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quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Sistema de escrita milenar usado no Irã moderno é decifrado pela 1ª vez

 


Uma língua, chamada Elamita Linear e usada há cerca de 4.000 anos, teria sido decifrada quase na sua totalidade, depois que um pesquisador estudou vasos de prata preservados até hoje.

A antiga língua Elamita Linear, usada no Oriente Médio nos milênios III e II a.C., foi finalmente decifrada, segundo um estudo publicado na revista Zeitschrift fur Assyriologie und vorderasiatische Archaologie.
A língua, e o mais antigo conhecido sistema de escrita puramente fonográfico, surgiu não mais tarde que cerca de 2150 a.C., na cidade de Susa, sudoeste do Irã moderno. No início do século XX, arqueólogos franceses descobriram as primeiras evidências de um sistema de escrita tão ou mais antigo que o sumério, mas apenas foram encontrados 40 documentos do Elamita Linear, todos no Irã.
Ao longo dos anos também foram descobertas centenas de inscrições do Proto-Elamita, que parece ter caído em desuso centenas de anos antes, mas sua relação com o Elamita Linear ainda não foi confirmada.
François Dessert, acadêmico da Universidade de Teerã, realizou uma análise metalúrgica dos vasos de prata do Elamita Linear, "os exemplos mais antigos e completos de inscrições reais de Elamite em cuneiforme", e os descreveu em declarações ao jornal israelense The Jerusalem Post como "prêmio máximo", porque foi com eles que conseguiu decifrar o conteúdo da língua.
Jarro cerâmico (imagem referencial) - Sputnik Brasil, 1920, 16.04.2021
Descoberta mais antiga inscrição de alfabeto desconhecido no Oriente Médio (FOTO)
Isso foi possível devido a pertencerem a duas dinastias e chefes de Estado diferentes, com muito material para comparação. No entanto, o estudo menciona que ainda não conseguiram decifrar quase 4% dos símbolos conhecidos do sistema de escrita.

"Esta é uma das maiores descobertas arqueológicas das últimas décadas. Foi baseada na mesma abordagem da descoberta de Champollion: identificar e ler foneticamente os nomes dos reis", disse Massimo Vidale, um arqueólogo da Universidade de Pádua, Itália, não envolvido na pesquisa, em referência a Jean-François Champollion, um filólogo francês que decifrou os hieróglifos egípcios durante a campanha militar de Napoleão no país entre 1798 e 1801.

"O argumento é claro, coerente e plausível", concluiu Piotr Steinkeller, um assiriologista da Universidade de Harvard, EUA, que está "bastante convencido" pela decifração, a qual saudou igualmente como "uma grande conquista". Manfred Krebernik, especialista em Estudos do Oriente Médio na Universidade de Jena, Alemanha, também considerou o estudo de Desset "convincente na maior parte".

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quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Língua da África Ocidental contém pistas sobre origens e evolução da escrita, revela estudo

 


A escrita evolui para se tornar mais simples e eficiente, de acordo com um novo estudo baseado na análise de um sistema de escrita isolado da África Ocidental.

Os cientistas sabem pouco sobre etapas primárias da evolução da escrita nas civilizações antigas do Oriente Médio, China e América Central, mas o desenvolvimento de um alfabeto moderno no ocidente africano oferece pistas sobre as tendências e como outros alfabetos e sistemas de escrita existentes apareceram.
Segundo comunicou nesta terça-feira (11) a Universidade da Nova Inglaterra, na Austrália, um dos seus antropólogos, Piers Kelly, e os do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana, na Alemanha, realizaram uma análise da escrita do povo Vai, da Libéria. O sistema foi criado "do zero" provavelmente em 1834 por oito pessoas "completamente analfabetas que escreviam com tinta feita de bagas esmagadas".
Antes disso, o idioma Vai nunca tinha sido escrito. Durante 171 anos posteriores à sua criação, suas 200 letras silábicas experimentaram mudanças ano após ano. A tendência-chave dessa evolução pôde ser descoberta graças a certos métodos que permitem quantificar a complexidade visual dos símbolos, que com tempo, acabaram adquirindo uma forma "cada vez mais comprimida", algo que simplifica tanto a leitura como a escrita.

"Os inventores originais se inspiraram nos sonhos para desenhar símbolos individuais para cada sílaba de sua língua. Um representa uma mulher grávida, outro um escravo acorrentado, outros foram feitos de emblemas tradicionais", explica Kelly. "Quando esses símbolos foram aplicados à escrita de sílabas faladas, e depois ensinados a novas pessoas, eles se tornaram mais simples, mais sistemáticos e mais semelhantes entre si."

O antropólogo relembrou também a hipótese comumente reconhecida que as letras evoluíram de desenhos para sinais abstratos, tal como ocorreu com alguns hieróglifos egípcios que acabaram por se tornar símbolos do alfabeto fenício. No entanto, essa não é a tendência mais geral, já que na escritura precoce se encontram também muitas formas de letras abstratas.

A característica comum dos alfabetos em suas fases iniciais seria a sua relativa complexidade, que se reduz com tempo, à medida que nascem novas gerações de escritores e leitores. Isso é certo para a língua Vai, mas a equipe acredita que esta tendência de simplificação e compreensão pode explicar também como se desenvolvia as línguas escritas do passado.

"A complexidade visual é útil se está criando um novo sistema de escrita. Gera mais pistas e maiores contrastes entre os símbolos, o que ajuda aos alunos analfabetos", admite Kelly. "Mas logo essa complexidade se interpõe no caminho da leitura e da reprodução eficientes, por isso, desaparece", resumiu.

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