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quinta-feira, 27 de maio de 2021

Pandemia vai se intensificar no Brasil nas próximas semanas, alerta Fiocruz

 


Sputnik - A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informou que a média de mortes diárias pelo coronavírus devem alcançar 2.200 nas próximas semanas. 

Em seu relatório Observatório Covid-19, a entidade disse ainda que a ocupação de leitos de UTI para a doença aumentaram ou continuam em patamares elevados em quase todo o Brasil. 

De acordo com o documento, houve uma estabilização das taxas de mortalidade da Covid-19 entre 16 e 22 de maio, em torno de 1.900 óbitos por dia, nível considerado alto. Até 10 de maio, a tendência era de queda.

No entanto, está ocorrendo um aumento do número de casos, o que vai se refletir em uma alta nas mortes nas próximas duas semanas. 

"Esse contexto vai gerar novas pressões sobre todo o sistema de saúde. O aumento no número de internações, demonstrado pelo crescimento das taxas de ocupação dos leitos de UTI, é resultado desse novo quadro da pandemia no Brasil", diz o relatório

O Observatório Covid-19 ressalta ainda o rejuvenescimento da pandemia, o que, "associado à circulação de novas variantes do vírus no país e ao relativo sucesso da campanha de vacinação entre populações mais idosas, torna mais crítico o tratamento para casos graves entre grupos mais jovens".

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Indignada, médica da Fiocruz diz que não há nada que possa justificar a falta de insumos para vacinas (vídeo)

 


Pesquisadora Margareth Dalcolmo chama a diplomacia brasileira de “incompetente” e acusa o governo federal de falhar miseravelmente na tarefa de garantir que os insumos da vacina contra a Covid-19 cheguem ao Brasil no prazo contratado

Por Eliane Lobato, para o 247 - A pneumologista Margareth Dalcolmo atribui à “incompetência diplomática do Brasil” o atraso da entrega da matéria-prima para a vacina da Covid-19, anunciado ontem pela China. A médica fez o desabafo ao receber o Prêmio São Sebastião de Cultura, dado pela Arquidiocese do Rio do Janeiro, em evento comandado pelo bispo Dom Orani Tempesta, nesta terça-feira (19), na capital. “É absolutamente inaceitável que tenhamos recebido a notícia de que as vacinas não virão da China. E também não virão da Índia. Nada justifica que o Brasil não tenha capacidade competitiva de servir a seu povo, a não ser a desídia absoluta, a incompetência diplomática que não permite que cada um dos brasileiros esteja - amanhã, nos próximos dias ou meses -, de acordo com o cronograma elaborado, recebendo a única solução que há para a Covid 19, a vacina.”

Dom Orani ficou calado, apesar das palavras dramáticas proferidas por homenageados ou representantes na cerimônia. Como a atriz Beth Goulart, que representou a mãe, a também atriz Nicette Bruno, falecida  recentemente devido à Covid-19.  “Estamos todos com um grito de revolta na garganta. Talvez, se a vacina tivesse chegado ela pudesse ter sobrevivido”, disse Beth. Foi de Carlos Alberto Serpa, presidente do Conselho Cultural da Arquidiocese, a iniciativa de pedir uma oração em memória dos 1% de brasileiros mortos na pandemia, até agora. 


Se o bispo católico ficou em silêncio, Margareth, não. Emocionada, ela apontou o enorme fracasso do governo brasileiro que não foi capaz, sequer, de garantir o sistema de cooperação tão bem costurado, e com tanta antecedência, pela comunidade científica da Fiocruz, onde ela trabalha, e a China. “Nenhuma explicação poderia justificar isso. O acordo foi estabelecido ponto a ponto desde agosto do ano passado para que a Fundação Oswaldo Cruz tivesse a sua linha de produção pronta. E é lamentável que as missões diplomáticas tenham fracassado a esse ponto.”

A especialista me disse, hoje, que “a sociedade brasileira deve ser conclamada à sua consciência cívica para lutar pelos seus direitos. E o direito primordial, agora, é a vacina.” Margareth citou os médicos que estão desde os primeiros momentos ao longo dos 11 meses da pandemia ao lado dos pacientes. “Quantas coisas vivemos, quantos testamentos vimos ser trocados, quantas pessoas ajudamos a morrer, quantas notícias tristes nós demos às famílias. Em casos graves, quando a porta se fecha, sabemos que talvez aquela pessoa nunca mais verá ninguém, se ela morrer, a não ser os nossos olhos atrás de óculos e máscaras.” A vivência limítrofe, segunda ela, não torna os médicos “mais poderosos ou sábios.” Ao contrário: “Nos torna mais humildes, mais atentos com o outro. E é com base nessa atenção que lhes digo que não há nada neste momento que justifique o que acontece agora. Independentemente de todo o nosso esforço, lamento dar essa noticia triste.”


Em nota, a Fiocruz informou que o atraso do envio dos insumos para a produção da vacina provocará “impacto sobre o cronograma de produção inicialmente previsto de liberação dos primeiros lotes entre 8 e 12 de fevereiro”. A Fundação só voltará a se pronunciar sobre datas quando o envio da matéria-prima for confirmado. Tanto a produção da vacina Oxford/Astrazeneca quanto a da CoronaVac, do Instituto Butantan, estão comprometidas.



terça-feira, 28 de julho de 2020

Potencial pandêmico de vírus descoberto no Paraná deixa em alerta pesquisadores da Fiocruz


"Desde 2005, a variante do vírus influenza A H1N2 já foi encontrada outras 25 vezes. Mas esta que identificamos em uma amostra de Ibiporã, no Paraná, é diferente de todas as demais já descobertas no mundo", diz a virologista e chefe do IOC/Fiocruz, Marilda Siqueira


Uma nova variante do vírus A H1N2 transmitida de porcos para humanos descoberta no Paraná vem deixando em alerta os cientistas da Fiocruz. Segundo reportagem do jornal O Globo, os estudos visam avaliar a capacidade de transmissão e o potencial pandêmico da variante do vírus influenza. 

“Desde 2005, a variante do vírus influenza A H1N2 já foi encontrada outras 25 vezes. Mas esta que identificamos em uma amostra de Ibiporã, no Paraná, é diferente de todas as demais já descobertas no mundo”, diz a virologista e chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Marilda Siqueira. “Mas não sabemos ainda o que isso significa, se lhe confere mais risco ou menos. É por isso que vamos buscar outros possíveis casos”, completou. 
De acordo com a reportagem, o primeiro caso no mundo foi descoberto em uma jovem de 22 anos que se recuperou completamente. “Ela provocou um caso gripal leve, uma moça de 22 de anos, que trabalhava num matadouro em Ibiporã, no Paraná. Ela adoeceu em abril, mas se recuperou totalmente. Essa variante do vírus influenza A H1N2 tem potencial pandêmico, mas isso não quer dizer que vá causar pandemia”, ressalta a virologista.
Ainda segundo ela, o potencial pandêmico é semelhante ao do novo vírus descoberto recentemente na China. “Diria que o potencial de causar pandemia é o mesmo. Sendo que o novo vírus influenza identificado na China (G4 EA H1N1), pelo que se sabe, infectou somente os porcos. Este daqui do Brasil foi transmitido para seres humanos”, destaca.
“Precisamos manter vigilância intensa e constante porque as pandemias de H1N1 e do coronavírus Sars-CoV-2 deixam mais do que evidente como vírus respiratórios podem ser devastadores. Então, precisam ser detectados e contidos no início”, afirma. 

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segunda-feira, 6 de abril de 2020

Cientistas da Fiocruz testam droga contra HIV no combate ao coronavírus e obtêm sucesso



Remédio atazanavir tem com poucos efeitos colaterais, ao contráro da cloroquina, e teria diminuído replicação do Sars-CoV-2. Segundo pesquisadores, é sinal de que merece ser testado em estudos mais amplos


Um grupo de pesquisadores brasileiros da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) testou contra o coronavírus uma droga utilizada no tratamento da Aids. 
Segundo o estudo com culturas de células, o remédio é o atazanavir reduz em até 100 vezes a velocidade de replicação do vírus Sars-CoV-2. A droga atua bloqueando a ação de uma enzima, a protease, essencial para que o vírus possa se multiplicar dentro das células humanas invadidas.
Segundo o jornal O Globo, a descoberta não significa que a atazanavir poderá ser empregado imediatamente no tratamento de vítimas da Covid 19. Indica, porém, que tem resultados bons o suficiente para que mereça ser testada em estudos maiores. Em tese, ela também pode reduzir a inflamação generalizada associada aos casos mais graves de Covid.
Enquanto a cloroquina pode afetar coração, olhos e neurônios, o atazanavir é empregado para pacientes com HIV sem efeitos da mesma toxicidade conhecidos. Segundo Souza, a dose equivalente em humanos à testada com células seria compatível com a considerada segura.
"Com nosso estudo queremos chamar a atenção da comunidade científica de que há uma droga interessante para ser testada", disse o o líder do estudo, Thiago Moreno Souza, do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS), do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Paraíba: Casos confirmados de Covid-19 podem aumentar 328% em uma semana, no estado, diz Fiocruz


Dados são uma previsão e, para chegarem a esses números, os cientistas compararam experiências anteriores e observaram padrões de comportamento humano.



Um painel de monitoramento criado pela Fiocruz Bahia prevê um aumento de 328% no número de casos de coronavírus na Paraíba em uma semana. O número deve sair de 35, que é o confirmado até as 10h30 desta segunda-feira (6), para 150, no dia 13 de abril. Os dados são uma previsão e, para chegarem a esses números, os cientistas compararam experiências anteriores e observaram padrões de comportamento humano. Assim, fizeram a previsão de uma situação com uma margem de incerteza associada.

Conforme o gráfico apresentado pelo painel, os números devem começar a subir de dez em dez casos, em média, mas aumentando essa parcial no decorrer dos dias, podendo sair de 127 casos em um dia, para 150 no dia seguinte.

O painel é a primeira ação lançada pela Rede CoVida, uma iniciativa conjunta do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que reúne colaboradores de diversas instituições científicas de forma solidária. Toda a plataforma de monitoramento foi desenvolvida por quatro profissionais, em colaboração com dezenas de pesquisadores, que atuaram remotamente ao longo de 10 dias.



Gráfico de previsão de casos confirmados na Paraíba elaborado pela Fiocruz — Foto: Reprodução/Fiocruz Bahia

O modelo matemático implementado pelo grupo traz dados que ajudam os gestores públicos a tomarem decisões baseadas em evidências científicas. “O gestor que observa um modelo pode se antecipar na quantidade de leitos, nos tipos de leitos, nos materiais necessários e recursos humanos a serem recrutados no preparo dos sistemas e assistência à saúde”, explica Juliane Oliveira, doutora em matemática pela Universidade do Porto e uma das responsáveis pela modelagem.

Além dos recursos físicos e humanos, os cálculos também contribuem para avaliar os efeitos de medidas sociais, como restrições de circulação de pessoas e fechamento de estabelecimentos comerciais não-essenciais. Por isso, o gráfico alerta que a tendência prevista pode ser alterada conforme as ações implementadas pelos estados.

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