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terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Mega da Virada: matemático revela chances de levar o prêmio de R$ 450 milhões para casa

 


Com a maior premiação da história do concurso, a Mega da Virada deste ano sorteará R$ 450 milhões em 31 de dezembro. Em conversa com a Sputnik Brasil, especialistas falam sobre as chances de vencer o prêmio e sobre a popularidade dos sorteios de fim de ano no Brasil e na América Latina.

As loterias são amplamente populares não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina. As apostas são feitas ao longo de todo o ano, mas nas festividades de dezembro elas ganham uma adesão especial, tornando-se quase um ritual.
Familiares, amigos e colegas de trabalho se unem em bolões na esperança de acertar os números sorteados e obter o bilhete premiado capaz de tornar real a máxima "Ano novo, vida nova". Além de alimentar sonhos, as apostas são uma forma de confraternizar e estreitar laços.
No Brasil, as apostas para a Mega da Virada começaram no último dia 16, com o prêmio estimado em R$ 450 milhões, o maior da história das loterias da Caixa Econômica Federal.
Como de costume, o valor não será acumulado ao fim do sorteio. Se ninguém acertar os seis números, o prêmio será dividido entre aqueles que acertaram cinco números, e assim por diante.
Movimentação em loteria de São Paulo (SP) no dia 31 de dezembro para Mega da Virada - Sputnik Brasil, 1920, 14.12.2022
Movimentação em loteria de São Paulo (SP), no dia 31 de dezembro, para a Mega da Virada. Foto de arquivo
A tentação de ficar milionário da noite para o dia é grande. Entretanto, segundo os cálculos do matemático Diego Viug, a melhor chance daqueles que estiverem dispostos a concorrer pelo prêmio é de 1 em 1.292.
Para isso, o apostador terá que desembolsar cerca de R$ 175 mil para jogar 20 dezenas, número máximo de aposta por cartela.
O valor da aposta simples, com seis números, custa apenas R$ 4,50, mas as chances de vencer são de 1 em 50.063.860. A conta é simples: quanto mais números marcar, maior o preço da aposta e maiores as chances de faturar o prêmio mais cobiçado do país.
Para jogar a Mega da Virada, basta marcar de 6 a 20 números entre os 60 disponíveis na cartela. O apostador ainda pode deixar que o sistema escolha os números, em uma aposta que ficou conhecida popularmente como "surpresinha".
Segundo Diego Viug, para acertar a quina e a quadra, o cálculo é um pouco menos intuitivo, "pois quem acerta as seis dezenas também ganha a quina e a quadra, assim como quem acerta cinco dezenas também acerta quatro".
Vale lembrar que o dinheiro da Mega da Virada já vem limpo, ou seja, com o Imposto de Renda descontado. É só passar nas agências da Caixa Econômica e correr para o abraço.

Apostas trazem esperança de mudança de vida

O argentino Pablo Figueiro, mestre em sociologia econômica, explica à Sputnik Brasil que "existe toda uma indústria de loterias, em torno das datas de Natal, Ano Novo e Dia de Reis". Segundo ele, o motor propulsor dessa indústria é a esperança de mudar de vida por meio de uma aposta de valor acessível.

"São bastante acessíveis a um custo muito baixo, por isso sempre foram uma prática popular, principalmente em datas significativas", explica Figueiro.

Ele acrescenta que com as apostas "o lugar de esperança na vida social é posto de volta à mesa", e os apostadores passam a fantasiar e especular o que farão com o grande prêmio. Nessa linha, as apostas representam uma espécie de "salvação".
"Os jogadores fantasiam não ter de trabalhar mais, poder dizer o que se pensa ao patrão, ir viver em outro país ou começar um projeto."
Nesse contexto, a busca pela salvação econômica por meio da sorte tem um apelo especial nas camadas mais populares, com poucos recursos para lidar com a vida. "A sorte ocupa um lugar mais importante [nessas camadas] porque, justamente, é o último recurso ao qual recorrer", explica Figueiro.
Segundo ele, também há uma dimensão simbólica nas apostas. "Os números têm uma virtude muito particular: representam sempre outras coisas". Por isso, "os jogadores os definem com base nas suas situações do dia-a-dia, nos seus sonhos, nas suas experiências".

Quanto valem os prêmios em outros países da região?

Na Colômbia, o chamado Sorteio Extraordinário de Natal ofereceu neste ano, em 9 de dezembro, prêmios de até 20 milhões de pesos colombianos (cerca de R$ 22 mil);
Na Argentina, o Gordo de Natal, marcado para ser sorteado em 23 de dezembro, vai pagar 115 milhões de pesos argentinos (cerca de R$ 3,5 milhões);
No Uruguai, o Gordo de Réveillon, que será sorteado no dia 30 de dezembro, vai pagar 160 milhões de pesos uruguaios (cerca de R$ 22 milhões);
Na Bolívia, a Loteria de Natal, com sorteio marcado para 28 de dezembro, oferece um prêmio de 500 mil pesos bolivianos (cerca de R$ 384 mil);
No Chile, o Kino sorteia ao longo de todo mês de dezembro carros e prêmios de um milhão de pesos chilenos (cerca de R$ 6.200).

Lucro para o Estado

Mas não são apenas os ganhadores das apostas que lucram com as loterias de fim de ano. Os valores pagos também funcionam como uma forma de arrecadação para os Estados.
Cada país tem uma taxa tributária em cima do montante. México, Peru e Brasil têm as menores alíquotas, com 7%; 10% e 13,8%, respectivamente. No Chile, o imposto sobe para 17% e na Colômbia a alíquota chega a 20%.
O maior percentual é cobrado pela Argentina, que impõe uma taxa tributária de 31% sobre o total ganho.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Mega da Virada: é possível levar os R$ 350 milhões para casa e ainda ir à falência?

 


A esperança de mudar de vida do dia para noite é anualmente alimentada pelo último sorteio das lotéricas no ano. Com a ajuda de dois especialistas, a Sputnik Brasil foi descobrir se é possível levar os R$ 350 milhões para casa e ainda ir à falência.

Com a chegada do fim do ano, a Mega da Virada, que sorteará R$ 350 milhões, é a última esperança para os brasileiros ingressarem em 2022 como os mais novos milionários do país. A exemplo de outras edições, se não houver ganhadores na faixa principal, com acerto dos seis números, o prêmio será dividido entre aqueles que acertaram cinco números, e assim por diante.
Embora R$ 350 milhões pareça uma quantia interminável de dinheiro, há casos de pessoas no Brasil que ganharam quantias exorbitantes e depois perderam tudo. A educação financeira é assim: as pessoas só parecem se importar com ela quando enfim reconhecem que estão perdendo dinheiro, e dali para frente, o retorno para o status onde estiveram é muito difícil.
Cartão da Mega Sena sendo preenchido - Sputnik Brasil, 1920, 29.12.2021
Cartão da Mega Sena sendo preenchido. Foto de arquivo
Para Leonardo Trevisan, professor da ESPM ouvido pela Sputnik Brasil, existe uma razão pela qual as pessoas apostam em loterias: e é justamente "porque elas tem carências em torno de sua educação financeira".

O professor explicou que uma pesquisa da universidade de Oxford, no Reino Unido, resumiu essa análise. O estudo mostrou que toda pessoa que ganha mais de 20 mil libras mensais (pouco mais de R$ 153 mil), ganha uma quantia que atende tudo o que ela quer fazer. Isso, porém, "não garante felicidade. Quando você faz tudo o que você quer, resta um vazio sobre as suas pretensões". O professor apontou que "existe um teto para a felicidade".

Por que educação financeira é tão importante?

Mas por que, então, a educação financeira é tão importante? Muitos acreditam que uma boa educação financeira serve para gerar riqueza e milhões reais em suas contas. Esse é o engano. O objetivo da educação financeira é poder de encurtar o caminho para a felicidade. Parece algo simples, mas esse ponto é relevante para determinar-se quais sonhos realmente valem a pena.
Leonardo Trevisan afirmou à Sputnik Brasil que alguns núcleos educacionais no país e algumas áreas do governo federal estão se preocupando com o tema. Ele disse que não é o tamanho do salário que define quem tem maior educação financeira.

"O que faz com que a pessoa gaste bem o que ganha é a educação. E isso significa ter racionalidade e principalmente imaginar que o amanhã também tem custo. Nós temos que entender, de algum modo, que os gastos tem um limite", comentou.

Tratando-se de Mega da Virada e dos valores envolvidos, o brasileiro parece desconhecer os limites para a "gastança" de dinheiro. Sempre às vésperas do sorteio, as redes sociais são inundadas de publicações e piadas com comentários sobre como gastar o prêmio sorteado.
Algumas publicações remontam à história de Antônio Domingos, que ganhou R$ 30 milhões na loteria e viveu como se não houvesse amanhã, e invariavelmente é relembrada nesta época do ano por alguns canais de televisão no Brasil. Antônio Domingos foi morar em um hotel de luxo, gastou o que não podia em festas, e atualmente sobrevive como flanelinha.

Brasileiros milionários que perderam tudo

Em 1983, uma loteria no estado do Amapá entregou um prêmio de R$ dois milhões para Jesus da Silva Fonseca. O vendedor de picolé não investiu seu prêmio. Quando viu que seu dinheiro já estava no fim, precisou voltar a trabalhar como antes. O dinheiro foi usado em viagens, festas e até mesmo em um encontro para conhecer a atriz Rita Cadillac.
Outro caso emblemático é o de Cida Santos, da quarta edição do BBB (programa de televisão no Brasil). Ela foi a vencedora do reality show em 2004 e levou para casa prêmios e contratos de publicidade que somavam quase R$ 700 mil. O dinheiro, no entanto, acabou após ser emprestado para amigos e investido em uma casa no bairro do Recreio, no Rio de Janeiro.
Movimentação em loteria de São Paulo (SP) no dia 31 de dezembro para Mega da Virada - Sputnik Brasil, 1920, 29.12.2021
Movimentação em loteria de São Paulo (SP) no dia 31 de dezembro para Mega da Virada, em 2019. Foto de arquivo
Há outros casos que também são conhecidos: Antônio Donizeti, em 1977, ganhou R$ 6,3 milhões, mas montante foi consumido em apenas três anos, com empréstimos feitos a amigos e familiares que nunca o pagaram. Já Nivaldo dos Santos, em 1972, gastou seu prêmio (também de cerca de R$ 6 milhões) com extravagâncias, como fretar aviões e levar amigos para assistir partidas de futebol pelo Brasil.
Finalmente, um dos casos mais conhecidos no país: o do catador de latinhas Alvino Ferreira. Em 1971, Alvino fez uma única aposta e embolsou meio milhão de reais, quantia assustadoramente alta para época. Em seis anos, a fortuna havia sido gasta maus empreendimentos e projetos que não prosperaram. Após perder tudo, ele foi obrigado a voltar a trabalhar como catador de latinhas.

A palavra-chave é... Investimento

Em comentário enviado à Sputnik Brasil, Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), afirmou que "embora a situação seja de euforia [após uma vitória no sorteio], é preciso cautela".

"Há pessoas que se tornam viciadas em apostar, o que, ao invés de ajudar, atrapalha - e muito - as finanças pessoais. Acreditem, observei pessoas apostando muito mais do que R$ 1 mil em apenas um dia. Depois, se não ganhar, fica difícil pagar essa conta", analisou.

Para ele, "o valor [sorteado pela Caixa neste ano] é tão grande que poderá garantir uma vida muito boa por várias gerações, se o felizardo tiver educação financeira. Para se ter ideia, em uma aplicação básica, com rentabilidade de 0,5% ao mês, a rentabilidade desse valor chegará a R$ 1,75 milhões por mês".
Porém, segundo Reinaldo Domingos, alertas são necessários. "Pessoas perderam milhões, pois não respeitaram o dinheiro que ganharam, distribuindo dinheiro descontroladamente e gastando sem controle", enfatizou.
Fila com distanciamento social em lotérica do Rio de Janeiro - Sputnik Brasil, 1920, 29.12.2021
Fila com distanciamento social em lotérica do Rio de Janeiro. Foto de arquivo
Tanto Reinaldo quanto Leonardo Trevisan entendem que investir o prêmio é o melhor caminho para continuar milionário. O professor da EPSM disse que "se você fizer com um investimento clássico, mais comum, como a poupança, que rende 0,5 por mês, isso significa que o feliz ganhador desse dinheiro retirará do banco, todos os meses, R$ 1,75 milhão".

"A dificuldade maior é a estatística, que é a impossibilidade de que qualquer um acerte esses seis números sozinho. A possibilidade é de um para 50 milhões. Esses R$ 350 milhões representam 8,5% do que o orçamento de 2022 destinará para a educação do país. isso deveria ser uma reflexão para nós, como sociedade", pontou.

Prudência e diversificação

Questionado sobre o melhor destino para a alocação do prêmio da Mega da Virada, Leonardo Trevisan disse que, "com toda a certeza , a palavra-chave para qualquer investimento é a diversificação. Não coloque todos os ovos na mesma cesta. Com educação financeira, nós entendemos a diferença entre uma poupança e um CBD.

"Temos que pensar em diversificar os investimentos, entre conservadores, moderados e arrojados. O mais conservador normalmente é pré-fixado, como a poupança e o CBD. Os investimentos pós-fixados são em fundos. Os mais arrojados são as ações. Eu recomendaria 40% em conservador, 40% em moderado, e 20% nos arrojados", concluiu.

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