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sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Tratamento de Trump contra Covid-19 foi feito a partir de células de fetos abortados, aponta Guardian


 O jornal inglês The Guardian ironizou o fato do presidente dos Estados Unidos ter utilizado este tratamento e ao mesmo tempo manter um discurso contra o aborto


Da RFI - O jornal britânico The Guardian revela em reportagem desta sexta-feira (9) os ingredientes do coquetel antiviral do laboratório Regeneron administrado ao presidente dos Estados Unidos, durante sua breve estadia no Hospital Militar Walter Reed. O Guardian ironiza o fato do chefe de Estado ter usado um remédio à base de células de fetos abortados para combater o coronavírus, ao mesmo tempo em que se alia ao discurso contra o aborto do eleitorado ultraconservador, na mira das eleições presidenciais do 3 de novembro.

O jornal britânico destaca que uma das drogas tomadas por Donald Trump no Hospital Militar Walter Reed, apontada por ele como uma “cura” potencial para o coronavírus, foi desenvolvida com células humanas originalmente obtidas a partir de um aborto voluntário, prática denunciada repetidamente pelo presidente norte-americano e por muitos de seus apoiadores.

"A droga é um coquetel de anticorpos desenvolvido pela Regeneron", publica The Guardian nesta sexta-feira (9). "O presidente recebeu uma infusão de 8 gramas quando foi hospitalizado no fim de semana após teste positivo para Covid-19. Não há cura para a Covid-19 e o medicamento não foi aprovado [segundo o cânone científico]", destaca.

Segundo o jornal inglês, as células usadas para desenvolver a droga são conhecidas como HEK-293T, uma linhagem de células especialmente usada em laboratórios. Elas foram originalmente derivadas de um rim embrionário após um aborto realizado na Holanda, na década de 1970.

Trump e o proselitismo antiaborto e anticélulas tronco

O líder dos conservadores tem buscado restringir o acesso ao aborto em seu país. "O movimento antiaborto é uma das bases de apoio mais entusiásticas de Trump", observa o jornal, relembrando que a indicação da  indicar a conservadora juíza católica Amy Coney Barrett para a Suprema Corte, no mês passado, sinaliza esse objetivo.

A plataforma eleitoral do Partido Republicano de 2020 se opõe explicitamente à pesquisa com células-tronco embrionárias e pede a proibição do financiamento federal para pesquisas com elas, porque, como as células HEK, são derivadas de um embrião, frisa o Guardian. "Trump já limitou as pesquisas com células-tronco embrionárias por razões ideológicas”, destaca o jornal. Em 2019, sublinha o texto, o governo interrompeu o financiamento para cientistas do governo trabalharem em estudos envolvendo células-tronco embrionárias, afetando cerca de US$ 31 milhões em pesquisas, de acordo com a revista Science.

A Susan B Anthony List, um importante grupo antiaborto dos EUA, não respondeu à reportagem do The Guardian sobre a questão. No entanto, o movimento se manifestou sobre outros medicamentos contra a Covid-19 em desenvolvimento. Pelo menos cinco vacinas candidatas usaram estas mesmas células HEK-293T aplicadas em Trump ou uma linha de células patenteada e desenvolvida a partir de um aborto eletivo em 1985.

Retorno à campanha

Nesta quinta-feira (8), em entrevista à emissora Fox News, o presidente americano disse que que pretende organizar um comício neste sábado (10), provavelmente na Flórida, embora ainda esteja em recuperação da Covid-19.  "Acho que vou tentar fazer um comício no sábado à noite se tivermos tempo suficiente para organizá-lo", revelou Trump ao apresentador conservador Sean Hannity.

O líder afirmou que também pretende organizar outro comício no domingo (11), na Pensilvânia. "Eu me sinto muito bem", garantiu o presidente, após receber o aval de seu médico particular para retomar as atividades públicas neste fim de semana.

domingo, 31 de maio de 2020

Epidemiologista adverte: nova pandemia será 100 vezes mais virulenta que esta se nada for feito



Novo vírus, "100 vezes pior" que o coronavírus, foi previsto por cientista norte-americano que, recordando zoonoses causadoras de pandemias, elege galinhas como futuro foco transmissor.


No seu último livro "Como sobreviver a uma pandemia", o cientista norte-americano Michael Greger explica que um novo vírus apocalíptico 100 vezes mais virulento irá em breve bater à porta da humanidade se nada for feito para impedi-lo.
Segundo noticia o site Armenian Reporter, o médico salienta o facto de as zoonoses, doenças infecciosas cujos agentes são naturalmente transmitidos dos animais para os seres humanos, serem a dor de cabeça para os humanos em termos de vírus.
Greger garante que o coronavírus não será a última pandemia que assolará a humanidade, recordando que o SARS-CoV-2 foi transferido para os seres humanos através da carne de pangolins, que é considerada uma especialidade nos países asiáticos.

Incubadora de vírus

Segundo o epidemiologista norte-americano Michael Osterholm, o vírus H5N1, também conhecido como gripe das aves, assemelha-se ao mortífero vírus da gripe espanhola de 1918 – também originado em pássaros – e pode levar a uma repetição desta pandemia.
"Todos os frangos nascidos são uma nova incubadora para vírus", afirmou, citado pelo site.
Em princípio, Greger concorda. A única abordagem correta para garantir o fim de futuras pandemias seria a de matar todos os frangos deste planeta.
Mas reconhecendo a importância da indústria, preferiu salientar que o importante era começar a criar galinhas não em grandes granjas, mas sim em pequenas explorações, com menos aves e em condições mais higiénicas, para evitar uma nova epidemia.
Nas condições atuais de criação industrial de galinhas, com o "mau fluxo de ar, as más condições dos galpões, a higiene deficiente e o nível excessivo de amoníaco devido a seus excrementos, não é de admirar que as doenças floresçam", alertou o especialista.

© SPUTNIK / IGOR ZAREMBO
Funcionárias do complexo avícola Produkty Pitaniya, localizado próximo à vila de Aleksandr Kosmodemyansky, na região de Kaliningrado, Rússia
Greger recordou que a tuberculose e o sarampo provêm dos ovinos e caprinos, a varíola dos camelos, a lepra dos búfalos de água, a tosse convulsa dos suínos, a febre tifoide dos frangos e o vírus da constipação comum dos bovinos e dos equídeos.
"Estas zoonoses quase nunca chegam às pessoas diretamente, mas através da ponte de uma outra espécie", escreve Greger.
As zoonoses são transmitidas aos seres humanos através da carne de um animal infectado. A maioria destes vírus não são perigosos hoje em dia, mas podem sofrer mutações e começar a enfraquecer o sistema imunitário humano, podendo levar à morte.
SARS-CoV-2 espalhou-se rapidamente pelo mundo graças à globalização. "Veja-se como uma única refeição pode custar à humanidade triliões de dólares e milhares de vidas", alertou Greger, chamando a atenção para a necessidade de a humanidade ter de aprender a diminuir as hipóteses de surtos pandêmicos.

sábado, 16 de maio de 2020

Cloroquina não tem eficácia no tratamento de Covid-19 e é perigoso, segundo maior estudo já feito com o medicamento



Na semana em que Nelson Teich pediu demissão do Ministério da Saúde porque ele se recusou a liberar a cloroquina como remédio para todos os casos de Covid-19, como quer Jair Bolsonaro, foi divulgado o maior estudo já feito sobre o uso da substância.

De acordo com uma pesquisa publicada no Journal of the American Medical Association, a hidroxicloroquina não é capaz de evitar mortes pela Covid-19 e ainda pode causar problemas no coração.





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terça-feira, 14 de abril de 2020

Feito no Brasil, estudo liga altas doses de cloroquina a mortes

Cloroquina: medicamento ainda está em testes para o tratamento de covid-19 (REB Images/Getty Images)

 O medicamento carece de pesquisas e testes clínicos para ter eficácia comprovada contra o coronavírus, causador da doença covid-19; vacinas estão em teste


Uma pesquisa científica feita no Brasil indica que o uso de altas dosagens de cloroquina em pacientes graves infectados pelo novo coronavírus pode levar à morte. 
Feita por pesquisadores de Manaus (AM), a pesquisa buscou avaliar os efeitos da cloroquina em pacientes infectados pelo novo coronavírus. Foram adotadas duas dosagens diferentes para o teste, feito com 81 participantes.
As dosagens adotadas foram de 600mg duas vezes ao dia, ao longo de dez dias; e 450 mg por cinco dias, com aplicação duas vezes ao dia apenas logo no primeiro dia de tratamento. Os indivíduos receberam o medicamento por meio de uma sonda nasogástrica.
A taxa de mortalidade foi mais alta entre as pessoas que receberam maior dosagem do medicamento: 17% contra 13,5% no segundo grupo, que recebeu dosagem menor de cloroquina. Junto ao remédio, também foram dados ceftriaxona e azitromicina aos pacientes.
Vale notar que os dados ainda são preliminares, não conclusivos – o que significa que mais estudos são necessários sobre a relação do medicamento com a doença e as mortes.
“Tais resultados nos forçaram a interromper prematuramente o recrutamento de pacientes para esse braço [da pesquisa]. Dado o enorme impulso global para o uso da cloroquina, resultados como os encontrados neste estudo podem fornecer evidências robustas para recomendações atualizadas de gerenciamento de pacientes com Covid-19”, segundo os pesquisadores.
Ainda não há um medicamento testado e comprovado como eficaz e sem riscos para o tratamento de pacientes infectados pelo novo coronavírus. No entanto, tanto o presidente dos Estados Unidos Donald Trump quanto o presidente brasileiro Jair Bolsonaro dizem acreditar na eficácia do medicamento, bem como na variante hidroxicloroquina, usada contra malária, lúpus e artrite.
O entusiasmo é apoiado em uma pesquisa feita na França, com uma amostra pequena de pacientes que receberam a cloroquina junto a um antibiótico. Porém, o estudo é criticado pela comunidade científica internacional por ter uma amostra de pessoas pequena demais para identificar potenciais efeitos negativos quando o tratamento foi aplicado em ampla escala, bem como devido à abrangência de mais cenários de uso da substância em pessoas com covid-19.
Fonte: Exame

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