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terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Ciência apresenta nova pista sobre nuvens misteriosas que circundam buracos negros giratórios

 


Cientistas que integram uma equipe internacional trabalham na perspectiva de compreender a matéria escura, provar sua existência e desvendar seus segredos usando detectores de ondas gravitacionais.

As ondas gravitacionais são ondulações cósmicas no tecido do espaço e do tempo. Muitas vezes, são responsáveis por eventos catastróficos no espaço, como colisões de buracos negros e estrelas de nêutrons – os núcleos colapsados de estrelas supergigantes massivas.
Nossa tecnologia já é capaz de produzir detectores de ondas gravitacionais extremamente sensíveis, como os detectores avançados LIGO (Observatório de ondas gravitacionais de interferômetro a laser) e Virgo, que aqui da Terra foram capazes de observar com sucesso umas dezenas de sinais de ondas gravitacionais. Além disso, LIGO e Virgo também foram usados para pesquisar uma forma hipotética de matéria que se acredita representar aproximadamente 85% de toda a matéria do Universo: a matéria escura.
matéria escura é um material que não pode ser visto diretamente. Ela pode ser composta de partículas que não absorvem, refletem ou emitem luz. Desta forma, são incapazes de serem detectadas pela observação da radiação eletromagnética. A ciência só consegue comprovar sua existência devido ao efeito que tem sobre os objetos que podemos observar diretamente.

Em pesquisa recentemente divulgada pela SciTechDaily, os cientistas propuseram novas partículas como sendo a "matéria escura". As partículas bósons ultraleves são novas partículas subatômicas muito difíceis de detectar porque têm uma massa extremamente pequena e raramente interagem com outra matéria (uma das principais propriedades que a matéria escura parece ter).
Buraco negro supermassivo no centro da galáxia distante Swift J1644 57
 - Sputnik Brasil, 1920, 11.12.2021
Sociedade e cotidiano
Buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea expulsa jatos para o espaço, diz estudo
Neste sentido, a detecção de ondas gravitacionais fornece uma nova abordagem para detectar essas partículas bóson usando a gravidade.
Os cientistas teorizam que, se houver certas partículas bósons ultraleves perto de um buraco negro em rotação rápida, o campo de gravidade extrema fará com que as partículas fiquem presas ao redor do buraco negro, criando uma espécie de nuvem. Este fenômeno pode gerar ondas gravitacionais ao longo de uma vida muito longa.
Desta forma, os cientistas podem finalmente descobrir essas partículas bósons indescritíveis ao procurar por esses sinais de ondas gravitacionais, provando consequentemente sua existênciadecifrando o código da matéria escura, ou até mesmo descartando sua existência de alguns tipos de partículas propostas.
Em um recente estudo realizado por uma equipe de cientistas da iniciativa de colaboração internacional conhecida como LIGO-Virgo-KAGRA, com a investigadora associada do OzGrav (Centro de Excelência para Descobertas de Ondas Gravitacionais) dra. Lilli Sun, da Universidade Nacional da Austrália, sendo uma das principais pesquisadoras, todo o céu foi pesquisado para detectar esses sinais previstos de ondas gravitacionais das nuvens de bósons em torno de buracos negros girando rapidamente.

"A ciência das ondas gravitacionais abriu uma janela completamente nova para o estudo da física fundamental. Ela fornece não apenas informações diretas sobre objetos compactos misteriosos no Universo, como buracos negros e estrelas de nêutrons, mas também nos permite procurar por novas partículas e matéria escura", afirmou dra. Sun.

Embora nenhum sinal tenha sido detectado, a equipe de pesquisadores conseguiu tirar conclusões valiosas sobre a possível presença dessas nuvens em nossa galáxia.
Em sua análise, eles também levaram em consideração que a força de um sinal de onda gravitacional depende da idade da nuvem de bósons, ela encolheria à medida em que perde energia enviando ondas gravitacionais, então a força do sinal da onda gravitacional diminuiria conforme a nuvem envelhece.
"Aprendemos que um tipo específico de nuvens de bósons com menos de 1.000 anos provavelmente não existe em nenhum lugar de nossa galáxia, enquanto tais nuvens com até dez milhões de anos provavelmente não existem a menos de cerca de 3.260 anos-luz da Terra", disse a doutora.
"Os detectores de ondas gravitacionais do futuro certamente abrirão mais possibilidades. Seremos capazes de nos aprofundar no Universo e descobrir mais insights sobre essas partículas."

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Lupa na Ciência: Apesar de polêmica envolvendo The Lancet, outros estudos recentes indicam ineficácia da cloroquina



O que você precisa saber:
– Maior estudo observacional com a cloroquina, publicado no final de março na revista Lancet, foi removido da plataforma por falhas nos dados. Ele afirmava que a droga não só era ineficaz, como também aumentava o risco de morte dos pacientes
– Na mesma semana, um dos maiores ensaios clínicos que está sendo realizado com possíveis tratamentos para a Covid-19, na Universidade de Oxford, anunciou que suspendeu os testes com a cloroquina porque, em 1,5 mil pacientes, ela se mostrou ineficaz 
– A OMS, que havia suspendido as pesquisas com a droga por causa do estudo publicado na Lancet, retomou os testes. No entanto, segue afirmando que ainda não há comprovação científica sobre a eficácia do medicamento contra o novo coronavírus
Nas última semanas, a cloroquina voltou ao debate público após um estudo publicado pelo The Lancet, que comprovaria a ineficácia do remédio no tratamento da Covid-19 e aumentaria a taxa de mortalidade ser removido do periódico por inconsistências nos dados. Inicialmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) suspendeu pesquisas sobre a droga, mas decidiu voltar atrás após a remoção. Outra notícia, porém, passou despercebida: líderes do projeto Recovery, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, suspenderam testes clínicos em andamento com esse medicamento porque ele não estava dando resultados. A Lupa analisou as recentes revisões dos artigos já publicados e avaliou os dados parciais das pesquisas mais recentes.
Continue lendo na Lupa, clique aqui...

sexta-feira, 15 de maio de 2020

"É difícil conciliar desejos de Bolsonaro com a ciência", disse Teich antes de sair


Nelson Teich teria confessado a amigos e interlocutores pouco antes de deixar o governo que estava cada vez mais difícil conciliar as vontades e desejos de Jair Bolsonaro com as recomendações da ciência e os recursos disponíveis




O ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, teria confessado a amigos e interlocutores pouco antes de pedir demissão que estva cada vez mais difícil conciliar as vontades e desejos de Jair Bolsonaro, como a flexibilização do isolamento social e o uso da cloroquina no enfrentamento da pandemia, com as recomendações da ciência e os recursos disponíveis, esceveu a jornalista Denise Rothenburg, no Correio Braziliense. 
Teich não completou sequer um mês no cargo ao demitir-se -sua posse havia sido em 18 de abril  Nesta quinta-feira (14), Bolsonaro e Teich tiveram uma reunião tensa, na qual o agora ex-ministro foi cobrado para mudar o protocolo da Pasta, ampliando a recomendação de utilização da cloroquina no tratamento da Covid-19 (aqui). 

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Coronavírus: o que a Ciência diz sobre o uso da cloroquina contra a covid-19



O governo brasileiro vai distribuir cloroquina, um fármaco hoje usado no tratamento de doenças como malária e lúpus, para que seja usado em pacientes graves com covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus.

O medicamento vem gerando dúvidas e suscitando debate desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu no Twitter a liberação do remédio pelos órgãos de saúde pública para tentar conter a epidemia no país e que o presidente Jair Bolsonaro anunciou que o laboratório do Exército passaria a produzir o medicamento no Brasil.
Mas o medicamento pode ser eficaz contra a covid-19?
Médicos e especialistas consultados pela BBC News Brasil ressaltam que não existem evidências científicas de que o medicamento seja eficaz no tratamento.
Na coletiva de imprensa em que anunciou a distribuição da cloroquina para hospitais pelo país, o secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Denizar Vianna, afirmou que pesquisas laboratoriais feitos até agora mostraram bons resultados contra o novo coronavírus.
Isso significa que o medicamento foi testado com sucesso em laboratório, em cultura de células - o primeiro degrau de um longo processo para se desenvolver um medicamento.

Longe de conclusão

Passada essa primeira fase, há pelo menos outras três: testes em camundongos, estudos em animais não roedores, como cães e macacos e, finalmente, estudos em humanos.
Os testes em humanos, por sua vez, se subdividem em outras etapas, até chegarem ao estudo clínico randomizado controlado - RCT, na sigla em inglês -, quando se sabe sobre o nível de toxicidade do remédio para o corpo, sua eventual interação com outros medicamentos, seus efeitos colaterais.
No caso do uso da cloroquina para tratar covid-19, a única sinalização positiva que se tem é o estudo em vitro, em cultura de células.
Apesar de ele já ser um medicamento comercializado no mercado, é usado no tratamento de outras doenças e, por isso, precisaria ser amplamente testado em humanos para se avaliar sua eficácia contra o novo coronavírus e seus eventuais riscos a esses pacientes.
No estudo in vitro, pesquisadores chineses avaliaram o efeito antiviral da cloroquina e da hidroxicloroquina e verificaram que os medicamentos inibiram a tanto a etapa de entrada do vírus na célula quanto estágios celulares posteriores relacionados à infecção pelo novo coronavírus.
Houve bloqueio, por exemplo do transporte do vírus entre organelas das células, os endossomos e endolisossomos, que, segundo uma nota técnica divulgada pela Anvisa, parece ser a etapa determinante para a liberação do genoma viral nas células.
Fora do ambiente laboratorial, não existe um estudo clínico que aponte que o remédio funcione de fato em pacientes com covid-19 ou que seja seguro para essas pessoas.

Trump e o estudo francês

Donald Trump, chegou a dizer que o uso da hidroxicloroquina combinada com um antibiótico chamado azitromicina poderia "mudar o jogo" no momento atual da pandemia.
A fala gerou uma corrida às farmácias tanto nos EUA quanto no Brasil, e faltou o medicamento para quem precisava, pessoas que fazem tratamento de lúpus e malária, por exemplo.
Essa situação levou inclusive a Anvisa a restringir a venda e passar a exigir prescrição médica para que ele fosse comercializado.
Nos EUA, um homem morreu e sua mulher foi internada em estado grave após ingerirem a cloroquina como "prevenção".


Direito de imagemGETTY IMAGES
Image captionMedicamento originalmente foi criado para combater a malária

Estudo de má qualidade

Em seu comentário, o presidente americano se referia a um estudo francês, o primeiro realizado com seres humanos, e que tem sido duramente criticado pela comunidade científica.
"A qualidade metodológica é tão ruim que ele não pode nem ser usado como referência", diz o médico cardiologista Luis Correia, professor adjunto da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.
Além de a amostra ser pequena, de apenas 36 pacientes, diz Natalia Pasternak, diretora do Instituto Questão Ciência, ele não segue uma série de critérios estatísticos importantes na pesquisa científica: a amostra, por exemplo, não é randomizada - ou seja, os pacientes não são escolhidos aleatoriamente para evitar que haja um viés de confirmação.
O fato de a hidroxicloroquina ser combinada com outro medicamento é outro problema, porque, dessa forma, não se sabe sobre o efeito do medicamento em si.
Pasternak destaca ainda que não tem se dado a devida atenção a um dado importante. Da amostra de 36 pacientes, 6 foram excluídos do estudo porque, do total, 3 foram parar na UTI, um morreu, outro resolveu abandonar o tratamento por causa dos efeitos colaterais, porque estava sentindo muita náusea, e outro decidiu deixar o hospital.
Em um momento de pandemia como o atual, em que os cientistas estão correndo contra o tempo para tentar desenvolver um tratamento e salvar o máximo possível de vidas, é compreensível que em alguns casos se decida não ter o rigor de pesquisa que se tem em tempos normais, diz Pasternak, mas isso não é desculpa para se fazer o que na visão dela é um trabalho ruim.
Um contraexemplo nesse sentido citado por ela é um estudo também recente, deste mês de março, realizado na China com 30 pacientes e que usou, por exemplo, a randomização para selecionar a amostra.
O resultado, noticiado pela agência Bloomberg, não mostrou diferença entre o tratamento convencional para pacientes com covid-19 e aqueles que foram submetidos à hidroxicloroquina.
Este último é uma variante considerada mais segura da cloroquina. Ainda assim, o uso desse medicamento pode causar uma série de efeitos colaterais, entre eles cegueira, problemas no coração e no fígado.

A liberação para uso no Brasil

O protocolo para uso do fármaco no Brasil restringe sua utilização para pacientes graves internados em hospitais. O tratamento deve acontecer por cinco dias, sob supervisão médica. O Ministério da Saúde anunciou a distribuição de 3,4 milhões de unidades do medicamento para os Estados.
Uma nota técnica da Anvisa publicada antes da liberação pontuava que o sucesso dos estudos pré-clínicos com o uso do medicamento justificava a pesquisa clínica em pacientes com covid-19. Nesse sentido, a agência destacava que dados de segurança e dados de ensaios clínicos de maior qualidade eram, portanto, urgentemente necessários.
"A Anvisa reforça que, para a inclusão de indicações terapêuticas novas em medicamentos, é necessário conduzir estudos clínicos em uma amostra representativa de seres humanos, demonstrando a segurança e a eficácia para o uso pretendido", encerra o texto.
Para Pasternak, a liberação da cloroquina e da hidroxicloroquina no Brasil aconteceu de forma prematura e irresponsável, já que, além de não haver evidências científicas concretas de que ele funcione, será usado em pacientes graves, possivelmente com alguma comorbidade - como diabetes e cardiopatias -, e que podem sofrer efeitos adversos significativos.
Para Luis Correia, que é também diretor do Centro de Medicina Baseada em Evidências, "a distração com pseudonovidades traz o risco da perda de foco na alta performance em momentos críticos: o desafio da qualidade assistencial."
Ele acrescenta ainda que não se trataria de um "tudo ou nada" - ou se usa o medicamento ou se deixa as pessoas morrerem.
Já existe um protocolo médico em casos graves de covid-19, com uso de respiradores e o controle de congestão pulmonar.
O Brasil tem registrado casos de pacientes internados em UTIs que conseguiram se recuperar quando submetidos a esses procedimentos.
Assim como, nos últimos dias, de pacientes que foram submetidos à cloroquina e também saíram de quadros mais severos.
Cientistas de todo o mundo seguem testando o medicamento

Estudo global

Existe hoje um esforço internacional para testar se o medicamento é de fato eficiente e seguro contra o novo coronavírus.
A cloroquina e sua variante estão entre os quatro fármacos que estão sendo estudados em uma iniciativa lançada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) batizada de Solidariedade.
Além dela, os cientistas também estão estudando a viabilidade de uso de um medicamento concebido para tratar o ebola, que não se mostrou eficaz contra a doença mas tem tido bom desempenho contra covid-19 em testes laboratoriais; uma combinação de dois remédios usados no tratamento de HIV, ritonavir e lopinavir; e uma combinação entre esses dois e o interferon-beta, um fármaco que ajuda a controlar inflamações e se mostrou eficaz em animais infectados por outro coronavírus, o que causa a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers).
No Brasil, foi lançado recentemente o Projeto Coalizão Covid Brasil, liderado pelos hospitais Albert Einstein, Sírio Libanês e HCor, além da Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva, para, entre outros objetivos, realizar testes clínicos com a cloroquina e a hidroxicloroquina.
A ideia é realizar testes em 70 hospitais pelo país em mais ou menos mil pessoas com diferentes quadros: dos leves aos mais graves, inclusive aqueles que estão na UTI.
A pesquisa deve durar entre dois e três meses.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Mandetta humilha Bolsonaro, diz que vai manter isolamento e que cloroquina só por cima da ciência



A reviravolta de Mandetta aos 44 minutos do segundo tempo contra Jair Bolsonaro teve requintes de humilhação.

O ministro que, a despeito de Jair, permaneceu no cargo por causa de uma pressão que envolveu sociedade civil, STF, Congresso Nacional e especialmente o comando militar da presidência, jogou o presidente na vala comum do baixo clero, que é de onde ele veio.

‘Não tenho medo de crítica”, fustigou Mandetta na coletiva que deu no início da noite. ‘Elas são sempre bem vindas, o problema é quando chegam não para construir, e sim para atrapalhar”.


Sobre o uso da cloroquina, disse que vai fazer a utilização mas com base em dados científicos, e não em achismo.

Em outro recado direto a Bolsonaro, disse que o que o ministério da Saúde precisa neste momento, na luta contra o coronavírus, é de “paz e tranquilidade para trabalhar”.

No depoimento, o ministro mostou apoio institucional e recursou-se a pronunciar o nome de Jair.

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