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quarta-feira, 1 de junho de 2022

Astrônomos acreditam que galáxias do Universo primitivo podem ter sido devoradas por buracos negros

 


Nova pesquisa revela que buracos negros supermassivos no centro das galáxias devem ser os responsáveis por não permitir um maior número de formação de estrelas.

Não sendo muito ativa na criação de estrelas, a Via Láctea produz todos os anos cerca de três a quatro sóis dentre a vastidão de todo o seu corpo espiral.
Ainda mais paradas, as galáxias elípticas, cuja maior parte da formação de estrelas cessou há muito tempo, intrigam os cientistas pela pouca quantidade de estrelas.
De acordo com a Science Alert, os astrônomos acreditam que tais características têm algo a ver com os buracos negros supermassivos encontrados no centro de todas as galáxias.
Uma equipe internacional de astrônomos liderada pelo pesquisador Kei Ito, da Universidade de Pós-Graduação em Estudos Avançados, SOKENDAI, no Japão, examinou o Universo primitivo para descobrir se esse é o caso.
Usando alguns dos telescópios mais poderosos do mundo, a equipe coletou dados em vários comprimentos de onda de luz para identificar galáxias cuja luz viajou de 9,5 bilhões a 12,5 bilhões de anos através do golfo do espaço-tempo.
Impressão artística da super-Terra em órbita ao redor da estrela anã vermelha GJ-740 - Sputnik Brasil, 1920, 27.05.2022
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Astrônomos encontram exoplaneta parecido com a Terra a apenas 36,5 anos-luz de distância
Dentro da análise, os dados ópticos e infravermelhos foram responsáveis por identificar galáxias cuja formação de estrelas está em andamento e aquelas em que a formação de estrelas já cessou.
Em seguida, os dados de raios X e rádio foram analisados para identificar a atividade dos buracos negros supermassivos. Este é o mecanismo pelo qual os astrônomos acreditam que a formação de estrelas pode ser extinta. Quando um buraco negro supermassivo está ativo, ele devora grandes quantidades de matéria do espaço ao seu redor. Apesar de este processo ainda ser um pouco confuso e violento, o efeito produzido e conhecido como "feedback" seria uma justificativa possível para o fenômeno.
Todos sabemos que nada pode emergir além do horizonte de eventos de um buraco negro, mas o espaço ao seu redor é uma questão diferente. O material gira em torno do buraco negro, como água circulando um ralo, em que a gravidade e o atrito da matéria produzem uma intensa radiação que incendeia o Universo.
Outra forma que o feedback assume é a de jatos explodindo das regiões polares do buraco negro. Desta maneira, os cientistas acreditam que o material fora do horizonte de eventos seja acelerado ao longo do campo magnético externo do buraco negro, para ser lançado dos polos como jatos poderosos e focados de plasma que viajam a uma porcentagem significativa da velocidade da luz.
Esta é a primeira imagem de Sagitário A*, o buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia - Sputnik Brasil, 1920, 12.05.2022
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Astrônomos divulgam primeiras IMAGENS do buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea
Por fim, a outra forma de feedback produzido pelos buracos negros supermassivos ativos são os intensos ventos que varrem as galáxias. Acredita-se que todas as três formas de feedback – a radiação, os jatos e os ventos – aquecem e afastam o gás molecular frio necessário para a formação de estrelas-bebês.
Colocando em perspectiva, em distâncias ainda mais vastas, essas galáxias são muito mais difíceis de se ver, por exemplo, porque são fracas e pequenas do nosso ponto de vista atual, de tal forma que os pesquisadores tiveram de "empilhar" as galáxias juntas para enfatizar a luz de rádio e raios X que são os sinais reveladores de um buraco negro supermassivo ativo todos esses bilhões de anos atrás.
Através dessa técnica, a equipe encontrou um "excesso" de raios X e sinal de rádio muito forte para ser explicado apenas pelas estrelas nas galáxias com pouca ou nenhuma formação de estrelas, o que deve significar que o sinal corresponde ao de um buraco negro supermassivo ativo.
Os pesquisadores concluíram que é muito plausível que um buraco negro supermassivo ativo tenha um papel determinante nas mortes abruptas dessas galáxias misteriosas e fantasmagóricas.

domingo, 17 de abril de 2022

'Elo perdido' recém-descoberto do Universo primitivo pode revelar origem dos buracos negros (FOTO)

 


Considerado o "elo perdido" do Universo primitivo, o buraco negro em crescimento foi encontrado por uma equipe internacional de astrônomos com a ajuda dos dados do Telescópio Espacial Hubble

O corpo celeste recém-descoberto é uma conexão importante entre as galáxias jovens em formação estelar e os primeiros buracos negros supermassivos, segundo a NASA.
Além disso, o objeto, chamado GNz7q, é o primeiro buraco negro de rápido crescimento detectado no Universo primitivo, ou seja, um "elo perdido" entre as galáxias com explosão estelar e quasares brilhantes, aponta estudo publicado na revista Nature.

"Nossa análise sugere que o GNz7q é o primeiro exemplo de um buraco negro de rápido crescimento no núcleo poeirento de uma galáxia com explosão estelar em uma época próxima ao primeiro buraco negro supermassivo conhecido no Universo", explicou o astrônomo Seiji Fujimoto.

A astronomia aponta que os buracos negros de rápido crescimento começam suas vidas em núcleos envoltos de poeira galáctica antes de expelir gases e emergir como quasares extremamente luminosos, além de brilharem com frequências de ondas de raios X e ultravioleta.
O objeto, chamado GNz7q, é o primeiro buraco negro de rápido crescimento detectado no Universo primitivo, ou seja, um elo perdido entre as galáxias com explosão estelar e quasares brilhantes - Sputnik Brasil, 1920, 14.04.2022
O objeto, chamado GNz7q, é o primeiro buraco negro de rápido crescimento detectado no Universo primitivo, ou seja, um "elo perdido" entre as galáxias com explosão estelar e quasares brilhantes
No entanto, o GNz7q só brilhou na ultravioleta, enquanto a luz de raios X era invisível, mesmo com dados mais detalhados do Hubble, o que indica que o núcleo do disco de acreção ainda está obscurecido.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Sombra de nuvem de água cósmica revela temperatura do Universo primitivo

 


Cientistas estão trabalhando em uma verificação da temperatura do Universo em sua fase mais jovem, apenas 880 milhões de anos após o Big Bang.

No estudo publicado na Nature e divulgado pela Science Alert, uma equipe de astrônomos e astrofísicos trabalham na verificação da temperatura do Universo possibilitada pela observação da sombra projetada por uma nuvem de gás de água fria a cerca de 13,8 bilhões de anos-luz da Terra.
Até o momento esta é a primeira vez que um estudo se debruça sobre a temperatura do Universo, que os cientistas acreditam estar esfriando ao longo do tempo à medida que se expande e se espalha, outro ponto-chave para a compreensão de uma das forças mais misteriosas por trás da expansão, a energia escura.

"Este importante marco não apenas confirma a tendência de resfriamento esperada para uma época muito anterior à que previamente foi possível medir, mas também pode ter implicações diretas para a natureza da elusiva energia escura", diz o astrônomo do Instituto Max Planck para Radioastronomia (MPIfR, em inglês), na Alemanha, Axel Weiss.

Usando o telescópio de Matriz Milimétrica Estendida do Norte (NOEMA, na sigla em inglês) na França, os astrônomos se concentraram no contraste de temperaturas em comparação com a galáxia HFLS3 (conhecida como galáxia de explosão estelar devido ao número anormalmente alto de novas estrelas produzidas).
Imagem da radiação cósmica de fundo do universo feita pela NASA - Sputnik Brasil, 1920, 04.02.2022
Imagem da radiação cósmica de fundo do universo feita pela NASA
Os cientistas afirmam que a luz está demorando tanto para chegar da HFLS3 que o que se pode ver é menos de um bilhão de anos depois do surgimento do Universo. Além disso, também é possível detectar uma grande nuvem de vapor de água entre a Terra e a galáxia, uma nuvem que é mais fria que a radiação do fundo cósmico em micro-ondas (CMB, na sigla em inglês) que indica a temperatura do Universo.

Os pesquisadores calculam um CMB entre 16,4 e 30,2 Kelvin (-256,8 a -243 °C) no período de tempo representado por HFLS3, que se encaixa nas previsões anteriores do modelo cosmológico de 20 Kelvin, uma confirmação importante para o modelo adotado.

"Além da prova de resfriamento, essa descoberta também nos mostra que o Universo em sua infância tinha algumas características físicas bastante específicas que não existem mais hoje", diz o astrofísico da Universidade de Colônia, na Alemanha, Dominik Riechers.

Chegando a Urano (à esquerda) em 1986, a Voyager 2 observou um orbe azulado com características sutis. Uma camada de neblina escondeu a maioria das características das nuvens do planeta. A imagem de Netuno (à direita) produzida pela Voyager 2 mostra a Grande Mancha Escura acompanhada pela mancha brilhante - Sputnik Brasil, 1920, 02.02.2022
Sociedade e cotidiano
Novo estudo pode explicar por que Urano e Netuno não têm a mesma cor
Os resultados mostraram que as estimativas anteriores da taxa de diminuição da temperatura, uma vez que corresponde à expansão, estão na área correta. Tentar fazer esse tipo de leitura agora não funcionaria – o CMB é frio demais para produzir o mesmo contraste de temperatura.
Quando se trata de energia escura, acredita-se que isso esteja impulsionando a expansão do Universo, mas poder observá-la diretamente permanece fora do escopo de nossos instrumentos atuais. No entanto, é possível aprender mais sobre a energia observando seus efeitos, o que inclui a taxa de expansão do Universo e a queda na temperatura do CMB.

"Nossa equipe já está acompanhando isso com o NOEMA estudando os arredores de outras galáxias", diz o astrônomo do Instituto de Radioastronomia Milimétrica (IRAM), na França, Roberto Neri.

"Com as melhorias esperadas na precisão dos estudos de amostras maiores de nuvens de água, resta saber se nossa compreensão básica atual da expansão do Universo se mantém", completou o astrônomo.

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Sistema Solar primitivo estava dividido em regiões interna e externa, avança pesquisa

 


Nosso Sistema Solar primordial tinha uma separação entre as suas regiões interna e externa, mesmo quando era apenas uma massa de gás e poeira, aponta um estudo recente.

A lacuna enigmática, descrita como uma "fronteira cósmica", existia há cerca de 4,5 bilhões de anos, quando o Sistema Solar tinha acabado de se formar.

Essa fronteira cresceu, criando uma faixa de espaço entre Marte e Júpiter, separando os planetas interiores e exteriores, escreve Daily Mail.

O estudo, conduzido por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), baseou-se na análise de meteoritos antigos – fragmentos de asteroides que caíram na Terra.

Porém, os cientistas não sabem exatamente o que criou tal lacuna no espaço, sugerindo que poderia ter sido causada por Júpiter quando este estava em sua fase inicial de desenvolvimento ou por um vento emergente durante a formação do Sistema Solar.

É conhecido que os primeiros quatro planetas – Mercúrio, Vênus, Terra e Marte – formam a parte interna do Sistema Solar, enquanto os últimos quatro – Júpiter, Saturno, Netuno e Urano – compõem a parte externa.

Atualmente, o espaço entre Marte e Júpiter, local onde se encontra o cinturão de asteroides, é de 3,68 unidades astronômicas, ou seja, cerca de 550 milhões de quilômetros.

Os autores do recente estudo não são capazes de determinar a dimensão histórica da lacuna, que era apenas um buraco no disco protoplanetário, mas teria sido muito menor do que é agora.

Representação artística do Sistema Solar
Representação artística do Sistema Solar

Esta separação física da lacuna poderia ter moldado a composição dos planetas do Sistema Solar, impedindo que o material de ambos os lados interagisse.

Por exemplo, na parte interna da lacuna, o gás e poeira se juntaram formando planetas rochosos como Terra e Marte, enquanto o gás e poeira mais afastados formaram regiões geladas, onde se localizam planetas gasosos tais como Júpiter e seus vizinhos.

"É bastante difícil atravessar esta lacuna, um planeta precisaria muita força de torção externa e impulso", explica Cauê Borlina, autor principal da pesquisa e estudante de pós-graduação do Departamento das Ciências da terra, Atmosfera Ciências Planetárias do MIT.

A causa desta lacuna no Sistema Solar continua um mistério, mas há a possibilidade de Júpiter ter sido responsável. À medida que o gigante gasoso se formava, sua imensa força gravitacional poderia ter empurrado gás e poeira para a periferia, deixando uma lacuna no disco protoplanetário.

Outra explicação para isso pode estar relacionada com ventos emergindo da superfície do disco protolanetário. Sistemas planetários primordiais são dominados por fortes campos magnéticos. Quando estes campos interagem com um disco de gás e poeira em rotação, eles podem criar ventos suficientemente fortes para afastar o material deixando uma lacuna no disco.

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