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quarta-feira, 29 de abril de 2020

COVID-19: políticas do governo Bolsonaro põem vidas de milhões em risco, alertam oficiais da ONU



As "políticas econômicas e sociais do Brasil colocam milhões de vidas em risco", de acordo com dois especialistas da área de direitos humanos e pobreza da Organização das Nações Unidas (ONU), em clara referência ao governo do presidente Jair Bolsonaro, que tenta romper a política de isolamento social.

"A epidemia da COVID-19 ampliou os impactos adversos de uma emenda constitucional de 2016 que limitou os gastos públicos no Brasil por 20 anos", disseram o analista independente em direitos humanos e dívida externa, Juan Pablo Bohoslavsky, e o relator especial sobre pobreza extrema, Philip Alston. "Os efeitos são agora dramaticamente visíveis na crise atual".
Chamando as atuais ações do governo federal de "irresponsáveis", os funcionários da ONU não citam Bolsonaro, porém condenaram a política de colocar a "economia acima da vida", apesar das recomendações de direitos humanos e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
"Economia para quem?", questionam. "Não pode se permitir colocar em risco a saúde e a vida da população, inclusive dos trabalhadores da saúde, pelos interesses financeiros de uns poucos. Quem será responsabilizado quando as pessoas morrerem por decisões políticas que vão contra a ciência e o aconselhamento médico especializado?", continuam.
Outra crítica feita pelos oficiais da ONU é de que somente apenas 10% dos municípios brasileiros possuem leitos de terapia intensiva, e o Sistema Único de Saúde (SUS) não tem nem a metade do número de leitos hospitalares recomendado pela OMS, um fato que pode agravar ainda mais o quadro nas próximas semanas.

© REUTERS / IAN CHEIBUB
Coveiros com trajes de proteção enterram mortos por razões desconhecidas em meio à pandemia de coronavírus em cemitério no Rio de Janeiro
"Os cortes de financiamento governamentais violaram os padrões internacionais de direitos humanos, inclusive na educação, moradia, alimentação, água e saneamento e igualdade de gênero. O sistema de saúde enfraquecido está sobrecarregado e está colocando em risco dos direitos à vida e a saúde de milhões de brasileiros que estão seriamente em risco", disseram.
A análise ainda questiona a necessidade de revogação da Emenda Constitucional 95, mais conhecida como Teto de Gastos, de preocupação com os mais atingidos, "particularmente mulheres e crianças vivendo em situação de pobreza, afrodescendentes, populações rurais e pessoas residindo em assentamentos informais".
Por fim, embora elogiem esforços como a renda básica emergencial e as diretrizes de distanciamento social, eles cobram que o governo brasileiro faça mais. Para além do país sul-americano, a COVID-19 impõe aos Estados a necessidade de repensar as suas prioridades.
"Os Estados de todo o mundo devem construir um futuro melhor para suas populações, e não valas comuns", finalizaram.
Ainda que a avaliação não tenha resultados práticos, ela prejudica a imagem brasileira no exterior, já que coloca o país ao lado de outras poucas nações negacionistas como Nicarágua e Bielorrúsia, e fortalece a expectativa de que o Brasil se torne o próximo epicentro do novo coronavírus no mundo.

sábado, 4 de abril de 2020

Weintraub agride a China e coloca em risco a economia nacional e as vidas de brasileiros



O ministro Abraham Weintraub, da educação, foi às redes sociais neste sábado com uma teoria conspiratória: a de que a pandemia de coronavírus não passa de uma conspiração chinesa para dominar o mundo; com isso, ele agride o país que mais importa produtos brasileiros, que mais investe no país e que poderia oferecer equipamentos de saúde


A guerra retórica entre Brasil e China não se limita mais apenas ao deputado Eduardo Bolsonaro, o filho 03 de Jair Bolsonaro. Neste sábado, o mnistro da educação, Abraham Weintraub, vendeu a tese de que a pandemia de coronavírus não passa de uma conspiração chinesa para dominar o mundo. Com isso, ele agride o país que mais importa produtos brasileiros, que mais investe no país e que poderia oferecer equipamentos de saúde. Confira seu tweet e também leia carta do cônsul chinês a Eduardo Bolsonaro:


Valorize as Relações China-Brasil, Deputado Eduardo
Deputado Eduardo, no tuíte que você postou no dia 1 de abril,  chamou o Covid-19 de “vírus chinês”, o que se trata de mais um insulto à China que você fez depois de ter postado tuítes em 18 de março para atacar maliciosamente a China.
Você é realmente tão ingênuo e ignorante? Como deputado federal da República Federativa do Brasil que possui alguma experiência em tratar dos assuntos internacionais, você deveria saber que os vírus que causam pandemia são inimigos comuns do ser humano, e a comunidade internacional nunca chama os vírus pelo nome de um país ou região para evitar a estigmatização e a discriminação contra qualquer grupo étnico específico. A Organização Mundial da Saúde seguiu esta regra do direito internacional para chamar o novo coronavírus de “Covid-19”. Além disso, ainda está por confirmar a origem deste vírus. O surto de Covid-19 em Wuhan não significa necessariamente que Wuhan foi a fonte inquestionável do novo coronavírus. O diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos já reconheceu que, durante a chamada “epidemia de gripe” nos Estados Unidos, no ano passado, algumas pessoas teriam morrido por Covid-19. Isso justifica que, muito provavelmente, os Estados Unidos foram a fonte de Covid-19. Mas podemos batizar o Covid-19 como “vírus norte-americano”? Não! Do mesmo modo, ninguém no mundo pode chamar o Zika como “vírus brasileiro”, apesar do fato da epidemia de Zika ter acontecido e ainda acontecer casos frequentemente no Brasil.
É por causa do seu ódio à China que ataca frequentemente à China? Mas de onde vem esse ódio? A aproximação entre a China e o Brasil é resultado de um desenvolvimento histórico com alicerce natural. Tanto a China como o Brasil são grandes países emergentes com território e população gigantes, com culturas ricas e coloridas e povos simpáticos e amigos. Ambos os países possuem planos grandiosos para promover a prosperidade e riqueza nacionais, bem como ambição para salvaguardar a paz e justiça internacionais. É ainda mais importante o fato de que não há divergências históricas nem conflitos atuais entre os dois países que já se tornaram parceiros estratégicos globais. O povo chinês sempre abraça o povo brasileiro com sincera amizade, tratando o Brasil como nosso país irmão e parceiro. O respeito recíproco e a cooperação de ganhos mútuos de longo prazo entre os dois países trazem benefícios pragmáticos para os dois povos. Por dois anos consecutivos, dois terços do superávit do comércio exterior do Brasil vieram da China, o seu maior parceiro comercial! É por isso que tanto a geração do seu pai como a da sua idade estão todos se dedicando a promover a cooperação amigável sino-brasileira. Em resumo, os seus comportamentos remam contra a maré e não só colocam você no lugar adverso do povo chinês de 1,4 bilhões, mas também deixam a maioria absoluta dos brasileiros com vergonha, bem como criam transtornos ao seu pai, que é o Presidente da República. É realmente uma prova de ignorância a respeito do tempo atual!
Será que você recebeu uma lavagem cerebral dos Estados Unidos e quer ir firmemente na esteira deles contra a China? Os Estados Unidos eram realmente um país grande e glorioso. No entanto, neste ponto crítico do avanço da civilização humana, os EUA perderam sua posição histórica e o sentido de desenvolvimento, tornando-se quase totalmente causadores de problemas nos assuntos internacionais, e uma fonte de ameaça à paz e segurança mundiais. Os líderes atuais norte-americanos já se esqueceram dos ideais dos fundadores do país de assegurar a justiça. Ademais, tornaram-se monstros políticos cheios de preconceitos ideológicos contra os outros países e sem capacidade de governar, o que pode ser justificado pelo desempenho horrível no combate à pandemia de Covid-19 nos EUA. Por outro lado, sendo uma potência cheia de vitalidade e em ascensão, o Brasil deve e é capaz de fazer contribuições importantes para o progresso da civilização humana, desde que tenha sua própria visão estratégica, possua sua perspectiva correta sobre os assuntos internacionais e desempenhe seu próprio papel construtivo. O Brasil não deve tornar-se um vassalo ou uma peça de xadrez de um outro país, senão o resultado seria uma derrota total num jogo com boas cartas, como diz um provérbio chinês.
Deputado Eduardo, há pelo menos uma semelhança entre a cultura confucionista chinesa e a cultura cristã brasileira que é a crença em que sempre existe a causalidade em tudo, razão pela qual a gente tem que pensar nas consequências antes de fazer qualquer coisa. Como não é uma pessoa comum, você deveria entender melhor essa razão. O que é o mais importante para o Brasil agora? Sem dúvida, é salvaguardar a vida e a saúde de centenas de milhões de pessoas, e reduzir ao mínimo o impacto da pandemia na economia do Brasil, da China e do mundo, através da cooperação China-Brasil no combate ao Covid-19. A China nunca quis e nem quer criar inimizades com nenhum país. No entanto, se algum país insistir em ser inimigo da China, nós seremos o seu inimigo mais qualificado! Felizmente, mesmo com todos os seus insultos à China, você não conseguirá tornar a China inimiga do Brasil, porque você realmente não pode representar o grande país que é o Brasil. Porém, como é um deputado federal, as suas palavras inevitavelmente causarão impactos negativos nas relações bilaterais. Isso seria uma grande pena! Contaminaria e poluiria totalmente o ambiente saudável que China e Brasil conquistaram até aqui.
Portanto, é melhor ser mais sábio e racional. Você pode não pensar na China, mas não pode deixar de pensar no Brasil. O demônio do Covid-19 chegou finalmente à maravilhosa terra brasileira. Neste momento crucial da cooperação bilateral no combate à pandemia de Covid-19, seria mais prudente não criar mais confusões. Ainda mais importante, seja um verdadeiro brasileiro responsável, ao invés de ser usado como arma pelos outros!
Li Yang
Cônsul-Geral da República Popular da China no Rio de Janeiro

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