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sexta-feira, 25 de junho de 2021

Com petróleo caro, etanol segue rentável, diz analista após apostas de redução da produção no Brasil

 


Para especialista ouvido pela Sputnik Brasil, o etanol ainda é rentável mesmo com custos de produção elevados, por conta dos preços atuais do barril do petróleo em torno R$370 e pelo perfil poluente do combustível de origem fóssil.

Especialistas estimam que os dois maiores produtores de etanol do mundo, Estados Unidos e Brasil, podem reduzir a fabricação de etanol nos próximos meses. O motivo seria o aumento dos custos do milho e da cana-de-açúcar, que acabam por repassar os valores para o biocombustível.

Diante das apostas de perda da viabilidade econômica do etanol, Marcos Fava Neves, titular do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da USP, discorda. O professor disse à Sputnik acreditar que com o valor elevado do petróleo, o etanol segue rentável.

"Cabe ainda esse aumento de custos de produção para a fabricação de etanol tanto de cana como de milho, com o petróleo acima de US$ 70 (R$ 347) como está agora ainda permite rentabilidade para essas produções", pontuou.

Os EUA e o Brasil foram responsáveis por cerca de 75% das exportações globais no ano passado. E juntos, representam cerca de 90% do etanol produzido e consumido no mundo, segundo a S&P Global Platts Analytics. Por conta disso, Neves não acredita que os EUA reduzam a produção. E caso venham a diminuir, isso pode significar uma chance para o Brasil levar o produto nacional para mais exportações.

Em Windsor, no estado norte-americano Colorado, uma usina de etanol funciona ao lado de silos de milho, em 7 de julho de 2006
© REUTERS / RICK WILKING
Em Windsor, no estado norte-americano Colorado, uma usina de etanol funciona ao lado de silos de milho, em 7 de julho de 2006

A produção de etanol brasileiro vem enfrentando diversos desafios na última década, apesar de incentivos públicos. Desde 1993, o etanol anidro é adicionado na gasolina em todo o país. Atualmente, é permitido até 27% de etanol na mistura direta nas bombas. Também o aumento da frota de veículos leves e a introdução de carros flex no país, que podem funcionar com gasolina ou etanol ou qualquer mistura dos dois aumentaram o consumo. Mas mesmo assim o biocombustível não "deslanchou" em produtividade e segue estável se observarmos os últimos 10 anos.

Para o professor, isso é explicado pelos custos elevados do agronegócio. "A produção ficou mais cara, as terras ficaram mais caras, os insumos ficaram mais caros. Os custos aumentaram, mas a produtividade não aumentou. Esse é o problema principal", apontou o especialista.

Além disso, os produtores de cana, principalmente da região centro-sul, enfrentam uma grave seca, que deve reduzir a safra de maneira considerável, entre 5% a 10%, segundo estimativas. Para o professor, essa redução é favorável para preços com a retomada da economia.

"Isso significa menor volume de açúcar e de etanol para um consumo maior em virtude de retomada da economia mundial, que vai precisar de mais alimentos e mais combustível. Essa redução de safra vai trazer preços maiores", conclui.

Ao passo que a redução na produção de etanol brasileiro afeta o preço e a oferta de combustíveis no país, ainda assim é possível acreditar numa recuperação no médio prazo.

"É o melhor combustível hoje em termos de emissões por desempenho. As pressões mundiais pela descarbonização são muito favoráveis para a cana", diz o professor ao destacar que o grande desafio é driblar o gargalo dos custos de produção para produzir mais usando menos.

Para ele, o Brasil voltando a crescer e o mercado de combustível paralelamente na mesma direção, pode haver "uma pressão grande", para "segurar o consumo", principalmente a partir do segundo semestre e no período de entressafra.

Trator movimenta farelo de cana de açúcar para produção de biocombustível em 28 de janeiro de 2010
© FOLHAPRESS / PIERRE DUARTE
Trator movimenta farelo de cana de açúcar para produção de biocombustível em 28 de janeiro de 2010

Sobre a proposta da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) que solicitou ao governo federal que reduza a mistura obrigatória de etanol à gasolina brasileira, Neves opina totalmente contra, para ele "não há nenhum sinal de escassez" de etanol pra justificar a medida.

"Não sou favorável a mudança de regras do jogo, pois os investidores quando fazem os seus investimentos eles olham pra regras do jogo e não podemos ficar alterando isso", e completou "não faz o mínimo sentido solicitar a redução [da mistura] e com certeza é um retrocesso brutal do ponto de vista ambiental", avaliou.

Até mesmo novas tecnologias de carros elétricos vem considerando o uso de etanol como um tipo de bateria sustentável no desenvolvimento de carros menos poluentes, comentou também Marcos Fava Neves.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik


quarta-feira, 9 de junho de 2021

Ministério da Saúde impõe sigilo de 10 anos sobre segundo contrato com a Pfizer, que é mais caro do que o primeiro

 


O Ministério da Saúde impôs sigilo de 10 anos sobre os documentos do segundo contrato para comprar vacinas da Pfizer, segundo o portal O Antagonista. O contrato custou quase R$ 1 bilhão a mais do que o primeiro, apesar da quantidade de doses ser a mesma, 100 milhões.

Através da Lei de Acesso à Informação, O Antagonista pediu ao ministério os pareceres que embasaram a dispensa de licitação para a segunda compra das vacinas. A pasta respondeu, nesta quarta-feira, 9, que os documentos “encontram-se com restrição no acesso”, conforme obrigações de confidencialidade assinadas com a farmacêutica, informa a reportagem.

“As referidas cláusulas impõem confidencialidade das informações por 10 (dez) anos após o vencimento ou a rescisão do mencionado contrato, em consonância com o preconizado no artigo 22 da Lei 12.527/2011, a Lei de Acesso à Informação”, acrescentou a secretária-executiva do ministério.

“Ressalta-se que as cláusulas de confidencialidade foram condições impostas pelas farmacêuticas para assinatura dos contratos, havendo previsão que possibilita a não entrega das vacinas, caso as informações sigilosas sejam publicizadas, podendo levar, em último caso, à própria rescisão contratual por parte das aludidas farmacêuticas”.

Bolsonaro recusou vacina quando a Pfizer venderia ao Brasil com 50% de desconto

Jair Bolsonaro ignorou proposta da Pfizer de vender a vacina contra a Covid-19 por US$ 10 a dose, quando o valor chegava a US$ 20 em outros países.

O governo de Jair Bolsonaro considerou caro o preço cobrado pela Pfizer e deixou de comprar em agosto de 2020 até 70 milhões de doses, que poderiam ter sido entregues pela farmacêutica a partir de dezembro.

A vacinação antecipada teria evitado mortes e os prejuízos bilionários provocados pelo fechamento da economia.

Com o atraso nos contratos, as primeiras doses da Pfizer só chegaram ao Brasil em abril. Oito meses se passaram entre a primeira oferta e a entrega.

Em depoimento à CPI da Covid, o ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, considerou a proposta da Pfizer como “agressiva” e disse que o preço da dose por US$ 10 era muito caro, valor pelo qual meses depois o próprio Pazuello autorizou comprar.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Seul adverte que Pyongyang 'pagará caro' se passar a ações militares reais



Militares sul-coreanos declararam que, se a Coreia do Norte passar a ações militares reais, pagará caro por isso.

"Se a Coreia do Norte passar a ações reais, inevitavelmente pagará o respetivo preço", afirmou um funcionário de alto escalão do Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul.
O militar expressou também uma profunda preocupação pelas declarações do Estado-Maior norte-coreano a respeito de seus planos militares, ressaltando que estas ações violam os acordos intercoreanos, a declaração de Panmunjom e o acordo militar de 2018.
"Estas medidas anulam em um momento todos os resultados e os esforços conjuntos alcançados em mais de 20 anos de progresso nas relações intercoreanas e na manutenção da paz na península coreana", indicou o representante do Estado-Maior sul-coreano.
Anteriormente, o alto comando militar norte-coreano, citado pela Agência Central de Notícias da Coreia, declarou que Pyongyang planeja implantar suas tropas na região de Kaesong e nas proximidades da montanha Kumgangsan, na fronteira com a Coreia do Sul.
Além disso, a mídia afirmou que Seul pediu para enviar seus representantes para negociações com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e que Pyongyang teria rejeitado a proposta.

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A Coreia do Norte destruiu o escritório de comunicação que operava com o Sul na cidade fronteiriça de Kaesong, fruto dos acordos alcançados na cúpula histórica que o líder norte-coreano Kim Jong-un e o presidente sul-coreano Moon Jae-in mantiveram em abril de 2018.
As autoridades norte-coreanas deixaram de usar o escritório na semana passada, quando cortaram as linhas de comunicação civis e militares com a nação vizinha.
Pyongyang tomou as medidas após desertores residentes na Coreia do Sul lançarem 500.000 balões com panfletos anti-Pyongyang através da fronteira entre os dois países.

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