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domingo, 7 de junho de 2020

Moro condena alianças de Bolsonaro com políticos corruptos do centrão


"Entregar cargos, com orçamentos expressivos, para serem preenchidos por indicações políticas provenientes de pessoas condenadas ou acusadas de corrupção contraria tudo o que a Lava Jato representou", diz ele


O ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro condenou a aproximação entre Jair Bolsonaro e políticos do centrão associados a escândalos de corrupção, como Roberto Jefferson. "Qualquer governo precisa de alianças políticas no Parlamento. A melhor maneira é pegar parlamentares que se destacam por um histórico de uma atuação mais ética e defender uma agenda positiva de combate à corrupção e valorizar essas personagens e não outros", disse ele, em entrevista ao jornalista Leandro Colon, da Folha de S. Paulo.


"Alianças com algumas figuras políticas questionáveis não contribuem para a imagem do governo. Entregar cargos, com orçamentos expressivos, para serem preenchidos por indicações políticas provenientes de pessoas condenadas ou acusadas de corrupção contraria tudo o que a Lava Jato representou."

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Em aliança com Bolsonaro, deputada do Centrão coloca secretária de marido na Ancine


Para o cargo foi nomeada Gerfania do Socorro, que foi secretária-executiva da CNEC, que é presidida pelo ex-deputado Alexandre Santos, que é marido de Soraya Santos, do PL


Em aliança com Jair Bolsonaro, o Centrão conseguiu colocar a deputada Soraya Santos, do PL de Valdemar Costa Neto, colocou uma aliada na Agência Nacional de Cinema (Ancine), na chefia do escritório da agência em Brasília.
Para o cargo foi nomeada Gerfania do Socorro, que foi secretária-executiva da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade (CNEC), que é presidida pelo ex-deputado Alexandre Santos, que é marido de Soraya Santos.
Nesta segunda-feira, Bolsonaro colocou um assessor do PP, outro partido do Centrão, no comando do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). 

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Mais 20 militares e membros do Centrão devem entrar no Ministério da Saúde nos próximos dias



Com o alinhamento dos militares com o governo de Jair Bolsonaro e o fortalecimento das alianças com o Centrão, estes dois setores devem tomar conta do Ministério da Saúde, em cargos importantes como a secretaria de Atenção Especializada à Saúde (Saes), que liberou verba milionária para construção de leitos em todo o País


Com a ascensão do general Eduardo Pazuello como ministro interino da Saúde, desde a saída de Nelson Teich, percebe-se um alinhamento dos militares com Jair Bolsonaro, inclusive com questões polêmicas como a liberação do uso da cloroquina em pacientes leves, desaconselhada pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS), que suspendeu, nesta segunda-feira, 25, os testes com a substância por conta de risco de morte dos pacientes.
O general Pazuello, deve receber mais 20 militares em cargos estratégicos do ministério nos próximos dias, de acordo com matéria do jornal Estado de S. Paulo. Eles se somarão a outros 20 já nomeados na pasta. Além disso, cargos devem ser distribuídos para partidos do Centrão, com o fortalecimento da aliança de Bolsonaro com este setor para favorecer suas medidas no Legislativo e evitar um possível Impeachment.
De acordo com a matéria, líderes do Progressistas (partido de Paulo Maluf e ex-partido de Bolsonaro) e do PL chegaram a um acordo para indicar o médico Marcelo Campos Oliveira como secretário de Atenção Especializada à Saúde (Saes).
Durante a pandemia do coronavírus, a secretaria liberou recursos para custeio de leitos em hospitais de todo o País e já autorizou bancar R$ 911,4 milhões para o funcionamento, por 90 dias, de 6.344 quartos de UTI específicos para a Covid-19. O ex-ministro Teich chegou a convidar o ex-presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Junqueira, para ocupar a secretaria, mas a negociação se encerrou quando líderes do Centrão pediram o cargo.

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sábado, 16 de maio de 2020

Bolsonaro nomeou Marun para Itaipu porque quer se casar com o Centrão


"Jair Bolsonaro não foi obrigado pela Justiça a reconduzir o braço-direito de Eduardo Cunha e ex-ministro de Michel Temer para Itaipu. Ele fez isso porque quis e para dizer ao centrão que está totalmente aberto à 'velha política' de cargos em troca de barrar o seu processo de impeachment", escreve o jornalista Aquiles Lins, editor do 247


Por Aquiles Lins, para o Jornalistas pela Democracia 

Jair Bolsonaro fez um novo aceno à "velha política" e reconduziu ao conselho de administração de Itaipu Binacional o ex-deputado Carlos Marun (MDB-MS). Participante ativo do golpe de 2016, Marun era ponta de lança do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ) e foi ex-ministro de Michel Temer. 
No mesmo ato, publicado em edição extra do Diário Oficial da União dessa sexta-feira (15), Bolsonaro nomeou outro golpista como conselheiro da hidrelétrica binacional: o ex-deputado José Carlos Aleuia, além do próprio ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. O salário é de R$ 27 mil para participar de reuniões a cada 60 dias ou de forma extraordinária. O mandato vai até 2024. 
Carlos Marun sempre foi do baixo clero na Câmara, da mesma turma de Jair Bolsonaro. Este grupo de parlamentares medianos, mais conhecidos pela sede por cargos e emendas parlamentares, viu sua influência crescer quando Eduardo Cunha foi alçado à presidência da Câmara, em fevereiro de 2015, à base de compra de deputados financiada por empresas como a JBS. 
Carlos Marun ganhou maior visibilidade em outubro de 2017, quando a Câmara salvou Michel Temer da abertura de uma denúncia por formação de quadrilha e obstrução da Justiça. O então deputado dançou e cantou diante de jornalistas. “Tudo está no seu lugar. Graças a Deus, graças a Deus. Surramos mais uma vez essa oposição, que não consegue nenhuma ganhar”, disse ele, parafraseando uma música do cantor Benito Di Paula. Era a dancinha da impunidade:
Como prêmio pela lealdade, Temer nomeou Marun para o cargo de Conselheiro de Itaipu em 28 de dezembro de 2018, em um de seus últimos atos antes de entregar o governo a Jair Bolsonaro. Em março de 2019, Marun foi afastado do cargo por decisão liminar do desembargador Rogério Favretto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). O magistrado atendeu a uma ação popular que apontava que Marun foi nomeado quando ainda era ministro do governo, o que feriria a legislação legislação brasileira. A liminar foi derrubada pelo TRF-4 em maio de 2019. “Retorno de onde nunca deveria ter saído”, comemorou o político na época. 
Carlos Marun é investigado em inquérito aberto pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), por supostas fraudes na concessão de registros sindicais no Ministério do Trabalho (junto com o neobolsonarista Roberto Jefferson e outros). Marun também é acusado pelo Ministério Público de desvio de R$ 16,6 milhões quando foi presidente da Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul (Agehab). 
A recondução de Marun por Bolsonaro gerou repercussão nas redes sociais, com internautas, à esquerda principalmente mas também à direita, apontando a hipocrisia do ex-capitão que se elegeu com o discurso de combate à "velha política". Rapidamente, bolsonaristas criaram a "fanfic" de que Bolsonaro apenas cumpriu uma decisão judicial. Mentira.   
A decisão do TRF-4 não obrigou Bolsonaro a reconduzir Marun. Esta prerrogativa é do chefe do executivo brasileiro, que indica seis conselheiros para o Conselho de Adminsitração da hidrelétrica, o mesmo número para o governo paraguaio. O Artigo15 do Regimento Interno de Itaipu diz que os dois governos, do Brasil e do Paraguai, podem substituir A QUALQUER MOMENTO os conselheiros que tiverem nomeado. 
Assim, Jair Bolsonaro não foi obrigado a reconduzir o braço-direito de Eduardo Cunha e ex-ministro de Temer para Itaipu. Ele fez isso porque quis e para dizer ao centrão que está totalmente aberto à 'velha política' de cargos em troca de barrar o seu processo de impeachment. 

sábado, 9 de maio de 2020

Em troca de apoio, Bolsonaro deverá entregar ao centrão o controle de R$ 71,8 bilhões


O valor está previsto no orçamento dos órgãos que o governo Jair Bolsonaro deverá entregar aos indicados pelo bloco partidário como forma de garantir apoio no Congresso e, também, para barrar um eventual processo de impeachment


Embora afirme ser um crítico do que costuma chamar de velha política, Jair Bolsonaro está prestes a entregar ao centrão o controle de até R$ 71,8 bilhões, valor previsto no orçamento dos órgãos que o governo deverá entregar aos indicados pelo bloco partidário como forma de garantir apoio no Congresso e para barrar um eventual processo de impeachment. O orçamento que será controlado pelo centrão é maior que o de muitos estados do país, ficando atrás somente dos orçamentos de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Nesta semana, o loteamento de cargos junto aos indicados do centrão teve início com as nomeações feitas pelos partidos Republicanos e Progressistas para o Departamento de Obras Contra Secas (Dnocs) e para a Secretaria de Mobilidade do Ministério do Desenvolvimento Regional. 
Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, para os próximos dias o bloco deverá ser agraciado com nomeações para o Departamento de Infraestrutura e Transportes (Dnit) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Nesta semana, Fernando Leão,  ex-chefe do Procon em Pernambuco, foi indicado pelo deputado federal Sebastião Oliveira (PL-PE) para comandar Dnocs. 
Nesta sexta-feira (8), Oliveira foi alvo de uma operação da Polícia Federal sob a suspeita de irregularidades e desvios em contratos de R$ 190 milhões em obra viárias de requalificação da BR-101, na Região Metropolitana de Recife. No Dnocs, Leão terá sob seu controle um orçamento de cerca de R$ 1,09 bilhão.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Toma lá da cá! Centrão gerencia distribuição de cargos do governo, e Bolsonaro inicia nomeações



BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Gigantes do chamado centrão, como PP e PL, estão gerenciando a distribuição de cargos do governo federal para atrair partidos menores para a base de apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O "Diário Oficial" da União desta quarta-feira (6) trouxe a nomeação de Fernando Marcondes de Araújo Leão como diretor-geral do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), com salário de R$ 16.944,90.


A autarquia federal, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional, é responsável pela construção de barragens e açudes nas regiões áridas do país. Tem forte caráter assistencial no interior do Nordeste.

Parlamentares e um técnico do governo disseram à reportagem que a indicação de Leão para o cargo foi levada ao governo pelo líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL), um dos interessados em disputar a sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara em fevereiro de 2021.

Procurado, Lira, que esteve no Palácio do Planalto no fim desta manhã, não respondeu à reportagem.

O novo diretor-geral do Dnocs, no entanto, não é do PP, mas do Avante (7 deputados), partido no qual ingressou em março deste ano. Antes, ele foi filiado por 32 anos ao PTB. Até hoje, Fernando Leão ocupava o cargo de gerente-geral do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) em Pernambuco.

Segundo relatos feitos reservadamente à reportagem por três parlamentares de duas siglas que integram o bloco do centrão, as legendas maiores têm um guarda-chuva com outras menores em busca de uma base de apoio para Bolsonaro no Congresso.

Entre os cargos negociados por eles com Bolsonaro estão Banco do Nordeste, Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), FNDE (Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação), Funasa (Fundação Nacional de Saúde) e secretarias do Ministério de Desenvolvimento Regional, entre outros.

Segundo um destes parlamentares, o PP (com 40 integrantes na Câmara) e os nanicos de seu grupo somam 80 deputados. O centrão como um todo tem cerca de 200 deputados, número suficiente para barrar ameaças contra Bolsonaro, de pautas-bomba a eventuais pedidos de impeachment.

Eleito com a promessa de acabar com o que chama de "velha política", baseada no toma lá, dá cá, o presidente iniciou nas últimas semanas negociações com líderes do centrão.

Quando questionado sobre o assunto, Bolsonaro vinha repetindo que só poderia ser cobrado de algo que fosse publicado no "Diário Oficial" da União. Nesta quarta-feira (6), quando isso aconteceu, Bolsonaro não parou para falar com os jornalistas na porta do Palácio do Alvorada, como costuma fazer diariamente.

O nome Fernando Leão chegou a Arthur Lira por intermédio do deputado Sebastião Oliveira (PE), que, embora ainda esteja filiado ao PL, comanda extraoficialmente o Avante em Pernambuco.

Fernando Leão foi secretário-executivo da Secretaria de Transportes de Pernambuco, pasta que foi comandada por Oliveira. A reportagem não conseguiu contato com eles. Oficialmente, o Avante é presidido no estado por Waldemar Oliveira, irmão de Sebastião Oliveira e primeiro suplente do senador Humberto Costa (PT-PE).

A indicação do filiado ao Avante irritou deputados do PP, que veem no gesto uma tentativa de Lira de angariar apoio para sua candidatura à presidência da Câmara. Além disso, estes parlamentares reclamam do tamanho dos cargos que estão sendo negociados, já que Bolsonaro tem blindado até agora o primeiro escalão de seu governo.

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