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domingo, 23 de julho de 2023

Astrônomos descobrem planeta maciço semelhante a nuvem ou algodão doce gigante

 


A galáxia pode lançar algumas bolas curvas estranhas, mas um exoplaneta descoberto a 1.232 anos-luz de distância é um dos mais estranhos até agora.

De acordo com estudo divulgado no portal Science Alert, embora seja quase 50% maior que Júpiter, WASP-193b é tão leve e macio que sua densidade geral é comparável à do algodão doce. É apenas um fio de cabelo acima de 1% da densidade da Terra. De acordo com os cientistas, seria o mesmo que imaginar um planeta formado por um dente-de-leão.
Exoplanetas como WASP-193b são raros, mas não inéditos, e podem nos ajudar a entender melhor a evolução planetária que nos permite contextualizar o Sistema Solar, sua formação e evolução ao longo de sua existência.
Gigantes gasosos próximos de suas estrelas são uma excelente ferramenta para isso, porque nossa compreensão da formação planetária significa que eles devem ter se formado em outro lugar e migrado para dentro. Outro dado importante revelado pelo estudo desses objetos celestes é que através da irradiação da estrela é possível compreender que muitos desses mundos estão encolhendo.
Impressão artística de um mundo semelhante a uma nuvem representando WASP-193b - Sputnik Brasil, 1920, 22.07.2023
Impressão artística de um mundo semelhante a uma nuvem representando WASP-193b
WASP-193b é um exoplaneta orbitando uma estrela parecida com o Sol chamada WASP-193. Esta estrela tem cerca de 1,1 vez a massa e 1,2 vez o raio do Sol e está muito próxima do Sol em temperatura e idade. Mas o WASP-193b orbita sua estrela muito mais de perto do que qualquer um dos planetas do Sistema Solar, se aproximando bastante de sua estrela a cada 6,25 dias.
De acordo com a equipe internacional liderada pelo astrônomo Khalid Barkaoui, da Universidade de Liege, na Bélgica, estudar como a luz da estrela muda à medida que o exoplaneta gira em torno dela permitiu calcular o raio e a massa desse mundo. Seu raio é cerca de 1,46 vez o raio de Júpiter. Mas sua massa é incrivelmente pequena em comparação: apenas 0,139 vez a do gigante gasoso.
Anã branca - Sputnik Brasil, 1920, 20.07.2023
Ciência e sociedade
Estrela de 2 faces recém-descoberta deixa astrônomos perplexos (VÍDEO)
A partir dessas propriedades, os pesquisadores derivaram a densidade do exoplaneta: 0,059 grama por centímetro cúbico. Em comparação, a Terra tem uma densidade de 5,51 gramas por centímetro cúbico. A densidade de Júpiter é de apenas 1,33 grama por centímetro cúbico e a do algodão doce de 0,05 grama por centímetro cúbico.
Muito poucos outros mundos foram encontrados com densidade comparável, mas eles oferecem algumas pistas de como esses mundos fofos podem vir a existir. A proximidade de uma estrela pode aquecer a atmosfera, inflando-a, especialmente se essa atmosfera for predominantemente de hidrogênio e hélio.
Embora a compreensão plena sobre que condições proporcionaram a existência de WASP-193b, ele representa um excelente candidato para estudos de acompanhamento para ver de que é feita a sua atmosfera, uma das tarefas para as quais o Telescópio Espacial James Webb foi projetado. Segundo a equipe, apenas uma observação de trânsito poderia fornecer informações que explicam como um mundo tão estranho e fofo pode existir no Universo.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Sombra de nuvem de água cósmica revela temperatura do Universo primitivo

 


Cientistas estão trabalhando em uma verificação da temperatura do Universo em sua fase mais jovem, apenas 880 milhões de anos após o Big Bang.

No estudo publicado na Nature e divulgado pela Science Alert, uma equipe de astrônomos e astrofísicos trabalham na verificação da temperatura do Universo possibilitada pela observação da sombra projetada por uma nuvem de gás de água fria a cerca de 13,8 bilhões de anos-luz da Terra.
Até o momento esta é a primeira vez que um estudo se debruça sobre a temperatura do Universo, que os cientistas acreditam estar esfriando ao longo do tempo à medida que se expande e se espalha, outro ponto-chave para a compreensão de uma das forças mais misteriosas por trás da expansão, a energia escura.

"Este importante marco não apenas confirma a tendência de resfriamento esperada para uma época muito anterior à que previamente foi possível medir, mas também pode ter implicações diretas para a natureza da elusiva energia escura", diz o astrônomo do Instituto Max Planck para Radioastronomia (MPIfR, em inglês), na Alemanha, Axel Weiss.

Usando o telescópio de Matriz Milimétrica Estendida do Norte (NOEMA, na sigla em inglês) na França, os astrônomos se concentraram no contraste de temperaturas em comparação com a galáxia HFLS3 (conhecida como galáxia de explosão estelar devido ao número anormalmente alto de novas estrelas produzidas).
Imagem da radiação cósmica de fundo do universo feita pela NASA - Sputnik Brasil, 1920, 04.02.2022
Imagem da radiação cósmica de fundo do universo feita pela NASA
Os cientistas afirmam que a luz está demorando tanto para chegar da HFLS3 que o que se pode ver é menos de um bilhão de anos depois do surgimento do Universo. Além disso, também é possível detectar uma grande nuvem de vapor de água entre a Terra e a galáxia, uma nuvem que é mais fria que a radiação do fundo cósmico em micro-ondas (CMB, na sigla em inglês) que indica a temperatura do Universo.

Os pesquisadores calculam um CMB entre 16,4 e 30,2 Kelvin (-256,8 a -243 °C) no período de tempo representado por HFLS3, que se encaixa nas previsões anteriores do modelo cosmológico de 20 Kelvin, uma confirmação importante para o modelo adotado.

"Além da prova de resfriamento, essa descoberta também nos mostra que o Universo em sua infância tinha algumas características físicas bastante específicas que não existem mais hoje", diz o astrofísico da Universidade de Colônia, na Alemanha, Dominik Riechers.

Chegando a Urano (à esquerda) em 1986, a Voyager 2 observou um orbe azulado com características sutis. Uma camada de neblina escondeu a maioria das características das nuvens do planeta. A imagem de Netuno (à direita) produzida pela Voyager 2 mostra a Grande Mancha Escura acompanhada pela mancha brilhante - Sputnik Brasil, 1920, 02.02.2022
Sociedade e cotidiano
Novo estudo pode explicar por que Urano e Netuno não têm a mesma cor
Os resultados mostraram que as estimativas anteriores da taxa de diminuição da temperatura, uma vez que corresponde à expansão, estão na área correta. Tentar fazer esse tipo de leitura agora não funcionaria – o CMB é frio demais para produzir o mesmo contraste de temperatura.
Quando se trata de energia escura, acredita-se que isso esteja impulsionando a expansão do Universo, mas poder observá-la diretamente permanece fora do escopo de nossos instrumentos atuais. No entanto, é possível aprender mais sobre a energia observando seus efeitos, o que inclui a taxa de expansão do Universo e a queda na temperatura do CMB.

"Nossa equipe já está acompanhando isso com o NOEMA estudando os arredores de outras galáxias", diz o astrônomo do Instituto de Radioastronomia Milimétrica (IRAM), na França, Roberto Neri.

"Com as melhorias esperadas na precisão dos estudos de amostras maiores de nuvens de água, resta saber se nossa compreensão básica atual da expansão do Universo se mantém", completou o astrônomo.

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