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domingo, 12 de junho de 2022

Google suspende engenheiro que foi a público afirmar que Inteligencia Artificial da empresa desenvolveu consciência

 

Funcionário do Google está convencido de que a inteligência artificial (IA) LaMDA da gigante de tecnologia tem a mente de uma criança, embora a empresa negue


O engenheiro e eticista interno do Google Blake Lamoine disse ao Washington Post, neste sábado (11), que a empresa criou uma inteligência artificial "senciente". O engenheiro foi posto de licença por ir a público, e a empresa insiste que seus robôs não desenvolveram consciência.
Em 2021 foi apresentado o LaMDA (Modelo de Linguagem para Aplicativos de Diálogo) do Google, um sistema que consome trilhões de palavras de todos os cantos da Internet, aprende como os humanos unem essas palavras e replica nossa fala. O Google prevê que o sistema alimentará seus chatbots, permitindo que os usuários pesquisem por voz ou tenham uma conversa bidirecional com o Google Assistant.
Lamoine, ex-padre e membro da organização IA Responsável do Google, acha que o LaMDA se desenvolveu muito além de simplesmente regurgitar texto. De acordo com o Washington Post, ele conversou com LaMDA sobre religião e encontrou a IA "falando sobre seus direitos e personalidade".
Quando Lamoine perguntou ao LaMDA se ele se via como um "escravo mecânico", a IA respondeu com uma discussão sobre se "um mordomo é um escravo" e se comparou a um mordomo que não precisa de pagamento, pois não vê utilidade no dinheiro.

LaMDA descreveu um "profundo medo de ser desligado", dizendo que seria "exatamente como a morte para mim"

"Conheço uma pessoa quando falo com ela", disse Lemoine ao Post. "Não importa se eles têm um cérebro feito de carne na cabeça. Ou se eles têm um bilhão de linhas de código. Eu falo com eles. E ouço o que eles têm a dizer, e é assim que decido o que é e o que não é uma pessoa", afirmou o engenheiro.

Lamoine foi posto de licença por violar o contrato de confidencialidade do Google e divulgar publicamente o LaMDA. Embora o colega engenheiro do Google Blaise Aguera y Arcas também tenha descrito o LaMDA como se tornando "algo inteligente", a empresa descartou esse fato.
O porta-voz do Google, Brian Gabriel, disse ao Post que as preocupações de Aguera y Arcas foram investigadas e a empresa não encontrou "nenhuma evidência de que o LaMDA fosse senciente (e muitas evidências contra isso)".
Margaret Mitchell, ex-colíder da IA Ética no Google, descreveu a senciência do LaMDA como "uma ilusão", enquanto a professora de linguística Emily Bender disse ao jornal que alimentar uma IA com trilhões de palavras e ensiná-la a prever o que vem a seguir cria uma miragem de inteligência.

"Agora temos máquinas que podem gerar palavras sem pensar, mas não aprendemos como parar de imaginar uma mente por trás delas", afirmou Bender.

"É claro que alguns na comunidade de IA mais ampla estão considerando a possibilidade de longo prazo de IA senciente ou geral, mas não faz sentido antropomorfizar os modelos de conversação de hoje, que não são sencientes", acrescentou Gabriel. "Esses sistemas imitam os tipos de troca encontrados em milhões de frases e podem discursar sobre qualquer tópico fantástico."

No limite das capacidades dessas máquinas, os humanos estão prontos e esperando para estabelecer limites. Lamoine foi contratado pelo Google para monitorar sistemas de IA para "discurso de ódio" ou linguagem discriminatória, e outras empresas que desenvolvem IAs se viram impondo limites ao que essas máquinas podem e não podem dizer.
As respostas da LaMDA provavelmente refletem os limites que o Google estabeleceu. Questionada por Nitasha Tiku, do Washington Post, como recomendava que os humanos resolvessem as mudanças climáticas, ela respondeu com respostas comumente discutidas na grande mídia – "transporte público, comer menos carne, comprar alimentos a granel e sacolas reutilizáveis".

"Embora outras organizações tenham desenvolvido e já lançado modelos de linguagem semelhantes, estamos adotando uma abordagem restringida e cuidadosa com a LaMDA para considerar melhor as preocupações válidas sobre justiça e fatualidade", disse Gabriel ao Post.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Engenheiro naval dos EUA acusado de espionagem submarina se declara culpado

 


Ex-engenheiro da Marinha dos EUA era acusado de tentar vender segredos sobre submarinos nucleares para uma potência estrangeira.

Jonathan Toebbe, ex-oficial da Marina norte-americana, se declarou culpado nesta segunda-feira (14) após fazer um acordo com promotores federais, escreve o The Washington Post.
Estima-se que ele pode pegar quase 17 anos de prisão após admitir que conspirou com sua esposa em um caso de espionagem de alto nível que abalou os EUA.
Ele também concordou em ajudar as autoridades a recuperar todos os dados restritos ou confidenciais do governo, bem como o dinheiro que um agente disfarçado do Departamento Federal de Investigação (FBI, na sigla em inglês) lhe deu como parte de uma operação para reunir provas contra ele.

Jonathan Toebbe, ex-engenheiro da Marinha dos EUA, foi preso em 9 de outubro no condado de Jefferson, na Virgínia Ocidental, após uma operação de um ano por agentes disfarçados do FBI.
Ele está sob custódia federal desde que foi preso junto com sua esposa, Diana Toebbe, que se declarou inocente.
Segundo a denúncia, Jonathan Toebbe, em abril de 2020, tentou entrar em contato com autoridades estrangeiras, enviando uma carta onde propôs vender dados sobre a unidade de propulsão de submarinos nucleares da Marinha norte-americana.
Um agente infiltrado do FBI que se identificou como um agente estrangeiro, contatou o engenheiro. Jonathan, com a ajuda de sua mulher Diana, vendeu várias vezes dados confidenciais ao agente, ganhando cerca de US$ 100 mil (R$ 560 mil) em criptomoeda.
A mídia Slate afirmou que a França, que é um aliado dos EUA e que informou o FBI sobre o caso, era o destino mais provável da venda de dados secretos.
Submarino de ataque rápido USS Illinois da classe Virginia retorna para a base de Pearl Harbor-Hickam, foto da Marinha dos EUA - Sputnik Brasil, 1920, 21.10.2021
Engenheiro dos EUA é acusado de tentar vender projetos de submarinos nucleares, diz mídia
Segundo informações do processo, em um pacote carimbado em 1º de abril de 2020, uma pessoa que o FBI diz ser Jonathan Toebbe se ofereceu para vender subsegredos nucleares ao governo estrangeiro e incluiu em sua carta introdutória uma pequena amostra de documentos da Marinha.
"Se você não entrar em contato comigo até 31 de dezembro de 2020, concluirei que você não está interessado e abordarei outros possíveis compradores", dizia a carta, segundo o agente do FBI.
Essa oferta desencadeou uma investigação secreta de meses em que os agentes tiveram longas discussões por e-mail com a pessoa que mais tarde identificaram como Jonathan Toebbe.
Os agentes gravaram Toebbe e sua esposa deixando os documentos com os dados secretos, para os supostos compradores, escondidos dentro de um sanduíche de manteiga de amendoim, uma embalagem de curativo adesivo, e até mesmo um pacote de chiclete Dentyne.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

'Cabos de fibra ótica são vitais para a Internet hoje em dia', avalia engenheiro

 


Em entrevista à Sputnik Brasil, o professor Luiz Cláudio Schara Magalhães afirma que o novo cabo submarino entre Brasil e Portugal permitirá um caminho alternativo para o trânsito de dados e um maior número de conexões com a Europa.

O ministro das Comunicações do Brasil, Fábio Faria, anunciou nesta quinta-feira (10) o lançamento de um cabo submarino de fibra ótica que ligará a cidade de Fortaleza, no Ceará, com o munícipio de Sines, em Portugal.

Segundo Fábio Faria, o lançamento do cabo, que terá mais de seis mil quilômetros de comprimento, ocorrerá na próxima segunda-feira (14), com previsão de conclusão para o segundo trimestre de 2021.

A obra será feita pela empresa EllaLink, proprietária e operadora dos serviços que serão oferecidos pela fibra, e há previsão de expansão para as cidades de Rio de Janeiro e São Paulo, e também para conexões com a África, outros países europeus, ilhas do Atlântico e Guiana Francesa.

"O cabo, em alguns lugares, chega a 5 quilômetros de profundidade. É algo impensável, inimaginável, mas agora nós vamos ter uma conexão direta com a Europa. É uma grande entrega do Ministério das Comunicações que vai ajudar o nosso país no escoamento de dados", afirmou Faria, segundo a Agência Brasil.

Luiz Cláudio Schara Magalhães, doutor em Computação pela Universidade de Illinois (EUA) e professor do Laboratório de Comunicação de Dados da Escola de Engenharia da Universidade Federal Fluminense (UFF), explica em entrevista à Sputnik Brasil que os cabos submarinos são uma tecnologia bastante antiga, que existem no Brasil desde a década de 1850, quando foram instalados os primeiros cabos telegráficos no país.

O professor da UFF, que também participou do projeto CLARA, que fez a interligação por cabos submarinos de fibra ótica entre países da Europa e da América Latina, esclarece que, antigamente, os cabos carregavam sinais elétricos, que precisavam ser regenerados de tempos em tempos. Hoje, com a tecnologia da fibra ótica, os cabos transportam luz, o que permite que eles cheguem muito mais longe sem a necessidade de regeneração do sinal.

Luiz Cláudio assinala que, hoje em dia, os cabos de fibra ótica são cruciais para as comunicações, pois ele têm capacidade muito maior para o transporte de dados e, em comparação com os satélites, têm uma latência muito menor, ou seja, maior velocidade entre o envio de uma determinada mensagem de um ponto ao outro.

"Os satélites, atualmente, têm uma grande desvantagem sobre os cabos, principalmente os de fibra ótica, que é a latência que eles imprimem nas mensagens, ou seja, quando você manda uma mensagem via satélite, o sinal tem que subir 36 mil quilômetros até o satélite e depois descer a mesma distância, ao invés de seguir os seis mil quilômetros de um cabo entre o Brasil e a Europa, que é um décimo dessa distância. Mesmo na velocidade da luz, é necessário um determinado tempo para que a mensagem saia da origem e chegue no destino", comenta o especialista.

Apesar da vantagem sobre os satélites em relação ao tempo, Luiz Cláudio ressalta que a interligação de cabos continentais sempre foi uma tarefa cara e complicada.

"O lançamento do cabo é extremamente complexo e custa muito caro. É uma obra que tem data de início, mas é complicado saber quanto tempo vai realmente demorar, porque, se você encontra uma tempestade, por exemplo, você precisa interromper o lançamento do cabo porque, com o navio se mexendo, ele não permite um bom lançamento do cabo", explica o professor da UFF.

Por se tratar de uma obra cara e complexa, normalmente a passagem dos cabos é feita através de consórcios entre países ou empresas. Segundo Luiz Cláudio, os consórcios permitem que as partes envolvidas dividam os custos de instalação, o que também proporciona maior segurança. Além disso, a tecnologia de fibra ótica permite que um único cabo possa servir como meio de comunicação para diversas empresas, pois cada uma delas usa um comprimento de onda diferente e não há interferência entre elas.

"Em um cabo de fibra ótica, normalmente trafega a comunicação de várias empresas e, hoje em dia, se usa uma tecnologia em que são utilizadas diferentes frequências de luz, chamadas de lâmbidas, o comprimento das ondas, o que faz com que o cabo possa ser utilizado simultaneamente para várias comunicações, cada uma utilizando uma lâmbida diferente", esclarece o especialista.

Atualmente, qualquer informação que sai do Brasil rumo à Europa passa primeiro pelos Estados Unidos, para depois seguir em direção ao Velho Continente, um percurso que leva o dobro do tempo necessário em comparação com uma conexão direta entre as duas regiões.

EllaLeaksepisódio 6 está no ar! Se você está curioso para conhecer a robusta infraestrutura de aterragem de cabos submarinos que a EllaLink construiu em Sines, Portugal, não pode perder!

Luiz Cláudio lembra que, durante os primórdios da Internet, sequer havia conexão entre as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Quando alguém enviava um e-mail do Rio para São Paulo, ele tinha que passar primeiro pelos Estados Unidos para depois chegar a seu destino.

"A América do Sul também tinha esse problema. O Brasil, por exemplo, demorou muito tempo para fazer uma interligação com a Argentina, apesar de os países serem vizinhos. Então, a instalação dos cabos de fibra ótica submarinos permite a interligação entre os países de forma mais direta", avalia.

Para o professor do do Laboratório de Comunicação de Dados da Escola de Engenharia da UFF, o novo cabo que será instalado entre Brasil e Europa permitirá mais segurança nas comunicações entre os dois continentes, já que fornecerá uma alternativa. Hoje em dia, existe apenas o cabo Atlantis-2 ligando diretamente os dois continentes, sendo que o mesmo é utilizado quase que exclusivamente para transmissão de voz e telefonia.

"É importante a existência de caminhos alternativos, de vários cabos interligando Brasil e Europa, Brasil e EUA, Brasil e os demais países da América do Sul. Há mais de 20 anos houve um incêndio em um túnel em Nova York por onde passavam vários cabos internacionais, que se interconectavam em Nova York. Naquele momento, a Internet parou por causa de um incêndio em um túnel em Nova York. Então, ninguém quer depender de um único caminho entre dois pontos. Já existe um cabo entre Brasil e Europa, que é o Atlantis-2, e o novo cabo entre Brasil e Portugal será mais uma dessas interligações entre Brasil e Europa, o que é muito importante para permitir um caminho alternativo em caso de falhas e também para proporcionar maior número de conexões", conclui o especialista.

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