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segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Projeto dos EUA para reduzir impacto do desmatamento pode afetar exportações do Brasil?

 


A Sputnik Brasil conversou com dois especialistas sobre o impacto que um novo projeto de lei norte-americano sobre desmatamento ilegal no mundo pode ter para as exportações brasileiras.

Parlamentares apresentaram no Congresso dos EUA projeto de lei para reduzir o desmatamento ilegal globalmente, restringindo o comércio de certas commodities agrícolas produzidas com esses métodos.

"O desmatamento continua a acelerar [...]. É hora de usar o poder econômico e político dos Estados Unidos" para reverter essa tendência, afirma o senador democrata Brian Schatz, citado pela agência Reuters em 6 de outubro.

Schatz acrescenta que se o desmatamento fosse um país, "seria o terceiro maior emissor" de gases de efeito estufa. O deputado democrata Earl Blumenauer, por sua vez, salienta que a nova legislação poderia ter um grande impacto no comércio de países como Brasil e Indonésia.

"Temos alguns desafios reais para lidar com o Brasil [...]. Chegará um momento em que haverá um novo governo no Brasil. Mas, enquanto isso, não podemos ignorar, pois eles estão removendo vastas áreas da Bacia Amazônica", argumenta o deputado.

A Sputnik Brasil conversou com dois especialistas sobre o impacto que o projeto de lei norte-americano teria no Brasil caso fosse aprovado: Glauber Silveira, engenheiro agrônomo, vice-presidente da Abramilho e presidente da Câmara Setorial da Soja, e Marcos Fava Neto, professor titular dos cursos de Administração da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (FEA-RP/USP) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EAEASP/FGV) FRibeirão Peto (FEA-RP).

Impacto quase nulo

"Em 2020, os EUA importaram carnes e couros bovinos processados avaliados em mais de US$ 500 milhões [aproximadamente R$ 2,7 bilhões] do Brasil. Ali, a pecuária é o maior impulsionador do desmatamento na Floresta Amazônica e outros biomas, e 95% de todo o desmatamento feriam a lei", afirmam Schatz e Blumenauer no projeto de lei apresentado simultaneamente à Câmara e ao Senado norte-americano, citados pelo portal da BBC Brasil.

​Marcos Fava Neto afirma, contudo, que o impacto dessa lei, caso seja aprovada, é quase nulo para a economia e o setor agropecuário brasileiro.

"Não deve ter impacto porque não se compra de um país para outro país. É uma empresa que compra de uma empresa. Nós temos em todas as cadeias produtivas casos de empresas com certificação total, rastreamento total dos produtos que eles têm e tão muito longe de originação na Amazônia. Caso do café, suco de laranja, carne bovina, soja, milho. Esse projeto de lei não deve afetar as exportações do Brasil. Ele pode afetar algumas empresas do Brasil que não tiverem condições de mostrar que elas têm produtos completamente livres de qualquer problema de desmatamento."

O professor da FEA-RP/USP acrescenta que esse projeto possui uma tendência puramente econômica por causa das dificuldades que os EUA possuem em competir com a eficiência dos produtores brasileiros, que "a agricultura Brasil construiu ao longo de décadas de investimento, de pesquisa [...]. Sabemos que por trás de parcela importante disso tem viés protecionista".

Glauber Silveira concorda, ressaltando que restrições dos EUA e da Europa aos produtos brasileiros acabam beneficiando os produtores internos.

"O americano ao invés de vender a soja dele a US$ 20 [R$ 110], vai vender a US$ 50 [R$ 275]. O europeu vai vender a carne dele por uma fortuna [...]. O Brasil hoje é um equilíbrio nessa questão alimentar no mundo. É o Brasil que vai dar resposta para que as pessoas não morram de fome".
Trator prepara a terra para o plantio de soja na zona rural da cidade de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo
© FOLHAPRESS / LUCAS LACAZ RUIZ
Trator prepara a terra para o plantio de soja na zona rural da cidade de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo

Prioridades erradas

Marcos Fava Neto frisa que grande parte do crescimento da pecuária não é na Amazônia e que a área utilizada pelo o setor tem diminuído nos últimos anos.

"Se olharmos os últimos 30 anos a pecuária liberou 30 milhões de hectares para agricultura de grãos. A pecuária está cada vez mais eficiente e usando menos área, o que é ótimo para o nosso desenvolvimento."

Glauber Silveira aponta que apenas 1,3% da produção de soja está dentro do bioma amazônico e que 66,3% da vegetação nativa é preservada no Brasil, enquanto nos EUA são apenas 19,9%.

​"Não vai acabar a Floresta Amazônica. É impossível acabar porque a lei brasileira não permite [...]. O mundo, infelizmente, está dando foco 100% na Floresta Amazônica e está perdendo o foco que é o mar. Eu me preocupo muito com a contaminação do mar. Acho que temos que preservar a Amazônia, mas para a Floresta Amazônica existem leis, ela já está protegida."

Silveira salienta ainda que a legislação brasileira é referência para o mundo que os EUA deveriam focar dentro de casa, uma vez que o Brasil representa apenas 10% do que Washington polui.

"Um terço de toda a poluição produzida no mundo é proveniente de apenas 20 empresas, cinco delas de petróleo. E o Brasil usa uma quantidade muito grande de energia renovável. Tem a matriz mais limpa do mundo", diz o vice-presidente da Abramilho.

Na mesma linha de Silveira, Marcos Fava Neto afirma que o Brasil possui um código florestal extremamente rigoroso, muito mais que os EUA ou a Europa.

Restos de floresta desmatada são queimados perto de plantações de soja, no município de Querência (Mato Grosso). As fronteiras da devastação na Amazônia estão se ampliando para além do arco do desmatamento (foto de arquivo)
© FOLHAPRESS / AYRTON VIGNOLA
Restos de floresta desmatada são queimados perto de plantações de soja, no município de Querência (Mato Grosso). As fronteiras da devastação na Amazônia estão se ampliando para além do arco do desmatamento (foto de arquivo)

"Os indicadores ambientais do Brasil são excelentes, onde pega um pouco é no desmatamento ilegal, por falta de controle, titulação de terra. Tem que tentar zerar [isso] porque essa é uma 'manchinha' que atrapalha um pouco todo o potencial ambiental que o Brasil tem", conclui.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik


sexta-feira, 27 de março de 2020

Palestinos e Israel unidos contra coronavírus poderiam afetar 'Acordo do Século?'




Devido à rápida propagação do coronavírus em Israel, a liderança palestina anunciou que a Palestina e Israel unirão forças para enfrentar a pandemia, tendo sido criada um gabinete de crise conjunto.

Ao mesmo tempo, a Palestina espera que esta comunhão de esforços contra a pandemia possa levar Israel a desistir do "Acordo do Século".
Mas que medidas conjuntas estão sendo tomadas por ambos contra a propagação do vírus? Israel pode realmente desistir do plano de Trump, e o que a Palestina deve fazer a respeito disso?
Especialistas e políticos palestinos falaram sobre estes assuntos à Sputnik Árabe.

Formato da cooperaçãohttps://iz.ru

Usama Shaat, cientista político palestino e professor na Universidade Al-Quds em Jerusalém, afirma que a coordenação entre Israel e a liderança palestina se limita somente às tentativas de contenção do coronavírus.
"A coordenação tem lugar somente na Cisjordânia, em Jerusalém e na Faixa de Gaza", sendo que nos demais territórios ocupados Israel lidará com o problema sozinho, afirmou o cientista.
Acerca da cooperação, o especialista relembrou haver "cerca de 6.000 prisioneiros nas prisões israelenses e cerca de 40.000 palestinos trabalhando em Israel. E Israel é responsável por suas vidas, segurança social e seguros de saúde".
"Muitos palestinos que estavam em Israel puderam retornar às suas casas na Cisjordânia. Ou seja, existe uma coordenação com Israel nesta matéria, baseada principalmente na responsabilidade de Israel de proteger a saúde dessas pessoas", acrescentou Shaat.

© REUTERS / MUSSA QAWASMA
Manifestantes palestinos discutem com forças israelenses durante protesto na Cisjordânia, em 28 de fevereiro de 2020
Contudo, na opinião dele, isto não tem nada a ver com o futuro das relações israelo-palestinas.

Coordenação de emergência

Por sua vez, Eyad Nasr, membro do Conselho Revolucionário da Fatah, também opina que a coordenação palestino-israelense motivada pelo coronavírus é uma medida forçada e temporária.
"A cooperação atual com Israel contra a propagação do vírus é uma medida de emergência e temporária. Ela só existe para impedir a propagação do vírus: nem mais, nem menos", afirmou peremptoriamente o político palestino.
"A coordenação não deve ir além da luta contra a epidemia. Salvar vidas não tem nada que ver com o processo político, especialmente sob o governo de Benjamin Netanyahu", precisou Eyad Nasr.
Questionado sobre a possibilidade de a cooperação palestino-israelense contra a epidemia poder conduzir a um cancelamento do "Acordo do Século", o político palestiniano foi claro:
"Se Netanyahu permanecer no poder – então não, pois ele é o principal beneficiário do 'acordo'. Assim sendo, as chances de um tal desenlace são extremamente reduzidas."

Como tudo começou

Anteriormente, a agência oficial palestina Wafa informou que o porta-voz da Autoridade Palestina, Ibrahim Melhem, anunciara a criação de um gabinete de crise conjunto com os israelenses para combater a pandemia do coronavírus.
Mais tarde, em 25 de março, o embaixador extraordinário e plenipotenciário do Estado da Palestina na Rússia, Abel Hafiz Nofal, afirmou em uma entrevista ao jornal Izvestia que a Palestina espera que Israel e os EUA desistam do "Acordo do Século" por força do coronavírus.
Segundo o diplomata, a ameaça comum ajudou a unir os esforços das duas forças políticas palestinas – Fatah e Hamas, apaziguando temporariamente as relações entre os árabes e Israel.

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