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sábado, 14 de agosto de 2021

Enquanto brasileiros pagam gasolina cara, acionistas estrangeiros levam bilhões da Petrobrás com política de Bolsonaro, denuncia Aepet

 


A Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet), em nota publicada em seu portal, afirmou que a política do governo Jair Bolsonaro em relação à Petrobras tem levado a uma evasão bilionária das riquezas produzidas pela estatal petrolífera brasileira, duramente atacada pelo golpe de Estado de 2016, com a Operação Lava Jato e os governos de Michel Temer e Bolsonaro.

Segundo a entidade, “a decisão do Conselho de Administração da Petrobrás de antecipar a remuneração dos acionistas relativa ao exercício de 2021, no valor de R$ 31,6 bilhões é mais um golpe do governo Bolsonaro contra a estatal”, pois, do total, a União receberá R$ 11,6 bilhões, menos da metade. “O restante será distribuído entre os acionistas, majoritariamente estrangeiros”, destaca.

A associação afirma ainda que o valor “é o maior montante de dividendo já pago pela empresa”, o que é “resultado das privatizações e do aumento abusivo dos combustíveis”. Desde o início de 2021, o governo Bolsonaro já aumentou em 46% o preço da gasolina nas refinarias, em 40% o do diesel e em 38% o preço do GLP (gás de cozinha), informa a Aepet.

Governo a serviço dos acionistas

Para atender aos interesses dos especuladores estrangeiros, a direção da estatal mudou, em outubro de 2020, a política de distribuição de dividendos, que poderão ser pagos aos acionistas mesmo se a empresa tiver prejuízo. Desta forma, mesmo com o sucateamento da Petrobras pela política econômica do governo, os acionistas continuarão ganhando dinheiro (que está sendo levado para fora do Brasil, onde é feita a produção).

A antecipação dos dividendos, anunciada pela direção da Petrobras no último dia 4 de agosto, agradou os especuladores, fazendo disparar os DRs (certificados de ações) negociados em Nova York, segundo a Aepet. “Esse aumento especulativo aumenta ainda mais os ganhos dos acionistas que participam da Bolsa de Nova York”, diz a entidade.

“A agitação do mercado americano tem uma razão simples. No total de ações ordinárias, que têm direito a voto nas deliberações da Assembleia Geral da empresa, os acionistas não brasileiros já representam 39,28%, sendo as do estado nacional 50,50%. No total das ações preferenciais, que não têm direito a voto, mas preferência na distribuição de lucros, os não brasileiros detém 44,80% e o governo brasileiro apenas 18,48%”, destaca.

Preço de Paridade de Importação

Segundo a associação, a política de atrelamento dos preços internos dos combustíveis ao mercado externo e ao dólar, instituída por Michel Temer, “mas levada ao extremo na gestão Bolsonaro/Guedes”, apenas serve “para garantir o lucro dos acionistas estrangeiros a qualquer custo”.

Por outro lado, o Preço de Paridade de Importação (PPI) aumenta o custo dos combustíveis para o povo brasileiro, que já sofre com a carestia, a fome, o desemprego e o efeito devastador da pandemia do novo coronavírus.

“Jogam o óleo diesel para R$ 5,00 o litro e a gasolina já atingiu cerca de R$ 7,00 no centro do Rio de Janeiro. O impacto na indústria e nos transportes catapultam a inflação e os brasileiros pagam com a carestia e o aumento generalizado de preços”, ressalta a Aepet, que continua: “tudo isso para manter a atual política de preços que só atende a esses acionistas”.

Os engenheiros lembram que “a Petrobrás tem condições de oferecer seus produtos a preços bem menores sem comprometer seus desempenho em benefício das empresas e dos consumidores”.

Privatização

Contra a privatização da empresa, a entidade lembra que a Petrobrás registrou no segundo trimestre de 2021 lucro líquido de R$ 42,855 bilhões. Segundo o Dieese, só este ano, a Petrobrás já registrou em caixa o equivalente a R$ 14,7 bilhões obtidos com vendas de ativos - sendo que, do total, R$ 11,6 bilhões foram obtidos com a privatização da BR Distribuidora. 

Isto é, lembra a nota, “só a venda da subsidiária vai bancar mais da metade da primeira parcela da antecipação de dividendo que a Petrobrás pretende pagar aos acionistas ainda em agosto”. Um prejuízo enorme, pois o custo da privatização pouco arrecadou para os cofres brasileiros e servirão em grande parte para bancar a ganância dos acionistas.

Portanto, a BR Distribuidora foi privatizada e a mixaria arrecadada pela União será reenviada para fora do país. O governo Bolsonaro entregou a empresa.

Segundo a Petrobras, R$ 21 bilhões de dividendos serão antecipados este mês e a segunda parcela, R$ 10,6 bilhões, será paga em dezembro.

terça-feira, 14 de abril de 2020

Efeitos colaterais levam hospitais da Suécia a interromper uso da cloroquina

HOSPITAL SAHLGRENSKA, NA SUÉCIA - FOTO: DIVULGAÇÃO/SAHLGRENSKA.SE

“Decidimos interromper o uso da cloroquina diante de uma série de casos suspeitos de efeitos colaterais severos”, disse o professor Gisslén


Defendida pelos presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro como uma possível cura para o covid-19, a cloroquina – ou sua variante, a hidroxicloroquina – é indicada para o tratamento da malária, mas tem sido testada em pacientes com coronavírus embora sem comprovação científica da eficácia do medicamento nesses casos.

“Recomendações médicas devem ser feitas por especialistas, e não por políticos”, disse à RFI o médico sueco Magnus Gisslén, professor da Universidade de Gotemburgo e chefe do Departamento de Doenças Infecciosas do Hospital Universitário Sahlgrenska, o maior hospital da Suécia e um dos maiores da Europa.

Todos os hospitais da região de Västra Götaland – incluindo a cidade de Gotemburgo, a segunda maior do país – pararam de administrar a cloroquina em pacientes de Covid-19. Diversos hospitais da capital sueca – entre eles o Södersjukhuset, um dos maiores de Estocolmo – também já anunciaram a suspensão do medicamento.

“Tomamos a decisão de interromper o uso da cloroquina diante de uma série de casos suspeitos de efeitos colaterais severos, sobre os quais tivemos notícia tanto aqui na Suécia como através de colegas de hospitais em outros países”, destacou o professor Magnus Gisslén.

O especialista ressalta que um dos principais efeitos colaterais possíveis da cloroquina é o risco de arritmias e paradas cardíacas, especialmente se administrada em altas doses. Doses excessivas podem ser letais.

“No início da crise do coronavírus, começamos a administrar a cloroquina em pacientes de Covid-19, o que já vinha sendo feito em países como China, Itália e França. Mas diante de suspeitas de que o remédio pode ter efeitos colaterais mais graves do que pensávamos, optamos por não arriscar vidas. Não se pode descartar que o medicamento possa inclusive piorar o quadro clínico do paciente”, observa o médico sueco.

Ele reforça a preocupação de que ainda não há evidências por trás da esperança de que a cloroquina possa ser eficaz no tratamento da Covid-19. “Vamos portanto aguardar até que se possa ter provas mais robustas em torno do uso da cloroquina”, diz Magnus Gisslén.

O jornal sueco Expressen citou o caso de um paciente de coronavírus que teve sua visão afetada após ser tratado com cloroquina no hospital Södersjukhuset, na capital sueca. Segundo o jornal, o hospital prescreveu duas doses diárias de cloroquina para o sueco Carl Sydenhag, de 40 anos, dois dias depois de ele ter sido diagnosticado com o covid-19 no dia 23 de março.

Em seguida, Sydenhag sentiu fortes dores de cabeça e cãibras, e teve sua visão periférica reduzida. Hoje livre dos sintomas do covid-19, Sydenhag diz que se sente muito melhor, embora a visão ainda esteja pior do que o normal.

Defesa da cloroquina
No Brasil, o uso da cloroquina é uma das principais divergências entre o presidente Jair Bolsonaro e o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que tem pedido cautela no uso da cloroquina.

Em pronunciamento transmitido em cadeia nacional na noite de quarta-feira 8, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento do covid-19.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump também se tornou nas últimas semanas um grande defensor da cloroquina no tratamento de infectados pelo coronavírus, mesmo sem estudos conclusivos sobre a eficácia.

De acordo com o jornal New York Times, a posição de Trump pode ser também motivada por interesses pessoais: o presidente americano figura entre os acionistas da Sanofi, indústria farmacêutica que detém a patente da droga.

Ainda segundo a reportagem, um dos principais acionistas da empresa é Ken Fisher, que está entre os maiores doares de campanha para o Partido Republicano de Donald Trump. 

Uso de anestésicos para animais
Nesta sexta-feira, a escassez de medicamentos em consequência da pandemia do coronavírus também levou a Suécia a autorizar o uso de anestésicos utilizados em animais para tratar pacientes internados em unidades de terapia intensiva no país. A mesma medida foi anunciada há poucos dias pelas autoridades da França.

Também comercializado em versão para a medicina veterinária, o Propofol – conhecido pela marca comercial Diprivan – é um agente anestético usado com frequência na sedação de pacientes entubados e ligados a aparelhos em UTIs.

Segundo as autoridades de saúde, o medicamento prescrito para uso veterinário tem a mesma substância ativa e o mesmo efeito do remédio fabricado para humanos.

“Vivemos uma situação extrema, com a explosão de demanda mundial por anestéticos. Devemos portanto tomar medidas extraordinárias que podem ser necessárias”, disse à televisão pública sueca SVT a diretora da Agência de Produtos Médicos da Suécia (Läkemedelsverket), Maja Marklund.

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