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segunda-feira, 20 de junho de 2022

Astrônomos tentam compreender a partir de meteoritos marcianos como se formou o Planeta Vermelho

 


Pequeno pedaço de rocha vindo de Marte para a Terra pode conter pistas sobre a formação do planeta, dizem os cientistas

De acordo com a Science Alert, uma nova análise do meteorito Chassigny, que caiu na Terra em 1815, sugere que a forma como Marte obteve seus gases voláteis é diferente dos modelos atuais sobre a formação de planetas.
Segundo os modelos atuais, os planetas nascem dos restos de material estelar, sendo que as estrelas se formam a partir de uma nuvem nebular de poeira e gás quando um denso aglomerado de material colapsa sob a gravidade. Com o movimento de rotação, o material se aglomera desde a nuvem ao seu redor permitindo-lhe crescer.
O material acaba por formar um disco, girando em torno da nova estrela. Dentro desse disco, poeira e gás começam a se agrupar em um processo que dará origem ao planeta bebê. Como os instrumentos de que dispomos já haviam vislumbrado outros sistemas planetários bebês se formando dessa maneira, a ciência buscou e obteve evidências em nosso próprio Sistema Solar que sugerem que ele se formou da mesma maneira, cerca de 4,6 bilhões de anos atrás.
A única parte difícil de compreender é como e quando certos elementos foram incorporados aos planetas.
Uma cratera fresca na superfície de Marte capturada pela câmera HiRise da NASA a bordo do Mars Reconnaissance Orbiter - Sputnik Brasil, 1920, 20.06.2022
Uma cratera "fresca" na superfície de Marte capturada pela câmera HiRise da NASA a bordo do Mars Reconnaissance Orbiter
Os modelos atuais assumem que os gases voláteis são absorvidos por um planeta fundido, em formação a partir da nebulosa solar. Na fase em que o planeta está tão quente e pastoso, os elementos voláteis seriam sugados para o oceano de magma global, que é o planeta em formação, antes de mais tarde serem parcialmente desgaseificados para a atmosfera à medida que o manto esfria.
Além disso, mais voláteis são entregues através do bombardeio de meteoritos que haviam sido separados do planeta na medida em que o processo se iniciava. Logo, o interior de um planeta deve refletir a composição da nebulosa solar, enquanto sua atmosfera deve refletir principalmente a contribuição volátil dos meteoritos.
Portanto, a análise de Chassigny pode reconstruir como os voláteis foram incorporados no processo de formação de Marte, que se formou e solidificou de forma relativamente rápida, em cerca de quatro milhões de anos, quando em comparação com os 100 milhões de anos da Terra.
O que já sabemos é que a composição de gás nobre do meteorito difere da atmosfera marciana, sugerindo que o pedaço de rocha se desprendeu do manto e representa o interior planetário, portanto, a própria nebulosa solar.
Mapa da poeira interestelar da Via Láctea, baseado nos dados do telescópio Gaia - Sputnik Brasil, 1920, 14.06.2022
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O grande problema é que a partir da medição de uma substância específica, chamada criptônio, as proporções identificadas no meteorito indicam que ele não apenas se desprendeu do corpo marciano, mas que esses meteoritos estavam entregando voláteis a Marte muito antes do que os cientistas pensavam, antes que a nebulosa solar fosse dissipada pela radiação solar.
A partir dos resultados da análise, primeiro Marte adquiriu uma atmosfera da nebulosa solar depois que seu oceano global de magma esfriou, caso contrário, os gases condríticos (cuja origem remonta à formação primitiva de corpos celestes a partir das primeiras interações entre grãos e poeira cósmica) e os gases nebulares seriam muito mais misturados do que a equipe observou.
Porém, a equipe salienta que, quando a radiação solar acabou por queimar os restos da nebulosa, também deveria ter queimado a atmosfera nebular de Marte, o que significa que o criptônio atmosférico presente no meteorito deve ter sido preservado em algum lugar, provavelmente nas calotas polares.
O estudo revela mais perguntas que respostas, mas certamente contribui para a nossa compreensão da formação atmosférica dos planetas de nosso sistema.


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quarta-feira, 8 de junho de 2022

Curiosity da NASA encontra estranhas estruturas de rocha no Planeta Vermelho (FOTOS)

 


Entre as areias rasas e os pedregulhos da cratera Gale, em Marte, o rover Curiosity encontrou várias torres de rocha sedimentar retorcidas se erguendo do chão.

De acordo com a Science Alert, especialistas dizem que as colunas provavelmente foram criadas a partir de substâncias semelhantes a cimento que antes preenchiam antigas rachaduras de rocha. Conforme os processos de erosão foram ocorrendo no planeta, as torres foram sendo moldadas.
Capturadas por uma câmera a bordo do rover Curiosity em 17 de maio, as formações rochosas foram divulgadas apenas na semana passada (29) pela NASA e por especialistas do instituto Search for Extraterrestrial Intelligence – SETI (Procura por Inteligência Extraterrestre).
De acordo com os pesquisadores, por mais estranhas que as estruturas possam parecer, existem precedentes na geologia terrestre que justificam o achado, como os "hoodoos".
Formações rochosas encontradas em Marte pelo rover Curiosity da NASA - Sputnik Brasil, 1920, 07.06.2022
Formações rochosas encontradas em Marte pelo rover Curiosity da NASA
Um "hoodoo" é uma torre alta e fina de rocha formada pela erosão, geralmente encontrada em ambientes secos, e recebe nomes variados como rocha de tenda, chaminé de fadas ou pirâmide de terra.
As estruturas naturais são formadas por camadas de rocha dura que se acumulam dentro de rochas sedimentares mais macias. Chuva, vento ou geada são os grandes responsáveis pelo processo erosivo, moldando a estrutura de forma bastante impressionante.
As duas torres de rocha em Marte parecem prestes a tombar em comparação com as que vemos na Terra, mas são sólidas o suficiente para suportar a gravidade superficial mais leve experimentada no Planeta Vermelho.
Hoodoos ao pôr do sol em East Coulee, Alberta, Canadá - Sputnik Brasil, 1920, 07.06.2022
Hoodoos ao pôr do sol em East Coulee, Alberta, Canadá
No início do ano, o Curiosity encontrou outra rocha, menor, que parecia um pedaço de coral ou uma flor com inúmeras pequenas pétalas que se estendiam em direção ao sol. Os cientistas acreditam que ela possa ter sido criada da mesma maneira.
"Uma teoria que surgiu é que a rocha é um tipo de concreção criada por minerais depositados pela água em rachaduras ou divisões na rocha existente", explicou um comunicado de imprensa da NASA na época.

As enormes torres de rocha podem parecer sem vida agora, mas sua formação fala muito sobre as condições antigas em Marte, incluindo se a vida poderia ter prosperado lá bilhões de anos atrás.
Esta imagem da câmera MAHLI no rover Curiosity Mars da NASA mostra artefatos rochosos esféricos e outro semelhante a uma flor na superfície da cratera Gale em Marte - Sputnik Brasil, 1920, 07.06.2022
Esta imagem da câmera MAHLI no rover Curiosity Mars da NASA mostra artefatos rochosos esféricos e outro semelhante a uma flor na superfície da cratera Gale em Marte
Marte (imagem referencial) - Sputnik Brasil, 1920, 06.06.2022
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