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segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Anápolis – Grávida morre após pegar covid-19 em chá de fraldas surpresa


Parto foi induzido e a filha passa bem; colega estava contaminada e não sabia


A professora Camila Graciano, 31 anos, que estava grávida de oito meses e morreu com coronavírus em Anápolis (GO), teve contato com uma pessoa infectada dias antes de ser internada.

Com gravidez de risco, Camila ficou em casa tomando todos os cuidados, sem sair durante a pandemia. Mas o irmão Daniel Hélio Ambrósio contou ao G1 GO que a professora teve um chá de fraldas surpresa feito por colegas de trabalho, já na reta final da gravidez.

“Algumas conhecidas dela, amigas do serviço, fizeram um chá de fraldas surpresa, e uma delas estava contaminada e não sabia. Logo depois, ela ficou muito ruim e os familiares avisaram às meninas que participaram do chá. Infelizmente, minha irmã foi uma das infectadas”, diz.

Três dias depois, Camila foi internada às pressas, em meio a dificuldades de encontrar um leito. Anápolis não tinha no momento nenhuma vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Com ajuda de conhecidos, conseguiram um leito na Santa Casa.

Com o estado de Camila agravando, o parto foi induzido para o nascimento da criança, uma menina que passa bem, embora tenha sido prematura. “Está respirando sozinha na incubadora, não precisa de balão de oxigênio”, explica Daniel.

Batizada de Helena, a menina foi a primeira filha do casal. Juntos há sete anos, eles planejavam ter um bebê há muito tempo.

Depois do parto, Camila chegou a ter uma melhora, mas na sexta-feira (21) a situação voltou a se agravar e a professora faleceu no sábado.

Fonte: Correio

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Vítima de coronavírus, técnico em enfermagem tinha medo de pegar a doença

Tiago Andrade da Silva

Apaixonado por corridas de longa distância, técnico em enfermagem de 35 anos vítima de Covid-19 tinha "medo de pegar a doença da peste". Antes de adoecer e de ser afastado, ele lutou muito para cuidar de todos em UTI. Esposa e amigos fizeram relatos comoventes


Tiago Andrade da Silva, de 35 anos, morreu em Jundiaí (SP) na madrugada do último domingo (19) vítima de coronavírus. A morte do técnico em enfermagem comoveu familiares e colegas, que o descreveram como uma pessoa muito querida, solidária e de coração enorme.

Colegas de trabalho inundaram as redes sociais com homenagens ao rapaz, que trabalhava no Hospital São Vicente de Paulo. “Ele lutou muito para cuidar de todos”, diz Derick de Lima Dias, que também é técnico em enfermagem.

Tiago estava internado desde o último dia 6 de abril e é o segundo funcionário do hospital com morte confirmada decorrente da pandemia de Covid-19.

“Era o sonho dele [Tiago] trabalhar na Unidade de Terapia Intensiva, queria ajudar muitas pessoas”, conta Derick, ao lembrar que cada paciente era tratado pelo colega como se fosse alguém da família.

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, Tiago compartilhava com os colegas de trabalho a preocupação em ficar doente. “Ele chamava a doença de ‘peste’, não queria ficar doente de jeito nenhum. Ele se preocupava com todo e qualquer caso que chegava aqui no hospital”, disse Derick.

No final de março, começou a apresentar alguns sintomas. “Ele disse pra mim: peguei essa coisa”, recorda Derick.

Em 6 de abril, foi internado. Consciente, recebeu o diagnóstico da covid-19 após um teste rápido. Sabia que a batalha seria difícil. Os sintomas evoluíram rapidamente. A pneumonia se espalhou pelos pulmões. Ele não resistiu.

Após a confirmação da morte de Tiago, outros profissionais da unidade pararam as atividades por um minuto, se concentraram numa área interna e aplaudiram o técnico em enfermagem.

Vídeo abaixo:
O Hospital São Vicente de Paulo divulgou uma nota lamentando a morte. “Tiago exercia com dedicação suas atividades na unidade hospitalar. Diante deste momento difícil, o HSV tem manifestado solidariedade e apoio à esposa, familiares e amigos”.
O prefeito de Jundiaí, Luiz Fernando Machado, também publicou uma mensagem nas redes sociais. “Os números divulgados pelos boletins epidemiológicos tem nomes e famílias. O de hoje, foi de um dos colaboradores da saúde, que são verdadeiros heróis em meio à pandemia”, afirmou.
A esposa de Tiago, Ana Paula Dourado, fez um relato emocionado ao companheiro. “É para tentar fazer mais essa travessia eu vou exercitar a gratidão. Gratidão por tudo o que vivemos principalmente neste último ano, as lutas, risadas, lágrimas, sonhos, cuidados e todo amor e respeito que dedicamos um ao outro”, publicou

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Denunciado em Haia, Bolsonaro pode pegar até 30 anos de prisão


Oficialmente denunciado como potencial autor de crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional de Haia, Bolsonaro pode ser condenado a até 30 anos de prisão. Corte tem poder de detenção em solo internacional, conforme tratado assinado pelo Brasil


Do Brasil de Fato - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pode ser condenado a até 30 anos de prisão caso o Tribunal Penal Internacional (TPI) entenda que ele cometeu crime contra a humanidade ao criar confusão pública sobre o novo coronavírus.
“Reunimos uma série de informações demonstrando que as ações do Jair Bolsonaro se enquadram nesse tipo penal, colocam em risco a saúde da população brasileira de maneira muito grave. A procuradora vai avaliar se é o caso ou não de dar andamento e transformar essa representação em uma denúncia”, explica o advogado Nuredin Ahmad Allan, membro da Executiva Nacional da ABJD.
Segundo o jurista, a representação internacional foi necessária porque todas as alternativas jurídicas dentro do país foram esgotadas.
“No caso do Jair Bolsonaro, cinco procuradorias regionais apresentaram um memorando ao [procurador-geral da República] Augusto Aras, pedindo para que ele recomendasse ao presidente que passasse a adotar e a verbalizar orientações oficiais da OMS e do Ministério da Saúde.
Ou seja, que ele parasse de fazer o que estava fazendo. A posição do Aras, que é o único que pode levar adiante qualquer tipo de procedimento contra o presidente, foi de arquivar o pedido”, relatou Allan.
Não há previsão de julgamento do presidente brasileiro pelo TPI. Em caso de condenação, a prisão é feita dentro do país. “Costuma demorar, justamente por ser um tribunal internacional. Quando vão casos concretos de outros países, o cuidado é muito grande, porque o tribunal não conhece a realidade de todas as situações”, ressalta o advogado.
Assista a entrevista com um dos autores da denúncia, o advogado Ricardo Franco, que explica, da Espanha, os detalhes dos desdobramentos da denúncia:
Brasil 247 

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