Total de visualizações de página

Leitores online

Mostrando postagens com marcador negócio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador negócio. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 31 de março de 2021

TCU diz que Petrobrás vendeu refinaria a preço abaixo do mercado e pode suspender o negócio

 


O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) estimou a Rlam (Bahia) em US$ 3 bilhões. O Tribunal de Contas questiona o valor de US$ 1,65 bilhão fechado com o Mubadala, fundo financeiro dos Emirados Árabes

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Walton Alencar Rodrigues, determinou nesta quarta (31) que as áreas técnicas do órgão entreguem em sete dias um parecer sobre a venda da refinaria Landulpho Alves (RLAM) na Bahia por um valor 45% inferior ao cenário-base calculado internamente pela própria Petrobras.

Ministros da corte de contas criticaram a pressa da Petrobras em fechar o negócio e chegaram a alertar que uma tentativa de driblar o controle externo poderá levar à responsabilização de membros da diretoria executiva da estatal.

O ministro Rodrigues afirmou que há “risco de iminente de conclusão do negócio, mesmo antes que este tribunal possa debruçar-se sobre a matéria”, o que representa “possível prejuízo ao interesse público”.

Ficou determinado que as áreas técnicas do TCU terão sete dias úteis para apresentar uma “análise conclusiva a respeito da necessidade ou não de medida cautelar para suspensão da alienação”, afirmou.

O ministro afirma que um cenário-base da Petrobras precificou a RLMA em US$ 3,04 bilhões. A venda para a Mubadala Capital, fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, foi fechada e aprovada pela diretoria e conselho da Petrobras por um preço 45% inferior, de US$ 1,65 bilhão. O contrato foi assinado em 24 de março.

Ainda segundo o ministro, esse cenário-base foi elaborado em 2020 e já levou em conta a evolução da pandemia de covid-19, que entra em seu segundo ano. O valor de US$ 3,04 bilhões foi alcançado sem a incorporação de um viés otimista ou pessimista, explicou.

“Esclarecendo que tem havido uma agilização extremamente enfática do procedimento por parte da Petrobras, para concluir a questão antes da conclusão do procedimento no âmbito do controle externo”, afirmou Rodrigues.

A Petrobras já encaminhou ao TCU as informações que embasaram a aprovação da venda por US$ 1,65 bilhão, mas pode voltar a se manifestar no prazo de sete dias, se julgar conveniente.

“Devemos tomar todas a providencias devidas, em vista da importância desse procedimento”, afirmou o ministro relator.

Diretoria terá responsabilidade por venda, diz Bruno Dantas

O ministro Bruno Dantas completou que a diretoria da Petrobras está sujeita a punições.

“Um alerta que a questão se encontra sob análise urgente do tribunal e, evidentemente, se a Petrobras concluir o negócio nesse prazo de sete dias, os seus diretores executivos se sujeitarão às responsabilidades que forem extraídas da apreciação que o TCU vier a fazer”, disse.

Bruno Dantes ponderou que a suspensão imediata da venda da RLAM teria impactos negativos na Petrobras e no mercado, o que justifica a decisão de manter a venda de pé durante o período de análise do TCU.

“Mas é preciso também que a Petrobras saiba que, como o tema está sujeito a uma apreciação urgente do TCU, caso eles desejem assumir o ônus de assinar os documentos e vender essa refinaria antes do prazo da corte, também estarão sujeitos às responsabilidades”, disse Dantas.

Petrobras defendeu decisão

Em comunicados para investidores publicados a semana de 24 de março, quando foi assinado o contrato com a Mubadala, a Petrobras afirmou que a venda respeitou a “faixa de valor” prevista, além de ter sido apoiada pela a avaliação de consultores externos.

“O desinvestimento da RLAM contou com fairness opinions dos bancos Citibank, Rothschild e Santander, pareceres técnicos da consultoria global IHS-Markit e da Fundação Getulio Vargas e parecer jurídico do Dr. Francisco Costa e Silva, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários e especialista em Direito Societário”, comunicou à época.

O termo “fairness opinion” é usado no mercado de fusões e aquisições para explicar a posição de consultores externos independente, que opinam sob as operações.

No caso de empresas de capital aberto, a decisão final sobre esse tipo de liquidação de ativos cabe aos conselhos de administração e, como a Petrobras é uma empresa de economia mista controlada pela União, está sujeita aos órgãos de controle externo, como o TCU.

“Em todos os processos de venda de ativos a Petrobras estabelece uma faixa de valor que norteia a transação e considera as características técnicas, de produtividade e o potencial de geração de valor do ativo em diferentes cenários corporativos de planejamento”, afirmou a empresa.

Segundo o mesmo comunicado, a revisão dos cenários corporativos foi feita em 25 de novembro de 2020 e levou em conta as premissas de planejamento para quinquênio 2021-2025, como projeções do preço do petróleo tipo Brent, das margens de refino e da taxa de câmbio

Além disso, a Petrobras atribui a venda da RLAM à resolução 9/2019 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e ao acordo firmado com o Cade para liquidar cerca de metade da sua capacidade de refino.

“Hoje é um dia muito feliz para a Petrobras e o Brasil. É o começo do fim de um monopólio numa economia ainda com monopólios em várias atividades”, disse Roberto Castello Branco no dia da assinatura do contrato.

Ele será substituído pelo general da reserva Joaquim Silva e Luna, por decisão do presidente Jair Bolsonaro, tomada em um momento de alta nos preços dos combustíveis.

Por Gustavo Gaudarde, do site epbr

sábado, 18 de abril de 2020

Exclusivo: Como deputado estadual e hoje senador bolsonarista, Major Olímpio fez do gabinete dele um negócio de família e contratou até sogro e sogra

Major Olímpio (SP). Foto: Divulgação/Senado


Por Caique Lima
No ano passado foi revelado pela Crusoé que Major Olimpio emprega três pessoas da mesma família em seu pessoal de gabinete no Senado Federal, mas a prática não é de agora e não ocorre somente em seu cargo federal, segundo dados obtidos da Assembleia Legislativa de São Paulo via Lei de Acesso à Informação.


Niomar Cyrne Bezerra e Myriam de Abreu Bezerra, respectivamente pai e mãe de Claudia Regina de Abreu Bezerra Olimpio Gomes, esposa do Major Olímpio, ocuparam o cargo de Assessor Especial Parlamentar no gabinete do então deputado estadual, hoje senador.
À época, Olimpio era deputado estadual pelo PV em São Paulo e empregou o sogro por menos de um ano (28/03/20017 – 06/01/2008) e, 15 dias depois, a sogra por cerca de 7 meses (21/01/2008 – 30/08/2008).


Dias antes do desligamento dela (21/08/2008) foi criada a 13ª súmula vinculante do STF, que proíbe nepotismo nos Três Poderes, seja no âmbito da União, dos estados ou dos municípios.
Segundo a súmula, configura nepotismo “a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau”.
Niomar e Myriam são parentes de Olimpio por afinidade, em linha reta, de 1º grau.
Mas, mesmo após a súmula, um familiar de Claudia continuou no gabinete da Alesp. 
Viviana Gianesella é prima da esposa de Olimpio e esteve por quase oito anos como Auxiliar Parlamentar no gabinete e hoje é sua Assistente Parlamentar e recebe R$ 11.471,87 no Senado.
Da esquerda para a direita: Vivian Costa, a quem Claudia chama de “tia”; Claudia Bezerra, esposa de Olimpio; e Viviana Gianasella, que chama Vivian de “mãe”

Primos de cônjuges são parentes por afinidade em linha colateral.
Cabide de empregos para famílias:
Além de sua benevolência de empregar familiares da esposa, Olimpio também ajudou a sustentar outras famílias.
Mas, para evitar problemas envolvendo nepotismo, pessoas da mesma família, apesar das formações distintas, revezavam o mesmo cargo:
Roberta Salituri da Costa Athayde e Sergio Roberto da Costa Athayde

Sergio Roberto Athayde se formou com Olimpio em 1982 na Academia de Polícia Militar do Barro Branco.
Sua esposa, Roberta Salituri, ingressou no gabinete do Major em 27/03/2007 e trabalhou por um ano e meio (09/04/2010 – 25/10/2011) com o marido.
Ela ainda trabalhou por mais dois anos no gabinete e depois revezou a vaga com Sergio: em 18/12/2013, ela deixou o gabinete e deu lugar ao marido, que um dia depois (19/12) passou a integrar o pessoal de gabinete.
Curiosamente, cerca de um ano depois (21/12/2014), Sergio deixou o gabinete e Roberta voltou ao cargo, em 22/12/2014.
Mas, no tempo em que estavam fora do gabinete do deputado, não ficavam desempregados tampouco distantes da Alesp: eles também revezavam o cargo de Assessor Chefe de Gabinete de Liderança do PDT (Olimpio era líder).
Carlos Alberto Ires de Jesus e Eloisa Aparecida Ires de Jesus



Carlos Alberto Ires de Jesus é um ex-PM condenado por torturar um padeiro em 2002 que foi Agente de Segurança Parlamentar no gabinete de Olimpio entre 2008 e 25/07/2012.

Sua esposa, Eloisa Aparecida Ires de Jesus, assumiu o cargo de Assistente Parlamentar no gabinete 5 dias após a saída do marido, em 30/07/2012.
Rodolfo Walter Seddig e Barbara Cristina Maximino Seddig


Rodolfo Walter Seddig ou “alemão”, “querido amigo” de Olimpio, é atualmente secretário de esportes de Presidente Venceslau (SP), mas foi Assistente Parlamentar por 4 meses do deputado.
Ele deixou o gabinete em 24/06/2012, dando a vaga para Barbara Cristina Maximino Seddig, sua esposa, que assumiu 5 dias depois (29/06) e só deixou o cargo em 2015.
Ailton Soares e Simone de Castro Soares

Ailton Soares foi assistente técnico parlamentar por mais de 7 anos (2007-2014) no gabinete de Olimpio. Dois dias após sua saída do gabinete, a esposa Simone de Castro Soares assumiu o mesmo cargo, no qual ficou até 2015.

Ricardo Jacob, PM em SP, foi assessor parlamentar de Olimpio por menos de um ano. Dez dias após sua saída em 06/01/2008, a esposa, Magaly Nunes Jacob, que é enfermeira, assumiu o mesmo cargo.

Magaly Monte Real e Paulo Troise Voci
Paulo Troise Voci foi Assessor Parlamentar Especial de Olimpio por pouco mais de um ano (2007-2008). Um dia após deixar o cargo, no entanto, foi substituído pela esposa, Magaly Monte Real, que assumiu no dia 03/06/2008.

Adriana Sanches Galdeano Borgo e a filha, Jennyfer Sanches Galdeano Borgo
Adriana Sanches Galdeano Borgo, atual deputada estadual pelo PROS, foi Auxiliar Parlamentar de Olimpio na mesma Alesp do início de 2009 até 10/03/2010, dois dias antes de sua filha, Jennyfer, assumir o cargo em 12/03.
Enquanto deputado estadual, ainda empregou Ana Lídia Brandão, esposa do amigo PM Brandão Junior, por 4 anos, e Huyara Anhaia de Lemos, filha de Marcio Tadeu Anhaia de Lemos (ou Coronel Tadeu), atualmente deputado federal e ex-sócio de Olimpio, por quase 3 anos.
Procurado, o Major Olimpio não respondeu ao pedido de esclarecimento do DCM até a data de publicação desta reportagem.

Minha lista de blogs