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quarta-feira, 1 de junho de 2022

Sinal de rádio de estrela é descoberto em 'cemitério' estelar de nêutrons

 


Uma equipe de astrônomos descobriu uma estrela incomum de nêutrons nas ondas de rádio provenientes da constelação da Vela, no hemisfério celestial sul.

Os sinais repetitivos, interceptados pelo radiotelescópio MeerKAT, localizado na África do Sul, chegam à Terra a cada 76 segundos, completando sua rotação neste lapso, informou a Universidade de Sydney, na Austrália.
Inicialmente, a estrela foi detectada a partir de um único pulso que durou aproximadamente 300 milissegundos.
Posteriormente, imagens simultâneas e consecutivas do céu no espectro de rádio confirmou que estes pulsos eram múltiplos, e que o ritmo de sua rotação tinha um valor único em sua classe.
Estrela de nêutron - Sputnik Brasil, 1920, 06.04.2022
Sociedade e cotidiano
Cientistas apresentam teoria sobre novo tipo de estrela de nêutrons 'magneticamente supermassiva'
Geralmente, os pulsos das estrelas de nêutrons duram entre 20 e 30 milissegundos. Por sua vez, os 76 segundos atribuídos ao novo objeto, designado como PSR J0941-4046, eram uma velocidade de rotação lenta para um pulso.
O conjunto de dados coletados indicou uma classe completamente nova de emissores de radiofrequências, que seria outra variedade de estrelas de nêutrons de período ultralongo.
Além disso, o objeto chamou a atenção por se encontrar em um "cemitério" de estrelas de nêutrons, uma área próxima ao sistema binário Vela X-1.
A idade estimada do estranho pulsar é de cerca de 5,3 milhões de anos e parece produzir pelo menos sete formas de pulso diferentes, enquanto a maioria das estrelas de nêutrons não exibem variedade comparável, revela o estudo.

domingo, 30 de janeiro de 2022

Eletricidade é gerada a partir do vazio ao recriar força cósmica de estrelas de nêutrons no grafeno

 


A descoberta pode ajudar no desenvolvimento de futuros equipamentos eletrônicos baseados em materiais quânticos bidimensionais.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Manchester conseguiu gerar eletricidade a partir do vazio ao recriar a força cósmica de estrelas de nêutrons no grafeno.
Supõe-se que o vazio é um espaço sem matéria ou partículas. No entanto, o ganhador do prêmio Nobel Julian Schwinger previu, há 70 anos, que os campos elétricos ou magnéticos intensos podem rompê-lo e criar espontaneamente partículas elementares.
Além disso, este chamado "efeito Schwinger" é um processo elusivo que normalmente ocorre apenas em eventos cósmicos.

Para ser realizado são precisos campos de força cósmica, como os gerados em torno dos magnetares, um tipo raro de estrelas de nêutrons, ou que são criados transitoriamente durante colisões de alta energia de núcleos carregados.
A Lua, satélite natural da Terra - Sputnik Brasil, 1920, 19.01.2022
Sociedade e cotidiano
Quais as razões do magnetismo incomum de rochas lunares coletadas pelas missões Apollo da NASA?
A equipe de físicos liderada pelo Nobel e especialista em grafeno Andre Geim utilizou esta substância para criar dispositivos que permitiram aos pesquisadores obter campos elétricos excepcionalmente fortes em uma configuração simples.
Durante o teste, foi observada claramente a geração espontânea de pares de elétrons e vazios, que são um análogo do estado sólido dos pósitrons, e os detalhes do processo coincidiram com as previsões teóricas.
Por outro lado, os cientistas notaram outro desenvolvimento incomum sem análogos com a física de partículas e astrofísica.
Eles preencheram seu vazio simulado com elétrons e os aceleraram à velocidade máxima permitida pelo vazio do grafeno. Nesse ponto ocorreu algo aparentemente impossível, os elétrons se tornaram superluminosos, proporcionando uma corrente elétrica superior à permitida pelas leis gerais da física quântica da matéria condensada.
A pesquisa, publicada na revista Science, pode ajudar no desenvolvimento de futuros dispositivos eletrônicos baseados em materiais quânticos bidimensionais.

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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Após 20 anos, mistério do incomum sistema estelar de nêutrons é revelado graças a 10 mil voluntários

 


Ao fim de duas décadas, uma equipe de pesquisa internacional identificou uma fonte galáctica misteriosa de raios gama: uma estrela de nêutrons maciça, e sua companheira de massa inferior orbitando-a.

A nova pesquisa, publicada nesta sexta-feira (23) no Astrophysical Journal Letters, foi possível graças à assistência computacional de cerca de 10 mil voluntários. Usando novos métodos de análise de dados executada em cerca de 10 mil placas gráficas no distribuído projeto de ciência cidadã, Einstein@Home, a equipe identificou a estrela de nêutrons através de seus raios gama graças ao satélite Fermi da NASA.

Surpreendentemente, a estrela de nêutrons é completamente invisível nas ondas de rádio. O sistema binário foi caracterizado com uma campanha de observação em todo o espectro eletromagnético e bateu vários recordes, segundo consta no website científico Phys.org

estrela de nêutrons também gira em torno de seu próprio eixo a mais de 30 mil rpm (unidade de medida de rotação por minuto), conferindo-lhe uma das rotações mais rápidas registradas. Ao mesmo tempo, o seu campo magnético é excepcionalmente fraco, quando geralmente estrelas desta natureza têm o campo magnético extremamente forte.

As observações astronômicas de 2014 tornaram possível determinar as propriedades das órbitas da estrela binária. "O fato de uma estrela de nêutrons estar por trás da fonte de raios gama conhecida desde 1999 era considerado provável desde 2009. Em 2014, após observações do sistema com telescópios ópticos e de raios X, ficou claro que se trata de um sistema binário muito compacto. Mas todas as pesquisas sobre a estrela de nêutrons em si têm sido em vão", diz o coautor do estudo, dr. Colin Clark, do Observatório Jodrell Bank da Universidade de Manchester.



© AP PHOTO / NASA, JPL-CALTECH
Um pulsar - estrela de nêutrons muito pequena e muito densa

Para provar inequivocamente a existência de uma estrela de nêutrons, não basta analisar apenas suas ondas de rádio ou raios gama, é também necessário detectar suas pulsações características. A rotação da estrela de nêutrons causa esse piscar regular, semelhante ao piscar periódico de um farol distante. Deste modo, a estrela de nêutrons é chamada de "pulsar de rádio" ou de raios gama, respectivamente.

"Em sistemas binários como o que descobrimos agora, os pulsares são conhecidos como 'viúvas-negras', pois, assim como as aranhas de mesmo nome, 'devoram' os seus parceiros." Mais concretamente, "o pulsar vaporiza seu companheiro com sua radiação e uma partícula de vento, enchendo o sistema estelar com plasma impenetrável às ondas de rádio."

"Este foi o primeiro pulsar viúva-negra a ser descoberto graças à colaboração entre o Jodrell Bank e o Instituto Albert Einstein, mas há vários sistemas binários 'viúvas-negras' como este. No Jodrell Bank, o nosso grupo está monitorando com telescópios ópticos para localizar seus períodos orbitais com a precisão necessária para pesquisas de pulsação de raios gama, para assim identificá-los com assertividade. Temos esperança de que esta seja a primeira de muitas dessas descobertas", comenta o dr. Clark.

Em uma etapa posterior da pesquisa, foram estudados os dados das duas primeiras execuções de observação dos detectores LIGO (detectores de ondas gravitacionais por interferômetro a laser) avançados para possíveis ondas gravitacionais que a estrela de nêutrons emitiria se fosse ligeiramente deformada. Porém, infelizmente, mais uma vez a busca não teve sucesso.

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