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terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Analistas explicam como Boric no Chile pode influenciar o cenário no Brasil e Europa

 


A Sputnik Brasil conversou com os professores Paulo Silvino Ribeiro e Roberto Uebel para compreender como a vitória do esquerdista Gabriel Boric nas eleições presidenciais no Chile pode influenciar a América Latina.

O esquerdista e ex-líder estudantil Gabriel Boric, do Apruebo Dignidad, de 35 anos de idade, foi eleito o novo presidente do Chile com grande vantagem de votos sobre seu opositor José Antonio Kast, da Frente Social Cristã, de direita.
Boric é definido como "equilibrista" e "político de diálogo", mas terá um governo "desafiador" pela frente.

Vitória de Boric no Chile deve iniciar ciclo de esquerda na América Latina?

Analisando a vitória de Boric, um candidato da esquerda, Paulo Silvino Ribeiro, professor na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, afirmou que, nos últimos tempos, a América Latina tem visto um crescimento das visões mais à esquerda em detrimento das visões mais à direita.

"Isso é importante para a democracia, independentemente de qual lado as pessoas tenham, na medida que a extrema direita muitas vezes flerta com valores ou com noções antidemocráticas. Então as suas propostas são ruins [...] Temos que entender em que medida há expressões da extrema direita na América Latina que são absolutamente antidemocráticas", ressaltou.
No caso do Chile, havia um candidato que estava concorrendo que fazia apologias à figura do ex-ditador Pinochet, o que de fato é muito ruim para a democracia, observou.

"Acho que assistimos na América Latina a um movimento importante em que a esquerda vai, portanto, agora se fortalecendo. Ao que tudo indica, isso também pode acontecer no Brasil", destacou o professor, ressaltando que, há pouco tempo, tanto a Argentina quanto a Bolívia elegeram candidatos da esquerda à presidência.

A vitória de Gabriel Boric nas eleições presidenciais do Chile inicia uma nova era da esquerda progressista na América Latina, avalia o professor de Relações Internacionais da ESPM Roberto Uebel.
"As pesquisas recentes apontam uma mudança no governo brasileiro nas próximas eleições, com Lula à frente, assim como na Colômbia e no Equador, com prováveis novos nomes de centro-esquerda no comando dos países", diz Uebel.

Eleições no Brasil

Apesar do cenário na América Latina com candidatos da esquerda vencendo as eleições, o professor acredita que ainda seja cedo para falar sobre definições das urnas no Brasil, contudo ressalta as últimas pesquisas feitas no país mostrando a vantagem de Lula frente a Bolsonaro e qualquer outro candidato.
Em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursa durante jantar promovido pelo Grupo Prerrogativas, em 19 de dezembro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 20.12.2021
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O professor também destaca que a especulação criada pela mídia brasileira em torno dos candidatos da terceira via foi algo equivocado, já que estes candidatos estão muito distantes de realmente concorrerem com os demais.
"É evidente que, o ex-presidente Lula tem uma vantagem considerável, mas acredito que seja um pouco cedo para dizermos que a esquerda de fato possa ganhar [...]", explicou.
De acordo com o especialista, a população brasileira, assim como a latino-americana, não quer mais ouvir discursos extremistas, como os utilizados na campanha de Bolsonaro.

Papel da crise econômica e social na América Latina

Ao ser questionado sobre se o descontentamento com a crise econômica e social na América Latina poderia ser o motivo da ascensão da esquerda nas últimas eleições, o professor afirma que estes pontos são muito evidentes, mas antes de mais nada é preciso destacar a pandemia, que teve um efeito devastador, principalmente no ponto de vista da saúde pública, bem como sua consequência econômica.
Para o professor, os problemas da América Latina são estruturais, históricos, mais profundos e permanentes que os encontrados em outras partes do mundo.
O presidente chileno Sebastián Piñera - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
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Essa situação faz com que os governos latino-americanos tenham enfrentado problemas maiores e, evidentemente, a expectativa da população latino-americana acaba sendo maior, assim como a demanda.
Quando esses governos, sejam eles mais à direita ou mais à esquerda, caíram na graça da população, agora estão em "desgraça" na medida em que não atendem tanto a essas necessidades econômicas, sociais, bem como a necessidades voltadas à saúde, qualidade e expectativa de vida.
"Eu concordo com esta ideia de que o sentimento de frustração com esses governos mais de direita, e o governo Bolsonaro talvez seja o exemplo mais explícito para todo o mundo, possa ajudar a explicar o porquê de a esquerda vir ganhando cada vez mais espaço", explicou.

Eventos da América Latina podem influenciar Europa?

Sobre a possível influência da América Latina na Europa, o professor ressalta alguns pontos para compreender como os acontecimentos políticos da América Latina podem influenciar a Europa.
Olaf Scholz acena no palco na sede do Partido Social-Democrata (SPD) após as eleições gerais alemãs, em 26 de setembro - Sputnik Brasil, 1920, 08.12.2021
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De acordo com o professor, a Europa sempre se colocou como o centro, de onde vêm as principais referências econômicas, sociais e ideológicas, e que, no momento, a América Latina não influencia os europeus, contudo há movimentos que, evidentemente, transcendem continentes, culturas, na medida em que a globalização cresce, há uma grande circulação de informações, mostrando o que acontece em cada parte do mundo.

"É como se os fenômenos políticos, de modo geral, estivessem o tempo todo influenciando quaisquer culturas. A América Latina talvez não só influencia, mas, mais do que isso, nela se manifestam fenômenos mundiais", explica.

Segundo Uebel, essa esquerda, vista como progressista, se aproxima da socialdemocracia europeia, que busca o bem-estar social sem intervir totalmente na economia.
"Acredito que o Chile estabelecerá relações pragmáticas e de benefício mútuo nas questões econômicas, políticas e comerciais. O governo de Boric deve se assemelhar, nesse aspecto, ao do premiê alemão Olaf Scholz, que não faz alinhamentos automáticos", ressalta Ubel.

O que esperar de Boric no Chile?

Para o professor, Boric tem o desafio de implementar a sua proposta de reorientação do Estado chileno no sentido de promoção mais efetiva de políticas sociais e um deslocamento, portanto, das vertentes mais liberais ou neoliberais.

"Isso implica, portanto, atender as demandas de parte importante da sociedade chilena, que desde 2019 tem reivindicado mudanças importantes, como também esse compromisso com o seu passado enquanto líder estudantil e, portanto, com essa juventude que foi às ruas reivindicar os direitos e uma condição democrática", explicou.

O especialista destaca que é preciso ter em conta que não está sendo considerada apenas a disputa objetiva de propostas ou planos de governo, mas sim quais realmente dialogam com a democracia e aqueles que não dialogam.
"Há a expectativa de um governo democrático, que dialogue com os grupos e minorias", declarou.

Reconhecimento da vitória de Boric por opositor

De acordo com o professor, o rápido reconhecimento da vitória de Boric por seu opositor é uma atitude acertada, por reconhecer imediatamente sua derrota.

"Na minha visão, é uma contribuição importante à democracia, estabilidade e ao diálogo", adicionou.

Dialogar não é concordar com o outro, mas sim ter interesse por aquilo que o outro tem a dizer, mesmo que discorde, mas permitindo uma interação em nome do interesse público e espírito republicano.
"Foi um ato bastante interessante e importante, esse reconhecimento imediato da derrota para o candidato Boric", enfatizou.

Terceira via é possível no Brasil?

De acordo com o professor, a ideia da terceira via para as próximas eleições no Brasil é equivocada e falsa na medida em que os candidatos sempre tendem mais para um lado do que para o outro, e que esse equilíbrio, portanto, é impossível.
O ex-juiz Sergio Moro (Podemos) durante o lançamento do livro Contra o Sistema da Corrupção,  no Renaissance São Paulo Hotel, 7 de dezembro de 2021  - Sputnik Brasil, 1920, 20.12.2021
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"É preciso escolher pessoas que têm uma clara e objetiva defesa e compromisso com a democracia, não importa a proposta necessariamente. O mais importante é que as medidas propostas não estejam colocando em risco, questionando ou fragilizando a democracia", concluiu.

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EUA fecham contrato com empresa privada para combater armas hipersônicas de China e Rússia

 


Com atraso na produção de armas hipersônicas reconhecido pela própria ala militar, a Agência de Defesa de Mísseis dos EUA faz parceria com empresa privada para equiparar e derrotar as armas hipersônicas chinesas e russas.

De acordo com o Asia Times, um contrato de pesquisa firmado no dia 8 de dezembro entre a Agência de Defesa de Mísseis dos Estados Unidos (MDA, na sigla em inglês) e a empresa aeroespacial Stratolaunch visa igualar e derrotar as armas hipersônicas russas e chinesas.

"O estudo utilizará nosso serviço de teste para aumentar os recursos de teste de vôo do Departamento de Defesa, a fim de entender como engajar e interceptar ameaças hipersônicas", disse o comunicado da empresa.

Em 15 de dezembro, Stratolaunch divulgou recentes atualizações sobre o novo projeto. A empresa está se preparando para concluir seu próximo conjunto de voos de teste de aeronaves porta-aviões Roc.
Fizemos algumas atualizações no anúncio do contrato da semana passada com a Agência de Defesa de Mísseis. Esperamos que essas atualizações esclareçam a natureza do estudo.

O dr. Daniel Millman, diretor de tecnologia da Stratolaunch, afirmou que o objetivo da empresa é fornecer à MDA "um alvo representativo e replicador de ameaças que lhes permita entender como engajar e interceptar ameaças hipersônicas".
Um B-52H Stratofortress do 419º Esquadrão de Testes de Voo decola da Base Aérea de Edwards, Califórnia - Sputnik Brasil, 1920, 18.12.2021
Panorama internacional
EUA falham 3º lançamento consecutivo de míssil hipersônico devido a 'problema desconhecido'
O contrato da MDA e da Stratolaunch é o mais recente movimento nos esforços dos Estados Unidos para desenvolver armas hipersônicas e contramedidas.
Em 28 de outubro, os EUA testaram com sucesso um motor de reforço hipersônico, após uma série de testes de armas hipersônicas que falharam. Isso inclui um teste em 21 de outubro, quando um foguete de reforço carregando uma arma hipersônica falhou.
Sendo assim, as recentes reveses levaram o general da Força Espacial dos EUA, David Thompson, a admitir que os EUA ficaram atrás da China e da Rússia no desenvolvimento de armas hipersônicas.
Lançamento de míssil hipersônico desde o cruzador Pyotr Veliky da Rússia - Sputnik Brasil, 1920, 12.12.2021
Rússia lidera no desenvolvimento de novas armas, especialmente hipersônicas, diz Putin
Entretanto, segundo a mídia, o Exército dos EUA não está programado para lançar sua primeira arma hipersônica até 2024, enquanto a Marinha dos EUA pretende armar um destróier com armas hipersônicas em 2025 e equipar seus submarinos da classe Virginia com as mesmas em 2028.

Congresso brasileiro aprova orçamento para 2022 com déficit primário de R$ 79,3 bilhões

 


Projeto prevê salário mínimo de R$ 1.210 e R$ 4,9 bilhões para fundo eleitoral, além de reserva de R$ 1,7 bilhão para reajuste de policiais.

O Senado aprovou na noite desta terça-feira (21) o projeto de lei orçamentária para 2022, com as diretrizes para os gastos e projeções de receitas da União no próximo ano. O texto passou por 51 votos a 20.
Mais cedo, a Câmara dos Deputados havia aprovado o projeto por 358 votos a 97. O orçamento terá um salário mínimo de R$ 1.210 e um valor de R$ 4,934 bilhões para o fundo eleitoral.
O relatório aprovado também acrescentou uma reserva de R$ 1,7 bilhão para reajuste de policiais (uma demanda do presidente Jair Bolsonaro), e R$ 16,5 bilhões para as emendas do relator, cujo destino é desconhecido, escreve o jornal O Globo.

A proposta deve ser sancionada pelo presidente da República, podendo ainda receber vetos. O projeto aprovado também prevê para 2022 despesas totais de R$ 4,823 trilhões e um déficit primário de R$ 79,3 bilhões.
Uma das despesas que mais cresceram em relação à proposta inicial para o Orçamento de 2022 foi o Auxílio Brasil, que, segundo o Ministério da Economia, deverá passar a um benefício médio de R$ 415 mensais por família.
No projeto original estavam destinados R$ 34,7 bilhões para atender 14,7 milhões de famílias. A versão aprovada destina R$ 89 bilhões para atender 17,9 milhões de famílias.
A ampliação foi possível após a aprovação da PEC dos Precatórios, no início de dezembro, que limitou o pagamento de dívidas judiciais, os precatórios, nos próximos anos e alterou a metodologia do teto de gastos, liberando mais de R$ 110 bilhões em espaço para despesas no ano que vem.
Lenços brancos representando as pessoas que morreram da COVID-19 no Brasil, na frente  do Congresso em Brasília, 18 de outubro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 21.12.2021
Lenços brancos representando as pessoas que morreram da COVID-19 no Brasil, na frente do Congresso em Brasília, 18 de outubro de 2021. Foto de arquivo

Putin fala com Macron e discute questão do fortalecimento da estabilidade e segurança na Europa

 


O presidente russo, Vladimir Putin, em conversa com o presidente francês Emmanuel Macron, discutiu questões para o fortalecimento da estabilidade e segurança no continente europeu, de acordo com o Kremlin, nesta terça-feira (21).

De acordo com o alto escalão franco-russo, nesta terça-feira (21), teve lugar uma conversa telefônica entre o presidente russo Vladimir Putin e o presidente francês Emmanuel Macron. Os chefes de estado discutiram sobre questões para o reforço da estabilidade e segurança no continente europeu, de acordo com o comunicado do Kremlin.
Um dos pontos abordados na conversa, foi a relação Rússia-EUA, que por conta da crise na Ucrânia, tem sido um ponto de impasse.

"Neste contexto, é dada atenção prioritária ao projeto de tratado entre a Rússia e os Estados Unidos sobre garantias de segurança e ao acordo sobre medidas de segurança para a Rússia e os Estados-membros da OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte], que foram enviados aos lados relevantes, incluindo o lado francês, e então publicado. Vladimir Putin informou sobre o trabalho realizado pela diplomacia russa nesta questão", disse o Kremlin em um comunicado.

A situação problemática envolvendo a Ucrânia, OTAN e União Europeia (UE) tem deixado Moscou desconfortável pelo esgarçamento das relações diplomáticas entre as partes envolvidas.

Na última semana (15), o premiê britânico Boris Johnson se manifestou subindo o tom nas tensões mencionando os aliados da OTAN caso Moscou tentasse uma incursão no território vizinho, tese incessantemente defendida pelo governo norte-americano e negada em todas as ocasiões pelo governo russo.
A situação problemática na resolução do conflito interno ucraniano causado pela falta de vontade de Kiev em cumprir os Acordos de Minsk é o ponto da argumentação de Putin, que sublinhou em sua conversa com Macron que a possibilidade de realizar uma nova cúpula no formato da Normandia depende de medidas específicas das autoridades de Kiev para implementar Acordos de Minsk.
Outra questão pontuada pelo líder russo foi a situação da Russia Today (RT). O canal continua sujeito à restrições no solo francês e, segundo Putin, este não é o tratamento que os meios de comunicação franceses recebem na Rússia. A esperança do Kremlin é que "nosso canal terá as mesmas oportunidades de trabalhar sem qualquer discriminação".
Os chefes de Estado também desenvolveram comentários sobre o assentamento de Nagorno-Karabakh. Segundo o comunicado do Kremlin "foi expressa satisfação com a estabilização da situação e os esforços que estão sendo feitos para estabelecer uma vida pacífica, restabelecer os laços econômicos e de transporte na região. Foi observado que a Rússia e a França estão agindo sobre essas questões e pretendendo agir de forma sincronizada no futuro".

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