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quinta-feira, 23 de setembro de 2021

CPI da Covid: estudo da Prevent Senior 'é algo nazista', afirma professora

 


A Sputnik Brasil conversou com Michelle Fernandez, professora e pesquisadora no Instituto de Ciência Política da UnB, sobre os últimos desenvolvimentos da CPI da Covid e a expectativa para essa reta final da comissão.

A CPI da Covid aprovou nesta quinta-feira (23) a convocação de Bruna Morato, advogada de um grupo de médicos da rede de planos de saúde Prevent Senior que elaboraram dossiê com denúncias de irregularidades no tratamento de pacientes com COVID-19 da operadora de saúde.

Também foi convocado para depor à comissão parlamentar de inquérito o empresário Luciano Hang, sócio da Havan. Segundo o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), a advogada deve ser ouvida pela comissão na próxima terça-feira (28) e Hang deve prestar depoimento na quarta-feira (29).

O presidente Jair Bolsonaro acompanhado do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e do fundador da Havan, Luciano Hang, durante 1ª Convenção Nacional do partido Aliança pelo Brasil, realizada no Royal Tulip, em Brasília
© FOLHAPRESS / PEDRO LADEIRA
O presidente Jair Bolsonaro acompanhado do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e do fundador da Havan, Luciano Hang, durante 1ª Convenção Nacional do partido Aliança pelo Brasil, realizada no Royal Tulip, em Brasília
O plano de saúde Prevent Senior passou a ser investigado pela CPI da Covid no Senado por uma série de suspeitas de irregularidades e na quarta-feira (22), a comissão ouviu o diretor-executivo da empresa, Pedro Benedito Batista Junior, que admitiu, entre outras coisas, que a empresa orientou para que os médicos modificassem o Código de Diagnóstico (CID) de pacientes que deram entrada com COVID-19, após 14 ou 21 dias, a depender do caso. 

A Sputnik Brasil conversou com Michelle Fernandez, professora e pesquisadora no Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), sobre os últimos desenvolvimentos da CPI da Covid e a expectativa para essa reta final da comissão.

Pedro Benedito Batista Júnior, diretor-executivo da Prevent Senior, depõe na CPI da Covid no Senado Federal, em Brasília (DF), em 22 de setembro de 2021
© FOLHAPRESS / FÁTIMA MEIRA/FUTURA PRESS
Pedro Benedito Batista Júnior, diretor-executivo da Prevent Senior, depõe na CPI da Covid no Senado Federal, em Brasília (DF), em 22 de setembro de 2021

'Absurdos' da Prevent Senior

A CPI da Covid recebeu dossiê com denúncias de irregularidades elaborado por médicos e ex-médicos da Prevent Senior. O documento afirma que pacientes foram usados como cobaias em um estudo realizado para testar a eficácia da hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19 e fraude em atestados de óbito como resultado de um acordo entre o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a empresa para mostrar a eficiência do chamado tratamento precoce.

Michelle Fernandez afirma que a Prevent Senior assumiu um discurso de apoio ao presidente e ao tratamento precoce fomentado pelo governo federal e recorda que há registros de contato entre membros da empresa e o chamado gabinete paralelo, que teria atuado durante a pandemia assessorando o presidente Jair Bolsonaro com informações negacionistas sobre o SARS-CoV-2.

Aplicativo TRATECOV do Ministério da Saúde sugere a prescrição de medicamentos sem eficácia, como cloroquina e ivermectina, para auxiliar médicos e profissionais da saúde no tratamento de pacientes com a COVID- 19
© FOLHAPRESS / ROBERTO COSTA
Aplicativo TrateCov do Ministério da Saúde sugere a prescrição de medicamentos sem eficácia, como cloroquina e ivermectina, para auxiliar médicos e profissionais da saúde no tratamento de pacientes com a COVID- 19
"Todo esse estudo que a Prevent Senior se propôs a fazer não foi algo isolado, foi algo que tinha relação com esse discurso do governo federal. O estudo tinha intenção de mostrar que o tratamento precoce funcionava e isso serviria de subsídio ao governo federal", comenta a professora da UnB.

A especialista aponta que o estudo foi feito sem a autorização da Comissão Nacional de Ética do Conselho de Saúde (CONEP), o que é um "absurdo completo". Fernandez comenta outras barbaridades do procedimento da Prevent Senior:

"[Eles] submeteram pessoas a ensaios clínicos sem o conhecimento e o consentimento dessas pessoas. Teve gente que descobriu que o familiar estava no ensaio clínico porque viu na TV e depois pediu para ver o prontuário. O que eles fizeram é algo nazista, algo de [Josef] Mengele [médico nazista]."

Fernandez acrescenta que na época já existiam evidências científicas de que aquela abordagem não funcionava, mesmo assim a empresa chegou a administrar hidroxicloroquina em pacientes cardíacos, que não podem tomar essa medicação.

O presidente Jair Bolsonaro recomendou o uso de cloroquina contra a COVID-19. Foto de arquivo
O presidente Jair Bolsonaro recomendou o uso de cloroquina contra a COVID-19. Foto de arquivo
"Outro ponto gravíssimo: eles adulteraram atestados de óbito. Retiraram a COVID-19 de atestados de óbito. Isso é crime. É falsificação de documento público. E os médicos que foram submetidos a isso dentro da Prevent Senior decidiram denunciar e nesse momento estão sendo ameaçados de morte", alerta a especialista.

Na véspera do depoimento do diretor-executivo da empresa, Pedro Benedito Batista Junior, o presidente Bolsonaro voltou a defender o tratamento precoce, dessa vez na Assembleia Geral da ONU:

​"Desde o início da pandemia apoiamos a autonomia do médico na busca do tratamento precoce, seguindo recomendação do nosso Conselho Federal de Medicina. Eu mesmo fui um desses que fez tratamento inicial. Não entendemos por que muitos países, juntamente com grande parte da mídia, se colocaram contra o tratamento inicial. A história e a ciência saberão responsabilizar a todos", disse o presidente na terça-feira (21).

Reta final da CPI da Covid

Após a confirmação de que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, está com COVID-19 e vai ficar de quarentena em Nova York, EUA, o relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), anunciou que a comissão só pode acabar os trabalhos após ouvir Queiroga novamente. Será a terceira participação do ministro na CPI.

Além do ministro da Saúde e dos já citados Luciano Hang e Bruna Morato, a comissão chegou a convocar Ana Cristina Valle, ex-esposa de Bolsonaro, que chamou a atenção dos integrantes da CPI por sua relação com lobistas, entre eles, o advogado Marconny Ribeiro Faria, que trabalhou na Precisa Medicamentos. No entanto, ela não deve prestar depoimento à comissão por não haver consenso entre os senadores. Alguns parlamentares avaliam que seu depoimento poderia sair do escopo da comissão.

Ana Cristina Valle (ao centro), ex-mulher de Bolsonaro que supostamente gerenciava o esquema de rachadinha, em campanha para o presidente (foto de arquivo)
© FOLHAPRESS / EDUARDO ANIZELLI
Ana Cristina Valle (ao centro), ex-mulher de Bolsonaro que supostamente gerenciava o esquema de rachadinha, em campanha para o presidente (foto de arquivo)
Michelle Fernandez defende que a CPI já prestou um grande serviço ao país ao mostrar esquemas de corrupção do governo federal, além de crimes contra a vida e negligência. A professora da UnB cita o caso do escândalo da vacina indiana Covaxin, que o Ministério da Saúde negociou por um preço muito acima do valor de mercado. No acordo, a dose da Covaxin custava R$ 80, valor quatro vezes maior que o da vacina da Astrazeneca e 50% maior que o da Pfizer, que o Ministério da Saúde menosprezou por considerar cara demais.

A especialista sublinha também a crise com o desabastecimento de oxigênio em Manaus, com a ex-secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro "liderando aquele processo de tentativa de implantação de imunidade de rebanho no município".

​Mas a pesquisadora garante que CPI não perdeu o foco principal: apurar a responsabilidade do governo federal nas quase 600 mil mortes causadas até agora pela pandemia do novo coronavírus. "Já ficou claro que essa responsabilidade vai ser atrelada ao presidente da República", afirma.

Presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), vice-presidente, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e relator senador Renan Calheiros (MDB-AL) durante sessão da CPI da Covid no Senado, 11 de agosto de 2021
© FOTO / AGÊNCIA SENADO / JEFFERSON RUDY
Presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), vice-presidente, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e relator senador Renan Calheiros (MDB-AL) durante sessão da CPI da Covid no Senado, 11 de agosto de 2021

Em 14 de setembro, um grupo de juristas, comandados pelo ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior, apresentou um parecer à CPI indicando possíveis crimes cometidos pelo presidente Bolsonaro ao longo da pandemia, entre eles: charlatanismo, prevaricação e incitação a outros crimes.

Renan Calheiro já informou que no relatório final da CPI pedirá pelo menos o indiciamento de Bolsonaro por prevaricação. A comissão pode funcionar até 5 de novembro.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik


quinta-feira, 12 de agosto de 2021

CPI da Covid decide convocar Braga Netto

 


A cúpula da CPI da Covid decidiu, em acordo feito a portas fechadas com parte dos integrantes da comissão, convocar o ministro da Defesa, general da reserva Braga Netto, para prestar depoimento, de acordo com Caio Junqueira, da CNN Brasil.

A convocação é um pedido do relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), e se deve ao fato de Braga Netto ter comandado ao longo da pandemia a Casa Civil do governo Jair Bolsonaro, pasta responsável por coordenar os trabalhos de combate ao coronavírus.

A reunião em que foi decidida a convocação do general ocorreu após o depoimento do líder do governo na Câmara dos Deputados, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), no gabinete do presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM). Participaram da conversa os senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE), Humberto Costa (PT-PE), Simone Tebet (MDB-MS), Rogério Carvalho (PT-SE) e Eliziane Gama (Cidadania-MA), além de Omar Aziz e Renan Calheiros.

Alessandro Vieira deve apresentar um novo requerimento de convocação do ministro, que deve ser votado na terça-feira (17).

Acelerar os trabalhos

O grupo também deliberou sobre os rumos da CPI e concluiu que os trabalhos da comissão devem se encerrar até a primeira quinzena de setembro. A avaliação é de que a comissão não deve conseguir revelar mais fatos novos.

Os senadores também acreditam que já existem elementos suficientes para a elaboração de um relatório final. O primeiro capítulo do relatório de Renan Calheiros, inclusive, já está pronto. Ele tem cerca de 400 páginas e trata dos possíveis crimes sanitários cometidos pelo governo na pandemia.

O segundo capítulo, que ainda vai ser redigido, tratará dos crimes de corrupção e divulgação de fake news.

quarta-feira, 30 de junho de 2021

CPI da Covid quebra sigilo bancário de Pazuello e de diretor exonerado do Ministério da Saúde

 


Pedidos foram feitos vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e os requerimentos foram aprovados em meio a acusações de irregularidades na compra das vacinas Covaxin e Astrazeneca.

A CPI da Covid aprovou nesta quarta-feira (30) a quebra do sigilo bancário do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e do diretor exonerado do Ministério da Saúde Roberto Dias.

O pedido partiu do senador Randolfe Rodrigues, que pretende investigar denúncia de que, na gestão de Pazuello, militares escolheram, sem licitação, empresas para reformar prédios antigos no Rio de Janeiro. E, para isso, usaram a pandemia do novo coronavírus como justificativa para considerar as obras urgentes.

O ex-diretor Roberto Dias foi denunciado por um representante de empresa que relatou ter sido pressionado por Dias para pagar propina na compra da vacina Oxford/Astrazeneca. A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (30).

Também foram quebrados sigilos de empresários, assessores do governo e representantes do chamado "gabinete do ódio", um dos objetos de apuração da CPI, informa o portal G1.

Brasileiros marcham em protesto contra a resposta do governo no combate à COVID-19, exigindo o impeachment do presidente Jair Bolsonaro, Rio de Janeiro, Brasil, 29 de maio de 2021
© AP PHOTO / BRUNA PRADO
Brasileiros marcham em protesto contra a resposta do governo no combate à COVID-19, exigindo o impeachment do presidente Jair Bolsonaro, Rio de Janeiro, Brasil, 29 de maio de 2021

'Superpedido' de impeachment

Nesta quarta-feira (30), um "superpedido" de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro foi protocolado na Câmara Federal.

Horas antes do pedido ser enviado à Câmara, Bolsonaro ignorou a denúncia de oferta de propina na compra da vacina indiana Covaxin, e disse que mentiras não vão tirá-lo do Palácio do Planalto. Ele também se referiu a membros da CPI da Covid como sendo "bandidos".

"Não conseguem nos atingir. Não vai ser com mentiras ou com CPI, integrada por sete bandidos, que vão nos tirar daqui. Temos uma missão pela frente: conduzir o destino da nossa nação e zelar pelo bem-estar e pelo progresso do nosso povo", afirmou o presidente.


sexta-feira, 25 de junho de 2021

Senadores da CPI da Covid acusam Ministério da Saúde e Marcelo Queiroga de obstruírem investigações

 


Principais representantes da CPI fizeram coro nessa sexta-feira (25) declarando que Ministério da Saúde e ministro Marcelo Queiroga estão dificultando investigação mais rápida e profunda em torno da compra de vacinas para COVID-19.

Nesta sexta-feira (25), logo no início da oitiva de hoje, o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), acusou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, de atrapalhar as investigações acerca da compra de vacinas, segundo o portal UOL.

Aziz foi apoiado por outros membros da CPI e o vice-presidente, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse que o Ministério da Saúde estava omitindo documentos que já haviam sido solicitados pelo grupo de senadores.

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito, senador Renan Calheiros (MDB-AL), também endossou o discurso dos senadores ao reclamar sobre a demora do Ministério da Saúde em autorizar o acesso de uma equipe especializada aos processos administrativos relacionados à compra de vacinas contra a COVID-19.

Segundo Calheiros, o ministro Marcelo Queiroga, estaria deliberadamente criando obstáculos para fornecer essas informações e, assim, dificultar a investigação.

"Hoje [25], mais uma vez, fizemos um contato com a assessoria parlamentar do Ministério da Saúde, que disse que a questão dependeria de uma reunião com o ministro [Queiroga] que só seria realizada amanhã [26]. Precisamos dizer que esta CPI não vai — até porque não pode — aceitar essas manobras obstrutivas e protelatórias do governo", disse o senador citado pela mídia.

Em seguida, Calheiros pediu ao presidente da CPI que "tome as providências enérgicas contra obstruções do ministro Marcelo Queiroga, que, inclusive, já é investigado nesta própria CPI".

"É necessário reiterar as responsabilizações que existem sobre a omissão de documentos à CPI. Esta não é a única. Outras informações que estão sendo pedidas por essa CPI estão vindo erradamente, ou não vem. Tem tido omissão deliberada por parte do governo", completou o senador.


Mais vistas da semana

Toffoli mantém quebras de sigilo de fabricantes de hidroxicloroquina pela CPI da Covid

 


O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou os pedidos dos donos da empresa Aspen Farmacêutica - que fabrica hidroxicloroquina - contra quebras de sigilo impostas pela CPI da Covid.

Os empresários Renato Spallicci e Renata Farias Spallicci tiveram seus segredos bancário, fiscal, telefônico e telemático levantados pelo colegiado no Senado Federal em 17 de junho.

“Não vislumbro, neste juízo preliminar, prática de abuso de poder ou ilegalidade da deliberação parlamentar efetuada no requerimento 852/2021 a fundamentar a concessão da medida acauteladora”, disse Toffoli, sobre os pedidos.

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