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quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Empresa da Espanha envolvida em corrupção ganha empréstimo bilionário do BNDES

 


Apesar do aparente divórcio público, quando se trata de meter a mão no bolso do contribuinte, Bolsonaro e João Doria estão em núpcias.

Através de uma PPP, o governo Doria contratou o grupo espanhol Acciona para concluir a Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo, num negócio anunciado inicialmente em R$ 17 bilhões. 

O valor total só saberemos ao final da obra, se ela for concluída. Aditivos e suplementações não faltarão.

A parceira Bolsodoria virá em forma de grana: R$ 7 bilhões, 41% do valor contratado, virão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), presidido por Gustavo Montezano, amigo de Flávio e Eduardo Bolsonaro.

Em nota à imprensa, ele disse que “a operação marca uma nova etapa no financiamento a obras de infraestrutura no País, usando práticas corriqueiras do setor nos países desenvolvidos”. A operação está entre as dez maiores do BNDES em todos os tempos.

O que ele não falou é que o Acciona é um grupo corrupto, envolvido em vários escândalos, entre eles o chamado Caso Plaza. Em fevereiro passado, a construtora Acciona comprometeu-se a pagar 60 milhões de euros ao governo para saldar a sua responsabilidade civil subsidiária no escândalo.

Não é corriqueiro em países desenvolvidos bancos públicos de fomento financiarem empresas envolvidas em roubalheira.

No Brasil, não só não é corriqueiro, como é critério decisório adotado pelo próprio BNDES na liberação de crédito. Qualquer empresa brasileira está sujeita a um termo de compromisso.

Está no Parágrafo II – Com relação às práticas legais, que obriga a empresa brasileira a declarar que: no Item a) “cumpre as leis, regulamentos e políticas anticorrupção, bem como as determinações e regras emanadas por qualquer órgão ou entidade, nacional ou estrangeiro, a que esteja sujeito por obrigação legal ou contratual, que tenham por finalidade coibir ou prevenir práticas corruptas, despesas ilegais relacionadas à atividade política…”

No Item b) “não tem conhecimento de que fornecedores de produto ou serviço essencial para a realização das exportações objeto do presente financiamento tenham praticado qualquer ato com ele relacionado que infrinja qualquer uma das normas mencionadas na alínea ‘a’ deste inciso”.

O termo é claro: a empresa brasileira não pode estar envolvida em corrupção e, além disso, tem que garantir que seus fornecedores e compradores, mesmo estrangeiros, também não são corruptos.

A mídia brasileira, acredite, está festejando. De acordo com o Estadão, “o empréstimo à concessionária da Linha 6-Laranja tem particularidades. Conforme Petrônio Cançado, diretor de Crédito à Infraestrutura do BNDES, a ideia é tornar esse modelo o novo padrão no banco. ‘O principal é ter o contrato de EPC bem feito, com mecanismos que permitam blindar o projeto. Assim, o pacote de garantias é definido caso a caso, dando conforto para trazermos investidores””.

Muito bom saber que a Acciona não precisa apresentar nenhuma fiança bancária e, se acontecer algum acidente durante a obra ou se ela não conseguir pagar o empréstimo, não tem problema, ela não terá de entregar patrimônio algum.

Essa inovação contratual dá muita tranquilidade para o acionista do BNDES, o povo brasileiro.

domingo, 12 de dezembro de 2021

Presidente de BNDES comprou mansão de R$ 4 milhões em bairro de Flávio Bolsonaro

 

Gustavo Henrique Moreira Montezano e Jair Bolsonaro (Foto: Reuters | Marcos Corrêa/PR)


O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, concluiu, em 2 de setembro de 2020, a compra de uma residência localizada no Lago Sul, área nobre de Brasília, pelo valor de R$ 4,1 milhões, segundo o Correio Braziliense.

A aquisição, destaca a reportagem do CB, ocorreu cinco meses antes de Flávio Bolsonaro (PL) comprar outra mansão, de R$ 6 milhões, na mesma região, no Setor de Mansões Dom Bosco, a cerca de 8km da casa de Montezano.

Segundo certidão de ônus e certidão de matrícula, cerca de um mês antes de o imóvel ser registrado no nome de Montezano, a casa e reconstruída com quase o dobro do tamanho, 600,5m². O Lago Sul, onde ela está localizada, é um dos endereços mais caros do Distrito Federal, com o metro quadrado no bairro custando cerca de R$ 13 mil.

Montezano é do Rio de Janeiro, onde está a sede do BNDES. No entanto, ele preferiu se instalar em Brasília. A reportagem lembra que antes de se transferir para a capital federal, ele morou no mesmo condomínio da família Bolsonaro no Rio de Janeiro, onde tornou-se amigo de Flávio e Eduardo Bolsonaro. Segundo a assessoria do BNDES, em nota enviada ao CB, Montezano já morava em Brasília antes da compra do imóvel.

"O presidente do BNDES, Gustavo Montezano, esclarece que já reside em Brasília com sua família desde antes de assumir a presidência do banco. Também reforça que a sua agenda de trabalho é pública, divulgada no portal da instituição e descreve a sua rotina de atuação dividida entre os escritórios do banco em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo", respondeu a assessoria.

No entanto, segundo a reportagem, o único imóvel registrado no nome de Montezano no Distrito Federal é a mansão no Lago Sul, que foi adquirida sem nenhuma condição — como financiamento com instituições financeiras (bancos ou corretoras) —, o que indica que Montezano pode ter comprado a casa à vista.

Enquanto presidente do BNDES, Montezano recebe salário mensal de R$ 82,7 mil, o que lhe proporciona uma renda anual de cerca de R$ 1 milhão. Antes de ingressar no governo Bolsonaro, ele foi sócio-diretor do BTG, banco com patrimônio avaliado em R$ 35 bilhões. Ele é filho de Roberto Montezano, que trabalhou com o ministro da Economia, Paulo Guedes, por muitos anos.


quinta-feira, 2 de abril de 2020

Enquanto governo demora a socorrer os pobres, BNDES quer socorrer as empresas aéreas com bilhões


Maia critica socorro ao setor aéreo: 'não dá, o BNDES virar dono das aéreas'


O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, criticou nesta quinta-feira, 2, a proposta do BNDES para socorrer companhias aéreas em meio à crise gerada pela pandemia do novo coronavírus. 
"Do jeito que o BNDES quer emprestar, ele vai virar dono de todas as companhias aéreas. Não dá em um governo liberal o BNDES caminhar numa linha que me parece, pela crítica que estou ouvindo, acabar sendo dono das aéreas", disse Maia em transmissão ao vivo com investidores e analistas, organizada pelo Banco Santander.
O banco estuda comprar títulos de dívida privada (debêntures) conversíveis em participação nas companhias.

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