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sábado, 10 de abril de 2021

SEM COMPROVAÇÃO CONTRA A COVID, IVERMECTINA PODE CAUSAR PROBLEMAS NO FÍGADO E ALTERAÇÕES INTESTINAIS, DIZ HEPATOLOGISTA

 


O chamado ‘kit covid’ ou tratamento precoce, que consiste em uma combinação de medicamentos até então apontados como ineficazes ou ainda em fase de pesquisa, vem sendo distribuído em empresas e recomendado por médicos em consultórios como forma de prevenir ou diminuir a carga viral pelo coronavírus.


O kit é composto por medicamentos como a ivermectina, azitromicina, vitamina C, zinco, Vitamina D, entre outras substâncias. No entanto, de acordo com o médico hepatologista Fábio Vosqui, que atua em Feira de Santana, ainda não existem medicamentos que comprovadamente previnem a covid-19, conforme também já foi divulgado por diversas organizações de saúde e cientistas de todo o mundo.


Segundo ele, o uso da ivermectina, por exemplo, está sendo associado ao surgimento de problemas hepáticos (fígado) em pacientes que fizeram uso dessa medicação para prevenir a covid.





Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade


“É muito frequente a gente atender casos de alterações tóxicas e começaram a surgir casos de alterações das enzimas hepáticas em pacientes com processos inflamatórios por pessoas que se expuseram ao kit covid. Não existe recomendação e não tem nenhum trabalho que valide o uso da ivermectina na prevenção do coronavírus e também não existe nenhum trabalho que valide o seu uso no tratamento.


Conforme o especialista, a ivermectina é um antiparasitário, usado para tratar algumas infestações intestinais e algumas lesões de pele, como a escabiose. Em doses altas ou repetitivas em um curto espaço de tempo, a substância pode trazer lesões no fígado e o paciente pode necessitar até mesmo de um transplante.


“Já existem relatos pelo país de transplantes de fígado por conta das altas doses dessa medicação, e além disso, por ser um antiparasitário, ela pode modificar a microflora intestinal e isso pode causar sérias repercussões, como o surgimento de doenças funcionais do aparelho digestivo.”


Ele destacou que alguns estudos foram realizados com a ivermectina, mas todos se mostraram ineficazes.


“Houve um estudo ano passado, um trabalho feito in vitro, em laboratório, não foi em humanos, em uma dose muito mais alta do que a gente costuma utilizar no tratamento das parasitoses, para a covid, e mostrou uma redução da carga viral. Mas esse trabalho não pôde ser reproduzido em humanos devido à alta dose, que seria extremamente tóxica em humanos. Dessa forma não existe nenhum trabalho que demonstre que a ivermectina é eficaz. Outros trabalhos se sucederam com utilização de ivermectina, na tentativa de diminuir a carga viral e assim diminuir a gravidade da doença, mas todos foram falhos. Algumas metanalises, que é um conjunto de trabalhos nessa avaliação mostraram várias vezes que traziam uma baixa aplicabilidade na clínica.”


Fábio Vosqui salientou ainda que a melhor forma de se prescrever uma medicação é quando ela tem uma boa indicação. “É uma excelente medicação no tratamento de algumas parasitoses e de afecções da pele, como a escabiose, não existe nenhuma outra indicação em bula. E o próprio laboratório que fabrica a ivermectina contraindicou sua prescrição para outras patologias. Nas doses habituais, o risco é muito pequeno da ivermectina causar lesão hepática. É uma droga segura e quando ela faz alguma lesão, geralmente, são elevações dos marcadores de inflamação de leve a moderado grau. E esse processo inflamatório costuma se resolver com a parada do uso da medicação. Já em alguns casos graves o paciente pode apresentar o olho amarelado, que chamamos de icterícia, náuseas, dor abdominal e urina escura, que são casos graves. Alguns pacientes apresentam apenas alterações laboratoriais”, explicou.


O hepatologista finalizou dizendo que todo medicamento é também uma droga e vai ter uma boa ação quando tiver uma boa indicação. “Então todo medicamento tem que ser prescrito e utilizado com responsabilidade sob a orientação de um médico, um farmacêutico, enfermeira, pessoas que estão habilitadas a poder dar alguma orientação relacionada ao uso de medicações.”


Com informações do repórter Ney Silva do Acorda Cidade. 


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quarta-feira, 31 de março de 2021

Baiana descobre problema no fígado por causa do uso excessivo de Ivermectina, remédio sem eficácia contra Covid-19

 


Durante um ano, Cremilda Carneiro tomou três cápsulas do medicamento a cada 15 dias, por influência dos irmãos. Agora, ela recebeu o diagnóstico de uma doença chamada colestase.


Uma economista baiana, Cremilda Carneiro, revelou ter adquirido uma doença no fígado, chamada colestase, após tomar três capsulas de ivermectina a cada 15 dias durante um ano. Hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina fazem parte de um chamado tratamento precoce difundido em redes sociais que, segundo cientistas e instituições de pesquisa renomados, não funciona.

“Meus irmãos, que alguém disse para eles, que um médico, algum conhecido, que a ivermectina era a cura ou a preventiva. Todos eles tomaram a ivermectina e eu não poderia ficar de fora”, disse a baiana.

A ivermectina é um vermífugo , usado para combater parasitas, como lombrigas e piolhos; a cloroquina é usada no tratamento de malária, lúpus e artrite reumatóide; e a azitromicina é um antibiótico.

No Brasil, as vendas de hidroxicloroquina subiram 173% em fevereiro desse ano em relação ao ano passado e as de ivermectina, mais de 700%.


Cremilda Carneiro revelou que a colestase adquirida por ela estava na fase moderada, muito próximo da situação mais grave.


“E você acredita com força total que aquilo ali [medicamento] é seguro, que vai te proteger, uma das bobagens da vida que a gente faz. São três graus: o leve, o moderado e o grave né? Eu estava no moderado, quer dizer, um passo para chegar no mais sério”, contou a baiana.

"Para com a ivermectina. Vai usar máscara, vai se cuidar, não vai aglomerar. Porque é a melhor coisa que você faz", pediu.


Baiana descobre problema no fígado por causa do uso excessivo de remédio sem eficácia contra Covid-19 — Foto: Reprodução / TV Bahia

O hepatologista Raymundo Paraná afirma que todo paciente que se expõe a um medicamento corre o risco de uma lesão no fígado. Os médicos contrabalançam o risco com o benefício antes prescrever ao paciente.


"Um estudo conduzido na África mostrou que com 15 milhões de pacientes tratados, a mortalidade por efeitos adversos graves ocorreram somente 55, mas são 55 vidas. Por outro lado, nós temos uma doença que matava mais que isso, então nessa situação, seria favorável a indicação do tratamento. Por outro lado, se você não tem um benefício do tratamento, você ficaria só com risco e seria injustificável utilizar", explicou.


G1 Bahia.


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