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segunda-feira, 15 de março de 2021

Governo autoriza reajuste de até 4,88% em remédios

 


A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) autorizou um aumento de até 4,88% nos preços de remédios. O reajuste foi publicado na edição desta segunda-feira (15) do Diário Oficial da União e já pode ser aplicado pelas farmacêuticas.


A regulação é válida para um universo de mais de 19 mil medicamentos disponíveis no mercado varejista brasileiro.


A decisão foi tomada pelo Comitê Técnico-Executivo da CMED, órgão vinculado à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), em reunião no último dia 12. Por meio da entidade, o governo controla o reajuste de preços de medicamentos periodicamente — estabalecendo o aumento máximo que esses produtos podem atingir no mercado brasileiro.


O ajuste de preços vem 15 dias antes do usual, já que resolução da CMED estabelecia que os preços deveriam ser modificados em 31 de março de cada ano. A portaria não esclarece a antecipação. No ano passado, o presidente Jair Bolsonaro anunciou um acordo com a indústria farmacêutica para que o reajuste anual de todos os remédios fosse adiado por 60 dias, por conta da crise provocada pela pandemia de coronavírus.


Em junho, a CMED autorizou um aumento nos preços de remédios de até 5,21%.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Estudo de cientistas da Ufba sobre coronavírus pode ajudar a desenvolver remédios e vacina




Cientistas da Ufba fizeram o sequenciamento genético do novo coronavírus e conseguiram mostrar que o Sars-cov-2, responsável por infectar centenas de milhares de pessoas no mundo, já possui alterações que o diferenciam, por exemplo, do material genético chinês utilizado como referência. A investigação é um ponto de partida para diversas outras, sobre evolução do vírus, imunização e medicação. Essas pesquisas serão importantes para fornecer informações sobre a transmissão da Covid-19, e as mutações que acontecem em populações e regiões mundo a fora. 

 A pesquisadora Rejane Hughes, do Laboratório de Virologia do Instituto de Ciências da Saúde (ICS/Ufba), coordenado pelos professores Gúbio Soares e Silvia Sardi, explicou que o coronavírus é formado por uma cadeia de RNA, que traz as informações genéticas do vírus. “Algumas proteínas do vírus estão relacionadas com a parte imunogênica, responsável pela produção de anticorpos. Alterações na sequência do RNA podem influenciar no funcionamento ou não de uma vacina”, explica a bióloga molecular. Hughes também conta que o estudo identificou 15 mutações em relação ao genoma do vírus de referência. 

De acordo com ela, a descoberta não significa que o coronavírus se tornou mais ou menos agressivo, pois as mutações fazem parte da própria condição de existência do vírus. Segunda a pesquisadora, a explicação se dá pelo fato de o vírus "ser de RNA, reconhecido por ser mais instável que organismos de DNA. Assim, não significa que essas alterações tenham um papel ou modifiquem o vírus de alguma maneira. É muito cedo para afirmar isso”, contou. Doutora em genética biomédica no Erasmus Medical Center, na Holanda e atualmente bolsista da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Extensão (Fapex), Hughes afirma que as mutações do coronavírus podem estar em regiões que não causem uma resposta imunogênica ou alterações na capacidade infecciosa. “É preciso acompanhar a evolução do vírus, quais bases do genoma estão sendo modificadas e qual a importância dessas alterações”, salientou. Foi o Laboratório de Virologia que identificou o coronavírus no segundo paciente a ter o diagnóstico confirmado pelo estado. 

O sequenciamento do coronavírus foi feito diretamente do material colhido do paciente e feita de forma metagenômica, ou seja, identificando quais organismos estão presentes nas secreções respiratórias. “Não é necessário isolar o coronavírus para identificar que existe o material genético dele na amostra”, explicou Hughes. As pesquisas sobre o novo coronavírus irão continuar no Laboratório de Virologia, reconhecido por suas contribuições na identificação de viroses no país, como a do zika vírus no Brasil em 2015. “Pretendemos continuar avaliando, fazer um perfil genético da Covid-19 circulante na Bahia, investigar o painel de resposta imune da população em relação ao vírus”, comentou Hughes. Entretanto, o financiamento à pesquisa é fundamental para dar condições ao estudo do coronavírus, pois, segundo a pesquisadora, pesquisas de sequenciamento genético são extremamente caras.

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