Total de visualizações de página

Leitores online

Mostrando postagens com marcador completamente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador completamente. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de maio de 2022

Brasil 'está completamente perdido' em estratégia de semicondutores, diz economista



A crise dos semicondutores tem gerado diversos problemas à indústria brasileira, principalmente no setor automotivo. A Sputnik Brasil entrevistou especialistas e representantes do setor de semicondutores para discutir como o Brasil pode se proteger de crises futuras.

A fábrica da Volkswagen de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, recentemente anunciou férias coletivas a 2,5 mil trabalhadores da planta para quase todo o mês de maio. A razão é a falta de insumos para manter a produção, incluindo os semicondutores, essenciais à produção de componentes eletrônicos. Essa foi a quinta paralisação na empresa desde o início da pandemia.
Esse é mais um capítulo da crise dos semicondutores que se arrasta ao longo da crise sanitária. O economista Marco Antonio Rocha, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) explica que o problema está relacionado à paralisação de determinadas linhas de produção na China e a mudanças de mercado durante a pandemia.

"A maior utilização de interfaces virtuais e a maior demanda por componentes e bens eletrônicos fez com que a oferta de semicondutores demorasse um tempo para reagir a essa nova estrutura de demanda. Isso acabou causando um certo estrangulamento nas linhas de produção que precisam desse insumo", avalia Rocha em entrevista à Sputnik Brasil.

Apesar do cenário global, o economista ressalta que a paralisação da produção de automóveis também está ligada no Brasil à baixa demanda pelo produto. "Por conta dessa escassez, muitas empresas estão aproveitando para paralisar suas linhas de produção, conceder férias coletivas", explica, ressaltando que os semicondutores se tornaram uma espécie de insumo generalizado da indústria.
Não à toa, além do setor automotivo há outras áreas sensíveis afetadas pela escassez de semicondutores. Segundo Carlos Fernando Teodósio, coordenador do curso de Engenharia Eletrônica e de Computação da Escola Politécnica da UFRJ, a redução na oferta desses componentes tem como consequência a curto e médio prazo "o aumento de preços e a diminuição da produção".

"A escassez de chips pode afetar também o mercado de aparelhos eletrônicos, como smartphones e TVs, que também dependem do fornecimento de chips para serem produzidos", explica Teodósio à Sputnik Brasil.

Fábrica da Volkswagen em Taubaté, em São Paulo, em 18 de maio de 2016 - Sputnik Brasil, 1920, 12.05.2022
Fábrica da Volkswagen em Taubaté, em São Paulo, em 18 de maio de 2016. Foto de arquivo
No mesmo sentido, Rogério Nunes, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (Abisemi), reforça que atualmente o insumo é tão importante para o setor industrial que o impacto de sua escassez pode ser sentido da medicina à agricultura.

"A indústria acaba produzindo menos, piora a balança comercial, aumentamos a importação de produtos, com isso temos aumento de preços de produtos e a sociedade sofre. Então, não é só a indústria automotiva, isso pode acontecer em diversos setores e esse é o impacto. Não tendo esses produtos no mercado nós realmente sofremos", explica Nunes em entrevista à Sputnik Brasil.

Brasil tem oportunidade, mas 'governo está perdido na sua estratégia para o setor'

No final de abril deste ano, o governo federal anunciou a intenção de criar o programa "Brasil Semicondutores", com o objetivo de atrair fabricantes de chips e outros componentes eletrônicos ao Brasil e reduzir a dependência de produção estrangeira desses insumos. Durante seminário sobre o tema promovido pelo Ministério das Relações Exteriores, o governo federal citou metas de aumentar a participação do Brasil no mercado mundial de semicondutores de 2% para 4% em até vinte anos.
O programa deve ser lançado em junho por meio de uma medida provisória e teve participação da Abisemi nas consultas para sua formulação. O presidente da associação, Rogério Nunes, acredita que o Brasil tem uma oportunidade diante da crise geopolítica mundial de se apresentar como uma região "tranquila" para a produção de semicondutores.

"O Brasil se apresenta como uma região tranquila, temos uma capacidade tecnológica grande, temos o maior parque tecnológico na área de TICs [Tecnologia da Informação e Comunicação] e informática do mundo fora da Ásia. [...] O Brasil, sem dúvida, precisa de um plano que possa parecer atraente aos olhos das grandes empresas mundiais e sem dúvida passará a poder contar com essa possibilidade", aponta, referindo-se ao programa do governo.

Chips do fabricante chinês de semicondutores Tsinghua Unigroup são vistos durante a Conferência Internacional de Semicondutores de 2020, em Nanjing, China, 26 de agosto de 2020 - Sputnik Brasil, 1920, 12.05.2022
Chips do fabricante chinês de semicondutores Tsinghua Unigroup são vistos durante a Conferência Internacional de Semicondutores de 2020, em Nanjing, na China, em 26 de agosto de 2020. Foto de arquivo
Já para o economista Marco Rocha, a proposta mostra que o governo federal "está completamente perdido nas suas estratégias". Segundo ele, ao invés de buscar soluções com empresas estrangeiras privadas, o governo deveria utilizar a base tecnológica e o conhecimento acumulado do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec) — empresa estatal brasileira, criada em 2008, que o governo federal pretende fechar.
Para Rocha, a Ceitec, única empresa na América Latina capaz de produzir e desenvolver semicondutores de silício, poderia ser "uma peça estratégica nesse processo". A liquidação da estatal foi suspensa por decisão Tribunal de Contas da União (TCU), em setembro de 2021.

"A gente está abrindo mão da empresa brasileira que possui uma certa tecnologia e conhecimento na produção disso, relegando à iniciativa privada estrangeira resolver um 'gap' de produção imenso que existe entre a oferta doméstica e a demanda doméstica por esse insumo", diz Rocha.

O presidente da Abisemi também lamenta a situação da Ceitec. "A gente não está no momento de abrir mão de uma estrutura como essa, seja o capital humano, sejam as instalações ali existentes. O país deveria encontrar uma solução para que isso possa ser utilizado", diz.
Nunes ressalta que o novo programa do governo inclui esforços para o desenvolvimento do setor, como a extensão do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (PADIS) até 2026. Para o presidente da Abisemi, porém, esse ainda é um prazo curto dada importância do programa, criado em 2007.
O então ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes (à esquerda), fala com o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PL) (à direita), em Brasília, Brasil, 14 de outubro de 2020 - Sputnik Brasil, 1920, 12.05.2022
O então ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes (à esquerda), fala com o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PL) (à direita), em Brasília, Brasil, 14 de outubro de 2020
Além disso, Nunes salienta a previsão de investimentos na capacitação de profissionais para a pesquisa e desenvolvimento do setor de semicondutores. Essa é uma necessidade apontada pelo engenheiro Carlos Fernando Teodósio, da Politécnica da UFRJ, que chama atenção para a falta de mão de obra qualificada no Brasil. Para o engenheiro esse é um empecilho que pode impedir a aproximação com empresas estrangeiras — como prevê o programa do governo.

"Vai ser muito difícil atrair empresas do ramo de semicondutores para operar em um país onde não há mão de obra qualificada em número suficiente. Isenções fiscais, como promete o programa 'Brasil Semicondutores' não é o suficiente. Para sermos competitivos nesse setor, o nosso primeiro desafio é resolver os graves problemas que temos em nosso sistema educacional para formarmos mão de obra altamente qualificada", afirma.

Brasil tem condições de se inserir no mercado de semicondutores

O economista Marco Rocha afirma que a dependência da produção estrangeira aumentou também em outros setores, como no caso das vacinas contra a COVID-19 durante a pandemia. Essa situação só pode ser revertida com uma política estruturada de longo prazo que, segundo ele, o Brasil tem plenas condições de implementar.

"A gente tem um sistema nacional de inovação razoável, ainda que tenha sofrido muito com cortes de recursos nos últimos anos. A gente tem um parque de universidades bem instalado, com capacidade técnica. Temos algumas empresas domésticas que possuem capacidade, tanto para a produção no curto prazo, quanto para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de novas tecnologias", afirma.

Homem observa um monitor de câmera de reconhecimento facial em um estande da empresa chinesa Ping'an Technology, em Pequim, 25 de abril de 2018. - Sputnik Brasil, 1920, 26.04.2022
Notícias do Brasil
'Meu rosto, minhas regras': por que cresce o apelo para banir tecnologias de reconhecimento facial?
O presidente da Abisemi, Rogério Nunes, acredita que o Brasil pode se tornar um "grande player" no mercado mundial de semicondutores, mas para isso ele aponta a necessidade de programas de longo prazo e pensados para além do mercado local.

"Nós precisamos nessa área, uma vez que os investimentos são muito grandes e as tecnologias empregadas demandam tempo para serem implementadas [...], de um plano de longo prazo, de 15, 20 anos, não cinco. Hoje, nós incentivamos, através do PADIS, o mercado e a produção local, mas nós precisamos também de mecanismos que possam ganhar o mercado mundial", avalia Nunes.

Da mesma forma, para Marcos Rocha, a inserção do Brasil no mercado de semicondutores como um grande competidor só pode ocorrer com a criação de uma política de fôlego para o desenvolvimento científico e tecnológico.

"Isso não se faz sem política científica, tecnológica e de inovação direcionada, com recursos suficientes para os desafios que são postos, com investimento em infraestrutura de pesquisa. Isso não acontece sozinho, não acontece somente pela escassez do insumo. Isso tem que ser alvo de política pública e essa política tem que ser consistente ao longo do tempo", conclui.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

China estaria construindo porta-aviões de tipo completamente novo, sugerem relatórios



A Marinha da China poderia estar construindo um navio de assalto anfíbio com uma catapulta eletromagnética de aeronaves e equipamento de frenagem.

Em um pedido de propostas publicado no domingo (19) e posteriormente vazado no Twitter por uma conta de rede social, um projeto de porta-aviões da China é referido apenas como Projeto XX6, mas observadores têm chamado o navio de Type 076.
"O pedido de proposta relativa ao projeto de LHD [doca de pouso de helicóptero] 076 mostra que apresenta VANT [veículos aéreos não tripulados], EMALS [sistema eletromagnético de lançamento de aeronaves], AAG [equipamento de captura avançado], IEP [propulsão elétrica integrada], elevador de 30 toneladas, motor de turbina a gás de 21 megawatts", diz o usuário.
A julgar por alguns dos detalhes incluídos no pedido, o Type 076 será muito parecido com os navios LHD Type 075, dos quais a China já construiu dois. O Type 075 é uma espécie de navio de assalto anfíbio, que combina um convés de voo para helicópteros e aviões de decolagem e pouso verticais com docas para embarcações anfíbias para transportar fuzileiros a terra.
No entanto, este novo tipo de LHD teria inclusive um sistema EMALS no convés de voo para o lançamento de aeronaves de asas fixas, bem como cabos de parada associados para quando eles pousarem novamente. Nenhum navio de guerra alguma vez utilizou esta configuração.
Os rumores de tal projeto de navio de guerra começaram a circular nos círculos militares on-line no início desta semana. O consenso geral parece ser que o Type 076 não deverá ser muito maior que o Type 075, usará seu sistema de catapulta para lançar drones de combate em vez de jatos tripulados e é em geral uma adaptação ao fato de o PLA da China não ter um equivalente ao avião F-35B.
A Marinha dos EUA e marinhas de vários aliados de Washington fazem uso das capacidades de decolagem curta e aterrissagem vertical do F-35B, permitindo que o jato furtivo voe a partir de porta-helicópteros.
Acredita-se que os próximos porta-aviões da frota chinesa, os navios da classe Type 002 agora em construção, vão possuir catapultas EMALS, que até agora só foram utilizadas nos porta-aviões da classe Ford da Marinha dos EUA.

Escolha do drone naval da China

O PLA tem vários drones entre os quais escolher, incluindo o VANT GJ-11 (Gongji-11), que entrou em serviço no final de 2019, e vários novos tipos de drones helicópteros.
Tyler Rogoway, editor do The Drive, disse no ano passado que o uso pela China de aviões de inteligência furtivos baseados em porta-aviões para expandir drasticamente a eficácia de seu arsenal de mísseis de longo alcance "faz todo o sentido".
"A eliminação de suas capacidades de transporte de armas provavelmente seria necessária para os lançar de forma confiável dos porta-aviões chineses equipados com rampa de esqui que não se beneficiam da ajuda de uma catapulta."
"Uma configuração sem um compartimento de armas permitiria aos projetistas adaptar o peso, sensores e carga de combustível da aeronave às limitações da rampa de esqui", escreveu Rogoway em setembro de 2019, observando que seria "muito mais impactante" como um observador desarmado do que como uma aeronave de ataque.
Aqui está uma vista lateral do drone furtivo Espada Afiada [GJ-11], que se espera ser lançado desde o porta-aviões da China. [O drone] tem sido objeto de muita especulação por algum tempo, por isso é ótimo ver mais imagens dele.
Embora o GJ-11 ainda possa ser usado pelo Type 076 nessa capacidade, a catapulta EMALS do navio traz à tona a questão de um GJ-11 armado. Acredita-se que o GJ-11 tenha dois compartimentos de armas capazes de carregar um total de 2 toneladas de bombas ou mísseis e um alcance estimado de 4.000 quilômetros.

Minha lista de blogs