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segunda-feira, 18 de outubro de 2021

OTAN coloca China no centro de sua doutrina para os próximos 10 anos, conta secretário-geral

 


Combater a ameaça à segurança colocada pela ascensão da China será uma parte importante da lógica futura da OTAN, segundo o chefe da aliança. Tal declaração marca o início de um novo pensamento sobre os objetivos da aliança ocidental, refletindo a alteração do foco geoestratégico dos EUA para a Ásia.

Em entrevista ao Financial Times, o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, contou que a China já estava tendo um impacto na segurança europeia através de suas capacidades cibernéticas, novas tecnologias e mísseis de longo alcance. Por essa razão, o modo de como defender os aliados da Aliança Atlântica contra essas ameaças será "profundamente" abordado em sua nova doutrina para a próxima década, disse Stoltenberg.

O novo foco na China surge em meio a uma mudança determinada na orientação geopolítica dos EUA, afastando-se da Europa para um conflito hegemônico com Pequim.

"A OTAN é uma aliança entre a América do Norte e a Europa. Contudo, essa região enfrenta desafios globais: o terrorismo, crime cibernético, mas também a ascensão da China. Portanto, quando se trata de fortalecer nossa defesa coletiva, trata-se também de como enfrentar a ascensão da China. O que podemos prever é que a ascensão da China terá impacto sobre nossa segurança. Já teve", comentou o secretário-geral da aliança ocidental citado na matéria.
Jens Stoltenberg, secretário-geral da OTAN, na cúpula da OTAN em Bruxelas, Bélgica, 14 de junho de 2021
© REUTERS / STEPHANIE LECOCQ
Jens Stoltenberg, secretário-geral da OTAN, na cúpula da OTAN em Bruxelas, Bélgica, 14 de junho de 2021

A OTAN adotará seu novo Conceito Estratégico em uma cúpula em junho de 2022, que delineará os objetivos da aliança para os próximos dez anos, uma vez que a versão atual, adotada em 2010, não menciona o gigante asiático.

A Aliança Atlântica está buscando uma nova direção após o fim de seus 20 anos de missão no Afeganistão, enquanto as discussões sobre o futuro da presença militar norte-americana no continente europeu ainda estão decorrendo.

Por que tal foco na China?

Stoltenberg explicou que os aliados da OTAN procurariam "reduzir" as atividades fora de suas fronteiras e "aumentar" sua resistência defensiva interna, de modo a se oporem melhor a ameaças externas.

"A China está se aproximando de nós [...] Nós os vemos [os chineses] no Ártico. Nós os vemos no espaço cibernético. Nós os vemos investindo fortemente em infraestrutura crítica em nossos países. E, claro, eles têm cada vez mais armas de alto alcance que podem atingir todos os países aliados da OTAN. Eles estão construindo muitos, muitos silos para mísseis intercontinentais de longo alcance", advertiu o chefe da aliança citado pelo Financial Times.

No domingo (17), a China testou um míssil hipersônico de capacidade nuclear, que viajou ao espaço em torno do globo em uma forma orbital antes de acelerar através da atmosfera em direção ao alvo. O veículo planador hipersônico testado teria errado supostamente o alvo por dezenas de quilômetros, mas demonstrou um "progresso surpreendente" da China em armas hipersônicas.

Foguete Long March-5B Y2, transportando o principal módulo da estação espacial Tianhe, da China
© REUTERS / CHINA DAILY
Foguete Long March-5B Y2, transportando o principal módulo da estação espacial Tianhe, da China

Este acontecimento levantou sérias preocupações em Washington, sendo que o secretário da Força Aérea dos EUA, Frank Kendall, alertou que a China poderia estar desenvolvendo capacidades nucleares, incluindo potencial para "ataques globais a partir do espaço", obrigando os EUA a desenvolverem suas próprias armas para conter Pequim.

O que acontecerá com a Rússia?

No entanto, qualquer sugestão de diminuir a dissuasão contra a Rússia encontraria protestos dos vários Estados-membros do leste europeu, pois eles veem Moscou como uma ameaça existencial e a aliança como sua única garantia de segurança.

Stoltenberg, por sua vez, afirmou que a Rússia e a China não devem ser vistas como ameaças separadas, uma vez que "a China e a Rússia trabalham em estreita colaboração", pelo que "quando investimos mais em tecnologia [...] é para ambos [Rússia e China]", citado pela mídia.


 

domingo, 26 de setembro de 2021

Secretário-geral da ONU adverte que humanidade está perto de 'aniquilação nuclear'

 


O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, apelou neste domingo (26), Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares, aos países que possuem armas nucleares para destruí-las.

António Guterres advertiu que a sociedade internacional ainda está perto da "aniquilação nuclear", enquanto milhares de armas nucleares existem em todo o mundo.

"Quase 14.000 armas nucleares estão armazenadas em todo o mundo. A humanidade permanece inaceitavelmente perto da aniquilação nuclear. Agora é a hora de remover a nuvem de um conflito nuclear para sempre, eliminar as armas nucleares de nosso mundo e inaugurar uma nova era de confiança e paz", declarou Guterres.

A mensagem se segue à declaração recente de Guterres expressando preocupação de que uma série de nações, incluindo a China, Egito, Índia, Irã, Israel, Coreia do Norte e EUA, ainda não ratificaram o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBT, na sigla em inglês). O documento aprovado em 1996 foi assinado por 185 países, mas ainda não entrou em vigor.

"Permanecemos neste estado de limbo por tempo demais", disse ele, elogiando ao mesmo tempo a decisão da Rússia e dos EUA de estender o Tratado de Redução de Armas Estratégicas II (Novo START) e dialogar sobre o assunto.

Em um comunicado para marcar o 25º aniversário da abertura para assinatura do CTBT, o presidente russo Vladimir Putin sublinhou que a "formulação deste documento histórico, que visa fortalecer drasticamente o regime de não proliferação nuclear, confirmou que mesmo as questões mais difíceis de segurança global podem e devem ser resolvidas por meio de negociações".

No final de janeiro, Moscou e Washington prorrogaram o Novo START por mais cinco anos, sem renegociar nenhum de seus termos. O tratado, que entrou em vigor em 5 de fevereiro de 2011, determina uma redução da metade do número de lançadores de mísseis nucleares estratégicos e limita o número de ogivas nucleares estratégicas instaladas a 1.550.

Enquanto isso, a subsecretária-geral da ONU para Assuntos de Desarmamento, Izumi Nakamitsu, destacou à Sputnik que todas as potências nucleares em algum momento terão que se sentar para negociações sobre o controle de armas.

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