina não deve ser usada para tratar COVID-19, recomenda OMS

 


Em julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se posicionou sobre o uso da ivermectina no combate à COVID-19, entrando no mérito de que o medicamento não tem eficácia comprovada. Nesta quarta-feira (31), foi a vez da Organização Mundial da Saúde (OMS) se posicionar. A organização recomendou não utilizar o antiparasitário para pacientes com COVID-19, exceto em ensaios clínicos.

O argumento da OMS é que os dados de estudos clínicos para medir a eficácia do medicamento em questão contra a COVID-19 não produziram resultados conclusivos. "Nossa recomendação é não usar ivermectina para pacientes com COVID-19, independentemente do nível de gravidade ou duração dos sintomas", anunciou Janet Díaz, chefe da equipe de resposta clínica à COVID-19, durante uma coletiva de imprensa. A recomendação só traz uma exceção: ensaios clínicos.


Para chegar a essa conclusão, os especialistas da OMS se basearam em 16 ensaios clínicos randomizados com 2.400 participantes, que compararam a ivermectina com outros medicamentos. Dito isso, de acordo com Bram Rochwerg, pesquisador da Universidade McMaster no Canadá e membro do painel da OMS, o número de estudos comparando ivermectina com placebo "é muito menor".

Em contrapartida, os dois especialistas anunciaram, em uníssono, que as recomendações serão atualizadas conforme novas pesquisas surjam confirmando a eficácia da ivermectina. A OMS não é a primeira a se posicionar dessa forma: a Agência Europeia de Medicamentos também não recomenda seu uso exceto em ensaios clínicos. Além disso, a Food and Drug Administration (FDA), órgão dos EUA, também aponta que a ivermectina não deve ser usada para tratar pacientes com COVID-19.


Já na ocasião mencionada anteriormente, do posicionamento da Anvisa, a príncipio a agência divulgou: "não há recomendação da Anvisa, no momento, para a sua utilização em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação pelo novo coronavírus", mas atualizou a sua nota oficial, alegando que "as indicações aprovadas para a ivermectina são aquelas constantes da bula do medicamento" e que o uso fora do previsto na bula "é de escolha e responsabilidade do médico".


Fonte: Inquirer, O Globo

sexta-feira, 31 de julho de 2020

hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina inúteis para tratar covid-19. Não tem eficácia e pode prejudicar o paciente

Médico explica que, apesar dos medicamentos serem prescritos para outras doenças, não significa que seja seguro para o tratamento da covid-19. Ele relata diversos casos de pacientes com arritmia cardíaca após tomarem a hidroxicloroquina


Hospitais, convênios particulares e até órgãos públicos adotam hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina para tratar covid-19. Para especialistas, oferecer “cura fácil” desvaloriza isolamento social e desvia a atenção da necessidade de ampliar leitos


São Paulo – Em debate realizado na manhã desta quarta-feira (22), especialistas criticaram hospitais privados e planos de saúde que têm ministrado o chamdo “kit covid” para tratamento da doença causada pelo novo coronavírus. A receita inclui medicamentos como cloroquina (e seu composto, a hidroxicloroquina), ivermectina e azitromicina, e tem sido aplicada em casos suspeitos ou confirmados de covid-19. Sem eficácia comprovada, os remédios podem causar efeitos colaterais graves aos pacientes.
O debate sobre a eficácia do coquetel de medicamentos foi realizado pela Ciência USP. Frederico Fernandes, doutor em pneumologia e médico assistente no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, explicou que a criação sobre o “kit covid” é mais político do que técnico.
O especialista é defensor da autonomia dos profissionais da saúde, mas explica que as entidades médicas precisam apresentar aos seus integrantes notas técnicas sobre a não eficácia daqueles medicamentos contra a covid-19.
“A Associação Médica Brasileira soltou um comunicado absolutamente político acusando os médicos de ‘torcerem pelo vírus’. Eles disseram defender a autonomia do médico, mas não é verdade. Quando estou informado sobre risco-benefício e sei que o risco é maior, o que eu faço é imprudência. Então, erro médico não é autonomia”, afirmou
Na última segunda-feira (20), a AMB defendeu, por meio de uma nota oficial, a autonomia do médico em relação à prescrição da hidroxicloroquina como forma de combate à covid-19. A associação ainda pediu o fim do que chamou de “politização sobre o medicamento”, que não tem eficácia comprovada para o combate do novo coronavírus.

Danos aos pacientes

Frederico explica que o kit é composto por medicamentos indicados para outras doenças, o que significa que pode não ser seguro para o tratamento da covid-19. Ele relata diversos casos de pacientes com quadros graves de arritmia cardíaca após tomarem a hidroxicloroquina.
“O paciente com covid mais idoso pode ter problema cardiovascular e, com uma infecção viral aguda, tudo isso pode levar à arritmia. A gente desconhece a segurança no contexto da covid. Esses kits têm estimulado também o uso precoce de corticoides, o que pode levar à replicação viral”, afirmou.
Izabella Pena, pesquisadora no Whitehead Institute, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Boston, criticou especialmente a presença da ivermectina no “kit covid”. Segundo ela, o uso do medicamento é baseado num estudo australiano que não passou do teste pré-clínico.
“É uma evidencia in vitro, ou seja, fora dos seres vivos. Além disso, foi feita com uma dosagem impossível de circular no sangue do ser humano. Já tem estudos mostrando efeitos colaterais dessa dosagem da ivermectina, como a morte de células. A cloroquina tem mais de 200 testes e a maioria são fúteis, com ensaios científicos sem controles e inúteis. Portanto, você vê vários compostos sendo testados com baixa capacidade de funcionar”, aponta.

Negacionismo?

O kit tem sido distribuído por diversos hospitais privados e planos de saúde do país. No começo de julho, a Prevent Senior, por exemplo, enviou aos pacientes com suspeita de coronavírus um “kit covid” com hidroxicloroquina e azitromicina, mesmo sem que o paciente tivesse testado positivo para a infecção.
O pneumologista do Hospital das Clínicas acrescentou que houve casos de pessoas que, apesar de terem tomado os remédios do “kit”, tiveram o quadro de covid-19 agravado. Alguns faleceram. A única medida com percentual de eficácia aceitável, segundo ele, é o acesso à unidade de terapia intensiva (UTI) feita de forma adequada.
“Quando insistimos no isolamento e máscara, é para evitar o excesso de casos e superlotar a UTI, que é o único recurso que salva vidas. Há o uso político desse kit para (o governo) não (investir em) ampliar o número de leitos ou desvalorizar o distanciamento social. Apontar para uma cura fácil tem o objetivo de intervir menos politicamente, o que vai levar mais pessoas à morte”, afirmou Frederico.
Já Luis Claudio Correia, diretor do Centro de Medicina Baseada em Evidências da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (Bahiana), afirmou que a prescrição desses medicamentos sem eficácia comprovada é apenas um reflexo da sociedade.
“A decisão baseada em crença faz parte da sociedade. O pensamento baseado no ceticismo, que é um pilar da ciência, não é habitual. Não vai existir medicina baseada em evidência enquanto não houver a sociedade baseada nisso”, disse.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Não tome! Anvisa faz alerta sobre ivermectina e não recomenda uso contra a covid-19



Anvisa faz alerta sobre ivermectina e não recomenda uso contra a covid-19


A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) fez um alerta ontem diante das notícias recentes de que algumas prefeituras pelo Brasil distribuirão o medicamento ivermectina como forma de tratamento e até prevenção à covid-19. Segundo o órgão ligado ao Ministério da Saúde, o seu uso não é recomendado para a doença causada pelo coronavírus.

A agência foi taxativa ao afirmar em nota que “não existem estudos conclusivos que comprovam o uso desse medicamento para o tratamento da covid-19”. Além disso, reforçou que “o uso de medicamentos sem orientação médica e sem provas de que realmente estão indicados para determinada doença traz uma série de riscos à saúde”.

A Anvisa lembrou que a ivermectina é um medicamento recomendando contra parasitas. Em estudos recentes, o remédio até mostrou resultados positivos contra uma ampla gama de vírus, mas a conclusão foi feita com base apenas em estudos in vitro, ou seja, sem a etapa seguinte de testes em humanos.

O órgão ligado ao Ministério da Saúde ainda demonstrou preocupação com a falta de dados sobre a ivermectina “que indiquem qual seria a dose, posologia ou duração de uso adequada para impedir a contaminação ou reduzir a chance de gravidade da doença.”


quinta-feira, 9 de julho de 2020

Ivermectina não deve ser usada contra a Covid-19 e pode causar sérios efeitos colaterais, alerta infectologista



Enquanto alguns médicos e estudos apontam que não há medicação específica para evitar agravamento da covid-19 , outros profissionais da saúde defendem tratamento preventivo contra o novo coronavírus



A suposta cura para o coronavírus da vez é a Ivermectina. Circula pelas redes sociais que a droga, usada para combater parasitas como carrapatos, pulgas e piolhos, previne e até expulsa a Covid-19 do corpo humano.

A medicação foi apontada em uma pesquisa como eficaz na redução da replicação do coronavírus em testes in vitro, ou seja, em amostras do vírus em laboratórios. Entretanto, a comprovação da eficácia do medicamento no corpo humano não foi comprovada.
Em conversa com o VN, o médico infectologista Adriano Oliveira explicou que, nem ivermectina nem nenhuma outra droga possuem, até o momento, comprovação científica no combate à Covid-19.
“Esse uso da Ivermectina profilática para a Covid-19 não tem embasamento técnico científico, portanto, não deveria estar sendo feito.
Oliveira explica que a Ivermectina é uma droga segura para os seus fins, mas, como todo medicamento, pode apresentar sérios efeitos colaterais.
“Sabemos, por exemplo, que é capaz de induzir à hepatite colestática grave. Então a gente tem que tomar muito cuidado, porque o uso indiscriminado de medicação sem prescrição, sem orientação médica, infelizmente pode levar a tragédias”, afirma o doutor.
Ele afirma que, até o momento, a única forma de prevenir o coronavírus é com distanciamento social e higiêne pessoal, principalmente lavar e higienizar as mãos.
“A Ivermectina, de longe, não é a cura para a Covid-19. Infelizmente, não”, frisa.
INSTITUIÇÕES BRASILEIRAS ALERTAM PARA OS RISCOS
Diversas instituições brasileiras emitiram notas sobre a falta de evidência para utilização da ivermectina na prevenção ou tratamento da Covid-19.
Em nota técnica conjunta, o Centro de Informação sobre Medicamentos, Conselho Regional de Farmácia do Estado da Bahia, Universidade Federal do Ceará, Universidade Federal de Sergipe e Universidade Federal do Vale do São Francisco alertam profissionais da saúde:
“Conforme a Nota Técnica Informativa Nº 03/2020, desenvolvida este grupo de Centros de Informações sobre Medicamentos (CIMs), não há evidências científicas robustas que sustentem a utilização do medicamento ivermectina para tratar ou prevenir a COVID-19”.
A Rede Covida, projeto de colaboração científica e multidisciplinar focado na pandemia de Covid-19, formado entre o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) e a Universidade Federal da Bahia (Ufba), alertou a população sobre os riscos do uso indevido da Ivermectina no tratamento da Covid-19:
“Tanto pela ausência de evidências científicas sobre a droga quanto aos benefícios para os pacientes com esta doença, como por poder produzir efeitos colaterais graves”.
A Sociedade Brasileira de Infectologia ressalta que a ivermectina e a nitazoxanida aparentam resultado positivo em testes in vitro, mas não há comprovação in vivo, ou seja em seres humanos.
A Sociedade resaslta que alguns medicamentos que tiveram resultado similar no teste in vitro, não apresentou o mesmo benefício em humanos. “Só estudos clínicos permitirão definir seu benefício e segurança na COVID-19”.
A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBT) frisa que alguns médicos estão, erroneamente, compartilhando informações falsas.
“Não existem evidências científicas de que quaisquer das medicações disponíveis no Brasil, tais como ivermectina, cloroquina ou hidroxicloroquina, isoladas ou associadamente, colaborem para melhor evolução clínica dos casos. Isso também é verdade para vitaminas, como, por exemplo, a C e D, e suplementos alimentares contendo zinco ou outros nutrientes”.
A SBPT deixa claro que a ciência e a medicina são dinâmicas e, a qualquer momento, novidades concretas podem surgir e serão anunciadas. Entretanto, a melhor maneira de prevenir o coronavírus é mantendo o isolamento social e o uso de máscaras.
Varela Notícias


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