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terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Negócios à parte: Narendra Modi, da Índia, trava disputa com Jair Bolsonaro na OMC




Brasil e Índia debatem na Organização Mundial do Comércio (OMC) se as medidas protecionistas do governo indiano estão distorcendo o mercado global.

Embora com ideologia semelhante, Narendra Modi, da Índia, e Jair Bolsonaro, do Brasil, estão em lados opostos na OMC.
O governo indiano barrou nesta terça-feira (25) a aprovação de uma decisão na entidade que reconhecia a vitória do Brasil sobre uma disputa envolvendo o comércio de açúcar.
O Itamaraty alega que os subsídios milionários dados pelos indianos a seus produtores estão distorcendo o mercado global.

Em uma primeira análise, a OMC entendeu que o Brasil tinha razão. Portanto, a Índia teria que reformar suas políticas agrícolas.
Entrada para a sede da OMC em Genebra, Suiça (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 29.12.2021
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Porém, o governo indiano recorreu, e pediu para que o Órgão de Apelação da OMC reavalie o caso. Esse seria um procedimento padrão em tempos normais, mas o gesto indiano deixou brasileiros e diplomatas de outros países indignados, escreve o portal UOL.
Isso acontece porque, neste momento, não existe mais um órgão de apelação na entidade. O tribunal máximo do comércio deixou de funcionar há dois anos, depois que o governo dos EUA passou a vetar a nomeação de juízes.
Neste momento, não existe qualquer perspectiva sobre a retomada dos trabalhos do tribunal de apelação, mesmo sob o governo de Joe Biden.
Jair Bolsonaro ao lado do líder indiano Narendra Modi em encontro em Nova Deli - Sputnik Brasil, 1920, 25.01.2022
Jair Bolsonaro ao lado do líder indiano Narendra Modi em encontro em Nova Deli. Foto de arquivo
Alguns diplomatas acreditam que o tribunal voltará a funcionar apenas quando houver uma reforma da OMC, o que pode levar anos para ocorrer. É importante frisar que existem 24 decisões pendentes no Órgão de Apelação.
Mesmo assim, a Índia optou por um caminho que, na prática, significa que ela não aceitará reformar seus subsídios. O governo indiano sustenta que o protecionismo serve para atender às preocupações de subsistência de milhões de agricultores de baixa renda.
Durante uma reunião em Genebra, Brasil, Austrália e Guatemala tomaram a palavra para elogiar as conclusões da OMC de que o preço mínimo de apoio da Índia aos produtores de açúcar foi considerado ilegal, e superou o limite de gastos com apoio que distorce o comércio.
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O Itamaraty disse que as práticas da Índia distorceram os preços do açúcar no mercado internacional, levando a perdas para os produtores em todo o mundo.
O Brasil afirmou ainda estar desapontado com a decisão da Índia de "apelar ao vazio", já que isso não contribui para alcançar uma solução justa para essas distorções e perdas. Na avaliação do governo brasileiro, a ação indiana reflete uma prática que é contrária ao propósito e ao espírito do mecanismo de resolução de disputas.
O gesto de Modi também foi criticado por Canadá, a União Europeia e a Rússia, que indicaram que o "recurso ao vazio" sublinha a necessidade urgente de abordar a reforma da OMC.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Jornalista trava luta para se despedir da mãe, internada na UTI com coronavírus


“Nas estatísticas, minha mãe será mais um número, mas, para mim, ela é minha mãe, e queria apenas poder dizer a ela o quanto a amo”. Nas redes sociais, a jornalista publicou um apelo


A jornalista Silvana Andrade, fundadora da Agência de Notícias Anda, publicou um depoimento comovente nas redes sociais nesta quinta-feira (16).
A publicação de Silvana é um apelo para que os médicos permitam que ela se despeça da sua mãe, internada com coronavírus na UTI do Hospital Português de Pernambuco.
“Eu sei que todos os profissionais de saúde estão sobrecarregados nesta época, mas é preciso pensar num protocolo de despedida. Nas estatísticas, minha mãe será mais um número, mas, para mim, ela é minha mãe, e queria apenas poder dizer a ela o quanto a amo”, diz.
Na Itália, no auge das mortes por coronavírus e com o sistema de saúde em colapso, uma campanha para que pacientes terminais pudessem dizer adeus aos familiares comoveu o país.
Silvana foi entrevistada pelos jornalistas Fábio Pannuzio e Florestan Fernandes. Também participaram da conversa com ela o economista Eduardo Moreira e o historiador Jesse Souza (vídeo abaixo).
A seguir, a íntegra do apelo de Silvana Andrade:
Em nome do mais Sagrado, leiam meu apelo.
Minha mãe está internada na UTI do Hospital Português de Pernambuco, no Recife, há 14 dias, após contrair Covid -19 no próprio hospital. Ela está sedada e entubada. Os médicos não acreditam que ela possa sobreviver. Diante do quadro crítico dela, eu solicitei que fosse feita uma chamada de vídeo para que pudesse ver minha mãe e me despedir dela virtualmente.
Em todo o mundo estão dando esse direito humanitário aos familiares de pacientes com coronavírus.
Mas a princípio me negaram e depois de insistir disseram que poderia fazer uma chamada comum. Como assim? Como terei certeza de que ela estará ouvindo e por que não posso ver minha mãe? O celular é o mesmo para ligação com vídeo ou sem vídeo.
A chamada pode ser feita pelos assistentes sociais dos hospitais, não estou pedindo isso aos médicos ou enfermeiros.
Há um mês meu pai faleceu no mesmo Hospital Português. Um dia antes, os médicos ligaram para nos avisar. Toda a família teve tempo de se despedir dele.
A situação agora é a mesma e não entendo porque a dificuldade de fazer uma chamada de vídeo. De dizer o quanto amo minha mãe olhando para ela.
Deveria ser um protocolo simples e humanitário de todos os hospitais. Temos o direito à despedida. Quem sabe o paciente ao ouvir a voz dos seus familiares possa inclusive melhorar? Pais, filhos, maridos e esposas, avós têm o direito natural de se despedirem de seus entes amados. Negar isso é crueldade. Um dia no futuro isto será considerado uma vergonha, um ato violento, sem consciência.
Não precisamos tornar esta pandemia ainda mais cruel do que já é. Aliás, precisamos com ela nos tornar mais humanos. Esta é a grande lição que temos que aprender.
Eu e todos os familiares de paciente com Covid-19 precisam e querem se despedir. E isto não custa nada aos hospitais, apenas humanidade.
O post teve quase 4 mil reações e mil comentários. Ontem, por liberalidade de um médico, ela conseguiu se despedir da mãe, com uma chamada por vídeo. Foram cerca de dois minutos de fala.
Silvana teve esse conforto em dias muito difíceis, que continuarão difíceis. Mas quantas outras pessoas não conseguem exercer o direito de despedida?
Está na hora de pensar de fato em um protocolo para situações desse tipo, alguém que possa conectar a família ao doente, em seus últimos momentos de vida.
A jornalista publicou uma atualização após o apelo inicial:
VÍDEO:

sábado, 11 de abril de 2020

Carreata bolsonarista para Paulista, trava ambulâncias e chama Doria de comunista


Apoiadores de Jair Bolsonaro dão novas provas de irracionalidade e falta de empatia ao impedir o trabalho de ambulâncias e dar declarações sem nenhum sentido lógico. Vídeos


Apoiadores de Jair Bolsonaro participaram de uma carreata pelas ruas da cidade de São Paulo na tarde deste sábado, 11, para protestar contra as medidas de isolamento social adotadas pelo governador João Doria contra o avanço da pandemia de coronavírus. 


Com bandeiras do Brasil, e algumas dos Estados Unidos, os bolsonaristas pararam o trânsito na avenida Paulista, atrapalhando inclusive o tráfego de ambulâncias. 
De dentro dos seus carros os manifestantes, vários deles usando máscaras cirúrgicas, imitavam armas com as mãos, gritavam "fora Doria" e bordões contra o comunismo como "nossa bandeira jamais será vermelha".
Confira vídeos: 

Bolsonaro e seus eleitores são assassinos!


Pararam 3 ambulâncias na avenida Paulista em plena pandemia, no Estado mais atingido do Brasil! @jdoriajr manda a polícia lá!


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