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sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Auditor acusa governo Bolsonaro de alterar documento sobre suposta supernotificação de mortes por Covid

 


Auditor do Tribunal de Contas da União (TCU), Alexandre Marques acusou o governo federal, em depoimento, de ter alterado documento citado por Jair Bolsonaro sobre supernotificação de casos de Covid-19.

Marques é investigado por ter sido o autor do material e classificou como "irresponsabilidade" a divulgação do documento por Bolsonaro. "Quando eu vi o pronunciamento do presidente Bolsonaro, eu fiquei totalmente indignado, porque achei totalmente irresponsabilidade o mandatário da nação sair falando que o tribunal tinha um relatório publicado, que mais da metade das mortes por Covid não era por Covid. Eu achei bem, uma afronta a tudo que a gente sabe que acontece, a todas as informações públicas, à ciência, etc". O auditor está no radar da CPI da Covid e deve ser convocado para depoimento.

No início de junho, Bolsonaro disse a apoiadores no cercadinho do Palácio da Alvorada que um suposto relatório do TCU apontava que 50% das mortes por Covid-19 em 2020 tinha sido provocadas, na verdade, por outras causas. 

No mesmo dia, 7 de junho, o tribunal divulgou nota esclarecendo que não tem informações para sustentar a afirmação de Bolsonaro. O TCU ainda disse, à época, não ser o autor do documento. 

Em 8 de junho, o tribunal comunicou que o documento citado se tratava de uma análise pessoal feita pelo servidor Alexandre Marques.

Bolsonaro então admitiu o erro de vincular o documento ao TCU, mas seguiu sustentando, sem provas, que houve supernotificação de óbitos causados pelo coronavírus.

Marques disse acreditar que o documento tenha sido alterado pela  Presidência da República. "[O documento] não tinha nenhuma alusão ou identidade visual do Tribunal de Contas da União (TCU). Nesse arquivo em pdf que viralizou, não tinha nenhuma identidade visual, data, assinatura, nada. Era somente um só arrazoado".

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Após ser afastado do cargo, auditor do TCU confessa que pai militar repassou dados falsos a Bolsonaro

 


O auditor Alexandre Figueiredo Costa e Silva Marques confessou à sua chefia imediata no Tribunal de Contas da União (TCU) a autoria das análises que levaram Jair Bolsonaro a divulgar  notícias falsas de que o órgão questionava as mortes por Covid-19 no Brasil. A informação é da jornalista Mônica Bergamo, em sua coluna no jornal Folha de S.Paulo. 

De acordo com informações preliminares já encaminhadas à corregedoria do tribunal, o auditor, afastado nesta  quarta-feira (9) do órgão, relatou que comentou o teor de suas análises pessoais com o pai, militar e amigo pessoal de Bolsonaro, que repassou o documento ao mandatário. 

Segundo relata a jornalista, as famílias dele e de Bolsonaro seriam tão próximas que o auditor chegou a ser indicado para uma diretoria do BNDES em 2019. Sua posse foi barrada pelo próprio TCU, por conflito de interesses, já que o tribunal fiscaliza o banco.

Além de ser afastado do cargo, Alexandre é alvo de uma investigação preliminar realizada pela equipe técnica do TCU que apura o caso e terá que prestar esclarecimentos sobre a manipulação de dados à CPI da Covid-19 no Senado. 

Nesta quarta-feira (9), o TCU deverá decidir se abre um processo disciplinar contra Marques, que poderá culminar no seu afastamento efetivo do cargo ou até mesmo na sua demissão. 

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