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domingo, 10 de maio de 2020

Cientistas de Hong Kong preocupados com novo vírus transmitido por ratos



Uma nova estirpe de hepatite E exclusiva de ratos vem infectando pessoas nos últimos meses em Hong Kong, China, levando à sua urgente hospitalização. A OMS já foi alertada.

Uma nova estirpe de hepatite E transmitida por ratos, também conhecida como HEV do rato, foi descoberta há alguns meses em Hong Kong, região administrativa especial da China, relata a CNN.

Casos intrigantes

Mais de uma dezena de pessoas já acusaram positivo e os médicos não descartam a possibilidade de haver centenas de outros casos.
O episódio mais recente foi diagnosticado em 30 de abril, e é de um homem de 61 anos a quem foi identificada uma função hepática anormal.
Siddharth Sridhar, microbiologista da Universidade de Hong Kong, relaciona estes casos com um ocorrido em 2018, quando um homem de 56 anos que tinha feito um transplante de fígado e que veio a apresentar problemas hepáticos, sem causa óbvia.
Os testes estabeleceram que seu sistema imunológico estava reagindo à hepatite E, mas não conseguiram identificar a estirpe do vírus que infecta o sangue de humanos.
A hepatite E é uma doença infecciosa hepática causada por um vírus RNA, o vírus E (HEV), e que provoca febre, icterícia e inchamento do fígado.
São conhecidas quatro cepas de vírus causadores desta doença, mas somente uma estirpe pode infectar humanos.

Cepa exclusiva de rato infecta humano

Os cientistas acabaram apurando, após inúmeros testes, que o homem tinha sido infectado com um vírus que causa hepatite E, mas com uma cepa que até agora só afetava os ratos.
"O preocupante é este vírus poder passar dos animais para os humanos. Essa infecção era tão incomum e sem precedentes que a equipe se perguntou se foi um incidente isolado ou um paciente que estava no lugar errado na hora errada", afirmou à CNN Siddharth Sridhar, que foi um dos pesquisadores por trás da descoberta.
Mas não seria caso único. Depois deste episódio, já há mais dez casos de infectados com HEV dos ratos, incluindo o já referido em 30 de abril.

Como opera transmissão é um mistério

A cepa humana da hepatite E é tipicamente transmitida através da contaminação fecal da água usada para consumo.
Como a estirpe dos ratos passou para o homem permanece um mistério, não tendo os pesquisadores ainda identificado a rota exata de transmissão dos ratos para os humanos.
O último paciente deixou os cientistas perplexos: não havia ratos ou excrementos de ratos em sua casa, nenhum familiar que coabitasse com ele mostrou sintomas e o homem não viajou para parte nenhuma recentemente.
O desconhecimento de como o vírus "salta" de ratos para os humanos torna muito difícil prevenir novas infecções. E não deixa de ser intrigante que os infectados provenham de bairros com baixo número de ratos, quando deveriam ser teoricamente oriundos daqueles com maior infestação de roedores.
Os pesquisadores não excluem, por isso, a hipótese de a infecção poder ter ocorrido por um outro ser vivo intermediário, havendo já um caso análogo confirmado no Canadá, informa a CNN.

© FLICKR.COM / JEAN-JACQUES BOUJOT
Rato (imagem referencial)
A possibilidade de o vírus estar infectando pessoas globalmente sem nenhuma medida de controle, colocando em risco algumas das pessoas mais vulneráveis (os idosos, os afetados pelo HIV, os com predisposição à doença, entre outros) inquieta os cientistas.
"Isso não deveria estar acontecendo. Precisamos de uma vigilância contínua para controlar esta infecção anormal. Espero realmente que as autoridades de saúde pública deem o primeiro passo e vejam o quanto suas populações estão realmente expostas à hepatite E transmitida pelo rato", alertou Sridhar.
Os especialistas enviaram um relatório à OMS para alertar todos os países e ajudá-los a se prepararem para qualquer surto futuro.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Covid-19 poder ser transmitido pela respiração e fala, dizem cientistas




O diretor do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas, Anthony Fauci – conselheiro do presidente americano, Donald Trump, sobre a epidemia – afirmou nesta sexta-feira (3) ao canal de televisão Fox News que "o vírus, na verdade, pode ser transmitido quando as pessoas estão apenas falando, além de quando tossem e espirram". De acordo com a AFP, a transmissão da Covid-19 pela expiração pode ser a explicação procurada durante os últimos meses para compreender a alta capacidade de contágio do vírus, já que pessoas assintomáticas seriam responsáveis por grande parte da propagação da doença. Até o momento, os cientistas haviam confirmado a transmissão da Covid-19 através de gotículas de saliva expelidas pela boca ou pela coriza nasal, mas jamais pelo ar liberado na expiração. A afirmação de Fauci é baseada se baseia em resultados de pesquisas científicas realizadas nos Estados Unidos que consideram que a Covid-19 também é propagada quando o ar é expirado pelas pessoas. "Os atuais trabalhos de pesquisa defendem a possibilidade de que a SARS-CoV-2 possa ser transmitida pelos bioaerosóis gerados diretamente pela expiração", escreve o presidente do comitê sobre as doenças infecciosas emergentes, Harvey Fineberg, em uma carta em nome de acadêmicos e cientistas americanos. Em um estudo, pesquisadores da Universidade do Nebraska encontraram amostras do código genético (RNA) do coronavírus onde pacientes estavam isolados. Eles lembram que detectar essas partículas não é equivalente a encontrar o vírus inteiro. Além disso, pesquisadores da Universidade de Hong Kong observaram recentemente que a utilização de máscaras reduziria a quantidade de vírus expelida pelos doentes, embora o teste tenha sido realizado com outros vírus e não com o SARS-CoV-2. Já pesquisadores chineses colheram, em Wuhan, epicentro da pandemia, amostras do coronavírus no ar em diversos hospitais da cidade. Eles descobriram, por exemplo, concentrações elevadas da Covid-19 nos banheiros e salas onde os profissionais da saúde retiravam seus equipamentos de proteção. Diante dessas novas evidências, autoridades sanitárias americanas se preparam para anunciar a utilização de máscaras em uma escala nacional. "Não acredito que será obrigatório", afirmou Trump na quinta-feira (2). Em Nova York, o prefeito Bill de Blasio já pediu que os moradores cubram os rostos ao saírem nas ruas.

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