O deputado federal e candidato à reeleição, Marcelo Nilo (Republicanos), negou, em entrevista ao BNews, ter ameaçado o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), Maurício Kertzman. O desembargador expôs um áudio do parlamentar enviado para ele, antes da sessão desta quinta-feira (13), com uma ameaça de revelar um dossiê do magistrado. Nilo alegou uma suposta perseguição em decisões dele na Corte.
"Você pode ter certeza absoluta, vamos passar na minha cara, se você fizer essa sacanagem que você está fazendo comigo, e você está a serviço de Rui dos Respiradores, pode ter certeza, que a Bahia toda vai saber, é pesado, viu?", diz o trecho do áudio enviado ao desembargador, em visualização única, atribuído a Nilo. Kertzman documentou a gravação e solicitou que medidas cabíveis sejam tomadas.
"Eu jamais o ameacei", diz Marcelo Nilo
Procurado pela reportagem logo após a sessão, Nilo declarou que seis desembargadores o procuraram com um dossiê contra Maurício e negou que tenha feito qualquer ameaça.
"Eu não o ameacei. Mandei um dossiê para ele, que seis desembargadores [me enviaram]. Eu vou discursar na Câmara [Federal] lendo o dossiê. Terça-feira eu vou ler o dossiê na Câmara, que me mandaram", declarou ao BNews.
Nilo ainda alegou que vem sofrendo suposta perseguição do magistrado no momento de desempate de ações contra ele.
"Eu jamais o ameacei. O que eu disse à ele é que, enquanto ele está votando 4 a 3 contra mim... Quando você vota 3 a 3, o tribunal tá em dúvida, concorda? E aí ele sempre vota contra mim. E eu sei que ele é da cozinha de Rui Costa e de Jaques Wagner. E quando me entregam o dossiê e eu não publico, eu mando pra ele. Foi isso que eu disse. Não o ameacei. Não sou homem de ameaçar ninguém. Ao invés de discursar na Câmara, eu mandei pra ele, mas terça-feira eu vou discursar", emendou o parlamentar baiano.
Maurício Kertzman cobra investigação; advogada se diz surpresa
A Corte julgava uma representação contra Nilo quando o áudio foi exposto. O presidente Maurício Kertzman ressaltou que a exposição da gravação não é uma questão pessoal, mas uma medida de proteção às prerrogativas da magistratura.
"Se a intenção foi apenas causar a minha suspeição, eu não me considero suspeito, mesmo após entender esse áudio. Pessoalmente, não tenho nada a temer, minha vida é um livro aberto", afirmou.
Em seguida, após o discurso do magistrado, uma advogada de Nilo se disse surpresa com o áudio e afirmou que não compactua com a gravação, prestando solidariedade ao desembargador na sequência. Kertzman também recebeu apoio dos colegas no Plenário.



